{"id":16173,"date":"2016-07-12T14:56:45","date_gmt":"2016-07-12T17:56:45","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/07\/12\/a-cidade-que-ha-7-seculos-integra-pessoas-com-transtornos-mentais\/"},"modified":"2017-05-31T10:03:20","modified_gmt":"2017-05-31T13:03:20","slug":"a-cidade-que-ha-7-seculos-integra-pessoas-com-transtornos-mentais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-cidade-que-ha-7-seculos-integra-pessoas-com-transtornos-mentais\/","title":{"rendered":"A cidade que h\u00e1 7 s\u00e9culos integra pessoas com transtornos mentais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/downs-syndrome-w.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>As fam\u00edlias de Geel, na B\u00e9lgica, as hospedam nas pr\u00f3prias casas<\/p>\n<p>Imagine que voc\u00ea est\u00e1 fazendo um churrasco em casa e, de repente, o seu h\u00f3spede come\u00e7a a abra\u00e7ar a sua mulher e a dar-lhe beijos no rosto. Nenhum dos seus amigos estranha a cena.<\/p>\n<p>Ou ent\u00e3o que a pessoa que mora no andar de cima tem problemas para dormir \u00e0 noite porque tem medo dos le\u00f5es que saem das paredes. Voc\u00ea sobe at\u00e9 o apartamento vizinho e, ostensivamente, afugenta os le\u00f5es.<\/p>\n<p>Ou ainda que o seu h\u00f3spede se fecha no banheiro para passar nada menos que horas lavando as m\u00e3os.<\/p>\n<p>Pois bem, assim s\u00e3o as coisas em Geel, uma cidade da B\u00e9lgica que, por inspira\u00e7\u00e3o de uma santa cat\u00f3lica, vem se esfor\u00e7ando h\u00e1 s\u00e9culos para integrar na vida cotidiana as pessoas com defici\u00eancias mentais.<\/p>\n<p>Situada a quarenta quil\u00f4metros de Amberes, Geel tem como padroeira Santa Dimpna, cujo corpo, sepultado em um antigo sarc\u00f3fago de m\u00e1rmore, foi descoberto no s\u00e9culo XIII. A descoberta das rel\u00edquias de Santa Dimpna se fez acompanhar pela restaura\u00e7\u00e3o milagrosa da sa\u00fade de v\u00e1rios epil\u00e9ticos e pessoas com transtornos mentais. Desde ent\u00e3o, al\u00e9m de venerar a santa como protetora das pessoas com essas doen\u00e7as, os habitantes de Geel passaram a se destacar pela amabilidade e pelos cuidados para com quem padecem de tais transtornos.<\/p>\n<p>No final do s\u00e9culo XIII, a cidade construiu uma cl\u00ednica esses enfermos que, hoje, se transformou num hospital p\u00fablico de refer\u00eancia mundial. A maioria dos pacientes vive o dia-a-dia de forma satisfat\u00f3ria e produtiva, como h\u00f3spedes internos em casas de moradores locais, a quem ajudam nas tarefas cotidianas e com quem compartilham a vida familiar.<\/p>\n<p>Sob a guarda centen\u00e1ria do campan\u00e1rio medieval da igreja de Santa Dimpna, os habitantes de Geel mant\u00eam uma tradi\u00e7\u00e3o de sete s\u00e9culos ao receberem e cuidarem, dentro dos pr\u00f3prios lares, de pessoas com transtornos mentais. Essas pessoas n\u00e3o s\u00e3o chamadas de pacientes, mas sim de h\u00f3spedes. Al\u00e9m disso, elas trabalham em troca da moradia e do alimento. Em Geel, elas se unem a uma fam\u00edlia para compartilhar a vida e os cuidados, ajudando-se mutuamente.<\/p>\n<p>Luc Ennekans \u00e9 um dos cerca de 250 h\u00f3spedes que vivem hoje em Geel. Tem 51 anos, \u00e9 da regi\u00e3o de Flandres e mora com a Sra. Toni Smit e seu esposo Arthur Shouten. Luc \u00e9 muito amig\u00e1vel. \u00c9 ele o homem que mencionamos no primeiro par\u00e1grafo, aquele que inunda de afeto a senhora Smit, lhe compra flores, a beija no rosto e caminha com ela de bra\u00e7os dados.<\/p>\n<p>Pela resid\u00eancia do casal, j\u00e1 passaram, ao longo dos anos, seis h\u00f3spedes, cada um com suas particularidades. Assim como os muitos outros anfitri\u00f5es de Geel, eles aceitam que \u00e9 esta a realidade dos seus h\u00f3spedes. N\u00e3o \u00e9 algo \u201canormal\u201d ou que deva cambiar. \u201cA vida \u00e9 assim\u201d, observa Arthur.<\/p>\n<p>A aceita\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as mentais se transformou numa esp\u00e9cie de tradi\u00e7\u00e3o em Geel. \u00c9 a ess\u00eancia do programa de h\u00f3spedes \u2013 e v\u00e1rios observadores acham que \u00e9 tamb\u00e9m a causa do sucesso deste sistema.<\/p>\n<p>Durante s\u00e9culos, foram testados mundo afora muitos e diferentes experimentos para oferecer aten\u00e7\u00e3o a pessoas com doen\u00e7as mentais. O caso de Geel \u00e9 um dos que h\u00e1 mais tempo d\u00e3o bons resultados.<\/p>\n<p>O programa de h\u00f3spedes \u00e9 gerido por um hospital psiqui\u00e1trico p\u00fablico da cidade. Depois que os profissionais m\u00e9dicos fazem sua avalia\u00e7\u00e3o, o h\u00f3spede \u00e9 confiado a uma fam\u00edlia que, por sua vez, recebe do governo forma\u00e7\u00e3o e apoio financeiro para o programa.<\/p>\n<p>Pessoas que previamente manifestaram comportamentos violentos n\u00e3o costumam ser admitidas no programa. Nos casos necess\u00e1rios, tamb\u00e9m acontecem interna\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma s\u00e9rie de crit\u00e9rios importantes para se entrar no programa Geel, que, no geral, seleciona pacientes com graves enfermidades mentais ou defici\u00eancias cognitivas e para os quais \u00e9 muito dif\u00edcil viver de forma independente.<\/p>\n<p>Em 2003, quase a metade dos 516 h\u00f3spedes da cidade padecia de algum transtorno cognitivo. Cerca de 20% tinha diagn\u00f3stico de esquizofrenia ou outro transtorno psic\u00f3tico. Alguns tamb\u00e9m manifestaram condi\u00e7\u00f5es como transtornos da aprendizagem ou autismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As fam\u00edlias de Geel, na B\u00e9lgica, as hospedam nas pr\u00f3prias casas Imagine que voc\u00ea est\u00e1 fazendo um churrasco em casa e, de repente, o seu h\u00f3spede come\u00e7a a abra\u00e7ar a sua mulher e a dar-lhe beijos no rosto. Nenhum dos seus amigos estranha a cena. Ou ent\u00e3o que a pessoa que mora no andar de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16172,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-16173","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16173","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16173"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16173\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25588,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16173\/revisions\/25588"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16172"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16173"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16173"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16173"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}