{"id":16081,"date":"2016-07-11T12:07:18","date_gmt":"2016-07-11T15:07:18","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/07\/11\/voos-da-pandorga\/"},"modified":"2017-05-08T10:32:44","modified_gmt":"2017-05-08T13:32:44","slug":"voos-da-pandorga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/voos-da-pandorga\/","title":{"rendered":"Voos da Pandorga"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Para quem n\u00e3o sabe, vou logo explicando. Pandorga \u00e9 o mesmo que papagaio, pipa, aquele artefato infantil feito de varetas e papel, que infesta nossos c\u00e9us em tempos de f\u00e9rias. Ora, porque ent\u00e3o esse palavr\u00e3o, j\u00e1 que outros sin\u00f4nimos s\u00e3o mais conhecidos? Simplesmente por estar mais pr\u00f3ximo de p\u00e2ndega (palha\u00e7ada) ou pandem\u00f4nio (confus\u00e3o demon\u00edaca). Simplesmente porque o assunto \u00e9 t\u00e3o hil\u00e1rio e ilus\u00f3rio quanto a divers\u00e3o infantil: fazer voar o mais alto poss\u00edvel um artefato feito com nossas pr\u00f3prias m\u00e3os, uma ilus\u00e3o que nos diverte. \u00c9 isso, ent\u00e3o.<br \/> A crian\u00e7a humana conseguiu bater todos seus recordes. Na madrugada da \u00faltima ter\u00e7a-feira (3.7.2016) uma pandorga humana emitiu sinal de estar a 800 milh\u00f5es de quil\u00f4metros da Terra. Trata-se da sonda Juno, que nesta semana entrou na \u00f3rbita do maior planeta do Sistema Solar, o grandioso J\u00fapiter, que \u00e9 nada mais, nada menos 1300 vezes maior que nossa Terra. Levou quase cinco anos para cumprir esse feito e chegar a quase quatro mil km de dist\u00e2ncia desse gigante do nosso universo. Enquanto aqui nesse planetinha o pandem\u00f4nio de uma civiliza\u00e7\u00e3o cada vez mais incerta em seu pr\u00f3prio destino, continua a empinar suas pipas de ilus\u00f5es perdidas, l\u00e1, quase no final de nosso universo poss\u00edvel e imagin\u00e1rio, Juno confirmava a possibilidade humana de al\u00e7ar voos maiores e mais objetivos que nossa triste realidade terrena. Sim, somos capazes! Somos suficientemente inteligentes e capacitados para orbitar ao redor de realidades c\u00f3smicas maiores e mais belas que aquelas que nos prendem \u00e0 p\u00e2ndega realidade que aqui constru\u00edmos: terrorismo, prostitui\u00e7\u00e3o, intoler\u00e2ncia racial, fanatismo religioso, hedonismo, drogas, e por ai vai. S\u00f3 para constar: nos grandes centros um simples e inofensivo papagaio infantil \u00e9 tamb\u00e9m um sinalizador \u2013 c\u00f3digo secreto entre traficantes \u2013 para anunciar o reabastecimento de drogas ou alertar quanto \u00e0 presen\u00e7a policial. Pobre brinquedo de outrora!<br \/> Fiquemos, ent\u00e3o, com o sofisticado brinquedinho tecnol\u00f3gico, capaz de voos maiores que nossa v\u00e3 filosofia. Chegou l\u00e1 com o emblem\u00e1tico nome de Juno, que na mitologia romana era a mulher de J\u00fapiter, o deus mais poderoso desse pante\u00e3o das cren\u00e7as humanas. Ironia ou n\u00e3o, o fato \u00e9 que conseguimos aproximar a amada do seu grande amor! O id\u00edlio humano tem seus voos e raz\u00f5es que s\u00f3 a raz\u00e3o conhece. Ou desconhece. Porque, afora essa aventura movida pela curiosidade que nos \u00e9 pr\u00f3pria, os engenheiros que n\u00e3o mediram esfor\u00e7os \u2013 nem investimentos \u2013 nessa brincadeira, justificaram-se dizendo que a miss\u00e3o interplanet\u00e1ria est\u00e1 em busca de \u00e1gua. Ao longo de 20 meses esse novo dedo duro terr\u00e1queo ir\u00e1 orbitar por 37 vezes ao redor dos polos do grande planeta, fazendo um mapeamento com sensores sofisticados e depois nos dar\u00e1 adeus chocando-se contra o gigante. Ser\u00e1 o abra\u00e7o fatal da esposa com seu amado. Um triste final para mais uma hist\u00f3ria de amor!<br \/> De tudo isso, o que nos resta? Lembrei-me de velho conselho do grande D. H\u00e9lder C\u00e2mara, uma crian\u00e7a a sorrir de nossas aventuras, nossas ilus\u00f5es cotidianas. Disse-nos um dia: \u201c\u00d3timo que tua m\u00e3o ajude o voo&#8230; mas que ela jamais se atreva a tomar o lugar das asas\u201d. Sonhar \u00e9 bom. Mas iludir-se, jamais. Porque h\u00e1 sempre uma fonte de \u00e1gua aos p\u00e9s de quem morre de sede. Basta vencermos a rocha, sondarmos o ch\u00e3o que pisamos. N\u00e3o criemos ilus\u00f5es com o mundo l\u00e1 fora, quando \u00e9 aqui, neste planetinha azul e maravilhoso, que Deus nos colocou. \u00c9 nessa casa comum que devemos orbitar, tecer nossos sonhos, nossas hist\u00f3rias de amor p\u00e9 no ch\u00e3o, sem outras ilus\u00f5es que nunca alcan\u00e7aremos. Soltar pipas, sondar o Infinito, faz bem; mas conhecer a pr\u00f3pria realidade tamb\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para quem n\u00e3o sabe, vou logo explicando. Pandorga \u00e9 o mesmo que papagaio, pipa, aquele artefato infantil feito de varetas e papel, que infesta nossos c\u00e9us em tempos de f\u00e9rias. Ora, porque ent\u00e3o esse palavr\u00e3o, j\u00e1 que outros sin\u00f4nimos s\u00e3o mais conhecidos? Simplesmente por estar mais pr\u00f3ximo de p\u00e2ndega (palha\u00e7ada) ou pandem\u00f4nio (confus\u00e3o demon\u00edaca). 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