{"id":16044,"date":"2016-07-08T14:40:45","date_gmt":"2016-07-08T17:40:45","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/07\/08\/como-ser-o-pai-de-um-menino-que-vai-morrer\/"},"modified":"2017-05-31T10:04:57","modified_gmt":"2017-05-31T13:04:57","slug":"como-ser-o-pai-de-um-menino-que-vai-morrer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/como-ser-o-pai-de-um-menino-que-vai-morrer\/","title":{"rendered":"Como ser o pai de um menino que vai morrer"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/gaspard.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>&#8220;Eu tenho certeza de que, um dia, vamos todos jogar futebol no c\u00e9u. E Gaspard ser\u00e1 centroavante. E eu vou ver a sua alegria, a sua felicidade, cheio, repleto de orgulhoso!&#8221;<\/p>\n<p>O testemunho que agora compartilhamos foi escrito pelo pai de Gaspard, um simp\u00e1tico menininho franc\u00eas que nasceu com defici\u00eancias severas. Os m\u00e9dicos estimam, para Gaspard, uma passagem breve por esta terra. Seu pai revela, para n\u00f3s, um pouco daquilo que sente diante desse desafio t\u00e3o, t\u00e3o imensur\u00e1vel \u2013 e o seu desabafo \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria.<\/p>\n<p>. . .<\/p>\n<p>Faz alguns dias, quando meus tr\u00eas filhos estavam me dando seus tradicionais presentes feitos na escola para o dia dos pais [nota: o dia dos pais, na Fran\u00e7a, \u00e9 comemorado em junho], pensei no meu Gaspard e me perguntei, do fundo do cora\u00e7\u00e3o, se eu fui um bom pai.<\/p>\n<p>Porque, l\u00e1 no fundo, \u00e0s vezes, eu duvido. Eu duvido porque ser o pai de uma crian\u00e7a que se aproxima lentamente da morte \u00e9 um longo caminho de cruz. Um caminho repleto de d\u00favidas sobre o sentido desta prova\u00e7\u00e3o; repleto de arrependimentos, questionamentos, momentos de tristeza e combates interiores contra um ego\u00edsmo que n\u00e3o tem o bom gosto de diminuir. Viver com esse terr\u00edvel prazo na mente \u00e9, muitas vezes, como remar contra a corrente: voc\u00ea se esfor\u00e7a, mas sente que est\u00e1 sendo recuado \u00e0 for\u00e7a.<\/p>\n<p>Para a maioria dos pais, tamb\u00e9m existe a delicada quest\u00e3o do trabalho. O que fazer? Deixar a carreira em espera e parar de trabalhar? Mas durante quanto tempo? E como \u00e9 que vamos pagar o aluguel? E se ele viver mais tempo que o prognosticado pelos m\u00e9dicos? Todas essas pedras no sapato de cada manh\u00e3 tantas vezes se tornam espinhos que machucam o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ser o pai de um menino que vai morrer \u00e9 tamb\u00e9m preparar o depois, aquele depois que assusta. Ser\u00e1 imposs\u00edvel viver como antes, porque o nosso sol, a estrela da nossa casa, aquele em torno de quem tudo gira, n\u00e3o vai mais estar aqui para iluminar o nosso caminho. Ou melhor, ele estar\u00e1 aqui sempre, mas de outra forma. E faz parte do papel de pai, creio eu, preparar esse futuro, porque os nossos outros filhos merecem o melhor \u2013 e eles certamente se sentir\u00e3o fragilizados, durante alguns anos, depois de tudo o que viveram ao lado de Gaspard. Eu n\u00e3o acho que algu\u00e9m saia ileso desse tipo de prova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E h\u00e1 uma \u00faltima coisa: a impot\u00eancia. E ela \u00e9, sem d\u00favida, a pior. Para um homem, a coisa mais dif\u00edcil a encarar \u00e9 n\u00e3o poder, n\u00e3o ser capaz de salvar o pr\u00f3prio filho, ser incapaz de impedir que ele sofra.<\/p>\n<p>Devo admitir que eu n\u00e3o resolvi nenhum desses problemas. Eu me sinto terrivelmente impotente. Eu continuei trabalhando, preparando o futuro do melhor jeito que pude.<\/p>\n<p>A \u00fanica coisa que importa \u00e9 que eu o ame.<\/p>\n<p>Uma noite, decidi que Gaspard me mostraria o que ele esperava de mim. Decidi perguntar a ele. Eu me coloquei ao seu lado, sentado em seu quarto, e lhe perguntei:<\/p>\n<p>\u201cGaspard, o que voc\u00ea espera de mim?\u201d<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o se moveu, n\u00e3o emitiu nenhum som, nem sequer piscou. Permaneceu impass\u00edvel. Eu esperei. Esperei quase 2 horas. Ouvia a sua respira\u00e7\u00e3o, olhava para ele, o limpei, beijei, rezei por ele, cochilei um pouco\u2026 E a resposta, de repente, me pareceu \u00f3bvia. Ele s\u00f3 quer isso. Ele s\u00f3 quer que eu o ame. Ele n\u00e3o quer que eu pare de trabalhar, ele n\u00e3o quer que eu o cure, ele n\u00e3o quer que eu desenvolva planos nebulosos para depois de amanh\u00e3. Ele s\u00f3 quer que, hoje, eu o ame. \u00c9 s\u00f3 isso. E isso \u00e9 muito.<\/p>\n<p>Nesta noite, eu quero tirar o meu chap\u00e9u para todos os pais de crian\u00e7as extraordin\u00e1rias, para todos os pais que carregam esse fardo t\u00e3o dif\u00edcil. Eu tenho certeza de que os nossos filhos est\u00e3o orgulhosos de n\u00f3s. Muito orgulhosos mesmo! Eu tenho certeza de que, um dia, vamos todos jogar futebol no c\u00e9u. E Gaspard ser\u00e1 centroavante. E eu vou ver a sua alegria, a sua felicidade, cheio, repleto de orgulhoso!<\/p>\n<p>Leia tamb\u00e9m, dos papais de Gaspard, outro texto de extraordin\u00e1ria beleza e emo\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>Alguma vez voc\u00ea j\u00e1 se perguntou como \u00e9 que s\u00e3o escolhidas as mam\u00e3es das crian\u00e7as com defici\u00eancia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Eu tenho certeza de que, um dia, vamos todos jogar futebol no c\u00e9u. 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