{"id":15988,"date":"2016-07-07T12:23:38","date_gmt":"2016-07-07T15:23:38","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/07\/07\/a-fina-arte-da-religiao\/"},"modified":"2017-05-31T10:07:25","modified_gmt":"2017-05-31T13:07:25","slug":"a-fina-arte-da-religiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-fina-arte-da-religiao\/","title":{"rendered":"A fina arte da religi\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/24925lpr_20ff1699ef90a59.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>O decl\u00ednio na alfabetiza\u00e7\u00e3o religiosa gera algumas consequ\u00eancias surpreendentes, n\u00e3o apenas espirituais, mas tamb\u00e9m no \u00e2mbito cultural<\/p>\n<p>Durante anos, os estudiosos das religi\u00f5es t\u00eam lamentado o decl\u00ednio da alfabetiza\u00e7\u00e3o b\u00edblica na sociedade. Um estudo mostrou que um em cada quatro crist\u00e3os n\u00e3o tinha lido a B\u00edblia em um ano. E uma em cada cinco pessoas que frequentam cursos de igreja disseram que n\u00e3o leem a B\u00edblia.<\/p>\n<p>Claro que, para o clero e os biblistas, a preocupa\u00e7\u00e3o est\u00e1 ligada \u00e0 ideia de que o analfabetismo b\u00edblico poderia levar a um decl\u00ednio moral e espiritual. Mas h\u00e1 outra perda \u2013 a perda que afeta a popula\u00e7\u00e3o em geral, voc\u00ea lendo a b\u00edblia ou n\u00e3o, professando ser crist\u00e3o ou n\u00e3o. Como David Neff, antigo editor-chefe da Christianity Today, diz, \u201co analfabetismo b\u00edblico \u00e9 uma forma de analfabetismo cultural\u201d.<\/p>\n<p>De fato. A B\u00edblia est\u00e1 t\u00e3o entrela\u00e7ada com hist\u00f3ria e a arte que parece inevit\u00e1vel que uma forma de analfabetismo possa levar \u00e0 outra. \u201cClaro, isso atrapalha alunos do ensino m\u00e9dio e universit\u00e1rios que precisam estudar literatura e arte\u201d, diz Neff. \u201cSem contexto b\u00edblico, eles ter\u00e3o dificuldades em discernir at\u00e9 mesmo o significado de t\u00edtulos de livros e o seu conte\u00fado. Como no ano passado, que muitos estudantes tiveram de ler, de Harper Lee, Go Set a Watchman\u00a0 (t\u00edtulo vindo de Isa\u00edas 21), al\u00e9m de uma lista que inclu\u00eda t\u00edtulos como, de Gay Talese \u2013 Honor Thy Father (Ex\u00f4do), de Ernest Hemingway \u2013 The Sun Also Rises (Eclesiastes) e, de Robert Heinlein \u2013 Stranger in a Strange Land (J\u00f3)\u201d.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, entender t\u00edtulos \u00e9 apenas o come\u00e7o. Neff afirma que muitos se perdem lendo uma hist\u00f3ria se n\u00e3o compreendem que certos temas, refer\u00eancias e conflitos s\u00e3o origin\u00e1rios de escrituras religiosas.<\/p>\n<p>Marilynne Robinson, ganhadora do Pr\u00eamio Pulitzer, escreveu no New York Times: \u201cV\u00e1rias grandes obras da literatura ocidental retratam muito diretamente perguntas que surgem do cristianismo\u201d. Robinson assinala as quest\u00f5es do bem e do mal, da miseric\u00f3rdia, da justi\u00e7a, da d\u00favida.<\/p>\n<p>Em refer\u00eancia aos escritos de Faulkner, Dante, Milton, Dostoievski e Melville, Robinson escreve: \u201cCada uma dessas obras reflete um profundo conhecimento da B\u00edblia e da Tradi\u00e7\u00e3o por parte do escritor, o tipo de conhecimento encontrado apenas entre aqueles que a levam a s\u00e9rio o suficiente para sondar as quest\u00f5es mais profundas\u201d.<\/p>\n<p>Sem pelo menos um conhecimento b\u00e1sico de religi\u00e3o, h\u00e1 uma incapacidade de lidar com as quest\u00f5es profundas da Escritura levantadas por estes textos.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s entramos numa \u00e1rea de perda ainda mais significativa, que tem muito mais efeito do que a incapacidade de reconhecer textos b\u00edblicos e alus\u00f5es\u201d, diz Prior. \u201c\u00c9 a incapacidade de distinguir entre o ato de ler palavras literais e o ato de interpretar essas palavras, ou sua aplica\u00e7\u00e3o. Por exemplo, eu encontrei recentemente alguns crist\u00e3os que insistem em usar o que eles chamam de \u2018linguagem b\u00edblica\u2019 sobre temas que a b\u00edblia nunca aborda diretamente. A aplica\u00e7\u00e3o b\u00edblica pode certamente ser feita para todas as \u00e1reas da vida, mas quando deixamos de distinguir entre o que a B\u00edblia diz e o que estamos fazendo com o que interpretamos, ent\u00e3o diminu\u00edmos um aspecto essencial da imagem de Deus em n\u00f3s\u201d.<\/p>\n<p>E, claro, quando os bailarinos dan\u00e7am, os pintores pintam, os escultores esculpem, os escritores escrevem, os atores atuam e os cantores cantam, eles refletem a imagem de um Deus criador, quer reconhecendo-o ou n\u00e3o. Mas, frequentemente, todos eles levam a perguntas que as Escrituras igualmente levantam.<\/p>\n<p>Escreve Robinson: \u201ca B\u00edblia s\u00f3 pode dar express\u00e3o a uma verdade que a maioria de n\u00f3s sabe intuitivamente. Mas, como uma heran\u00e7a liter\u00e1ria ou mem\u00f3ria, ela tem refor\u00e7ado o impulso mais profundo da nossa literatura e nossa civiliza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Assim, como as pessoas interessadas n\u00e3o apenas na f\u00e9, mas nas artes, na cultura, nas bonitas, complicadas e reconfortantes palavras da Escritura, precisamos ler, estudar, apreciar, memorizar, ponderar. Como aconteceu com os grandes artistas. Quando n\u00f3s deixamos de ler \u2013 as palavras dos poetas nos Salmos e nos profetas, nas grandes hist\u00f3rias de G\u00eanesis e \u00caxodo, e os ensinamentos de Jesus nos Evangelhos \u2013 n\u00e3o s\u00f3 perdemos Deus, mas perdemos tanto o significado como a profundidade do que o seu povo criou.<\/p>\n<p>Embora a lista de obras de arte com refer\u00eancias b\u00edblicas seja extensa, a seguir est\u00e3o alguns exemplos:<\/p>\n<p>Hamilton<\/p>\n<p>Do show popular da Broadway, Hamilton, Alissa Wilkinson escreve: \u201cEsta exibi\u00e7\u00e3o de conhecimento b\u00edblico \u00e9 boa para o show: enriquece tanto o sentido da hist\u00f3ria \u2013 os Fundadores, independentemente das suas cren\u00e7as individuais, ficaram familiarizados com a B\u00edblia \u2013 como em v\u00e1rios casos constr\u00f3i temas e personagens de forma a torn\u00e1-los ainda mais complexos e fascinantes\u201d. Em um artigo para Christianity Today, Wilkinson faz refer\u00eancia a 18 passagens crist\u00e3s ou b\u00edblicas espec\u00edficas.<\/p>\n<p>\u201cHarlem\u201d<\/p>\n<p>Karen Swallow Prior diz que de todas as alus\u00f5es b\u00edblicas na literatura, a de Langston Hughes, \u201cHarlem\u201d, \u00e9 \u201cprovavelmente\u201d a sua favorita. \u201cTem a linha de \u2018um sonho adiado\u2019 [ver Prov\u00e9rbios 13,12] e se expande em toda essa ideia de maneira poderosa\u201d.<\/p>\n<p>O retorno do filho pr\u00f3digo<\/p>\n<p>Embora a par\u00e1bola do filho pr\u00f3digo seja um dos ensinamentos de Jesus mais conhecidos, apreciar a obra prima de Rembrandt, The Return of the Prodigal Son \u2013 O Retorno do Filho Pr\u00f3digo, na \u00edntegra (as diferentes m\u00e3os! os olhos! o irm\u00e3o em segundo plano) exige intimidade com a par\u00e1bola e a pintura.<\/p>\n<p>Absal\u00e3o, Absal\u00e3o<\/p>\n<p>David Neff citou v\u00e1rios t\u00edtulos com refer\u00eancias b\u00edblicas e Absal\u00e3o, Absal\u00e3o!, de William Faulkner, n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o. Sem uma compreens\u00e3o da ang\u00fastia do rei Davi sobre seu rebelde (e assassinado) filho, perdemos muito desta obra-prima.<\/p>\n<p>Figuras de Cristo<\/p>\n<p>Sem o conhecimento de Jesus e da B\u00edblia facilmente perdemos \u2013 e n\u00e3o compreendemos \u2013 as \u201cfiguras de Cristo\u201d na literatura e no cinema. Leia os Evangelhos e depois veja, digamos, O Rei Le\u00e3o ou As Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia.<\/p>\n<p>Deus est\u00e1 em toda parte na arte. Sem conhecer as Escrituras estamos perdendo uma compreens\u00e3o mais profunda n\u00e3o apenas da nossa f\u00e9, mas da nossa cultura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O decl\u00ednio na alfabetiza\u00e7\u00e3o religiosa gera algumas consequ\u00eancias surpreendentes, n\u00e3o apenas espirituais, mas tamb\u00e9m no \u00e2mbito cultural Durante anos, os estudiosos das religi\u00f5es t\u00eam lamentado o decl\u00ednio da alfabetiza\u00e7\u00e3o b\u00edblica na sociedade. Um estudo mostrou que um em cada quatro crist\u00e3os n\u00e3o tinha lido a B\u00edblia em um ano. 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