{"id":15979,"date":"2016-07-08T03:00:00","date_gmt":"2016-07-08T06:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/07\/08\/vai-e-faze-tu-o-mesmo\/"},"modified":"2017-05-08T10:34:21","modified_gmt":"2017-05-08T13:34:21","slug":"vai-e-faze-tu-o-mesmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/vai-e-faze-tu-o-mesmo\/","title":{"rendered":"Vai e faze tu o mesmo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Nesse Ano da Miseric\u00f3rdia, o Evangelho deste domingo nos coloca diante de atitudes concretas de miseric\u00f3rdia. Ali\u00e1s, essa tem sido a insist\u00eancia do Papa Francisco diante de um mundo que se fecha \u00e0s pessoas, aos migrantes, aos pobres e desemparados. A Palavra de Deus \u00e9 para n\u00f3s um grande questionamento sobre a nossa presen\u00e7a misericordiosa no mundo.<br \/>O Evangelho do XV Domingo do Tempo Comum (Lc 10, 25-37) apresenta Jesus a falar com um doutor da lei sobre o primeiro mandamento: o amor a Deus e ao pr\u00f3ximo. O doutor interroga o Mestre, n\u00e3o por desejo de aprender, mas \u201cpara experiment\u00e1-Lo\u201d. \u201cE quem \u00e9 o meu pr\u00f3ximo\u201d?<br \/> Em resposta, Jesus conta a hist\u00f3ria do samaritano que socorre o homem ca\u00eddo nas m\u00e3os dos ladr\u00f5es e deixado meio morto ao lado da estrada. Este \u00e9 o meu pr\u00f3ximo: um homem, um homem qualquer, algu\u00e9m que necessita de mim. O Senhor n\u00e3o introduz nenhuma especifica\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a, amizade ou parentesco. O nosso pr\u00f3ximo \u00e9 qualquer pessoa que esteja perto de n\u00f3s e necessita de ajuda. Nada se diz do seu pa\u00eds, nem da sua cultura, nem da sua condi\u00e7\u00e3o social: um homem qualquer.<br \/> Vemos, portanto, que a Palavra de Deus proposta neste Domingo \u00e9 surpreendente. Tudo come\u00e7a com uma pergunta que, apesar de mal intencionada, \u00e9 v\u00e1lida, necess\u00e1ria, sempre urgente; pergunta que brota do mais profundo da nossa ang\u00fastia: \u201cQue devo fazer para receber a vida? Como devo viver para viver de verdade, para que minha vida valha a pena e n\u00e3o seja uma paix\u00e3o in\u00fatil\u201d? Apesar de um mundo que procura nos distrair dessa pergunta, n\u00e3o h\u00e1 como sufoc\u00e1-la, como fazer de conta que ela n\u00e3o perturba nosso cora\u00e7\u00e3o! Qual o sentido da vida? Qual a raz\u00e3o de viver? Onde est\u00e1 a vida, a realiza\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia? Que caminho seguir para ser feliz de verdade?<br \/> Jesus est\u00e1 falando com um escriba judeu; por isso, manda-o \u00e0 Lei de Mois\u00e9s. Uma coisa Ele quer deixar claro: a vida n\u00e3o est\u00e1 no homem, mas na vontade de Deus! O homem somente ser\u00e1 feliz, somente encontrar\u00e1 a vida se procurar lealmente a vontade de Deus. Por isso, no Salmo 118, o Salmista pede, de modo comovente: \u201cSou apenas peregrino sobre a Terra; de mim n\u00e3o oculteis vossos preceitos\u201d! Perder de vista o projeto de Deus, para n\u00f3s \u00e9 perder de vista a pr\u00f3pria vida, o sentido da exist\u00eancia! N\u00e3o esque\u00e7amos, para n\u00e3o sermos enganados: fechados para a verdadeira vontade do Senhor n\u00e3o encontraremos a realiza\u00e7\u00e3o verdadeira! E este \u00e9 o drama do mundo atual, que se julga maior de idade e, portanto, independente de Deus. Na verdade \u00e9 um mundo ateu, porque \u00e9 um mundo autossuficiente, que s\u00f3 confia de verdade na sua filosofia, na sua tecnologia, na sua racionalidade pag\u00e3 e na sua moral fechada para o Infinito!<br \/> Nesta passagem do Evangelho, encontramos outro ensinamento fundamental: a Lei de Deus n\u00e3o \u00e9 algo negativo, mas algo claramente positivo, \u00e9 amor. A santidade, a que todos os batizados est\u00e3o chamados, n\u00e3o consiste tanto em n\u00e3o pecar, mas em amar, em fazer coisas positivas, em dar frutos de amor de Deus. Quando o Senhor nos descreve o Ju\u00edzo Final real\u00e7a esse aspecto positivo da Lei de Deus (Mt 25, 31-46). O pr\u00eamio da vida eterna ser\u00e1 concedido aos que fizeram o bem. Nesta par\u00e1bola do bom samaritano, Santo Agostinho identifica o Senhor com o bom samaritano, e o homem assaltado pelos ladr\u00f5es com Ad\u00e3o, origem e figura de toda a humanidade ca\u00edda. Levado por essa compaix\u00e3o e miseric\u00f3rdia, o Verbo Eterno desce \u00e0 Terra para curar as chagas do homem, fazendo-as suas pr\u00f3prias (Is 53, 4; Mt 8, 17; 1Pd 2, 14; 1 Jo 3, 5).<br \/> Jesus conclui o ensinamento com uma palavra cordial dirigida ao doutor: \u201cVai e faze tu o mesmo\u201d. S\u00ea o pr\u00f3ximo inteligente, ativo e compassivo com todo aquele que precisar de ti. Pois, como ensina S\u00e3o Tom\u00e1s: \u201cquando \u00e9 amado o homem, \u00e9 amado Deus j\u00e1 que o homem \u00e9 imagem de Deus\u201d. Quem ama de verdade Deus, ama tamb\u00e9m os seus iguais, porque ver\u00e1 neles os seus irm\u00e3os, filhos do mesmo Pai, redimidos pelo mesmo sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo: \u201cTemos este mandamento de Deus: que o que ame a Deus ame tamb\u00e9m o seu irm\u00e3o\u201d (1 Jo 4, 21). H\u00e1, por\u00e9m, um perigo! Se amarmos o homem pelo homem, sem refer\u00eancia a Deus, este amor converte-se em obst\u00e1culo que impede o cumprimento do primeiro preceito; e ent\u00e3o deixa tamb\u00e9m de ser verdadeiro amor ao pr\u00f3ximo. Mas o amor ao pr\u00f3ximo por Deus \u00e9 prova patente de que amamos a Deus: \u201cse algu\u00e9m diz: amo a Deus, mas despreza o seu irm\u00e3o, \u00e9 um mentiroso\u201d (1 Jo 4, 20).<br \/> Portanto, recordemos que o pr\u00f3prio Senhor nos deu o exemplo; Ele mesmo se fez pr\u00f3ximo de n\u00f3s: sendo Deus se fez homem, veio viver a nossa aventura, partilhar a nossa sorte, para nos dar a sua vida: \u201cCristo \u00e9 a imagem do Deus invis\u00edvel\u2026 porque Deus quis habitar Nele com toda a sua plenitude\u201d. Ele n\u00e3o viu nossa mis\u00e9ria de longe, n\u00e3o nos amou \u00e0 dist\u00e2ncia: desceu e veio viver a nossa vida, fazendo-se Deus-conosco! Por isso, Ele \u00e9 o verdadeiro Bom Samaritano, o verdadeiro modelo daquele que \u201cse faz pr\u00f3ximo\u201d do pr\u00f3ximo: viu-nos \u00e0 margem do caminho da vida; viu-nos roubados e despojados de nossa dignidade de imagem de Deus; viu-nos totalmente perdidos\u2026 Ele se compadeceu de n\u00f3s, desceu \u00e0 nossa mis\u00e9ria, fez-se homem para nos curar e elevar. Nele se revela a plenitude do amor a Deus e aos outros: \u201cDeus quis por Ele reconciliar consigo todos os seres que est\u00e3o na terra e no c\u00e9u, realizando a paz pelo sangue da sua cruz\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesse Ano da Miseric\u00f3rdia, o Evangelho deste domingo nos coloca diante de atitudes concretas de miseric\u00f3rdia. Ali\u00e1s, essa tem sido a insist\u00eancia do Papa Francisco diante de um mundo que se fecha \u00e0s pessoas, aos migrantes, aos pobres e desemparados. 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