{"id":15764,"date":"2016-06-30T12:13:19","date_gmt":"2016-06-30T15:13:19","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/06\/30\/vestir-os-despidos\/"},"modified":"2017-05-08T10:52:13","modified_gmt":"2017-05-08T13:52:13","slug":"vestir-os-despidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/vestir-os-despidos\/","title":{"rendered":"Vestir os despidos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Em nossa Carta Pastoral \u201cCom Miseric\u00f3rdia olhou para Ele e o Escolheu\u201d, sugerimos como obra de miseric\u00f3rdia para o m\u00eas de junho \u201cVestir os despidos\u201d (Cf. Carta Pastoral 23,3). Olhemos para o Santo Evangelho de Mateus 25, 34-44: o ator principal \u00e9 o \u201cFilho do Homem\u201d, aquele ser humano que recebe de Deus plenos poderes sobre o mundo, conforme a vis\u00e3o de Dn 7,13-14. \u00c9 o pr\u00f3prio Jesus. Ele vem com a gl\u00f3ria de Deus e re\u00fane diante de si todos os povos. Como um rei \u2013 tendo a \u00faltima palavra em seu reino \u2013 Ele vai julgar \u201ctodos os povos\u201d. Ora, qual vai ser o crit\u00e9rio para julgar esses povos? Assim como um pastor, ao anoitecer, separa os cordeiros dos bodes para que passem a noite em ambientes diferentes, o rei-juiz separa os bons dos maus. Os bons, Ele os faz entrar na Sua alegria, porque lhe deram comida, bebida, hospedagem, roupa, assist\u00eancia na pris\u00e3o&#8230; E eles perguntaram: \u201cSenhor, n\u00e3o sabemos nada disso\u201d! Ent\u00e3o responde: \u201cO que fizeste ao menor desses meus irm\u00e3os (os famintos, sedentos, despidos etc.), foi a mim que o fizeste\u201d. E os maus, Ele os condena, porque n\u00e3o fizeram essas boas a\u00e7\u00f5es. Tampouco estes t\u00eam consci\u00eancia de quando foi que n\u00e3o tratarem bem o rei. E ele responde: \u201cO que deixastes de fazer a um desses menores irm\u00e3os meus, a mim o recusastes\u201d.<br \/> Discute-se o que Jesus quer dizer com os \u201cmenores dos meus irm\u00e3os\u201d. Parece que \u00e9 das pessoas sem ignor\u00e2ncia em geral que se trata, pois os que praticaram as boas a\u00e7\u00f5es fizeram-no sem saber que estavam fazendo algo importante. \u201cFaze o bem e n\u00e3o olha para quem\u201d.<br \/> \u00c9 na caridade gratuita, sem considera\u00e7\u00e3o da pessoa, que se encontra o crit\u00e9rio pelo qual Jesus julga \u201ctodos os povos\u201d. Na perspectiva dos israelitas, o julgamento se pauta segundo a observ\u00e2ncia da Lei de Mois\u00e9s. Mas Jesus veio anunciar o Reino para al\u00e9m dos limites do Juda\u00edsmo. Para al\u00e9m da Lei de Mois\u00e9s. Para os povos em geral, as pessoas da humanidade universal, o crit\u00e9rio para saber se eles cabem ou n\u00e3o ao lado de Deus \u00e9 este: a caridade exercida gratuitamente, sem olhar para quem. O que agrada a Deus \u00e9 o amor perfeito efetivo que demonstramos para com Seus filhos, especialmente os mais insignificantes, os mais pequenos.<br \/> Desde tempos remotos que o vestu\u00e1rio faz parte integrante de um direito mais vasto, o direito a um n\u00edvel de vida adequado, reconhecido pelo artigo 25\u00ba da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos. O vestu\u00e1rio serve para cobrirmos o exterior do nosso corpo e proteger a nossa dignidade, a nossa interioridade. Na B\u00edblia, a nudez \u00e9 vista essencialmente como negativa, pois retira a identidade e a dignidade do ser humano. No livro do G\u00eanesis, a nudez aparece como consequ\u00eancia do pecado: Ad\u00e3o e Eva, despidos da gra\u00e7a de Deus, olham-se com vergonha e escondem-se de Deus.<br \/> \u00c9 preciso ter a sensibilidade do cora\u00e7\u00e3o a fim de que saibamos fazer alguma coisa para vestir as pessoas carentes, cujos corpos s\u00e3o templos do Esp\u00edrito Santo e merecem ser vestidos com dignidade. Agora no inverno, essa necessidade \u00e9 ainda mais premente para muitas pessoas que n\u00e3o est\u00e3o preparadas para enfrentar o frio deste tempo, seja em suas resid\u00eancias, seja, principalmente, aqueles que fazem parte da popula\u00e7\u00e3o de rua e que dormem ao relento em nossas cidades.<br \/> Esta obra de miseric\u00f3rdia pode ser realizada pela oferta de roupas que sejam \u00fateis a uma fam\u00edlia pobre e necessitada, ou \u00e0s pessoas, individualmente, oferta que pode ser entregue diretamente para uma determinada fam\u00edlia ou pessoa necessitada, ou entregue a uma institui\u00e7\u00e3o de caridade que preste essa assist\u00eancia. Em nossa Arquidiocese, a Caritas Arquidiocesana tem um merit\u00f3rio trabalho de atendimento fraterno em favor dos que est\u00e3o nessa situa\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, pode-se encaminhar as roupas que se disp\u00f5e para a Catedral Metropolitana. Mas tamb\u00e9m as par\u00f3quias e vicariatos episcopais est\u00e3o abertos para acolher a doa\u00e7\u00e3o das pessoas e depois encaminh\u00e1-las aos necessitados. Muitas j\u00e1 o fizeram e continuam fazendo ainda neste per\u00edodo que continua a marcar este tempo invernal. Isso n\u00e3o quer tirar a iniciativa que cada um pode ter em atender pessoalmente, em sua rua ou sua regi\u00e3o ou mesmo pelas ruas da cidade, aqueles que necessitam desse carinho de irm\u00e3os. <br \/>Aqueles que t\u00eam condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o tenham respeito humano em adquirir roupas novas, cobertores para serem encaminhados aos que est\u00e3o nus e que tanto precisam, particularmente neste per\u00edodo em que est\u00e1 fazendo tanto frio. Todos n\u00f3s podemos doar roupas que j\u00e1 foram usadas, mas est\u00e3o em bom estado e podem ser bem aproveitadas.<br \/> \u201cEm verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irm\u00e3os mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes\u201d (Mt 25, 34;36;40). A roupa que se amontoa e ganha mofo nos nossos arm\u00e1rios pertence e faz falta a muitos pobres. <br \/> Embora tenhamos chegado ao final do m\u00eas de junho, em que essa sugest\u00e3o foi feita como obra de miseric\u00f3rdia, o gesto precisa continuar enquanto durar este tempo mais frio em nossa regi\u00e3o. Mesmo tendo outra sugest\u00e3o para o m\u00eas de julho como obra de miseric\u00f3rdia, isso n\u00e3o impede de continuar \u201cvestindo os nus\u201d ou dando agasalho a quem necessita. \u00a0\u00a0\u00a0 Queridos irm\u00e3os, somos chamados, neste Ano da Miseric\u00f3rdia e neste tempo de inverno, a vivenciar este dom que \u00e9 saber ajudar aos mais pequeninos, sobretudo aqueles que est\u00e3o nas ruas e passam fome e frio, ou ainda aquela fam\u00edlia vizinha que n\u00e3o tem uma roupa de frio para se cobrir. Tudo isso o fazemos em Cristo, com quem nos encontramos na pessoa do irm\u00e3o. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em nossa Carta Pastoral \u201cCom Miseric\u00f3rdia olhou para Ele e o Escolheu\u201d, sugerimos como obra de miseric\u00f3rdia para o m\u00eas de junho \u201cVestir os despidos\u201d (Cf. Carta Pastoral 23,3). 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