{"id":15691,"date":"2016-06-28T14:23:03","date_gmt":"2016-06-28T17:23:03","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/06\/28\/quem-nao-gosta-de-madre-teresa-bom-sujeito-nao-e\/"},"modified":"2017-05-31T10:13:58","modified_gmt":"2017-05-31T13:13:58","slug":"quem-nao-gosta-de-madre-teresa-bom-sujeito-nao-e","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/quem-nao-gosta-de-madre-teresa-bom-sujeito-nao-e\/","title":{"rendered":"Quem n\u00e3o gosta de Madre Teresa, bom sujeito n\u00e3o \u00e9"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/santo\/teresa_de_calcutc3a1.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>O comovente depoimento de um homem que decidiu largar tudo para dedicar sua vida a ajudar a Madre Teresa de Calcut\u00e1<\/p>\n<p>Uma freira pequenina trabalhava como professora em uma escola cat\u00f3lica, para meninas ricas. At\u00e9 o dia em que, nas ruas de Calcut\u00e1, ela ouviu o clamor do Cristo sedento, faminto e doente. Ap\u00f3s insistir, recebeu autoriza\u00e7\u00e3o para fundar uma nova ordem e, sozinha, deixou uma vida razoavelmente confort\u00e1vel e segura para viver entre os mais pobres dos pobres.<\/p>\n<p>Aos poucos, se juntaram a ela antigas alunas, que se tornaram as primeiras mission\u00e1rias da caridade. Madre Teresa procurava Jesus nos lugares onde ningu\u00e9m O buscava: no lix\u00e3o, ela ia quase todos os dias revirar a imund\u00edcie, e muitas vezes recolhia ali pessoas doentes, j\u00e1 ro\u00eddas pelos ratos, e at\u00e9 beb\u00eas, um dos quais conseguiu \u201cressuscitar\u201d com um boca a boca (fato captado pelas c\u00e2meras da BBC).<\/p>\n<p>Certamente, n\u00e3o foi uma mulher perfeita\u2026 deve ter tido l\u00e1 os seus erros. Mas, dentro do cora\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de pessoas, cat\u00f3licas ou n\u00e3o, h\u00e1 uma convic\u00e7\u00e3o: se aquela mulher me visse em dificuldades, ela se comoveria e me ajudaria. Ela era mesmo santa. Tanto que seu nome virou sin\u00f4nimo de virtude e bondade.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/santo\/teresa_bebe.jpg\" border=\"0\" align=\"right\" \/>Suas rugas profundas eram como o leitos de um rio, onde corria amor e sofrimento. Mas o escritor ateu Christopher Hitchens n\u00e3o se comoveu com essa mulher; antes a odiou. Escreveu um livro e produziu um document\u00e1rio \u2013 \u201cAnjo do Inferno\u201d \u2013 afirmando que Madre Teresa era \u201cuma fan\u00e1tica, fundamentalista e uma fraude\u201d. Em um programa de TV, foi al\u00e9m, e a xingou de bitch.<\/p>\n<p>Como militante do socialismo, Hitchens n\u00e3o poderia mesmo entender o bem que a Madre fazia aos pobres. Sua vis\u00e3o materialista de mundo o impedia de ver al\u00e9m do que os olhos podem enxergar. Cad\u00ea os hospitais de ponta? Cad\u00ea os pobres saindo da pobreza? Perguntava ele.<\/p>\n<p>Hitchens acusava a Madre de n\u00e3o ajudar os pobres a sair de seu estado de pobreza. De fato, Madre Teresa n\u00e3o fundou uma ONG, ela n\u00e3o fazia trabalho social; ela fazia CARIDADE, ela amava cada pobre como um filho sa\u00eddo de seu ventre. A mesma acusa\u00e7\u00e3o que se fez a ela, poderia-se fazer a S\u00e3o Francisco de Assis: quem a\u00ed ouviu dizer que o santo levou algum pobre a ascender socialmente? E, no entanto\u2026 ele era a maior riqueza dos pobres, em seu tempo.<\/p>\n<p>Alguns leitores nos pediram para refutarmos o document\u00e1rio \u201cAnjo do Inferno\u201d. Curiosamente, a BBC deixa dispon\u00edvel esse filme no Youtube, mas n\u00e3o o estupendo Something Beautiful For God, produzido pela mesma emissora, em 1969 (se algu\u00e9m achar no Youtube, por favor me avise). O interesse da BBC em encobrir as boas obras da Madre e jogar lama em sua mem\u00f3ria fica ainda mais claro quando a emissora se recusa a autorizar a exibi\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio de 1969 em um festival de cinema gratuito realizado em 2010, para celebrar o centen\u00e1rio de nascimento de Teresa (Fonte: The Hindu).<\/p>\n<p>Alguns dizem que Hitchens era obcecado pela figura de Madre Teresa. Eu prefiro pensar que ele era fascinado por ela, mas se revoltava contra esse fasc\u00ednio, tentando sufoc\u00e1-lo com f\u00faria. F\u00faria e amargura era s\u00f3 o que ele tinha, j\u00e1 que seu livro e seu document\u00e1rio s\u00e3o pobres, muito pobres em fundamenta\u00e7\u00e3o. Que Deus tenha miseric\u00f3rdia de sua alma. Espero que, ainda que em seu \u00faltimo suspiro, ele tenha se arrependido de seus erros.<\/p>\n<p>Em vez de rebater o document\u00e1rio de Hitchens, em que Madre Teresa \u00e9 ate mesmo acusada de combater fortemente o aborto e o div\u00f3rcio (eita mul\u00e9 marvada!), preferimos deixar aqui o testemunho do nosso leitor Harun Salman. Ele aprendeu a amar Jesus no conv\u00edvio com a freirinha de Calcut\u00e1. Ent\u00e3o, os ateus socialistas ladram, e a caravana da caridade passa!<br \/>\u201cA Madre n\u00e3o fazia proselitismo; evangelizava\u201d<\/p>\n<p>Por Harun Salman<br \/><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/santo\/teresa_calcuta.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Filho de uma fam\u00edlia altamente cosmopolita, cresci entre Sussex (Inglaterra) e Sringeri (\u00cdndia), com eventuais f\u00e9rias no Brasil. Um dia, ouvi algu\u00e9m dizer que \u201co santo \u00e9 a criatura humana plenamente realizada\u201d. Pronto. Decidi ser santo. Minhas primeiras refer\u00eancias foram Swami Chinmayananda, um l\u00edder hindu, e Madre Teresa.<\/p>\n<p>Convivi com os dois. Com Swami Chinmayananda, aprendi s\u00e2nscrito e vedanta. Com Madre Teresa, aprendi a amar Jesus. Estudar com Swamiji (uma forma carinhosa de chamar Swami) foi f\u00e1cil. Ele e seus disc\u00edpulos davam aula perto de casa. Por\u00e9m, trabalhar com Madre Teresa foi bem mais dif\u00edcil. Ela percorria ambientes perigosos, trabalhava muito e n\u00e3o podia perder tempo catequizando um moleque com pretens\u00f5es \u00e0 santidade.<\/p>\n<p>Tive que esperar pela autoriza\u00e7\u00e3o dos meus pais. Finalmente a autoriza\u00e7\u00e3o veio. Era 1979. Eu n\u00e3o tinha mais o cabelo azul da rebeldia. Tinha estudado enfermagem. Falava hindi, s\u00e2nscrito, t\u00e2mil e malayalam. Era o melhor aluno do col\u00e9gio, campe\u00e3o de matem\u00e1tica. Parecia um menino ajuizado. Era um bom ator. Meus pais acreditaram. E, aos 15 anos, conheci minha hero\u00edna.<\/p>\n<p>Eu era apenas mais um de uma grande turma de estudantes ingleses, uma garotada que queria \u201cfazer a sua parte\u201d. Madre Teresa nos olhou com simpatia e gentileza, mas n\u00e3o sem certa contrariedade. E nos p\u00f4s para trabalhar, inicialmente, pequenas tarefas: varrer o dispens\u00e1rio, lavar o ch\u00e3o, cortar vagens. Aos poucos, os que mostravam resist\u00eancia iam ganhando mais tarefas. A maioria ia desistindo. Dessa turma inicial, s\u00f3 eu perseverei.<\/p>\n<p>Madre Teresa chegava para a missa e l\u00e1 estava eu. Teimoso. Acho que ela come\u00e7ou a achar engra\u00e7ado. Ganhei mais responsabilidades. Fui autorizado a trabalhar em Nirmal Hriday, um local fundado pela Madre para que as pessoas destitu\u00eddas (\u201cos mais pobres entre os pobres\u201d) n\u00e3o agonizassem como animais, nas ruas, mas tivessem seus \u00faltimos momentos cercadas de amor.<\/p>\n<p>A Madre n\u00e3o fazia proselitismo; evangelizava. Cada moribundo recebia aten\u00e7\u00e3o conforme a sua f\u00e9. Cham\u00e1vamos sacerdotes hindus e p\u00e2ndits quando necess\u00e1rio. Frequentemente, eles n\u00e3o vinham. Por isso, memorizei o \u201cGaruda Purana\u201d, um texto hindu, que fala do p\u00f3s-morte, com o equivalente hindu de C\u00e9u, Inferno e Purgat\u00f3rio. Um senhor que estava no final da vida pediu-me que o recitasse. Recitei. Ele perguntou como eu sabia aquilo. E eu disse que Jesus tamb\u00e9m ensinava sobre Swarga (o C\u00e9u). \u201cQuem \u00e9 Jesus?\u201d, ele perguntou, querendo evidentemente uma resposta filos\u00f3fica (hindus s\u00e3o muito introspectivos). Eu respondi: \u201cJesus \u00e9 o come\u00e7o e o fim\u201d. Ele suspirou: \u201cOh! Eu amo Jesus!\u201d, e morreu.<br \/><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/santo\/calcuta_papa.jpg\" border=\"0\" align=\"right\" \/>A maioria estava l\u00e1 morrendo mesmo. Levantei os olhos para chamar algu\u00e9m e dei de cara com Madre Teresa. Devo ter feito alguma coisa bem, pois me foram confiadas novas tarefas. Ajudei a separar aqueles que na verdade n\u00e3o estavam morrendo, mas s\u00f3 precisavam de atendimento m\u00e9dico. N\u00e3o pod\u00edamos pagar t\u00e1xis (dinheiro era sempre um problema), por isso, quando um paciente precisava ser levado para o hospital, eu o carregava. Sou forte, isso nunca foi problema.<\/p>\n<p>O trabalho, que j\u00e1 era muito, aumentou. Fui autorizado a trabalhar em Shanti Nagar, uma \u201ccidade\u201d fundada por Madre Teresa para abrigar os hansenianos, sempre v\u00edtimas de preconceito (leia-se viol\u00eancia). Amei o trabalho! Era exaustivo, mas apaixonante! Faltavam recursos, sobrava amor! Madre Teresa precisava estar em constante movimento, pedindo ajuda para os recursos mais elementares. Nunca sab\u00edamos de onde viria a comida, no dia seguinte. Nem se haveria comida, no dia seguinte. Viv\u00edamos da Provid\u00eancia, literalmente! Por isso, viv\u00edamos em ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sem ora\u00e7\u00e3o, eu entraria em pane! Aprendia-se a orar na marra! Madre Teresa era absolutamente gentil, com todo mundo. Mas nem um pouco sentimental. Era firme, decidida, pr\u00e1tica. N\u00e3o ficava sorrindo \u00e0 toa, feito uma pateta, nem vivia de cara amarrada. Gostava de cantar e de que cantassem. Ela gostava muito de me ouvir cantar \u201c\u00c0 la claire fontaine\u201d, uma can\u00e7\u00e3o infantil, e \u201cTeresinha de Jesus\u201d. Traduzi a letra para a Madre, e ela observou que era um ensinamento sobre a Sant\u00edssima Trindade (\u201cAcudiram tr\u00eas cavalheiros\u2026\u201d). E \u00e9 mesmo!<\/p>\n<p>Ela trabalhava mais do que qualquer pessoa que eu conheci. A qualquer momento que algu\u00e9m olhasse para ela, ela estaria trabalhando, sem sair do estado orante. Eu vi sua sa\u00fade declinar, ao longo dos anos. Ficava impaciente quando sua energia f\u00edsica n\u00e3o acompanhava sua incr\u00edvel energia espiritual.<\/p>\n<p>Quando eu perdi minha fam\u00edlia, foi nela que eu encontrei conforto. Quando meus amigos, a mulher que eu amava e toda a sua fam\u00edlia foram mortos num terr\u00edvel massacre, em 1994, foi nela, velhinha e muito doente, que eu encontrei conforto. O que ela disse? Nada. Ela simplesmente estava l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O comovente depoimento de um homem que decidiu largar tudo para dedicar sua vida a ajudar a Madre Teresa de Calcut\u00e1 Uma freira pequenina trabalhava como professora em uma escola cat\u00f3lica, para meninas ricas. At\u00e9 o dia em que, nas ruas de Calcut\u00e1, ela ouviu o clamor do Cristo sedento, faminto e doente. 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