{"id":15645,"date":"2016-06-27T14:35:49","date_gmt":"2016-06-27T17:35:49","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/06\/27\/cardeal-ravasi-as-bem-aventurancas-interpelam-todos-os-homens\/"},"modified":"2017-06-02T10:00:25","modified_gmt":"2017-06-02T13:00:25","slug":"cardeal-ravasi-as-bem-aventurancas-interpelam-todos-os-homens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/cardeal-ravasi-as-bem-aventurancas-interpelam-todos-os-homens\/","title":{"rendered":"Cardeal Ravasi: As Bem-aventuran\u00e7as interpelam todos os homens"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/rv2340_articolo.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>&#8220;As Bem-aventuran\u00e7as&#8221; cont\u00e9m uma mensagem revolucion\u00e1ria: as pessoas fracassadas segundo o mundo, s\u00e3o consideradas por Jesus como os verdadeiros vencedores, chamados a edificar o Reino de Deus.<\/p>\n<p>Precisamente \u00e0s Bem-aventuran\u00e7as \u00e9 dedicado o \u00faltimo livro do Cardeal Gianfranco Ravasi, Presidente do Pontif\u00edcio Conselho da Cultura, publicado recentemente pela Mondadori. O purpurado, biblista, confronta os dois textos das Bem-aventuran\u00e7as, de Mateus e Lucas, e investiga a presen\u00e7a destas palavras no Antigo Testamento, especialmente nos Salmos, mas tamb\u00e9m fazendo refer\u00eancia a Mois\u00e9s e ao Sinai. Um livro que prop\u00f5e a atualidade do Serm\u00e3o da Montanha e uma verdadeira &#8220;viagem&#8221; nos reflexos deste texto na arte, na m\u00fasica e na literatura, segundo nos conta o pr\u00f3prio Cardeal Ravasi:<\/p>\n<p>&#8220;As Bem-aventuran\u00e7as representam o desejo de olhar para um mundo que seja diferente. E \u00e9 por este motivo que alguns as interpretaram quase que exclusivamente como destinadas \u00e0 entrada no Reino de Deus perfeito. Na realidade Cristo quer, por um lado, olhar certamente para al\u00e9m da pequena \u2018navega\u00e7\u00e3o\u2019 de todos os dias; mas ao mesmo tempo quer que este horizonte long\u00ednquo inicie agora. \u00c9 aquele que Ele chama de Reino de Deus, um projeto que deve come\u00e7ar a ser constru\u00eddo no interior do espa\u00e7o da hist\u00f3ria presente e cada homem deve dar a sua contribui\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>RV: A de Jesus n\u00e3o \u00e9 uma &#8220;moral de escravos&#8221;, como acusava Nietzsche, mas parece aproximar-se mais ao discurso sobre a v\u00edtima, do estudioso Ren\u00e9 Girard. Os \u00faltimos &#8211; dos quais Jesus com a morte na Cruz \u00e9 o primeiro &#8211; s\u00e3o na realidade v\u00edtimas sem culpa. Por isto ser\u00e3o bem-aventurados, numa perspectiva escatol\u00f3gica, e por isto j\u00e1 hoje devem ser ajudados&#8230;<\/p>\n<p>&#8220;Certamente n\u00e3o \u00e9 a concep\u00e7\u00e3o de Cristo, que n\u00e3o \u00e9 nem mesmo uma concep\u00e7\u00e3o estritamente \u2018pauperista\u2019.\u00a0 N\u00f3s devemos conceber aqueles que s\u00e3o v\u00edtimas dentro da hist\u00f3ria, n\u00e3o simplesmente como se fossem derrotados, mas nem mesmo como se estivessem em um estado absolutamente permanente e definitivo, tanto \u00e9 verdade que \u00e9 dito: &#8220;Bem-aventurados aqueles que choram, porque ser\u00e3o consolados&#8221;. \u00c9 sempre &#8211; se quisermos completar Girard &#8211; o desejo de fazer sim com que as v\u00edtimas reconhe\u00e7am que a eles est\u00e1 destinada uma ressurrei\u00e7\u00e3o, que \u00e9, no final das contas, o princ\u00edpio da vida mesmo de Cristo&#8221;.<\/p>\n<p>RV: Mesmo porque, parcialmente, humilha\u00e7\u00f5es e momentos de choro, de dificuldades, podem acontecer a todos os homens&#8230;.<\/p>\n<p>&#8220;O estado dos personagens das Bem-aventuran\u00e7as n\u00e3o \u00e9 um estado, estritamente falando, somente dos \u00faltimos da Terra: o serm\u00e3o das Bem-Aventuran\u00e7as diz respeito a todos os homens e \u00e0s mulheres que devem viver estas realidades, que s\u00e3o considerados pelo mundo como realidade de fracasso, e que Cristo, pelo contr\u00e1rio, quer apresentar como um princ\u00edpio de transforma\u00e7\u00e3o no Reino de Deus&#8221;.<\/p>\n<p>RV: O Beato Angelico, em Floren\u00e7a, prop\u00f4s a imagem do Serm\u00e3o da Montanha: Jesus indica com o \u00edndice da m\u00e3o direita o c\u00e9u, enquanto a esquerda segura o pergaminho das Sagradas Escrituras. Uma s\u00edntese perfeita da mensagem das Bem-aventuran\u00e7as?<\/p>\n<p>&#8220;Certamente esta \u00e9 uma das representa\u00e7\u00f5es mais c\u00e9lebres e acredito que depois tenha tamb\u00e9m um outro aspecto. Naturalmente, a indica\u00e7\u00e3o do transcendente, iluminado pela Palavra de Deus, mas tamb\u00e9m que se encontra sobre o monte, rodeado pelos disc\u00edpulos, que representam a humanidade&#8221;.<\/p>\n<p>RV: Para o Papa Francisco as Bem-aventuran\u00e7as s\u00e3o um programa de santidade, tanto que as definiu como &#8220;a b\u00fassola da vida crist\u00e3&#8221;&#8230;<\/p>\n<p>&#8220;A inten\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 a de representar o rosto do disc\u00edpulo e n\u00e3o somente do disc\u00edpulo privilegiado &#8211; veja, a este prop\u00f3sito, a pessoa consagrada ou outro &#8211; mas do disc\u00edpulo tout court&#8221;.<\/p>\n<p>RV: O senhor faz uma ampla pesquisa sobre as Bem-aventuran\u00e7as, buscando vest\u00edgios at\u00e9 mesmo no Antigo Testamente e reflexos no imagin\u00e1rio coletivo: na literatura, na m\u00fasica, na pintura. Qual imagem tocou-lhe mais?<\/p>\n<p>&#8220;Nas Bem-aventuran\u00e7as do Beato Angelico se encontra justamente a presen\u00e7a de Jesus como Mestre e como Senhor da hist\u00f3ria. Existem, por\u00e9m, tamb\u00e9m outras obras menos conhecidas, quem sabe distantes&#8230;. E mesmo que a Bem-aventuran\u00e7a n\u00e3o seja citada explicitamente, uma boa parte dos romances de Dostoevskij s\u00e3o uma medita\u00e7\u00e3o sobre v\u00edtimas da hist\u00f3ria&#8221;.<\/p>\n<p>RV: H\u00e1 poucos dias o senhor festejou 50 anos de sacerd\u00f3cio. A sua, certamente, foi uma vida rica de experi\u00eancias de f\u00e9, mas tamb\u00e9m de cultura. Este livro, num certo sentido, resume o tesouro, quer da f\u00e9 como de cultura, que o senhor cultivou neste anos?<\/p>\n<p>&#8220;Todos, ao menos os sacerdotes, t\u00eam um momento no qual podem referir-se como que a uma fonte. Para mim foi uma experi\u00eancia que fiz quando era crian\u00e7a. Acho que tinha uns quatro anos. Estava sobre uma colina com meu av\u00f4, quando vi que no vale passava um trem e ouvi o apito deste trem, um som que provocava melancolia. Assim, naquele momento, tive a primeira percep\u00e7\u00e3o da dor, da vida que acaba, e a partir daquele momento teve in\u00edcio a busca de algo que ficasse, de algo que pertencesse ao horizonte do divino. Nas Bem-Aventuran\u00e7as, estes dois aspectos se entrecruzam: de um lado existe a experi\u00eancia basilar, aquela do negativo, e por outro existe esta palavra &#8211; Bem aventurados &#8211; que \u00e9 a tens\u00e3o para o Eterno, que depois eu pude elaborar naturalmente, tendo a sorte de viver longamente no estudo, no aprofundamento, sobretudo no di\u00e1logo com o mundo contempor\u00e2neo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: R\u00e1dio Vaticano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;As Bem-aventuran\u00e7as&#8221; cont\u00e9m uma mensagem revolucion\u00e1ria: as pessoas fracassadas segundo o mundo, s\u00e3o consideradas por Jesus como os verdadeiros vencedores, chamados a edificar o Reino de Deus. Precisamente \u00e0s Bem-aventuran\u00e7as \u00e9 dedicado o \u00faltimo livro do Cardeal Gianfranco Ravasi, Presidente do Pontif\u00edcio Conselho da Cultura, publicado recentemente pela Mondadori. 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