{"id":15635,"date":"2016-06-27T14:16:14","date_gmt":"2016-06-27T17:16:14","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/06\/27\/coletiva-do-papa-no-aviao-integra-das-perguntas-e-respostas\/"},"modified":"2017-06-02T10:06:12","modified_gmt":"2017-06-02T13:06:12","slug":"coletiva-do-papa-no-aviao-integra-das-perguntas-e-respostas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/coletiva-do-papa-no-aviao-integra-das-perguntas-e-respostas\/","title":{"rendered":"Coletiva do Papa no avi\u00e3o: \u00edntegra das perguntas e respostas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/papas\/reuters1517586_articolo.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Arm\u00eania, Bento XVI, Lutero, Reino Unido, homossexuais e mulheres diaconisas: estes foram alguns dos temas que fizeram parte da coletiva de imprensa que o Papa Francisco concedeu no voo que o trouxe de volta ao Vaticano, depois de tr\u00eas dias de viagem \u00e0 Arm\u00eania.<\/p>\n<p>Abaixo, a \u00edntegra das perguntas e respostas, na tradu\u00e7\u00e3o da reda\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Arm\u00eania<\/p>\n<p>Arthur Grygorian, televis\u00e3o p\u00fablica arm\u00eania.<\/p>\n<p>(Em ingl\u00eas) Santo Padre, todos sabem que o senhor tem amigos arm\u00eanios. J\u00e1 mantinha contato com as comunidades arm\u00eanias na Argentina. No decorrer dos \u00faltimos tr\u00eas dias, o Senhor \u2013 por assim dizer \u2013 chegou a tocar o esp\u00edrito arm\u00eanio. Quais s\u00e3o os seus sentimentos, as suas impress\u00f5es, e qual \u00e9 a mensagem para o futuro, as suas ora\u00e7\u00f5es para n\u00f3s arm\u00eanios?<\/p>\n<p>Papa Francisco: Bem, pensemos no futuro e depois voltamos ao passado. Eu desejo a este povo a justi\u00e7a e a paz. E rezo por isto, porque \u00e9 um povo corajoso. E rezo para que encontre a justi\u00e7a e a paz. Eu sei que tantos trabalham para isto e eu tamb\u00e9m fiquei muito contente, na semana passada, quando vi uma fotografia do presidente Putin com os presidentes arm\u00eanio e azerbaidjano: ao menos conversam.\u00a0 <\/p>\n<p>E tamb\u00e9m com a Turquia: o presidente da Rep\u00fablica [Arm\u00eania] no seu discurso de boas-vindas falou claro. Teve coragem de dizer \u201centremos em consenso, perdoemo-nos e olhemos ao futuro\u201d. Mas esta \u00e9 uma grande coragem! Um povo que sofreu tanto, n\u00e3o? O \u00edcone do povo arm\u00eanio \u2013 e isso me veio hoje enquanto rezava um pouco \u2013 uma vida de pedra e uma ternura de m\u00e3e.<\/p>\n<p>Carregou cruzes, mas cruzes de pedra \u2013 tamb\u00e9m se veem, eh? \u2013 mas n\u00e3o perdeu a ternura, a arte, a m\u00fasica, aqueles quartos tons t\u00e3o dif\u00edceis de entender, e com grande genialidade&#8230;<\/p>\n<p>Um povo que sofreu tanto na sua hist\u00f3ria, e somente a f\u00e9, a f\u00e9 o manteve de p\u00e9. Porque, o fato que tenha sido a primeira na\u00e7\u00e3o crist\u00e3, isto n\u00e3o \u00e9 suficiente: foi a primeira na\u00e7\u00e3o crist\u00e3 porque o Senhor a aben\u00e7oou, porque teve santos, teve bispos santos, m\u00e1rtires&#8230;<\/p>\n<p>E por isso criou na resist\u00eancia aquela pele de pedra \u2013 digamos assim \u2013 mas n\u00e3o perdeu a ternura de um cora\u00e7\u00e3o materno; e a Arm\u00eania \u00e9 tamb\u00e9m m\u00e3e. Esta \u00e9 a segunda pergunta. E vamos \u00e0 primeira, agora.<\/p>\n<p>Sim, eu tinha tanto contato com os arm\u00eanios; ia com frequ\u00eancia com eles \u00e0 Missa, tantos amigos arm\u00eanios, at\u00e9 mesmo algo que n\u00e3o gosto de fazer por repouso, mas ia jantar com eles, e voc\u00eas fazem jantares pesados, eh? Mas muito amigo, n\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=gLSP37m6jZw\">Clique aqui para assistir o v\u00eddeo.<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito amigo seja do arcebispo Kissag Mouradian, da Apost\u00f3lica, e Boghossian, o cat\u00f3lico. Mas entre voc\u00eas a \u201cArmenidade\u201d \u00e9 mais importante do que pertencer \u00e0 Igreja apost\u00f3lica ou \u00e0 Igreja cat\u00f3lica, e isso eu entendi naqueles tempos. Hoje me saudou um argentino de fam\u00edlia arm\u00eania que, quando eu ia \u00e0 Missa, o arcebispo sempre o fazia sentar ao meu lado para que me explicasse algumas cerim\u00f4nias ou algumas palavras que eu n\u00e3o entendia.<\/p>\n<p>Pr\u00f3xima viagem<\/p>\n<p>Jeanine Paloulian, \u201cNouvelles d\u2019Armenie\u201d:<\/p>\n<p>(Em franc\u00eas) Obrigado, Santo Padre. Ontem \u00e0 noite, no encontro ecum\u00eanico de ora\u00e7\u00e3o, o senhor pediu aos jovens para serem art\u00edfices da reconcilia\u00e7\u00e3o com a Turquia e com o Azerbaidj\u00e3o. Gostaria simplesmente de perguntar \u2013 dado que em poucas semanas o senhor ir\u00e1 ao Azerbaidj\u00e3o \u2013 o que o Senhor, o que a Santa S\u00e9, podem fazer concretamente para nos ajudar, para nos ajudar a proceder. Quais s\u00e3o os sinais concretos. O senhor fez alguns na Arm\u00eania: quais s\u00e3o os sinais que o senhor dar\u00e1, amanh\u00e3, no Azerbaidj\u00e3o?<\/p>\n<p>Papa Francisco: Eu falarei aos azerbaidjanos da verdade, daquilo que vi, daquilo que sinto. E tamb\u00e9m os encorajarei. Encontrei o presidente azerbaidjano e falei com ele. E direi tamb\u00e9m que n\u00e3o fazer as pazes por um pedacinho de terra \u2013 porque n\u00e3o \u00e9 grande coisa \u2013 significa algo de obscuro, n\u00e3o? Mas eu digo a todos, isso: aos arm\u00eanios e aos azerbaidjanos. Tamb\u00e9m n\u00e3o entram em consenso sobre as modalidades para fazer as pazes, e sobre isso se deve trabalhar. Al\u00e9m disso, n\u00e3o sei o que dizer. Direi aquilo que no momento me vier ao cora\u00e7\u00e3o, mas sempre de modo positivo, procurando encontrar solu\u00e7\u00f5es que sejam vi\u00e1veis, que sigam adiante.<\/p>\n<p>&#8220;Genoc\u00eddio&#8221;<\/p>\n<p>Jean-Louis de la Vaissi\u00e8re, France Presse:<\/p>\n<p>Santo Padre, antes de tudo gostaria de agradec\u00ea-lo, de minha parte e da parte de S\u00e9bastien Maillard de \u201cLa Croix\u201d: n\u00f3s deixaremos Roma e gostar\u00edamos de cora\u00e7\u00e3o de agradecer por este sopro de primavera que sopra sobre a Igreja. Ent\u00e3o, temos uma pergunta: porque o senhor decidiu acrescentar abertamente a palavra genoc\u00eddio no seu discurso no Pal\u00e1cio presidencial? Sobre um tema doloroso como este, pensa que seja \u00fatil para a paz nesta regi\u00e3o complicada?<\/p>\n<p>Papa Francisco: Obrigado. Na Argentina, quando se falava do exterm\u00ednio arm\u00eanio, sempre se usava a palavra genoc\u00eddio. Eu n\u00e3o conhecia outra. E na catedral de Buenos Aires, no terceiro altar \u00e0 esquerda, colocamos uma cruz de pedra recordando \u201co genoc\u00eddio arm\u00eanio\u201d. Veio o arcebispo \u2013 os dois arcebispos arm\u00eanios, o cat\u00f3lico e o apost\u00f3lico, e a inauguraram&#8230;<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o arcebispo apost\u00f3lico na igreja cat\u00f3lica de S\u00e3o Bartolomeu, uma outra, fez um altar em mem\u00f3ria de S\u00e3o Bartolomeu&#8230; Mas sempre, eu n\u00e3o conhecia uma outra palavra. Eu venho com esta palavra. Quando chego a Roma, escuto uma outra palavra, \u201cO Grande Mal\u201d ou \u201ca trag\u00e9dia terr\u00edvel\u201d, mas em arm\u00eanio, que n\u00e3o sei dizer. E me dizem que n\u00e3o, que aquela \u00e9 ofensiva, aquela do \u201cgenoc\u00eddio\u201d, que se deve dizer esta.<\/p>\n<p>Eu sempre falei dos tr\u00eas genoc\u00eddios do s\u00e9culo passado: sempre, tr\u00eas. O primeiro, o arm\u00eanio, depois aquele de Hitler e o \u00faltimo, Stalin. Os tr\u00eas. Existem outros menores, h\u00e1 um outro na \u00c1frica [Ruanda]. Mas na \u00f3rbita das duas grandes guerras, s\u00e3o estes tr\u00eas. E perguntei por que. Disse: \u201cMas, alguns dizem que n\u00e3o \u00e9 verdade, que n\u00e3o houve genoc\u00eddio\u201d; um outro me dizia, um advogado me disse isso, que me interessou muito: \u201cA palavra genoc\u00eddio \u00e9 uma palavra t\u00e9cnica, \u00e9 uma palavra que tem uma tecnicidade, que n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de exterm\u00ednio. Pode-se dizer exterm\u00ednio, mas declarar um genoc\u00eddio comporta a\u00e7\u00f5es de repara\u00e7\u00e3o e coisas&#8230;\u201d. Isto um advogado me disse.<\/p>\n<p>No ano passado, quando preparava o discurso, vi que S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II usou esta palavra: usou ambas, \u201cO Grande Mal\u201d e genoc\u00eddio. E eu o citei entre aspas. E n\u00e3o caiu bem, o governo turco emitiu uma declara\u00e7\u00e3o, a Turquia em poucos dias chamou o embaixador a Ancara \u2013 que \u00e9 um bom homem, um embaixador de luxo, nos enviou a Turquia! \u2013 e voltou dois, tr\u00eas meses depois. Um jejum \u201cembaixatorial\u201d [ri], mas tem o direito: o direito a protestar todos n\u00f3s temos, n\u00e3o? E neste discurso, no in\u00edcio n\u00e3o havia a palavra: isso \u00e9 verdade, eh? Respondo porque acrescentei: depois de ter escutado o tom do discurso do presidente, e tamb\u00e9m com o meu passado com esta palavra, e ter dito esta palavra ano passado em S\u00e3o Pedro, publicamente, teria soado estranho n\u00e3o dizer o mesmo, ao menos.<\/p>\n<p>Mas eu queria destacar uma outra coisa, e creio \u2013 se n\u00e3o erro \u2013 que disse: \u201cNeste genoc\u00eddio, como nos outros dois, as grandes pot\u00eancias internacionais olhavam para o outro lado\u201d. E esta foi a acusa\u00e7\u00e3o. Na Segunda Guerra Mundial, algumas pot\u00eancias tinham as fotografias das ferrovias que levavam a Auschwitz: teriam tido a possibilidade de bombardear, e n\u00e3o o fizeram. Um exemplo: no contexto da Primeira Guerra, quando houve o problema dos arm\u00eanios, e no contexto da Segunda Guerra, quando houve o problema de Hitler e Stalin e depois Yalta, os campos de concentra\u00e7\u00e3o e tudo aquilo, ningu\u00e9m fala?<\/p>\n<p>Deve-se sublinhar isso, e fazer a pergunta hist\u00f3rica: porque n\u00e3o fizeram isso? Voc\u00eas, pot\u00eancias \u2013 n\u00e3o acuso, fa\u00e7o uma pergunta&#8230; \u00c9 curioso: se olhava, sim, \u00e0 guerra, a tantas coisas, mas aquele povo&#8230; E n\u00e3o sei se \u00e9 verdade, mas eu gostaria de ver se \u00e9 verdade, que quando Hitler perseguia os judeus, uma das coisas que ele teria dito \u00e9: \u201cMas quem se lembra hoje dos arm\u00eanios? Fa\u00e7amos o mesmo com os judeus!\u201d. N\u00e3o sei se \u00e9 verdade, talvez seja uma fofoca, mas eu ouvi dizer isto. Os historiadores pesquisem e vejam se \u00e9 verdade. Acredito que respondo. Mas esta palavra eu nunca a disse com \u00e2nimo ofensivo, e sim objetivamente.<\/p>\n<p>Dois Papas?<\/p>\n<p>Elisabetta Piqu\u00e9, La Naci\u00f3n:<\/p>\n<p>(Em espanhol) Parab\u00e9ns, antes de tudo, pela viagem. Gostaria de perguntar: sabemos que o senhor \u00e9 o Papa, mas que h\u00e1 tamb\u00e9m o Papa Bento, o Papa em\u00e9rito. Ultimamente houve vozes, uma declara\u00e7\u00e3o do Prefeito da Casa Pontif\u00edcia, Mons. Georg G\u00e4nswein, que teria dito que existiria um Minist\u00e9rio Petrino compartilhado \u2013 se n\u00e3o me equivoco \u2013 com um Papa ativo e um outro contemplativo. Existem dois Papas?<\/p>\n<p>Papa Francisco: (Em espanhol) Havia uma \u00e9poca na Igreja em que havia tr\u00eas! Em um tempo, na Igreja, havia tr\u00eas! [ri]. Eu n\u00e3o li aquela declara\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o tive tempo, estas coisas&#8230; Bento \u00e9 o Papa em\u00e9rito. Ele disse claramente, naquele 11 de fevereiro, que renunciaria a partir de 28 de fevereiro, que sairia para ajudar a Igreja com a ora\u00e7\u00e3o. E Bento est\u00e1 no monast\u00e9rio, rezando. Fui visit-lo muitas vezes, ou por telefone&#8230; Outro dia me escreveu uma carta, ainda assina com aquela sua assinatura, desejando-me uma boa viagem&#8230;<\/p>\n<p>E uma vez \u2013 n\u00e3o uma vez: muitas vezes \u2013 eu disse que \u00e9 uma gra\u00e7a ter em casa o av\u00f4 s\u00e1bio. Tamb\u00e9m pessoalmente eu o disse, e ele ri. Mas ele para mim \u00e9 o Papa em\u00e9rito, \u00e9 o av\u00f4 s\u00e1bio, \u00e9 o homem que me cobre as costas com a sua ora\u00e7\u00e3o. Nunca esque\u00e7o aquele discurso que nos fez, aos cardeais, em 28 de fevereiro. \u201cEntre voc\u00eas seguramente est\u00e1 meu sucessor. Prometo obedi\u00eancia\u201d, e o fez.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, ouvi dizer, mas n\u00e3o sei se \u00e9 verdade isso, eh? \u2013 sublinho: ouvi dizer, talvez ser\u00e3o fofocas, mas v\u00e3o bem com o seu car\u00e1ter, que alguns foram l\u00e1 se lamentar porque este novo Papa&#8230; e os expulsou, eh? Com o melhor estilo b\u00e1varo: educado, mas os expulsou. Se n\u00e3o \u00e9 verdade, \u00e9 bem-vindo, porque este homem \u00e9 assim: um homem de palavra, um homem reto, reto, reto, eh?, o Papa em\u00e9rito.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se se recorda, que eu agradeci publicamente \u2013 n\u00e3o sei quando, mas acredito que em um voo \u2013 Bento por ter aberto a porta aos Papas em\u00e9ritos. Mas, 70 anos atr\u00e1s os bispos em\u00e9ritos n\u00e3o existiam; hoje existem. Com este prolongar-se da vida, mas \u00e9 poss\u00edvel manter uma Igreja a uma certa idade com achaques ou n\u00e3o? E ele, com coragem \u2013 com coragem! \u2013 e com ora\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m com ci\u00eancia, com teologia, decidiu de abrir esta porta. E acredito que isto seja bom para a Igreja. Mas h\u00e1 somente um Papa. O outro&#8230; ou talvez ser\u00e3o como os bispos em\u00e9ritos: n\u00e3o digo tantos, mas talvez poder\u00e3o ser dois ou tr\u00eas&#8230; ser\u00e3o em\u00e9ritos.<\/p>\n<p>Foram [Papa], [agora] s\u00e3o em\u00e9ritos. Depois de amanh\u00e3, celebra-se o anivers\u00e1rio de 65 anos de sua ordena\u00e7\u00e3o episcopal. Perd\u00e3o, sacerdotal. Estar\u00e1 presente seu irm\u00e3o Jorge, porque eles foram ordenados juntos. Acontecer\u00e1 um pequeno ato, ali, com os chefes dos dicast\u00e9rios e poucas pessoas, porque ele prefere uma coisa&#8230; aceitou muito modestamente, e tamb\u00e9m estarei l\u00e1. Direi algo a este grande homem de ora\u00e7\u00e3o, de coragem que \u00e9 o Papa em\u00e9rito, n\u00e3o o segundo Papa, que \u00e9 fiel \u00e0 sua palavra e que \u00e9 um homem de Deus. \u00c9 muito inteligente, e para mim \u00e9 o av\u00f4 s\u00e1bio em casa.<\/p>\n<p>Ortodoxos<\/p>\n<p>Alexej Bukalov \u2013 Itar-Tass:<\/p>\n<p>A minha pergunta sai um pouco deste argumento: eu sei que o Senhor encorajou muito este Conc\u00edlio Pan-ortodoxo, at\u00e9 mesmo no encontro com o Patriarca Kirill em Cuba foi mencionado como ausp\u00edcio. Agora, que o Senhor pensa deste f\u00f3rum?<\/p>\n<p>Papa Francisco: Um ju\u00edzo positivo! Foi feito um passo avante: n\u00e3o 100%, mas um passo avante. As coisas que justificaram \u2013 entre aspas \u2013 s\u00e3o sinceras para eles, s\u00e3o coisas que com o tempo podem ser resolvidas. Esses quatro que n\u00e3o participaram queriam faz\u00ea-lo mais para frente. Mas creio que o primeiro passo se faz como se pode. Como as crian\u00e7as, quando d\u00e3o o primeiro passo, fazem como podem: os primeiros como os gatos, e depois os primeiros passos.<\/p>\n<p>Eu estou feliz. Falaram de tantas coisas. Creio que o resultado seja positivo. Somente o fato de que essas Igrejas autoc\u00e9falas tenham se reunido, em nome da ortodoxia, para olhar-se face a face, para rezar juntos e falar e talvez fazer algum coment\u00e1rio, isso \u00e9 muito positivo. Eu agrade\u00e7o ao Senhor. No pr\u00f3ximo ser\u00e3o mais numerosos. Aben\u00e7oado seja o Senhor!<\/p>\n<p>Brexit<\/p>\n<p>Edward Pentin \u2013 National Catholic Register:<\/p>\n<p>Santo Padre, como Jo\u00e3o Paulo II, o senhor parece ser um encorajador da Uni\u00e3o Europeia: elogiou o projeto europeu quando recentemente venceu o Pr\u00eamio Carlos Magno. O Senhor est\u00e1 preocupado com o fato de que Brexit pode levar \u00e0 desintegra\u00e7\u00e3o da Europa e eventualmente \u00e0 guerra?<\/p>\n<p>Papa Francisco: A guerra j\u00e1 existe na Europa! H\u00e1 ainda uma atmosfera de divis\u00e3o e n\u00e3o somente na Europa, mas nos pr\u00f3prios pa\u00edses. Lembre-se da Catalunha, a Esc\u00f3cia no ano passado&#8230;. Essas divis\u00f5es n\u00e3o digo que sejam perigosas, mas devemos estud\u00e1-las bem e antes de fazer um passo avante por uma divis\u00e3o, falar bem entre n\u00f3s e buscar solu\u00e7\u00f5es vi\u00e1veis.<\/p>\n<p>Eu realmente n\u00e3o sei, n\u00e3o estudei quais sejam os motivos para que o Reino Unido tenha tomado esta decis\u00e3o. Mas existem decis\u00f5es \u2013 e creio que j\u00e1 disse isso uma vez; n\u00e3o sei onde, mas disse&#8230; \u2013 de independ\u00eancia que se fazem por emancipa\u00e7\u00e3o: por exemplo, todos os nossos pa\u00edses latino-americanos, inclusive os pa\u00edses da \u00c1frica, se emanciparam das coroas de Madri, de Lisboa; tamb\u00e9m na \u00c1frica de Paris, Londres, Amsterd\u00e3, Indon\u00e9sia sobretudo\u2026<\/p>\n<p>A emancipa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais compreens\u00edvel, porque h\u00e1 por tr\u00e1s uma cultura, um modo de pensar. Ao inv\u00e9s, a secess\u00e3o de um pa\u00eds \u2013 ainda n\u00e3o estou falando do Brexit \u2013 e pensemos na Esc\u00f3cia, \u00e9 algo que deu o nome \u2013 e isso o digo sem ofender, usando aquela palavra que os pol\u00edticos usam \u2013 de \u201cbalcaniza\u00e7\u00e3o\u201d, sem falar dos B\u00e1lc\u00e3s, eh! \u00c9 um pouco uma secess\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 emancipa\u00e7\u00e3o e por tr\u00e1s h\u00e1 hist\u00f3rias, culturas, mal-entendidos; mesmo tanta boa vontade em outros. \u00c9 preciso ter isso bem claro.<\/p>\n<p>Para mim, a unidade \u00e9 sempre superior ao conflito: sempre! Mas existem v\u00e1rias maneiras de unidade e tamb\u00e9m de fraternidade \u2013 e aqui chego na Uni\u00e3o Europeia \u2013 \u00e9 melhor do que a inimizade ou das dist\u00e2ncias. Das dist\u00e2ncias \u2013 digamos \u2013 \u00e9 melhor a fraternidade. E as pontes s\u00e3o melhores do que os muros. Tudo isso deve nos fazer refletir.<\/p>\n<p>Um pa\u00eds \u00e9 verdadeiro: \u201cMas eu estou na Uni\u00e3o Europeia, quero ter certas coisas que s\u00e3o minhas, da minha cultura\u201d e o passo \u2013 e aqui me refiro ao Pr\u00eamio Carlos Magno \u2013 que deve dar a Uni\u00e3o Europeia para reencontrar a for\u00e7a que teve nas suas ra\u00edzes \u00e9 um passo de criatividade e tamb\u00e9m de \u201cdesuni\u00e3o saud\u00e1vel\u201d: isto \u00e9, dar mais independ\u00eancia, dar mais liberdade aos pa\u00edses da Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>Pensar outra forma de uni\u00e3o: ser criativos. E criativos nos locais de trabalho, na economia. H\u00e1 uma economia l\u00edquida hoje na Europa que faz \u2013 por exemplo na It\u00e1lia \u2013 com que a juventude abaixo dos 25 anos n\u00e3o tenha emprego: 40%! Tem alguma coisa que n\u00e3o funciona naquela Uni\u00e3o maci\u00e7a, mas n\u00e3o joguemos a crian\u00e7a com a \u00e1gua suja pela janela&#8230;<\/p>\n<p>Procuremos resgatar as coisas e recriar, porque a re-cria\u00e7\u00e3o das coisas humanas \u2013 inclusive da nossa personalidade \u2013 \u00e9 um percurso e sempre deve ser feito. Um adolescente n\u00e3o \u00e9 o mesmo que uma pessoa adulta ou um idoso:\u00a0 \u00e9 o mesmo, mas n\u00e3o \u00e9 o mesmo, se re-cria continuamente. E isso lhe d\u00e1 vida e vontade de viver e d\u00e1 fecundidade. E destaco isso: hoje, a palavra, as duas palavras-chave para a Uni\u00e3o Europeia s\u00e3o criatividade e fecundidade. \u00c9 o desafio. N\u00e3o sei, penso assim.<\/p>\n<p>A Reforma <\/p>\n<p>Tilmann Kleinjung \u2013 Adr:<\/p>\n<p>O Senhor hoje falou dos dons compartilhados pelas Igrejas, juntas. O Senhor ir\u00e1 \u2013 daqui quatro meses \u2013 a Lund para comemorar os 500 anos da Reforma. Penso talvez que este seja o momento certo, tamb\u00e9m para n\u00e3o recordar somente as feridas de ambas as partes, mas tamb\u00e9m reconhecer os dons da Reforma e talvez tamb\u00e9m \u2013 e esta \u00e9 uma pergunta her\u00e9tica \u2013 para anular ou retirar a excomunh\u00e3o de Martin Lutero ou de alguma reabilita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Papa Francisco: Creio que as inten\u00e7\u00f5es de Martin Lutero n\u00e3o estivessem erradas: era um reformador, talvez alguns m\u00e9todos n\u00e3o fossem certos, mas naquele tempo, se lermos a hist\u00f3ria do Pastor, por exemplo, -\u2013 um alem\u00e3o luterano que depois se converteu quando viu a realidade daquele tempo e se fez cat\u00f3lico \u2013 vemos que a Igreja n\u00e3o era propriamente um modelo a imitar: havia corrup\u00e7\u00e3o na Igreja, havia mundanidade, havia apego ao dinheiro e ao poder. E por isso ele protestou. Depois era inteligente e fez um passo avante justificando o porqu\u00ea fazia isso. E hoje luteranos e cat\u00f3licos, protestantes e todos, estamos de acordo sobre a doutrina da justifica\u00e7\u00e3o: sobre este ponto t\u00e3o importante ele n\u00e3o errou.<\/p>\n<p>Ele proporcionou um rem\u00e9dio para a Igreja, depois este rem\u00e9dio se consolidou num estado de coisas, numa disciplina, num modo de acreditar, num modo de fazer, de modo lit\u00fargico. Mas n\u00e3o era s\u00f3 ele: havia Zwingli, havia Calvino e quem estava atr\u00e1s deles? Os princ\u00edpios, \u201ccuius regio eius religio\u201d. Devemos nos inserir na hist\u00f3ria daquele tempo: \u00e9 uma hist\u00f3ria dif\u00edcil de entender. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Depois as coisas prosseguiram.<\/p>\n<p>Hoje, o di\u00e1logo \u00e9 muito bom e aquele documento sobre a justifica\u00e7\u00e3o acredito que seja um dos documentos ecum\u00eanicos mais ricos, mais ricos e mais profundos, n\u00e3o? \u00c9 de acordo. Existem divis\u00f5es, mas dependem tamb\u00e9m das Igrejas. Em Buenos Aires, havia duas igrejas luteranas: uma pensava de um modo e a outra de outro modo, mesmo na pr\u00f3pria Igreja luterana n\u00e3o h\u00e1 unidade. Respeitam-se, se amam\u2026<\/p>\n<p>A diversidade \u00e9 aquilo que talvez nos tenha feito tanto mal a todos e hoje buscamos retomar o caminho para nos encontrar depois de 500 anos. Eu acredito que devemos rezar juntos: rezar! Por isso a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 importante. Segundo: trabalhar pelos pobres, pelos perseguidos, por tantas pessoas que sofrem, pelos refugiados. Trabalhar juntos e rezar juntos. E que os te\u00f3logos estudem juntos, buscando\u2026 Mas este \u00e9 um caminho longo, longu\u00edssimo.<\/p>\n<p>Uma vez, disse brincando: \u201cEu sei quando ser\u00e1 o dia da plena unidade\u201d \u2013 \u201cQual?\u201d \u2013 \u201cUm dia depois da vindo do Filho do Homem! Porque n\u00e3o se sabe\u2026 O Esp\u00edrito Santo far\u00e1 esta gra\u00e7a. Mas enquanto isso rezar, nos amar e trabalhar juntos, sobretudo pelos pobres, pelas pessoas que sofrem, pela paz e tantas outras coisas, n\u00e3o? Contra a explora\u00e7\u00e3o das pessoas&#8230; Tantas coisas pelas quais se est\u00e1 trabalhando conjuntamente. <\/p>\n<p>Mulheres diaconisas<\/p>\n<p>C\u00e8cile Chambraud, &#8220;Le Monde&#8221;<\/p>\n<p>(Em espanhol) Santo Padre, h\u00e1 algumas semanas, o senhor falou de uma Comiss\u00e3o para refletir sobre o tema das mulheres diaconisas. Gostaria de saber se esta Comiss\u00e3o j\u00e1 existe e quais ser\u00e3o as quest\u00f5es sobre as quais refletir\u00e1? Enfim, por vezes, uma Comiss\u00e3o serve para se esquecer dos problemas: eu gostaria de saber se este \u00e9 o caso?<\/p>\n<p>Papa Francisco: Havia um presidente da Argentina que dizia e aconselhava os presidentes de outros pa\u00edses: \u201cQuando voc\u00ea quer que algo n\u00e3o se resolva, crie uma comiss\u00e3o\u201d. O primeiro a ser surpreendido por esta not\u00edcia fui eu, porque o di\u00e1logo com as religiosas, que foi gravado e, em seguida, publicado no \u201cL&#8217;Osservatore Romano\u201d era outra coisa, nesta linha, mas &#8230; \u201cOuvimos dizer que nos primeiros s\u00e9culos havia diaconisas. Se poderia estudar sobre isso? Fazer uma Comiss\u00e3o?\u201d. Nada mais ela pediram: foram educadas e n\u00e3o apenas educadas, mas tamb\u00e9m as amantes da Igreja. Mulheres consagradas. Eu disse que conhecia um s\u00edrio, um te\u00f3logo s\u00edrio que morreu, aquele que fez a edi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica de Santo \u00c9frem em italiano. Uma vez, falando de diaconisas \u2013 quando eu vinha, eu me hospedava na Rua della Scrofa e ele morava ali \u2013 no caf\u00e9 da manh\u00e3, ele me disse: \u201cSim, mas n\u00e3o se sabe bem o que eram, se elas tinham a ordena\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Certamente, havia estas mulheres que ajudaram o bispo e ajudaram em tr\u00eas coisas: a primeira, no Batismo de mulheres, porque h\u00e1 o Batismo por imers\u00e3o; a segunda, nas un\u00e7\u00f5es pr\u00e9 e p\u00f3s-batismal das mulheres; e o terceiro \u2013 isto faz-me rir \u2013 quando havia uma esposa, que ia at\u00e9 o bispo para reclamar porque o marido lhe batia: o bispo chamava uma dessas diaconisas, que viam o corpo da mulher para encontrar contus\u00f5es que provassem essas coisas.<\/p>\n<p>Eu disse isso, sim: \u201cMas se pode estudar? Sim, eu vou dizer \u00e0 Doutrina da F\u00e9 que fa\u00e7a esta Comiss\u00e3o\u201d. No dia seguinte: \u201cA Igreja abre as portas \u00e0s diaconisas\u201d. Realmente? Eu fiquei um pouco irritado com a m\u00eddia, porque isso n\u00e3o \u00e9 dizer a verdade das coisas \u00e0s pessoas. Falei com o Prefeito da Doutrina da F\u00e9, que me disse: \u201cOlha, h\u00e1 um estudo que fez a Comiss\u00e3o Teol\u00f3gica Internacional na d\u00e9cada de 1980. Depois eu falei com o presidente e eu lhe disse: \u201cPor favor, fa\u00e7a-me uma lista de pessoas que o senhor acredita possam fazer parte desta Comiss\u00e3o\u201d. E ele me enviou a lista, tamb\u00e9m o prefeito me enviou a lista e agora elas est\u00e3o ali na minha mesa, para fazer esta Comiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Acredito que se estudou muito sobre o assunto na d\u00e9cada de 1980 e n\u00e3o vai ser dif\u00edcil esclarecer este tema. Mas h\u00e1 algo mais: um ano e meio atr\u00e1s, eu fiz uma comiss\u00e3o de mulheres te\u00f3logas que trabalharam com o Cardeal Rylko, e fizeram um bom trabalho, porque \u00e9 muito importante o pensamento da mulher.<\/p>\n<p>Para mim, a fun\u00e7\u00e3o da mulher n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o importante quanto o pensamento da mulher: a mulher pensa de outra maneira em rela\u00e7\u00e3o a n\u00f3s, os homens. E n\u00e3o se pode tomar uma decis\u00e3o boa e justa sem ouvir as mulheres. \u00c0s vezes, em Buenos Aires, eu fazia uma consulta com os meus consultores e os ouvia sobre um tema: em seguida, chamava algumas mulheres e elas viam as coisas sob uma luz diferente e isso enriquecia tanto, tanto.<\/p>\n<p>E depois a decis\u00e3o era muito, muito, muito fecunda, muito boa. Eu tenho que encontrar essas mulheres te\u00f3logas, que fizeram um bom trabalho, que no entanto foi interrompido: por qu\u00ea? Porque o dicast\u00e9rio para os leigos muda agora. Ser\u00e1 feito, e eu espero um pouco que se fa\u00e7a para continuar este segundo trabalho, sobre as diaconisas. Outra coisa: as mulheres te\u00f3logas \u2013 \u00e9 isto eu gostaria de enfatizar \u2013 \u00e9 mais importante o modo de entender, de pensar, de ver coisas das mulheres, do que a funcionalidade da mulher. E repito sempre: a Igreja \u00e9 mulher&#8230; e n\u00e3o \u00e9 uma mulher solteirona, \u00e9 uma mulher casada com o Filho de Deus, o seu Esposo \u00e9 Jesus Cristo. Pense sobre isso e depois me diga o que voc\u00ea pensa&#8230;<\/p>\n<p>Gays<\/p>\n<p>Cindy Wooden, &#8220;CNS&#8221;<\/p>\n<p>Obrigada Santidade. Nos \u00faltimos dias, o Cardeal alem\u00e3o Marx, falando durante uma grande confer\u00eancia muito importante em Dublin, sobre a Igreja no mundo moderno, disse que a Igreja Cat\u00f3lica deve pedir desculpas \u00e0 comunidade gay por ter marginalizado essas pessoas. Nos dias seguintes ao massacre de Orlando, muitos disseram que a Comunidade crist\u00e3 tem algo a ver com este \u00f3dio contra essas pessoas: o que o senhor acha disso?<\/p>\n<p>Papa Francisco: Vou repetir o mesmo que eu disse na primeira viagem e repito tamb\u00e9m o que diz o Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica: que n\u00e3o devem ser discriminados, que devem ser respeitados, acompanhados pastoralmente. Se podem condenar, n\u00e3o por raz\u00f5es ideol\u00f3gicas, mas por motivos \u2013 digamos \u2013 de comportamento pol\u00edtico, certas manifesta\u00e7\u00f5es um pouco muito ofensivas para os outros. Mas essas coisas n\u00e3o t\u00eam nada a ver com o problema: se o problema for uma pessoa que tem essa condi\u00e7\u00e3o, que tem boa vontade e que busca Deus, quem somos n\u00f3s para julg\u00e1-la?<\/p>\n<p>Devemos acompanhar bem, de acordo com o que diz o Catecismo. O Catecismo \u00e9 claro! Depois, h\u00e1 tradi\u00e7\u00f5es em alguns pa\u00edses, em algumas culturas que t\u00eam uma mentalidade diferente sobre este problema. Eu creio que a Igreja n\u00e3o s\u00f3 deve pedir desculpas \u2013 como disse aquele cardeal &#8220;marxista&#8221; &#8230; [risos] \u2013 a essa pessoa que \u00e9 gay, que ofendeu, mas tamb\u00e9m deve pedir desculpas aos pobres, \u00e0s mulheres e \u00e0s crian\u00e7as exploradas no trabalho; deve pedir desculpas por ter aben\u00e7oado tantas armas.<\/p>\n<p>A Igreja deve pedir desculpas por n\u00e3o ter se comportado tantas e tantas vezes \u2013 e quando digo &#8220;Igreja&#8221; entendo os crist\u00e3os; a Igreja \u00e9 santa, os pecadores somos n\u00f3s! \u2013 os crist\u00e3os devem pedir desculpas por ter acompanhado tantas escolhas, tantas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Lembro-me quando era crian\u00e7a da cultura de Buenos Aires, a cultura cat\u00f3lica fechada: Eu venho de l\u00e1&#8230; em uma fam\u00edlia divorciada n\u00e3o se podia entrar na casa: eu estou falando cerca de 80 anos atr\u00e1s. A cultura mudou e gra\u00e7as a Deus, como crist\u00e3os, devemos pedir tantas desculpas, n\u00e3o s\u00f3 sobre isso: o perd\u00e3o e n\u00e3o apenas desculpas! \u201cPerd\u00e3o Senhor\u201d!, \u00e9 uma palavra que nos esquecemos. Agora eu sou um pastor e fa\u00e7o o serm\u00e3o&#8230; N\u00e3o, isso \u00e9 verdade! Muitas vezes o &#8220;padre patr\u00e3o&#8221; e n\u00e3o o &#8220;padre pai&#8221;: o padre que bate e n\u00e3o o padre que abra\u00e7a, perdoa, consola. Mas h\u00e1 muitos, muitos capel\u00e3es de hospitais, capel\u00e3es de prisioneiros: tantos santos, hein! Mas esses n\u00e3o s\u00e3o vistos, porque a santidade \u00e9 &#8220;pudorosa&#8221; [tem pudor], est\u00e1 escondida.<\/p>\n<p>Em vez disso, \u00e9 um pouco sem vergonha a falta de pudor: \u00e9 flagrante e se faz ver. Muitas organiza\u00e7\u00f5es com pessoas boas e n\u00e3o t\u00e3o boas: ou pessoas \u00e0s quais voc\u00ea d\u00e1 uma &#8220;bolsa&#8221; um pouco grande e olha para o outro lado, como as pot\u00eancias internacionais com os tr\u00eas genoc\u00eddios.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00f3s, crist\u00e3os \u2013 sacerdotes, bispos \u2013 fizemos isso: mas n\u00f3s crist\u00e3os temos tamb\u00e9m uma Teresa de Calcut\u00e1 e muitas Teresas de Calcut\u00e1; temos muitas irm\u00e3s na \u00c1frica, muitos leigos, muitos matrim\u00f4nios santos. O trigo e o joio; o trigo e o joio&#8230; n\u00e3o devemos nos escandalizar de sermos assim. Devemos rezar para que o Senhor possa fazer que esse joio acabe e que haja mais trigo. Mas esta \u00e9 a vida da Igreja. N\u00e3o se pode colocar um limite. Todos n\u00f3s somos santos, porque todos n\u00f3s temos o Esp\u00edrito Santo dentro, mas somos \u2013 todos n\u00f3s \u2013 pecadores. Eu por primeiro. De acordo? Obrigado. Eu n\u00e3o sei se respondi&#8230; N\u00e3o s\u00f3 desculpa, mas perd\u00e3o!<\/p>\n<p>Jornada Mundial da Juventude na Pol\u00f4nia<\/p>\n<p>Padre Lombardi (Diretor da Sala de Imprensa da Santa S\u00e9)<\/p>\n<p>Santo Padre, permito-me fazer uma \u00faltima pergunta e depois deixamos o senhor em paz &#8230; \u00c9 sobre a pr\u00f3xima viagem \u00e0 Pol\u00f4nia, \u00e0 qual j\u00e1 come\u00e7amos a nos preparar. E o senhor dedicar\u00e1 o m\u00eas de julho a essa prepara\u00e7\u00e3o. O senhor pode nos diz algo sobre os sentimentos com os quais vai para esta Jornada Mundial da Juventude, neste Jubileu da Miseric\u00f3rdia. E outro ponto, um pouco mais espec\u00edfico, \u00e9 este: n\u00f3s visitamos com o senhor o Memorial de Tzitzernak, durante a visita \u00e0 Arm\u00eania e o senhor tamb\u00e9m vai visitar Auschwitz e Birkenau, durante a viagem \u00e0 Pol\u00f4nia. Ouvi dizer que o senhor quer viver estes momentos mais com sil\u00eancio do que com as palavras, como fez aqui, talvez tamb\u00e9m em Birkenau. Ent\u00e3o, eu queria perguntar, se o senhor quiser nos dizer, se far\u00e1 ali um discurso, ou se prefere, em vez disso, ter um momento de ora\u00e7\u00e3o silenciosa com uma sua motiva\u00e7\u00e3o espec\u00edfica &#8230;<\/p>\n<p>Papa Francisco: Dois anos atr\u00e1s, em Redipuglia eu fiz o mesmo para comemorar o centen\u00e1rio da Grande Guerra. Em Redipuglia fui em sil\u00eancio. Em seguida, houve a missa e na Missa eu fiz a homilia, mas era outra coisa&#8230; O sil\u00eancio&#8230; Eu gostaria de ir naquele lugar de horror sem discursos, sem pessoas, apenas as poucas necess\u00e1rias&#8230; mas os jornalistas com certeza estar\u00e3o&#8230; Mas sem cumprimentar este, aquele&#8230; n\u00e3o, n\u00e3o! Sozinho. Entrar, rezar e que o Senhor me d\u00ea a gra\u00e7a de chorar&#8230; <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: R\u00e1dio Vaticano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arm\u00eania, Bento XVI, Lutero, Reino Unido, homossexuais e mulheres diaconisas: estes foram alguns dos temas que fizeram parte da coletiva de imprensa que o Papa Francisco concedeu no voo que o trouxe de volta ao Vaticano, depois de tr\u00eas dias de viagem \u00e0 Arm\u00eania. Abaixo, a \u00edntegra das perguntas e respostas, na tradu\u00e7\u00e3o da reda\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":15634,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-15635","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15635","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15635"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15635\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27802,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15635\/revisions\/27802"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15634"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15635"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15635"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15635"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}