{"id":15510,"date":"2016-06-22T13:15:29","date_gmt":"2016-06-22T16:15:29","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/06\/22\/missas-de-cura-e-libertacao-o-que-a-igreja-diz\/"},"modified":"2017-05-31T10:19:17","modified_gmt":"2017-05-31T13:19:17","slug":"missas-de-cura-e-libertacao-o-que-a-igreja-diz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/missas-de-cura-e-libertacao-o-que-a-igreja-diz\/","title":{"rendered":"Missas de cura e liberta\u00e7\u00e3o: o que a Igreja diz?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/mass.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Uma pergunta que todo cat\u00f3lico precisa saber responder<\/p>\n<p>No Missal Romano, h\u00e1 uma se\u00e7\u00e3o intitulada \u201cMissas para diversas necessidades\u201d, a qual pode ser utilizada para diversas finalidades particulares. Existem ainda as Missas especiais de Roga\u00e7\u00f5es, as Missas para as Quatro T\u00eamporas e uma Missa \u201cpelos enfermos\u201d. Mas e Missas para \u201ccurar e libertar\u201d? Roma jamais promulgou um pr\u00f3prio para uma Missa deste tipo. Por tanto, se n\u00e3o h\u00e1 no Missal Romano um pr\u00f3prio para que se celebre tal culto, n\u00e3o se deve celebr\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Poder\u00edamos argumentar que \u201ctoda Missa cura e liberta\u201d, uma vez que basta o Milagre Eucar\u00edstico e a comunh\u00e3o para sanar todos os males, mas ao que parece este mesmo argumento se v\u00ea ultrapassado uma vez que h\u00e1 padres utilizando-se de argumentos espertos que v\u00e3o desde \u201cestas Missas se celebram de uma forma diferente\u201d at\u00e9 \u201cdin\u00e2micas\u201d que s\u00e3o introduzidas ao gosto do fregu\u00eas, mesmo sem negar a natureza curativa e libertadora do Sacrif\u00edcio de Cristo.<\/p>\n<p>Os dois argumentos acima s\u00e3o falhos e criminosos em si mesmos, mas n\u00e3o \u00e9 deles que trataremos. Definamos ent\u00e3o as caracter\u00edsticas b\u00e1sicas de uma Missa de Cura e liberta\u00e7\u00e3o e analisemos se sua natureza condiz ou n\u00e3o com a Doutrina da Igreja. Nestas Missas s\u00e3o introduzidos:<\/p>\n<p> Ora\u00e7\u00f5es por cura e liberta\u00e7\u00e3o;<br \/> Cantos emotivos e n\u00e3o lit\u00fargicos;<br \/> Homilias artificiais, escandalosas e destoantes da Liturgia da Palavra no dia;<br \/> Novos momentos na a\u00e7\u00e3o lit\u00fargica;<br \/> Exposi\u00e7\u00e3o do Sant\u00edssimo Sacramento no ostens\u00f3rio ainda durante a Missa, e;<br \/> Gestos alheios \u00e0s prescri\u00e7\u00f5es do Missal Romano.<\/p>\n<p>Reconhecidas estas introdu\u00e7\u00f5es, analisemos ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Quanto ao n\u00famero 1, das ora\u00e7\u00f5es por cura e liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A autoridade perene e inequ\u00edvoca do Santo Padre foi exercida por meio da Congrega\u00e7\u00e3o para Doutrina da F\u00e9, na \u201cInstru\u00e7\u00e3o sobre as ora\u00e7\u00f5es para alcan\u00e7ar de Deus a cura\u201d nos seguintes termos:<\/p>\n<p> Art. 2 \u2013 As ora\u00e7\u00f5es de cura t\u00eam a qualifica\u00e7\u00e3o de lit\u00fargicas, quando inseridas nos livros lit\u00fargicos aprovados pela autoridade competente da Igreja; caso contr\u00e1rio, s\u00e3o ora\u00e7\u00f5es n\u00e3o lit\u00fargicas.<\/p>\n<p> Art. 3 \u2013 \u00a7 1. As ora\u00e7\u00f5es de cura lit\u00fargicas celebram-se segundo o rito prescrito e com as vestes sagradas indicadas no Ordo benedictionis infirmorum do Rituale Romanum.(27)<\/p>\n<p>Por tanto, qualquer ora\u00e7\u00e3o por cura que n\u00e3o esteja j\u00e1 inserida nos textos lit\u00fargicos ou que n\u00e3o tenha sido devidamente aprovada pelo Bispo Diocesano, conforme o Can. 838 do CDC, n\u00e3o s\u00e3o lit\u00fargicas e N\u00c3O PODEM SER UTILIZADAS NA MISSA. Da mesma forma, qualquer Missa que deseje rogar a Deus pela cura dos enfermos DEVE SEGUIR A PRESCRI\u00c7\u00c3O CAN\u00d4NICA em sua forma, o que n\u00e3o inclui nenhuma das outras introdu\u00e7\u00f5es das quais trataremos.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 da tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, e nem foi tratado ou autorizado por Roma em qualquer documento, ora\u00e7\u00f5es por \u201cliberta\u00e7\u00e3o\u201d a n\u00e3o ser aquelas dos ritos de exorcismo. N\u00e3o se podendo inserir ora\u00e7\u00f5es na Santa Missa alheias \u00e0quilo que ordena a Santa S\u00e9, nos restaria questionar se ao menos as de exorcismo poderiam ser utilizadas para o fim de liberta\u00e7\u00e3o. Sobre isso diz o mesmo documento:<\/p>\n<p> Art. 8 \u2013 \u00a7 1. O minist\u00e9rio do exorcismo deve ser exercido na estreita depend\u00eancia do Bispo diocesano e, em conformidade com o can. 1172, com a Carta da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 de 29 de Setembro de 1985(31) e com o Rituale Romanum.(32)<\/p>\n<p> \u00a7 2. As ora\u00e7\u00f5es de exorcismo, contidas no Rituale Romanum, devem manter-se distintas das celebra\u00e7\u00f5es de cura, lit\u00fargicas ou n\u00e3o lit\u00fargicas.<\/p>\n<p> \u00a7 3. \u00c9 absolutamente proibido inserir tais ora\u00e7\u00f5es na celebra\u00e7\u00e3o da Santa Missa, dos Sacramentos e da Liturgia das Horas.<\/p>\n<p>O direito permite, no entanto,<\/p>\n<p> \u00a7 2. Durante as celebra\u00e7\u00f5es, a que se refere o art. 1, \u00e9 permitido inserir na ora\u00e7\u00e3o universal ou \u00abdos fi\u00e9is\u00bb inten\u00e7\u00f5es especiais de ora\u00e7\u00e3o pela cura dos doentes, quando esta for nelas prevista.<\/p>\n<p>Por tanto, mesmo na Ora\u00e7\u00e3o Universal a ora\u00e7\u00e3o pela cura dos enfermos s\u00f3 se faz quando for canonicamente prevista.<\/p>\n<p>Quanto ao n\u00famero 2, dos cantos emotivos e n\u00e3o lit\u00fargicos.<\/p>\n<p>J\u00e1 \u00e9 fato batido e discutido em in\u00fameros documentos oficiais da Igreja, alguns infal\u00edveis, qual a natureza do canto lit\u00fargico (nO Quir\u00f3grafo de S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, Tra le sollecitudini, no Documento da 48\u00aa Assembleia Geral da CNBB, etc). No entanto, a \u201cInstru\u00e7\u00e3o sobre as ora\u00e7\u00f5es para alcan\u00e7ar de Deus a cura\u201d ainda nos diz:<\/p>\n<p> Art. 9 \u2013 Os que presidem \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es de cura, lit\u00fargicas ou n\u00e3o lit\u00fargicas, esforcem-se por manter na assembleia um clima de serena devo\u00e7\u00e3o, e atuem com a devida prud\u00eancia, quando se verificarem curas entre os presentes. Terminada a celebra\u00e7\u00e3o, poder\u00e3o recolher, com simplicidade e precis\u00e3o, os eventuais testemunhos e submeter\u00e3o o facto \u00e0 autoridade eclesi\u00e1stica competente.<\/p>\n<p>Sem estimular choramingos, labax\u00farias ou berros estridentes. O clima da celebra\u00e7\u00e3o deve manter-se o mesmo de toda celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, principalmente da Eucaristia: silencioso, devocional, piedoso e amoroso.<\/p>\n<p>Quanto ao n\u00famero 3, das homilias artificiais, escandalosas e destoantes da Liturgia da Palavra no dia.<\/p>\n<p>O Papa Bento XVI nos fala na Sacramentum Caritatis (SC) e na Verbum Domini (VD) sobre a natureza das homilias:<\/p>\n<p> 1) A sua \u00abfun\u00e7\u00e3o [portanto, o seu fim] \u00e9 favorecer uma compreens\u00e3o e efic\u00e1cia mais ampla da Palavra de Deus na vida dos fi\u00e9is\u00bb (SC n. 46 e VD n. 59).<\/p>\n<p> 2) \u00abA homilia constitui uma atualiza\u00e7\u00e3o da mensagem da Sagrada Escritura, de tal modo que os fi\u00e9is sejam levados a descobrir a presen\u00e7a e efic\u00e1cia da Palavra de Deus no momento atual da sua vida\u00bb (VD n. 59).<\/p>\n<p> 3) \u00abtenha-se presente a finalidade catequ\u00e9tica e exortativa da homilia\u00bb (SC n. 46). A respeito do car\u00e1ter exortativo, a VD menciona a conveni\u00eancia de, mesmo nas breves homilias di\u00e1rias, \u00aboferecer reflex\u00f5es apropriadas [\u2026], para ajudar os fi\u00e9is a acolherem e tornarem fecunda a Palavra escutada\u00bb (n. 59).<\/p>\n<p> 4) Um ponto importante sobre o foco central da homilia: \u00abDeve resultar claramente aos fi\u00e9is que aquilo que o pregador tem a peito \u00e9 mostrar Cristo, que deve estar no centro de cada homilia\u00bb (VD n. 59).<\/p>\n<p>Por tanto, n\u00e3o h\u00e1 lugar na homil\u00e9tica lit\u00fargica para homilias como as que costumam figurar nestas Missas.<\/p>\n<p>Quanto ao n\u00famero 4, dos novos momentos na a\u00e7\u00e3o lit\u00fargica.<\/p>\n<p>N\u00e3o raro, os sacerdotes que se disp\u00f5em a este show de horrores na liturgia costumam introduzir momentos estranhos \u00e0 a\u00e7\u00e3o lit\u00fargica que se celebra. Segundas homilias, interrup\u00e7\u00f5es \u00e0 ora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, etc.<\/p>\n<p>Quanto a isso a Instru\u00e7\u00e3o Geral do Missal Romano \u00e9 clara e direta (IGMR 46 \u00e0 90), indicando que a Santa Missa consta das seguintes partes:<\/p>\n<p> Ritos Iniciais (entrada, sauda\u00e7\u00e3o, ato penitencial, K\u00fdrie, Gl\u00f3ria e ora\u00e7\u00e3o coleta);<br \/> Liturgia da Palavra (leituras b\u00edblicas, salmo responsorial, aclama\u00e7\u00e3o ao Evangelho, proclama\u00e7\u00e3o do Evangelho, homilia, profiss\u00e3o de f\u00e9 e ora\u00e7\u00e3o universal);<br \/> Liturgia Eucar\u00edstica (prepara\u00e7\u00e3o dos dons, ora\u00e7\u00e3o sobre as oblatas, ora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, rito da Comunh\u00e3o, ora\u00e7\u00e3o dominical, rito da paz, fra\u00e7\u00e3o do P\u00e3o e Comunh\u00e3o);<br \/> Rito de Conclus\u00e3o (not\u00edcias breves, sauda\u00e7\u00e3o e b\u00ean\u00e7\u00e3o do sacerdote, despedida da assembleia, beijo no altar).<\/p>\n<p>Nem dentro nem fora destes momentos a liturgia aceita quaisquer inova\u00e7\u00f5es. Algumas celebra\u00e7\u00f5es, em especial as pontificais, possuem de fato momentos adicionais mas, no entanto, foram especificamente descritos pela Santa S\u00e9 nos livros lit\u00fargicos (Cerimonial dos Bispos, Pontifical Romano, Ritual de B\u00ean\u00e7\u00e3os, etc) e se prestam \u00e0 finalidade sacramental para a qual foram criados, em conformidade com a Doutrina e Tradi\u00e7\u00e3o de sempre.<\/p>\n<p>Quanto ao n\u00famero 5, da exposi\u00e7\u00e3o do Sant\u00edssimo Sacramento no ostens\u00f3rio ainda durante a Missa.<\/p>\n<p>Sobre o uso da exposi\u00e7\u00e3o do Sant\u00edssimo Sacramento, ou prociss\u00e3o sem o fim para o qual reza a norma, que \u00e9 a adora\u00e7\u00e3o, a Santa Igreja considera ileg\u00edtimo, como est\u00e1 abaixo, no Documento do Cardeal Ratzinger j\u00e1 citado anteriormente:<\/p>\n<p> \u201c[\u2026]Tamb\u00e9m estas celebra\u00e7\u00f5es s\u00e3o leg\u00edtimas, uma vez que n\u00e3o se altere o seu significado aut\u00eantico. Por exemplo, n\u00e3o se deveria p\u00f4r em primeiro plano o desejo de alcan\u00e7ar a cura dos<br \/> doentes, fazendo com que a exposi\u00e7\u00e3o da Sant\u00edssima Eucaristia venha a perder a sua finalidade; esta, de fato, \u00ableva a reconhecer nela a admir\u00e1vel presen\u00e7a de Cristo e convida \u00e0 \u00edntima uni\u00e3o com Ele, uni\u00e3o que atinge o auge na comunh\u00e3o sacramental\u201d\u00bb.<\/p>\n<p>Oras, se o auge da uni\u00e3o com Cristo se atinge na comunh\u00e3o sacramental e esta \u00e9 parte da Celebra\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica, \u00e9 para Cristo dentro de si que se deve olhar e n\u00e3o para fora uma vez que \u201caqui dentro\u201d ele est\u00e1 mais pr\u00f3ximo do que \u201cali fora\u201d. Por tanto, o rito de exposi\u00e7\u00e3o do Sant\u00edssimo Sacramento n\u00e3o cabe na Santa Missa (salvos os casos pontificais presentes nos textos lit\u00fargicos) pois distancia o fiel desta realidade \u00edntima da presen\u00e7a real de Cristo em si.<\/p>\n<p>Quanto ao n\u00famero 6, dos gestos alheios \u00e0s prescri\u00e7\u00f5es do Missal Romano.<\/p>\n<p>A IGMR \u00e9 clara:<\/p>\n<p> 42. Os gestos e atitudes corporais, tanto do sacerdote, do di\u00e1cono e dos ministros, como do povo, visam conseguir que toda a celebra\u00e7\u00e3o brilhe pela beleza e nobre simplicidade, que se compreenda a significa\u00e7\u00e3o verdadeira e plena das suas diversas partes e que se facilite a participa\u00e7\u00e3o de todos[52]. Para isso deve atender-se ao que est\u00e1 definido pelas leis lit\u00fargicas e pela tradi\u00e7\u00e3o do Rito Romano, e ao que concorre para o bem comum espiritual do povo de Deus, mais do que \u00e0 inclina\u00e7\u00e3o e arb\u00edtrio de cada um.<br \/> A atitude comum do corpo, que todos os participantes na celebra\u00e7\u00e3o devem observar, \u00e9 sinal de unidade dos membros da comunidade crist\u00e3 reunidos para a sagrada Liturgia: exprime e favorece os sentimentos e a atitude interior dos presentes.\u201d<\/p>\n<p>Assim, cremos ter justificado conforme o ensinamento da Igreja que: n\u00e3o, Missa de Cura e Liberta\u00e7\u00e3o N\u00c3O PODE.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pergunta que todo cat\u00f3lico precisa saber responder No Missal Romano, h\u00e1 uma se\u00e7\u00e3o intitulada \u201cMissas para diversas necessidades\u201d, a qual pode ser utilizada para diversas finalidades particulares. 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