{"id":1530,"date":"2012-02-29T14:56:34","date_gmt":"2012-02-29T17:56:34","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-missao-do-bispo\/"},"modified":"2017-03-20T14:53:44","modified_gmt":"2017-03-20T17:53:44","slug":"a-missao-do-bispo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-missao-do-bispo\/","title":{"rendered":"A miss\u00e3o do Bispo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/dom20orani.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Neste dia 29 de fevereiro, uma bela not\u00edcia ecoa no mundo: temos um novo Bispo Auxiliar para a nossa Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro: Mons. Luiz Henrique da Silva Brito! <br \/>Nascido aos 19 de maio de 1967, em S\u00e3o Gon\u00e7alo, em nosso Estado do Rio de Janeiro, concluiu o Curso de Filosofia e cursou Teologia em nosso Semin\u00e1rio S\u00e3o Jos\u00e9 como seminarista da Diocese de Campos  RJ. Em nosso semin\u00e1rio foi prefeito de disciplina. Cursou tamb\u00e9m o Instituto Superior de Direito Can\u00f4nico de nossa Arquidiocese. Fez Mestrado em Teologia Moral na Pontificia Universit\u00e0 dela Santa Croce, em Roma. Foi ordenado presb\u00edtero no dia 14 de dezembro de 1991, por D. Jo\u00e3o Corso, na Catedral Diocesana Sant\u00edssimo Salvador, em Campos dos Goytacazes-Rj, e atualmente \u00e9 P\u00e1roco da Par\u00f3quia S\u00e3o Benedito na mesma cidade de Campos. Hoje, foi nomeado Bispo titular de Zallata e auxiliar em nossa Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro.<br \/>Quanto maior o poder, maior a responsabilidade! Esta realidade n\u00e3o poderia ser diversa em nossa amada Igreja Cat\u00f3lica. No entanto, no cristianismo, poder significa servi\u00e7o, entrega e doa\u00e7\u00e3o. Quanto mais elevada na hierarquia eclesi\u00e1stica, mais comprometida na entrega e mart\u00edrio de si mesmo deve estar a pessoa que ocupa um cargo.<br \/>Ilumina-nos o mesmo Cristo que se despojou, assumindo a forma de escravo e fazendo-se obediente at\u00e9 a morte de cruz (cf. Fl 2,5-8). Nosso Mestre e Senhor que, na \u00faltima ceia, com palavras e gestos prova que veio para servir e lavar os p\u00e9s (cf. Jo 13). S\u00e3o Paulo expressa maravilhosamente a realidade do servi\u00e7o, quando afirma que para todos fez tudo, para salvar alguns e tudo por causa do Evangelho (cf. I Cor 9, 20-23).<br \/>Os bispos, sucessores dos Ap\u00f3stolos, assumem na liberdade a responsabilidade plena de se entregarem ao servi\u00e7o do Evangelho, sabedores que carregam um tesouro em vasos de barro (cf. II Cor 4,7). Eles s\u00e3o constitu\u00eddos Pastores da Igreja com a miss\u00e3o de ensinar, santificar e guiar, em comunh\u00e3o hier\u00e1rquica com o Sucessor de Pedro e com os outros membros do Col\u00e9gio Episcopal. (Apostolorum Successores, Introdu\u00e7\u00e3o).<br \/>A nossa p\u00e1tria definitiva \u00e9 o c\u00e9u, e o bispo n\u00e3o deseja e nem pode entrar sozinho. Guiados por seu b\u00e1culo pastoral, estar\u00e3o todos os fi\u00e9is e irm\u00e3os no sacerd\u00f3cio que Cristo lhe confiou. Uma enorme responsabilidade, uma cruz que cada sucessor carrega junto com Cristo rumo ao calv\u00e1rio. Nessa caminhada, as tenta\u00e7\u00f5es da solid\u00e3o e do abandono se apresentam. Mas esta \u00e9 uma ilus\u00e3o do inimigo. S\u00f3 podemos cumprir plenamente nossa miss\u00e3o em comunh\u00e3o com o Sucessor do Ap\u00f3stolo Pedro e com nossos irm\u00e3os no episcopado. Na fraternidade e amor rec\u00edproco, o jugo \u00e9 leve e a carga \u00e9 suave (cf. Mt 11, 28-30), e carregaremos em nossos rostos a alegria do ressuscitado.<br \/>Nossa \u00fanica miss\u00e3o e desejo \u00e9 que Cristo seja mais amado e conhecido. Para isso, oramos, trabalhamos e nos sacrificamos, junto com a gra\u00e7a de Deus, para que Cristo reine no cora\u00e7\u00e3o de cada pessoa, na cultura e em todas as estruturas da sociedade. Este esfor\u00e7o nasce da convic\u00e7\u00e3o de que a f\u00e9, a esperan\u00e7a e a caridade s\u00e3o as virtudes que norteiam a humanidade rumo \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o plena em Cristo. S\u00e3o realidades transcendentes que irrompem no espa\u00e7o e tempo e nos elevam a um plano superior, onde os valores e virtudes como a paz, a justi\u00e7a, a fraternidade e a generosidade s\u00e3o poss\u00edveis. N\u00e3o estamos fadados ao fracasso, Cristo nos redimiu, mas a for\u00e7a da salva\u00e7\u00e3o deve realizar-se na hist\u00f3ria de cada pessoa e atualizar-se no cora\u00e7\u00e3o de nossa cultura.<br \/>Cristo \u00e9 a resposta<br \/>Dominados pelo ardor mission\u00e1rio, surgem perguntas que inquietam o cora\u00e7\u00e3o de qualquer Pastor. Como, na atualidade, cumprir nossa miss\u00e3o de transmitir o amor em todas as suas dimens\u00f5es? Como aplicar de modo concreto o munus docendi, sanctificandi e regendi na cultura e sociedade contempor\u00e2neas?<br \/>Contemplando o imenso rebanho que devemos ensinar, santificar e guiar rumo \u00e0 ades\u00e3o plena em Cristo e munidos das responsabilidades e gra\u00e7as que competem ao servi\u00e7o episcopal  fica o desafio a ser respondido n\u00e3o apenas com palavras, mas com nossas vidas: o que se espera de um bispo hoje?<br \/>Esta resposta s\u00f3 pode ser dada em Cristo, o Bom Pastor, imagem perfeita que explicita a voca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o episcopal. O Bispo \u00e9 chamado a identificar-se com Cristo de forma muito especial na sua vida pessoal e no exerc\u00edcio do minist\u00e9rio apost\u00f3lico, de modo que o pensamento de Cristo (1Cor 2, 16) lhe penetre totalmente as ideias, os sentimentos e os comportamentos, e que a luz que irradia da face de Cristo ilumine o governo das almas, que \u00e9 a arte das artes. (Apostolorum Successores, n.2)<br \/>O bispo, de maneira eminente, deve ser Alter Christus. O fiel deseja ver a Cristo ao olhar nossas vidas, a\u00e7\u00f5es e palavras. O bispo \u00e9 a estrela que aponta e guia at\u00e9 o menino Jesus. \u00c9 a esperan\u00e7a que n\u00e3o se desvanece. A prova de que Deus existe. O bispo \u00e9 representante de Cristo, mas de um modo diverso a outras representa\u00e7\u00f5es. N\u00e3o se reduz a falar e agir no lugar de uma pessoa ausente, pois Cristo jamais est\u00e1 ausente. Ao contr\u00e1rio, \u00e9 a presen\u00e7a de Cristo em nossas vidas e em nossa miss\u00e3o que torna eficaz a a\u00e7\u00e3o e minist\u00e9rio episcopal. Toda nossa efic\u00e1cia possui Cristo como fonte.<br \/>Ensinar num mundo confuso, mas sedento de Deus<br \/>Atualmente, vivemos numa grande confus\u00e3o acerca das escolhas fundamentais da nossa vida e das interroga\u00e7\u00f5es sobre o que \u00e9 o mundo, de onde vimos, para onde vamos, o que devemos fazer para fazer o bem, como devemos viver, quais s\u00e3o os valores realmente pertinentes. (Bento XVI, Audi\u00eancia Geral de 14 de abril de 2010.)<br \/>Nessa situa\u00e7\u00e3o se faz perempt\u00f3rio o Munus Docendi, mostrando a for\u00e7a e a beleza da luz de Cristo, capaz de transformar e dar nova vida a tudo que toca. Ensinamos algo que n\u00e3o \u00e9 nosso, mas que nos foi dado como dom. Como administradores, devemos guardar com fidelidade e transmitir com novidade. A juventude de nossa f\u00e9 \u00e9 deixar que Cristo toque e transforme todas as coisas (cf. Ap 21,5). <br \/>\u00c9 necess\u00e1rio trabalhar, e muito, com efic\u00e1cia, utilizando todos os meios l\u00edcitos e bons. Mais do que nunca devemos estar presentes nos are\u00f3pagos da contemporaneidade. Contudo, todo o esfor\u00e7o e trabalho seriam in\u00fateis se n\u00e3o estamos unidos \u00e0 verdadeira videira (cf. Jo 15, 1ss), que se apresenta atrav\u00e9s tamb\u00e9m da tradi\u00e7\u00e3o, do Magist\u00e9rio, de Pedro e da colegialidade Episcopal. O Esp\u00edrito Santo, com sua for\u00e7a e gra\u00e7a, \u00e9 quem d\u00e1 os frutos. Se estivermos aliados a Ele, n\u00e3o h\u00e1 o que temer, n\u00e3o h\u00e1 por que render-se a estrat\u00e9gias que mancham o Evangelho. <br \/>A fidelidade e o dinamismo da f\u00e9<br \/>A fidelidade n\u00e3o est\u00e1 em contradi\u00e7\u00e3o com o dinamismo da f\u00e9, pois se por um lado n\u00e3o inventamos, n\u00e3o criamos ou proclamamos ideias pr\u00f3prias, pois a doutrina \u00e9 de Cristo e n\u00e3o nossa, por outro lado n\u00e3o significa que devemos ser neutros, quase como um porta-voz que l\u00ea um texto do qual, talvez, nem se apropria. (Bento XVI, Audi\u00eancia Geral de 14 de abril de 2010)<br \/>O dinamismo da f\u00e9 nasce da interioriza\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o, da liturgia e da viv\u00eancia da f\u00e9. Ela permite com que Cristo entre no profundo de nosso ser e nos transforme na liberdade de filhos de Deus. Esta f\u00e9, feita pr\u00f3pria, fortalece a comunidade, e a comunidade \u00e9 lugar de encontro e promo\u00e7\u00e3o da mesma. <br \/>Daqui brota o Munus Sanctificandi. Deus \u00e9 o \u00fanico santo, e n\u00f3s somos por participa\u00e7\u00e3o na vida divina. Promover a vida de ora\u00e7\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria, lit\u00fargica e sacramental \u00e9 o que o povo espera. O povo de Deus deseja se encontrar com Cristo. Quer entrar em contato com a fonte de felicidade plena. Querem olhar para a vida com os olhos de esperan\u00e7a. Desejam aprender a amar o pr\u00f3ximo como Deus amou. O povo tem sede de justi\u00e7a, de paz e felicidade, pois tem sede de Deus. Os pastores devem conduzir o rebanho para a fonte que jorra \u00e1gua de vida eterna (cf. Jo 4, 14). <br \/>A tr\u00edplice concupisc\u00eancia surgida pelo pecado original n\u00e3o \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria do ser humano. Seu cora\u00e7\u00e3o bate por sede de infinito e eternidade, ao mesmo tempo em que possui uma tend\u00eancia a permanecer no contingente. H\u00e1 uma tens\u00e3o em nosso ser. Os sacramentos, a liturgia, a ora\u00e7\u00e3o, a dire\u00e7\u00e3o espiritual s\u00e3o meios necess\u00e1rios para nos liberar dessa tens\u00e3o e nos conduzir a uma vida de santidade madura e, por conseguinte, a alcan\u00e7ar a felicidade que todos almejam. <br \/>A vis\u00e3o de que o cristianismo est\u00e1 constitu\u00eddo essencialmente por normas e proibi\u00e7\u00f5es \u00e9 equivocada. A ess\u00eancia de nossa f\u00e9 \u00e9 o encontro com Cristo, \u00e9 o amor, e das exig\u00eancias do amor nascem naturalmente um modo de viver e pensar novos. <br \/>Simplesmente bons pastores<br \/>Nossas ovelhas desejam simplesmente que sejamos Pastores, que nosso Munus Regendi seja servi\u00e7o, pois n\u00e3o s\u00e3o nossos os tesouros da Igreja, mas de Cristo. A autoridade \u00e9 entrega, e ser\u00e1 plena e real se for enraizada em Cristo, para que cada fiel seja levado, no Esp\u00edrito Santo, a cultivar a pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o segundo o Evangelho, a uma caridade sincera e ativa e \u00e0 liberdade com que Cristo nos libertou&#8221;. (Presbyterorum ordini, n. 6).<br \/>Para governar, \u00e9 necess\u00e1rio que a cada dia Cristo governe mais nossas vidas. Governar, no cristianismo, n\u00e3o \u00e9 dominar. Geralmente, diz-se que o significado da palavra hierarquia seria &#8220;dom\u00ednio sagrado&#8221;, mas o verdadeiro significado n\u00e3o \u00e9 este, \u00e9 &#8220;origem sagrada&#8221;, ou seja: esta autoridade n\u00e3o prov\u00e9m do pr\u00f3prio homem, mas tem origem no sagrado, no Sacramento (Bento XVI, Audi\u00eancia Geral de 26 de maio de 2010).<br \/>A miss\u00e3o episcopal \u00e9 divina, como todas as voca\u00e7\u00f5es suscitadas por Deus. Grande \u00e9 nossa tarefa, maior ainda nossa responsabilidade. E fico feliz em saber que n\u00e3o caminho sozinho. Fico feliz em saber que tenho a companhia de meus irm\u00e3os no episcopado, agora aumentado em mais um que ser\u00e1 ordenado Bispo no dia 12 de maio de 2012, s\u00e1bado, \u00e0s 08:30 horas, em nossa Catedral Metropolitana de S\u00e3o Sebasti\u00e3o, aqui no Rio de Janeiro. Estar\u00e3o comigo, como ordenantes, os Bispos D. Roberto Francisco Ferreria Paz, Bispo Diocesano de Campos, e D. Roberto Gomes Guimar\u00e3es, Bispo Em\u00e9rito de Campos.<br \/>Temos a honra de guiar, educar e santificar milh\u00f5es de pessoas que vivem na Cidade Maravilhosa. Por\u00e9m, sem nossos irm\u00e3os sacerdotes seria imposs\u00edvel cumprir tais tarefas. A eles agrade\u00e7o com minhas ora\u00e7\u00f5es e sacrif\u00edcios por todo trabalho e esfor\u00e7o que t\u00eam desempenhado. <br \/>Agrade\u00e7o tamb\u00e9m a todos os vocacionados e seminaristas que, atra\u00eddos pela beleza do chamado de Cristo, foram generosos e disseram sim. Tenham a certeza de que vale a pena entregar toda a vida a Cristo, vale a pena entregar toda a vida ao rebanho de Deus. N\u00e3o h\u00e1 maior satisfa\u00e7\u00e3o do que conduzir as pessoas pelas m\u00e3os ao encontro com Cristo. <br \/>Agora a nossa Arquidiocese conta com tr\u00eas Semin\u00e1rios: o Semin\u00e1rio Maior S\u00e3o Jos\u00e9, o Semin\u00e1rio Proped\u00eautico Rainha dos Ap\u00f3stolos e o Semin\u00e1rio Mission\u00e1rio.<br \/>Agrade\u00e7o tamb\u00e9m todos os religiosos e religiosas, consagrados e consagradas, leigos e leigas. O carisma e entrega de voc\u00eas \u00e9 um dom do Esp\u00edrito Santo que, em comunh\u00e3o \u00e0 miss\u00e3o e pastoral da Igreja local, produzem frutos de santidade. Agrade\u00e7o ao povo carioca pelas ora\u00e7\u00f5es e caridade, pelos milh\u00f5es de fi\u00e9is que se entregam com fidelidade \u00e0 voca\u00e7\u00e3o no estado de vida que Deus lhes confiou.<br \/>Agora convido todos os irm\u00e3os e irm\u00e3s para participarem conosco deste belo momento de nossa Arquidiocese que, nesse ano do Discipulado e da F\u00e9, se prepara para a Jornada Mundial da Juventude, como estamos vivendo nestes dias com a visita do Pontif\u00edcio Conselho para os Leigos.<br \/>Agrade\u00e7o a Deus pela gra\u00e7a de servir \u00e0 Arquidiocese (no \u00faltimo dia 26 completei 15 anos de minha primeira nomea\u00e7\u00e3o episcopal, e no dia 27 foram tr\u00eas anos de minha transfer\u00eancia para esta S\u00e9 carioca). <br \/>Temos agora mais um bispo auxiliar para compartilhar os servi\u00e7os. Realmente sinto que o povo tem tomado posse de seu Arcebispo e dos Bispos Auxiliares, recordando a frase com que conclu\u00ed meu discurso na missa de in\u00edcio de meu minist\u00e9rio aqui no Rio de Janeiro. Amo meu sacerd\u00f3cio, amo minha Igreja! <br \/>Que Maria, rainha dos ap\u00f3stolos, acenda em nossos cora\u00e7\u00f5es um amor cada vez maior a Seu filho, e um desejo incans\u00e1vel de levar o Evangelho a todas as criaturas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste dia 29 de fevereiro, uma bela not\u00edcia ecoa no mundo: temos um novo Bispo Auxiliar para a nossa Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro: Mons. Luiz Henrique da Silva Brito! 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