{"id":15164,"date":"2016-06-13T12:51:46","date_gmt":"2016-06-13T15:51:46","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/06\/13\/a-fe-aparente\/"},"modified":"2017-05-08T11:43:14","modified_gmt":"2017-05-08T14:43:14","slug":"a-fe-aparente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-fe-aparente\/","title":{"rendered":"A f\u00e9 aparente"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Que as apar\u00eancias enganam n\u00e3o \u00e9 preciso dizer. Mas que s\u00e3o constru\u00eddas com sabedoria, sim. Comparo-as a uma obra de arte, uma embalagem de um produto, um r\u00f3tulo. Quanto mais atraente, melhor. N\u00e3o vejo nisso maledic\u00eancia alguma, pois que esta \u00e9 sua fun\u00e7\u00e3o, ou seja: chamar a aten\u00e7\u00e3o para a preciosidade ou qualidade do conte\u00fado que ostenta.<br \/> Aqui \u00e9 que s\u00e3o elas! Ser\u00e1 o conte\u00fado equivalente \u00e0 beleza do r\u00f3tulo, da embalagem? P\u00e3o dos anjos ou fermento dos fariseus? A f\u00e9 aparente \u00e9 uma embalagem sem conte\u00fado, mercadoria dos tolos. Essa \u00e9 a que mais se exp\u00f5e nas prateleiras de uma campanha pol\u00edtica ou com\u00e9rcio da simpatia popular, por exemplo. Bela por fora, bolorenta na sua triste realidade. Contra ela n\u00e3o existe lei de prote\u00e7\u00e3o aos consumidores, sen\u00e3o aquela que vem do alto. Mas at\u00e9 l\u00e1, pobre de quem compra gato por lebre.<br \/> Deixemos, por enquanto, esse parecer negativo, para real\u00e7ar a beleza da embalagem genu\u00edna da f\u00e9. \u00c9 como um tesouro imposs\u00edvel de se esconder, um produto de valor inquestion\u00e1vel. Ora, certo homem um dia encontrou esse precioso tesouro, na forma de imensa rocha de ouro. (Se bem que ouro seja metal, mas vamos l\u00e1!). Diante dela, come\u00e7ou a tecer planos, dando adeus \u00e0 vida de priva\u00e7\u00f5es de at\u00e9 ent\u00e3o. Come\u00e7ou a imaginar um futuro. Teria, enfim, seus sonhos realizados, a escola para os filhos, a mesa farta, o respeito dos vizinhos, o carro na garagem, tudo, tudo. Passou horas a imaginar a felicidade que aquele tesouro lhe proporcionaria. J\u00e1 se sentia rico.<br \/> Aos poucos, foi caindo na realidade. Como transportar aquela descoberta, sem que ningu\u00e9m a visse? Era muito pesada para um transporte solit\u00e1rio. Ademais, se sa\u00edsse dali para buscar ajuda outro viajante poderia se apossar de seu tesouro. Se pedisse ajuda, teria que dividi-lo com seus auxiliares. Frente ao dilema, ficou por ali &#8211; dias seguidos &#8211; em vig\u00edlia constante. Como usufruir daquela descoberta? N\u00e3o tinha consigo sequer uma ferramenta que o pudesse ajudar.<br \/> Convenceu-se, afinal, de que sozinho nunca levaria para casa a enorme rocha de ouro puro. Uma ideia surgiu ent\u00e3o: cobrir com barro sua preciosa descoberta. E assim fez, criando uma embalagem bem impr\u00f3pria \u00e0 beleza do tesouro descoberto. Perfeito! Assim, bem disfar\u00e7ado, ningu\u00e9m o descobriria, enquanto buscasse meios de transport\u00e1-lo e apossar-se em definitivo daquela riqueza.<br \/> T\u00e3o perfeitamente, por\u00e9m, camuflou sua descoberta que, ao voltar dias depois, n\u00e3o mais a distinguiu dentre as pedras que povoavam aquele s\u00edtio. Tudo se resumiu a um sonho, transformado agora num pesadelo. Por n\u00e3o partilhar sua preciosa descoberta, voltou \u00e0 mis\u00e9ria de sempre, sem eira nem beira. A avareza e o ego\u00edsmo prevaleceram como insepar\u00e1veis embalagens de um sonho belo, mas jamais saboreado, realizado.<br \/> Essa \u00e9 a f\u00e9 aparente. Uma experi\u00eancia passageira, desconcertante, ilus\u00f3ria, que n\u00e3o leva a nada. A f\u00e9 verdadeira \u00e9 um tesouro vis\u00edvel a todos. N\u00e3o se esconde tamanha preciosidade na vida. Muito menos com o barro da nossa insignific\u00e2ncia. O brilho da f\u00e9 vai al\u00e9m das apar\u00eancias que forjamos em nossas vidas, das m\u00e1scaras que vestimos, do barro que nos cobre. A f\u00e9 \u00e9 transl\u00facida, contagiante, irremediavelmente solid\u00e1ria com todos que nos cercam, fazem parte dessa descoberta. Um produto sem embalagem artificial, mas brilhante em sua pr\u00f3pria luminosidade. A embalagem da f\u00e9 aut\u00eantica \u00e9 transparente como o olhar do crist\u00e3o sobre o mundo, as pessoas. Um olhar de compromisso, de solidariedade e amor. \u201cO olho \u00e9 a luz do corpo. Se teu olho \u00e9 s\u00e3o, todo teu corpo ser\u00e1 iluminado\u201d (Mt 6,22). Se tua f\u00e9 \u00e9 genu\u00edna, teu olhar h\u00e1 de denunciar o tesouro que possu\u00eds dentro de ti. N\u00e3o tem como escond\u00ea-lo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Que as apar\u00eancias enganam n\u00e3o \u00e9 preciso dizer. 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