{"id":15161,"date":"2016-06-11T03:00:00","date_gmt":"2016-06-11T06:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/06\/11\/pecado-e-perdao\/"},"modified":"2017-05-08T11:44:05","modified_gmt":"2017-05-08T14:44:05","slug":"pecado-e-perdao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/pecado-e-perdao\/","title":{"rendered":"Pecado e Perd\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"> Na liturgia do 11\u00ba Domingo do Tempo Comum, no Evangelho, Jesus foi convidado a almo\u00e7ar por um fariseu chamado Sim\u00e3o (Cf. Lc 7,36-8,3). Quando estavam \u00e0 mesa, entra uma mulher e vai diretamente a Cristo. Era uma mulher pecadora que havia na cidade, e que decidiu ter um encontro pessoal com o Senhor. E d\u00e1 amplas mostras de arrependimento e de contri\u00e7\u00e3o: \u201cEla trouxe um frasco de alabastro com perfume, e, ficando por detr\u00e1s, chorava aos p\u00e9s de Jesus; com as l\u00e1grimas come\u00e7ou a banhar-lhe os p\u00e9s, enxugava-os com os cabelos, cobria-os de beijos e os ungia com o perfume\u201d (Lc 7, 37-38).\u00a0 Sabemos o que se passava no seu \u00edntimo pelas palavras posteriores do Senhor: Amou muito. Mostrou que professava por Jesus uma venera\u00e7\u00e3o sem limites. Esqueceu-se dos outros e de si mesma; s\u00f3 Cristo \u00e9 que importava.<br \/> S\u00e3o-lhe perdoados os seus muitos pecados porque muito amou. A cena termina com as consoladoras palavras do Senhor: \u201cTua f\u00e9 te salvou. Vai em paz.\u201d (Lc 7, 50). Recome\u00e7a a tua vida com uma nova esperan\u00e7a.<br \/> As leituras deste Domingo ilustram-nos esta realidade. Primeiro, a pobreza de Davi (cf. 2Sm 12,7-10.13) que, apesar de forte militarmente e rei de Israel, n\u00e3o hesita em reconhecer seu pecado com toda humildade diante do profeta do Senhor: \u201cPequei contra o Senhor\u201d \u2013 diz o rei. Davi n\u00e3o usa m\u00e1scara, n\u00e3o procura justificar-se com desculpas. Reconhece-se pequeno, fr\u00e1gil, limitado&#8230; humilha-se ante o Senhor. A resposta do Senhor \u00e9 imediata: \u201cDe sua parte, o Senhor perdoou o teu pecado, de modo que n\u00e3o morrer\u00e1s\u201d. Depois, as duas figuras contrapostas do Evangelho: de um lado Sim\u00e3o, cheio de si, de sua pr\u00f3pria justi\u00e7a, seguro de si pr\u00f3prio, julgando-se em dia com Deus e com seus preceitos e, por isso mesmo, fechado para a miseric\u00f3rdia e a delicadeza para com os outros. Jesus o desmascara: \u201cQuando entrei na tua casa, tu n\u00e3o me ofereceste \u00e1gua para lavar os p\u00e9s&#8230; Tu n\u00e3o me deste o beijo de sauda\u00e7\u00e3o&#8230; Tu n\u00e3o derramaste \u00f3leo na minha cabe\u00e7a\u201d. Sim\u00e3o, cheio de si, nunca pensou de verdade que precisasse de um Salvador e, por isso, n\u00e3o foi aberto para Jesus e para o Reino. Recebeu Jesus exteriormente, mas n\u00e3o aderiu a Ele interiormente, de todo cora\u00e7\u00e3o! Por outro lado, a mulher pecadora, ad\u00faltera p\u00fablica, derrama as l\u00e1grimas e o cora\u00e7\u00e3o aos p\u00e9s de Jesus, com toda simplicidade, com toda sinceridade, do fundo de sua mis\u00e9ria&#8230; Reconhece-se pecadora, quebrada, infiel; sem m\u00e1scara nenhuma, mostra-se ao Senhor e suplica Sua miseric\u00f3rdia. Por isso, pode ouvir: \u201cTeus pecados est\u00e3o perdoados. Vai em\u00a0 paz\u201d!<br \/> \u201cAma pouco \u2013 comenta Santo Agostinho \u2013 aquele que \u00e9 perdoado pouco. Tu que dizes n\u00e3o ter cometido muitos pecados, por que n\u00e3o os cometeste? Sem d\u00favida porque Deus te conduziu pela m\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 nenhum pecado cometido por um homem que n\u00e3o possa ser cometido por outro, se Deus, que fez o homem, n\u00e3o o sustenta com a sua m\u00e3o\u201d.<br \/> N\u00e3o podemos esquecer a realidade das nossas faltas, nem atribu\u00ed-las ao ambiente, \u00e0s circunst\u00e2ncias que rodeiam a nossa vida, ou admiti-las como algo inevit\u00e1vel, desculpando-nos e fugindo da responsabilidade. Se o fiz\u00e9ssemos, fechar\u00edamos as portas ao perd\u00e3o e ao reencontro verdadeiro com Deus, tal como aconteceu com o fariseu. \u201cMais que o pr\u00f3prio pecado \u2013 diz S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo \u2013 que irrita e ofende a Deus \u00e9 que os pecadores n\u00e3o sintam dor alguma dos seus pecados\u201d. E n\u00e3o pode haver dor se nos desculpamos das nossas fraquezas. Devemos, pelo contr\u00e1rio, examinar-nos em profundidade, sem nos limitarmos a aceitar genericamente que somos pecadores. \u201cN\u00e3o podemos ficar na superf\u00edcie do mal \u2013 dizia o ent\u00e3o Cardeal Wojtyla (S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II) \u2013; \u00e9 preciso chegar \u00e0 sua raiz, \u00e0s causas, \u00e0 verdade mais profunda da consci\u00eancia.\u201d Jesus conhece bem o nosso cora\u00e7\u00e3o e deseja limp\u00e1-lo e purific\u00e1-lo.<br \/> Pois bem: faz parte do n\u00facleo da convic\u00e7\u00e3o crist\u00e3 que n\u00e3o nos bastamos, que somos pobres e, sozinhos, jamais nos realizaremos plenamente. \u00c9 o que S\u00e3o Paulo exprime na Segunda Leitura da Missa (Gl 2,16.19-21): aos crist\u00e3os de origem judaica, ele recordava que a salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o vem das obras da Lei de Mois\u00e9s, de nossa pr\u00f3pria bondade, mas unicamente da f\u00e9 em Jesus, presente de Deus, miseric\u00f3rdia de Deus para n\u00f3s. \u00c9 esta, muitas vezes, a nossa dificuldade: compreender que somos todos pobres diante de Deus; precisamos dele, a ele devemos abrir nossa mente, nosso cora\u00e7\u00e3o, nossa vida. A\u00ed, sim, o Reino de Deus come\u00e7ar\u00e1 a acontecer, e Deus, em Cristo, reinar\u00e1 de verdade na nossa vida e, atrav\u00e9s de n\u00f3s, na vida do mundo. Pe\u00e7amos \u00e0 Virgem Maria, ref\u00fagio dos pecadores, que nos obtenha do seu Filho uma dor sincera dos nossos pecados e um amor maior que as nossas faltas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na liturgia do 11\u00ba Domingo do Tempo Comum, no Evangelho, Jesus foi convidado a almo\u00e7ar por um fariseu chamado Sim\u00e3o (Cf. Lc 7,36-8,3). Quando estavam \u00e0 mesa, entra uma mulher e vai diretamente a Cristo. Era uma mulher pecadora que havia na cidade, e que decidiu ter um encontro pessoal com o Senhor. 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