{"id":14984,"date":"2016-06-06T12:38:47","date_gmt":"2016-06-06T15:38:47","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/06\/06\/como-mae-amorosa\/"},"modified":"2017-05-08T11:52:21","modified_gmt":"2017-05-08T14:52:21","slug":"como-mae-amorosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/como-mae-amorosa\/","title":{"rendered":"Como m\u00e3e amorosa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Quem acompanhou os notici\u00e1rios da semana, com certeza, p\u00f4de ver o epis\u00f3dio de duas crian\u00e7as que roubaram um carro e, na fuga, uma delas foi morta pela pol\u00edcia. Trivialidade dos dias de hoje, pode-se dizer. Mas o que mais me chamou a aten\u00e7\u00e3o foi a origem das crian\u00e7as, em especial aquela que morreu. Pai presidi\u00e1rio, m\u00e3e drogada e ex-detenta e o menino fugitivo por diversas vezes de uma casa de recupera\u00e7\u00e3o. Como vemos, frutos de lares destru\u00eddos. A m\u00e3e, lagrimosa como h\u00e1 de ser, pedia apenas justi\u00e7a!<br \/> Concomitantemente, o papa Francisco publicava, em Roma, uma carta apost\u00f3lica intitulada: \u201cComo uma m\u00e3e amorosa\u201d. Orientava seus bispos, os respons\u00e1veis pelas Igrejas Particulares do mundo, a darem maiores aten\u00e7\u00f5es aos pequeninos, em especial os marginalizados, explorados sexualmente e indefesos, para que n\u00e3o mais sofram as arbitrariedades dos adultos e da sociedade. Lembrava a maternidade da M\u00e3e-Igreja, que \u201cama todos os seus filhos, mas cuida e protege com mais afeto dos mais fr\u00e1geis e indefesos\u201d. Afinal \u00e9 esta \u2013 ou pelo menos deveria ser \u2013 uma das miss\u00f5es da Igreja. Lembrou aos seus dirigentes que a n\u00e3o observ\u00e2ncia desses princ\u00edpios poderia ocasionar a destitui\u00e7\u00e3o (para a imprensa sensacionalista usou-se \u201cexpuls\u00e3o\u201d, como se isso fosse algo pass\u00edvel e n\u00e3o contradit\u00f3rio dentro de uma institui\u00e7\u00e3o que prega a miseric\u00f3rdia) de seus cargos ou transfer\u00eancia. A penalidade estaria sendo incorporada ao c\u00f3digo de Direitos Can\u00f4nicos. <br \/> Decis\u00e3o tardia ou refor\u00e7o contra as pervers\u00f5es humanas? Paulo j\u00e1 dizia que a lei \u00e9 boa, \u201ccontanto que a tomemos como uma lei. Ela n\u00e3o \u00e9 destinada ao justo, mas aos in\u00edquos e rebeldes, \u00edmpios e pecadores, sacr\u00edlegos e profanadores, parricidas e matricidas, homicidas, impudicos, pederastas, mercadores de escravos, mentirosos, para os que juram falso, e para tudo o que se oponha \u00e0 s\u00e3 doutrina\u201d (1Tim 1, 8-10). Portanto, n\u00e3o devemos atribuir um acr\u00e9scimo \u00e0 lei como derivado de uma conduta presente unicamente dentro da Igreja. Porque o mal, o pecado, \u00e9 fraqueza puramente humana, est\u00e1 em qualquer institui\u00e7\u00e3o, qualquer sociedade, qualquer fam\u00edlia. Dizer que a preocupa\u00e7\u00e3o do Papa era diminuir os crimes de pederastia ocorridos dentro da Igreja, ora, ora, isso \u00e9 distorcer uma realidade que nos cerca a todos, como gente, como seres humanos suscept\u00edveis ao erro. N\u00e3o sejamos tendenciosos.<br \/> Ali\u00e1s, quando Paulo tamb\u00e9m escreveu suas cartas apost\u00f3licas \u2013 e foram muitas \u2013 duas delas foram dirigidas em especial a Tim\u00f3teo, seu companheiro e pupilo eclesi\u00e1stico, que recebeu de suas m\u00e3os a un\u00e7\u00e3o sacerdotal \u2013 foi ordenado por ele. Deu-lhe especial aten\u00e7\u00e3o e incentivou seu minist\u00e9rio com clareza de objetivos. Nascia ali a estrutura clerical da Igreja. Nasciam tamb\u00e9m as primeiras instru\u00e7\u00f5es dessa \u201cM\u00e3e Amorosa\u201d \u00e0queles que pretendessem se consagrar a seu servi\u00e7o. Num de seus cap\u00edtulos exigia que o representante da Igreja praticasse, sobretudo, respeito e solidariedade com as pessoas. Em especial aos idosos, jovens, senhoras e crian\u00e7as, aos quais deveria tratar \u201ccom toda pureza\u201d. Portanto, o que o papa refor\u00e7a em sua nova carta \u00e9 exatamente isso: \u201cmostrar uma dilig\u00eancia especial na prote\u00e7\u00e3o dos mais fr\u00e1geis\u201d. <br \/> Tudo isso j\u00e1 estava escrito. Demonstra-nos t\u00e3o somente o zelo maternal da Igreja com seus filhos e pastores. A Lei do Amor abrange tudo. Quem se sente abrigado sob a prote\u00e7\u00e3o maternal, inserido num contexto de fam\u00edlia que sabe apontar os melhores caminhos, h\u00e1 de diferenciar o que \u00e9 certo ou n\u00e3o, em qualquer circunst\u00e2ncia. \u201cQuanto a voc\u00ea mesmo, seja para os fi\u00e9is um modelo na palavra, na conduta, no amor, na f\u00e9, na pureza\u201d (1Tim 4, 12) \u2013 dizia Paulo ao clero nascente. Mas n\u00e3o se esque\u00e7a: aquela m\u00e3e que chora a morte do filho ainda nos pede: Justi\u00e7a!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem acompanhou os notici\u00e1rios da semana, com certeza, p\u00f4de ver o epis\u00f3dio de duas crian\u00e7as que roubaram um carro e, na fuga, uma delas foi morta pela pol\u00edcia. Trivialidade dos dias de hoje, pode-se dizer. Mas o que mais me chamou a aten\u00e7\u00e3o foi a origem das crian\u00e7as, em especial aquela que morreu. 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