{"id":14953,"date":"2016-06-03T13:28:28","date_gmt":"2016-06-03T16:28:28","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/06\/03\/estuprar-e-violar-a-dignidade-humana\/"},"modified":"2017-05-08T11:55:13","modified_gmt":"2017-05-08T14:55:13","slug":"estuprar-e-violar-a-dignidade-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/estuprar-e-violar-a-dignidade-humana\/","title":{"rendered":"Estuprar \u00e9 violar a dignidade humana"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/bispos\/dom rodolfo png 1.png\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Est\u00e1 em pauta o tema do estupro. Assunto que voltou com toda for\u00e7a, ap\u00f3s a den\u00fancia de um estupro coletivo de uma adolescente no Rio de Janeiro. Como todo crime, ele est\u00e1 sendo investigado pela pol\u00edcia para apurar o que aconteceu.<br \/>Na sociedade violenta onde vivemos s\u00e3o mortos em torno de 60.000 pessoas anualmente. Al\u00e9m da morte f\u00edsica, outras milhares de pessoas sofrem agress\u00f5es f\u00edsicas, morais e psicol\u00f3gicas. No caso do estupro, temos a viol\u00eancia f\u00edsica que vem acompanhada de um violento atentado contra a dignidade da pessoa. A v\u00edtima de estupro teve a sua privacidade invadida, foi-lhe negada a liberdade de escolha e foi transformada em objeto. Tantos estupros terminam em morte e em outros as v\u00edtimas s\u00e3o amea\u00e7adas de morte. Por isso \u00e9 um crime traz que tanto sofrimento para as v\u00edtimas e repugna tanto.<br \/>Todas as v\u00edtimas de estupro e a sociedade clamam por justi\u00e7a. Desejam uma puni\u00e7\u00e3o rigorosa dos culpados. Al\u00e9m de punir o estuprador, a condena\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m quer coibir e intimidar quem ouse cometer o mesmo crime.<br \/>Creio que comentar os estupros, indignar-se, protestar e punir os culpados s\u00e3o os primeiros passos, mas n\u00e3o os suficientes. Tamb\u00e9m \u00e9 tempo de uma reflex\u00e3o sobre o modo de viver da sociedade, sobre a cultura, sobre a educa\u00e7\u00e3o e a transmiss\u00e3o de valores. As mudan\u00e7as de uma sociedade e de seus comportamentos requerem mais que repress\u00e3o. A mudan\u00e7a necessita de uma compreens\u00e3o de ser humano, de educa\u00e7\u00e3o e de inclus\u00e3o social. Quem sou eu? Quem \u00e9 a pessoa que est\u00e1 ao meu lado? Por que n\u00e3o tenho o direito de fazer do outro o que eu quero? Por que n\u00e3o posso transform\u00e1-lo em objeto dos meus desejos? Perguntas existenciais fundamentais que orientam a educa\u00e7\u00e3o e a estrutura\u00e7\u00e3o da sociedade.<br \/>Para enriquecer a reflex\u00e3o recordo o pensamento de Emannuel Mounier (1905 \u2013 1950), fil\u00f3sofo-crist\u00e3o franc\u00eas, que desenvolveu a filosofia do Personalismo. A Europa vivia uma crise \u00e9tica, social, pol\u00edtica e econ\u00f4mica. O fascismo e o nazismo estavam mostrando as suas garras e a segunda guerra mundial estava come\u00e7ando e depois explodiu. O clima era de pessimismo, de banaliza\u00e7\u00e3o da vida e de viol\u00eancia. Neste contexto, ele prop\u00f5e uma reflex\u00e3o sobre a dignidade da vida humana. Afirma o valor da pessoa como valor absoluto que nunca pode ser usada como meio, ser transformada em objeto. \u00c9 a compreens\u00e3o da pessoa enquanto totalidade e enquanto centro de todas as a\u00e7\u00f5es. <br \/>Mounier n\u00e3o est\u00e1 propondo um individualismo. Tomar o ser humano como pessoa \u00e9 apreend\u00ea-lo como ser que se constr\u00f3i historicamente, como ser situado, ser de comunica\u00e7\u00e3o, de ades\u00e3o, de transforma\u00e7\u00e3o. Isto mostra que o personalismo, ao apostar no ser humano, est\u00e1 tamb\u00e9m apostando na comunidade, j\u00e1 que a pessoa \u00e9 comunica\u00e7\u00e3o essencial, \u00e9 sair de si, \u00e9 compreender, assumir o seu pr\u00f3prio destino e o destino das outras pessoas. <br \/>Ao mesmo tempo em que afirmou o valor absoluto da pessoa, Mounier anunciou tamb\u00e9m a import\u00e2ncia da vida comunit\u00e1ria. O homem s\u00f3 se torna pessoa e se realiza na comunidade. \u00c9 neste sentido que, na perspectiva personalista, o social e o pol\u00edtico s\u00e3o express\u00f5es do pessoal. \u00c9 por isto que Mounier clama em favor de uma revolu\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo, personalista e comunit\u00e1ria. Quer, assim, uma revaloriza\u00e7\u00e3o da vida das pessoas e da viv\u00eancia comunit\u00e1ria. Para garantir essa reestrutura\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1ria uma profunda transforma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social, de modo que todas as institui\u00e7\u00f5es sejam estruturadas em fun\u00e7\u00e3o da promo\u00e7\u00e3o da pessoa. <br \/>A pessoa \u00e9 um absoluto. Isto significa que a pessoa vale por si mesma. Ela \u00e9 dotada de dignidade intr\u00ednseca. A pessoa nunca poder\u00e1 ser um meio, ter\u00e1 que ser sempre um fim. A pessoa, na vis\u00e3o personalista, \u00e9 um ser integral, dotado de corpo e alma, desejos, liberdade, responsabilidade e transcend\u00eancia. Enquanto tal, \u00e9 capaz de conhecer, de decidir, de responsabilizar-se. Entretanto, estas capacidades n\u00e3o s\u00e3o dadas, mas s\u00e3o constru\u00eddas nas rela\u00e7\u00f5es que a pessoa mant\u00e9m consigo, com os outros, com Deus, com o meio natural e social.<\/p>\n<p>Dom Rodolfo Luis Weber<br \/>Arcebispo de Passo Fundo<br \/>03 de junho de 2016<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1 em pauta o tema do estupro. Assunto que voltou com toda for\u00e7a, ap\u00f3s a den\u00fancia de um estupro coletivo de uma adolescente no Rio de Janeiro. Como todo crime, ele est\u00e1 sendo investigado pela pol\u00edcia para apurar o que aconteceu.Na sociedade violenta onde vivemos s\u00e3o mortos em torno de 60.000 pessoas anualmente. 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