{"id":14911,"date":"2016-06-03T03:00:00","date_gmt":"2016-06-03T06:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/06\/03\/o-extraordinario-do-cotidiano\/"},"modified":"2017-05-08T11:57:24","modified_gmt":"2017-05-08T14:57:24","slug":"o-extraordinario-do-cotidiano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-extraordinario-do-cotidiano\/","title":{"rendered":"O extraordin\u00e1rio do cotidiano"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Celebramos neste final de maio e in\u00edcio de junho as festas que reabrem a nossa retomada do Tempo Comum durante o ano: Trindade, Corpus Christi e Cora\u00e7\u00e3o de Jesus. Junto com a presen\u00e7a mariana (visita\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora), n\u00f3s olhamos para esse tempo como o tempo da Igreja que, conduzida pelo Esp\u00edrito Santo, caminha na Hist\u00f3ria. <br \/>Al\u00e9m dos tempos que possuem caracter\u00edsticas pr\u00f3prias, existem trinta e tr\u00eas ou trinta e quatro semanas durante o curso do ano chamado lit\u00fargico, nas quais n\u00e3o se celebram aspectos particulares do mist\u00e9rio de Cristo; nelas, o mist\u00e9rio \u00e9 venerado em sua globalidade, especialmente aos domingos. Este per\u00edodo chama-se Tempo Comum ou \u201cper annum\u201d.<br \/> Esse Tempo Comum, em sua primeira parte, come\u00e7a na segunda-feira que segue o domingo ap\u00f3s o dia 6 de janeiro, e se estende at\u00e9 a ter\u00e7a-feira antes da Quaresma; retoma, em sua segunda parte, na segunda-feira depois de Pentecostes e termina no s\u00e1bado antes do Advento.<br \/> A liturgia \u00e9, antes te tudo, culto santificante; todavia, cont\u00e9m rica instru\u00e7\u00e3o ao povo de Deus, para a qual \u00e9 important\u00edssima a da Sagrada Escritura. Por isso, o Concilio Ecum\u00eanico Vaticano II estabeleceu que houvesse nas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas uma mais abundante, mais variada e mais adequada leitura da B\u00edblia (SC 24, 33,35). Isso acontece em todos os dias f\u00e9rias e aos domingos, e, de maneira especial, a recupera\u00e7\u00e3o da leitura da maior parte dos livros da Escritura acontece durante o Tempo \u201cper annum\u201d ou Comum.<br \/> A leitura semicont\u00ednua dos evangelhos sin\u00f3ticos aos domingos (cada ano um deles, durante 3 anos) permite, atrav\u00e9s da homilia, uma profunda educa\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00e9, fundada na teologia das atividades hist\u00f3ricas de Jesus, como \u00e9 apresentada pela narrativa de cada evangelista. \u00c9 preciso estar muito atento a esse aspecto para ajudar os fi\u00e9is a perceberem, de domingo em domingo, a continuidade da narrativa evang\u00e9lica e fazer com que aflore a caracter\u00edstica da mensagem de cada evangelista ao apresentar o mist\u00e9rio de Cristo. Esta \u00e9 a catequese fundamental e essencial. Al\u00e9m disso, n\u00e3o se dever\u00e1 esquecer a refer\u00eancia ao texto do Antigo Testamento, cuja escolha normalmente \u00e9 sempre determinada pela per\u00edcope evang\u00e9lica.<br \/> A leitura dos evangelhos sin\u00f3ticos, que caracteriza os anos A, B e C do Lecion\u00e1rio Dominical, deve levar em conta que tais textos s\u00e3o o testemunho da consci\u00eancia de um itiner\u00e1rio de amadurecimento na Igreja primitiva. Esse itiner\u00e1rio, percorrido em momentos sucessivos, pode e deve tornar-se caminho de f\u00e9 em dire\u00e7\u00e3o a \u201cuma consci\u00eancia plena\u201d da vontade de, \u201ccom toda sabedoria e intelig\u00eancia espiritual\u201d (Cl 1,10), tamb\u00e9m para as nossas assembleias dominicais.<br \/> O Evangelho de Mateus (Ano A) &#8211; marca a etapa da introdu\u00e7\u00e3o \u00e0s diversas experi\u00eancias eclesiais. O Evangelho de Marcos (Ano B) &#8211; constitui a etapa da experi\u00eancia catecumenal da convers\u00e3o. O Evangelho de Lucas, que lemos este ano, (Ano C) &#8211; introduz \u00e0 intelec\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio do reino em sua rela\u00e7\u00e3o com a hist\u00f3ria.<br \/> O Evangelho de Jo\u00e3o \u00e9 lido principalmente no Tempo Pascal e completa tamb\u00e9m durante alguns domingos o Evangelho de Marcos (naquilo que se refere ao Tempo Comum), devido a tamanho necess\u00e1rio para preencher todos os domingos durante o ano. Jo\u00e3o constitui a etapa de uma experi\u00eancia contemplativa, na qual s\u00e3o sublinhados os valores fundamentais da f\u00e9 e da caridade. Existe aqui uma verdadeira contempla\u00e7\u00e3o das transpar\u00eancias do mist\u00e9rio de Cristo hist\u00f3rico em dire\u00e7\u00e3o ao Pai, e da Igreja animada pelo Esp\u00edrito.<br \/> O Tempo Comum, ou durante o ano, n\u00e3o s\u00e3o semanas sem conte\u00fado, como que vazias. Ao contr\u00e1rio, celebramos a normalidade evang\u00e9lica das palavras de Jesus, de seus gestos e seus ensinamentos. Assumir este mist\u00e9rio de Cristo no tempo ordin\u00e1rio significa levar a s\u00e9rio o ser disc\u00edpulo, escutar e seguir o mestre no cotidiano, mostrando que cada momento \u00e9 momento de salva\u00e7\u00e3o. A espiritualidade lit\u00fargica vai nos alimentar como em nossas refei\u00e7\u00f5es. Parece que \u00e9 sempre a mesma coisa, mas \u00e9 sempre uma vida nova que nos \u00e9 dada. A riqueza do Tempo Comum est\u00e1 no fato de que cada dia \u00e9 uma s\u00edntese de todo o mist\u00e9rio de Cristo. Noite e dia se enchem das mem\u00f3rias de Cristo e \u00e9 para n\u00f3s o momento de contato com Ele, que est\u00e1 vivo e presente no meio de n\u00f3s. Participar significa unir-se ao Cristo, que se oferece ao Pai pelo mundo.<br \/> No Tempo Comum celebramos os santos e, de modo particular, as festa de Jesus Cristo e da Virgem Maria, M\u00e3e de Deus e nossa. Qual \u00e9 o sentido dessas celebra\u00e7\u00f5es? Fazermos mem\u00f3ria dos santos que, seguindo Cristo Jesus e incorporados a Ele pelo batismo, viveram sob a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo. Sua santidade \u00e9 a de Cristo, que continua no tempo e se faz testemunho nas pessoas que viveram o Evangelho de modo eminente. N\u00f3s nos unimos a esses nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s animando-nos a viver a mesma vida, contando com sua intercess\u00e3o e realizando em n\u00f3s o mesmo caminho de reden\u00e7\u00e3o que viveram. Aqueles homens e mulheres que chamamos de santos s\u00e3o como n\u00f3s. N\u00e3o se trata de uma espiritualidade devocional. Eles s\u00e3o testemunhos da presen\u00e7a de Cristo em cada um, unidos \u00e0 sua Vida e P\u00e1scoa. Unidos ao mist\u00e9rio pascal de Cristo, participam de Sua gl\u00f3ria. Maria viveu de modo eminente o caminho palmilhado por Jesus dia e noite. \u00a0\u00a0\u00a0 <br \/> Neste ano, temos um motivo especial para aprofundar nossa f\u00e9: o Ano Santo da Miseric\u00f3rdia. Assim, durante todo este Jubileu, vivendo o cotidiano, somos chamados a viver, na exist\u00eancia de cada dia, no labor de nossos trabalhos, de nossas atividades e do nosso lazer, a miseric\u00f3rdia que o Pai, desde sempre, estende sobre n\u00f3s. Neste Jubileu, deixemo-nos surpreender por Deus. Ele nunca se cansa de escancarar a porta do Seu cora\u00e7\u00e3o, para repetir que nos ama e deseja partilhar conosco a Sua vida, que \u00e9 vida plena, prenhe de Justi\u00e7a e de compaix\u00e3o. A M\u00e3e Igreja, mestra da caridade, sente fortemente a urg\u00eancia de anunciar a miseric\u00f3rdia de Deus no ordin\u00e1rio cotidiano da vida humana. A sua vida \u00e9 aut\u00eantica e cred\u00edvel quando faz da miseric\u00f3rdia seu convicto an\u00fancio, vivendo-o em gestos concretos e eloquentes no dia a dia de seu peregrinar rumo ao c\u00e9u!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Celebramos neste final de maio e in\u00edcio de junho as festas que reabrem a nossa retomada do Tempo Comum durante o ano: Trindade, Corpus Christi e Cora\u00e7\u00e3o de Jesus. 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