{"id":14850,"date":"2016-05-31T17:11:58","date_gmt":"2016-05-31T20:11:58","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/05\/31\/dialogo-mas-que-dialogo\/"},"modified":"2017-05-08T13:02:34","modified_gmt":"2017-05-08T16:02:34","slug":"dialogo-mas-que-dialogo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/dialogo-mas-que-dialogo\/","title":{"rendered":"Di\u00e1logo\u2026 Mas que di\u00e1logo?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/80 ilustracao artigo opiniao.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Klaus Br\u00fcschke, \u00e9 membro do movimento dos Focolares, ex-publisher da Editora Cidade Nova, articulista da revista Cidade Nova.<\/p>\n<p>Nestes tempos que o Pa\u00eds atravessa, ou\u00e7o da parte de tantos, preocupados com a polariza\u00e7\u00e3o dos posicionamentos pol\u00edticos e com a consequente ciz\u00e2nia, um apelo ao di\u00e1logo. N\u00e3o conhe\u00e7o, todavia, quem, possuidor de sadias faculdades mentais, seja contr\u00e1rio ao di\u00e1logo e ao pluralismo de opini\u00f5es, inclusive pol\u00edticas. Por que ser\u00e1, ent\u00e3o, que isso nos custa tanto?!<br \/>Talvez por acreditarmos o di\u00e1logo ser a arte de convencer nossos interlocutores da verdade de nossas convic\u00e7\u00f5es \u2013 ami\u00fade desconstruindo os argumentos deles. Ali\u00e1s, nosso modo de pensar ocidental \u00e9 dualista e exclusivista. Aut-aut, diriam os antigos latinos: ou uma coisa ou outra\u2026 Trata-se de uma pr\u00e1tica dial\u00e9tica que \u2013 com o perd\u00e3o de Hegel \u2013 fica pela metade: na luta da tese contra a ant\u00edtese, vence uma das duas, mas n\u00e3o se chega \u00e0 s\u00edntese, que supera a ambas.<br \/>Ou talvez isso se deva ao fato de intuirmos tratar-se o di\u00e1logo de uma conversa civilizada sobre pensamentos divergentes, mas n\u00e3o sabemos como conduzi-lo.<br \/>O grande Rubem Alves recomendava que frequent\u00e1ssemos \u201ccursos de escutat\u00f3ria\u201d para aprendermos a bem escutar \u2013 \u00e0 diferen\u00e7a dos cursos de orat\u00f3ria, em que se aprende a bem falar. (Sugiro a leitura do s\u00e1bio e saboroso texto a prop\u00f3sito, encontradi\u00e7o na internet). Proponho que nos matriculemos em \u201ccursos de di\u00e1logo\u201d, cientes de n\u00e3o sermos destros nessa t\u00e3o necess\u00e1ria arte.<br \/>Encontrei a respeito uma \u201caula\u201d no pensamento do fil\u00f3sofo espanhol Jes\u00fas Mor\u00e1n. Ele fala de alguns \u201cprinc\u00edpios antropol\u00f3gicos\u201d b\u00e1sicos capazes de evitar que o di\u00e1logo se torne \u201cuma tr\u00e1gica ingenuidade, sonho e meta inating\u00edvel\u201d.<br \/>O primeiro princ\u00edpio \u00e9 que o di\u00e1logo n\u00e3o \u00e9 mera conversa, mas rela\u00e7\u00e3o profunda entre pessoas. Isso me faz reconhecer a dignidade de meu interlocutor e o valor de seu pensamento, que pode ser um dom para mim. O segundo princ\u00edpio \u00e9 que o di\u00e1logo requer sil\u00eancio e escuta \u2013 e aqui me remeto novamente ao texto de Rubem Alves. Precisamos aprender a escutar, e para escutar, precisamos aprender a cultivar o sil\u00eancio, o sil\u00eancio interior. O terceiro princ\u00edpio \u00e9 que, ao dialogar, \u201ccolocamos em risco\u201d nossa vis\u00e3o das coisas, nossa pr\u00f3pria identidade. Ningu\u00e9m sai inc\u00f3lume de um aut\u00eantico di\u00e1logo. Algo muda, ao mesmo tempo que \u00e9 nele que encontramos nossa verdadeira identidade. O quarto princ\u00edpio tem a ver com a verdade. \u201cA verdade precisa sempre ser completada; ningu\u00e9m possui a verdade, \u00e9 ela que nos possui. Portanto, n\u00e3o se trata de relatividade da verdade, mas de \u2018relacionalidade da verdade\u2019 (Baccarini). \u2018Verdade relativa\u2019 significa cada ter a sua verdade, v\u00e1lida somente para si. J\u00e1 \u2018verdade relacional\u2019 significa cada um participar da verdade e colocar em comum com os outros a sua participa\u00e7\u00e3o dela, que \u00e9 uma verdade para todos\u201d. Para sermos honestos, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o \u00f3bvia assim express\u00e3o de Panikkar: \u201cDe uma janela v\u00ea-se toda a paisagem, mas n\u00e3o totalmente\u201d\u2026 O quinto princ\u00edpio mostra que o di\u00e1logo \u201cexige uma forte vontade. O amor \u00e0 verdade leva-me a busc\u00e1-la e a desej\u00e1-la, e por isso me coloco em di\u00e1logo\u201d, explica Mor\u00e1n. De acordo com o sexto princ\u00edpio, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel dialogar entre pessoas aut\u00eanticas, capazes do amor, do altru\u00edsmo e da solidariedade. E, por fim, o s\u00e9timo princ\u00edpio afirma que a cultura do di\u00e1logo possui uma \u00fanica lei, a reciprocidade.<br \/>Como vemos, n\u00e3o faltam bons mestres desta arte. Espero aprender alguma coisa com eles\u2026<br \/>Jornal &#8220;O S\u00e3o Paulo&#8221;, edi\u00e7\u00e3o 3103, 25 a 31 de maio de 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: N\u00facleo F\u00e9 e Cultura da PUC-SP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Klaus Br\u00fcschke, \u00e9 membro do movimento dos Focolares, ex-publisher da Editora Cidade Nova, articulista da revista Cidade Nova. Nestes tempos que o Pa\u00eds atravessa, ou\u00e7o da parte de tantos, preocupados com a polariza\u00e7\u00e3o dos posicionamentos pol\u00edticos e com a consequente ciz\u00e2nia, um apelo ao di\u00e1logo. 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