{"id":1479,"date":"2012-02-02T11:40:12","date_gmt":"2012-02-02T13:40:12","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/zelo-pela-casa-de-deus\/"},"modified":"2017-03-20T13:44:37","modified_gmt":"2017-03-20T16:44:37","slug":"zelo-pela-casa-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/zelo-pela-casa-de-deus\/","title":{"rendered":"Zelo pela casa de Deus"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/convidigal3.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>O epis\u00f3dio dos vendilh\u00f5es do Templo (Jo 2,14-25 oferece ocasi\u00e3o para que se levante uma quest\u00e3o da qual resulta um ensinamento precios\u00edssimo: Porque Cristo agiu t\u00e3o violentamente?\u00a0 Ele improvisou um chicote de cordas e expulsou a todos do templo, derrubando as mesas dos cambistas. Poder-se-ia pensar que a rea\u00e7\u00e3o de Jesus n\u00e3o correspondia \u00e0 sua mensagem de paz e de amor. Ele ensinara a ter comisera\u00e7\u00e3o, paci\u00eancia diante do agressor. Ele pregou a n\u00e3o-viol\u00eancia e daria exemplo extremo indo como um Cordeiro para o lugar de sua morte. No lugar de protestar e amea\u00e7ar seus perseguidores ele rogaria ao Pai que os perdoasse porque n\u00e3o sabiam o que estavam fazendo l\u00e1 no Calv\u00e1rio. Ali no templo, por\u00e9m, a situa\u00e7\u00e3o era diferente. Ele n\u00e3o se sente pessoalmente atacado, mas, pelo contr\u00e1rio, percebeu que seu Pai era maltratado por pr\u00e1ticas indignas de um local destinado exatamente ao culto divino. Seu amor pelo Pai o for\u00e7ou a reagir e Ele n\u00e3o poderia compactuar com aquela profana\u00e7\u00e3o do lugar sagrado. Cristo mostrou que os direitos de Deus s\u00e3o sagrados, n\u00e3o podem ser negligenciados. Isto vem lembrar a todo aquele que tem f\u00e9 e freq\u00fcenta as Igrejas a grande rever\u00eancia que se deve ter no recinto dedicado a Deus e \u00e0 venera\u00e7\u00e3o de Maria, anjos e santos, tanto mais que a presen\u00e7a de Jesus na Eucaristia exige, de fato, uma compostura especial, um not\u00e1vel recato que demonstre, realmente, o amor ao Divino Prisioneiro do Sacr\u00e1rio.\u00a0 O cuidado, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 apenas com o templo no qual a comunidade se re\u00fane para louvar e agradecer ao Pai, mas tamb\u00e9m o santu\u00e1rio vivo que \u00e9 a alma em estado de gra\u00e7a. Clar\u00edssimas as palavras de Jesus: &#8220;Se algu\u00e9m me ama, guardar\u00e1 a minha palavra, e meu Pai o amar\u00e1, e viremos a ele e faremos nele morada&#8221; (Jo 14,23). A Trindade mora no fiel como num templo vivo. Da\u00ed a necessidade imperiosa de preservar a alma das impurezas, dos despudores deste mundo hedonista, injusto,\u00a0 que menoscaba os dez mandamentos da Lei divina com uma horripila aud\u00e1cia e refinada mal\u00edcia Qualquer pecado \u00e9 uma irrever\u00eancia para com o H\u00f3spede divino, cuja presen\u00e7a \u00e9 afastada pelas faltas graves. As drogas, a bebida, as imoralidades, a viol\u00eancia, a glutonaria maculam esta Casa do Ser Supremo. Esta deve ser engalanada, embelezada com a pr\u00e1tica de todas as virtudes. A habita\u00e7\u00e3o de Deus na alma em estado de gra\u00e7a n\u00e3o deve ser entendida como aquela presen\u00e7a segundo a qual a imensidade divina est\u00e1 ontologicamente em tudo como lemos no livro Atos dos Ap\u00f3stolos: Nele n\u00f3s existimos, nos movemos e somos (At 17,28), envolvendo, portanto, os bons e os maus, respeitando em todos a liberdade de o aceitar ou n\u00e3o. Esta habita\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve tamb\u00e9m ser entendida como uma presen\u00e7a resultante da opera\u00e7\u00e3o ou da infus\u00e3o da gra\u00e7a e dos dons sobrenaturais naqueles que se disp\u00f5em a receb\u00ea-los, mas como uma uni\u00e3o interior real, decorrente da descida das Tr\u00eas Pessoas divinas na alma. Com efeito, os justos, al\u00e9m da gra\u00e7a e dos dons, possuem de modo especial a Deus\u00a0 morando dentro de si.\u00a0 N\u00e3o se trata, assim, de uma uni\u00e3o metaf\u00f3rica que n\u00e3o ultrapassa as palavras ou que consistiria numa mera analogia. \u00c9 uni\u00e3o verdadeira e real. Eis por que o verdadeiro crist\u00e3o vive e se sente na presen\u00e7a especial do Ser Supremo, se percebe amado por Ele de modo especial, e faz tudo, as menores atividades, em Sua honra e gl\u00f3ria. Da\u00ed o significado profundo do sinal da cruz pronunciado em nome das Tr\u00eas Pessoas divinas n\u00e3o rotineiramente, mecanicamente, mas como um ato de consagra\u00e7\u00e3o daquilo que se vai fazer. Durante o dia o h\u00f3spede divino n\u00e3o fica ent\u00e3o esquecido e o Gl\u00f3ria ao Pai, ao Filho e ao Esp\u00edrito Santo se torna uma r\u00e1pida, mas santificadora visita a quem reside l\u00e1 dentro de cada um.\u00a0 Disto resulta o cuidado em se evitar toda e qualquer ocasi\u00e3o de pecado e tudo que possa macular o corpo e a alma t\u00e3o unidos ao Deus tr\u00eas vezes santo. Com isto a vida se transcorre com serenidade, paz, imperturbabilidade e sem tens\u00f5es prejudiciais \u00e0 pessoa, havendo total equil\u00edbrio psicossom\u00e1tico. N\u00e3o se deve, portanto, jamais profanar a casa de Deus e vale sempre o alerta de S\u00e3o Paulo: N\u00e3o sabeis que sois o templo de Deus\u00a0 e que o Esp\u00edrito de Deus habita em v\u00f3s: Ora quem desonra o templo de Deus, Deus n\u00e3o o aben\u00e7oar\u00e1. Porque sagrado \u00e9 o templo de Deus e tal templo sois v\u00f3s (1Cor 3,16-17). Como se pode notar o Ap\u00f3stolo repete o termo templo quatro vezes para bem fixar esta maravilhosa realidade. De todas estas reflex\u00f5es\u00a0 resulta, portanto, a rever\u00eancia n\u00e3o s\u00f3 nas Igrejas como respeito\u00a0 a si mesmo e aos outros. <\/p>\n<p>* Professor no Semin\u00e1rio de Mariana durante 40 anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O epis\u00f3dio dos vendilh\u00f5es do Templo (Jo 2,14-25 oferece ocasi\u00e3o para que se levante uma quest\u00e3o da qual resulta um ensinamento precios\u00edssimo: Porque Cristo agiu t\u00e3o violentamente?\u00a0 Ele improvisou um chicote de cordas e expulsou a todos do templo, derrubando as mesas dos cambistas. 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