{"id":14777,"date":"2016-05-30T15:13:56","date_gmt":"2016-05-30T18:13:56","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/05\/30\/conjugacoes-verbais\/"},"modified":"2017-05-08T13:04:17","modified_gmt":"2017-05-08T16:04:17","slug":"conjugacoes-verbais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/conjugacoes-verbais\/","title":{"rendered":"Conjuga\u00e7\u00f5es verbais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 pret\u00e9rito perfeito e pret\u00e9rito mais que perfeito, ou seja, em algum lugar do nosso saudosismo p\u00e1trio o passado j\u00e1 brilhou perfeitamente. Mas e o futuro? Ter\u00edamos possibilidades de alcan\u00e7\u00e1-lo em sua perfei\u00e7\u00e3o. No pret\u00e9rito imperfeito eu acreditava, mas no futuro do presente eu acreditarei, por\u00e9m no futuro do pret\u00e9rito eu acreditaria. H\u00e1 aqui uma condicional. Sei que a regra numa transi\u00e7\u00e3o \u00e9 buscar as vari\u00e1veis verbais e seus pronomes postos antes, no meio e posteriormente. Dizem os cultos que isso se chama pr\u00f3clise, mes\u00f3clise e \u00eanclise. Pois bem, ent\u00e3o acredit\u00e1-los-ei.<br \/> E creditar-lhes-ei. O folclore pol\u00edtico nacional tem muitos registros at\u00e9 c\u00f4micos dessas vari\u00e1veis. Um dia perguntaram ao grande vernaculista J\u00e2nio Quadros, presidente \u00e0 jato de nossa rep\u00fablica, por que bebia tanto? Sem pestanejar, respondeu: Bebo por que \u00e9 l\u00edquido, porque se fosse s\u00f3lido eu com\u00ea-lo-ia. Seus inc\u00f4modos interlocutores obtiveram mais que uma simples resposta, mas tamb\u00e9m uma li\u00e7\u00e3o de gram\u00e1tica. J\u00e1 o atual interino prefere uma condicional do futuro: com\u00ea-los-ei. Pelo menos \u00e9 isso que se desprende de seu vern\u00e1culo culto, a volta ao futuro do presente da pol\u00edtica nacional. Ent\u00e3o \u00e9 isso: dize-me com quem tu andas que dir-te-ei quem \u00e9s.<br \/> Esse \u00e9 o ponto. Saudosismo de uma cultura que se foi n\u00e3o resgata \u00e1guas passadas. O rico e po\u00e9tico idioma de Cam\u00f5es j\u00e1 primou como express\u00e3o cultural de um povo. A velha e bela l\u00edngua portuguesa, a \u00faltima flor do L\u00e1cio, perdeu seu perfume em algum lugar de nossa hist\u00f3ria. Quest\u00e3o de identidade cultural e ou patri\u00f3tico. Nosso linguajar se universaliza, por\u00e9m acatando mais influ\u00eancias externas do que preservando o lirismo de nossas express\u00f5es verbais. Estamos mais suscept\u00edveis ao modismo globalizado e \u2013 quando algu\u00e9m resgata a pureza dum idioma com o qual nos comunic\u00e1vamos mais objetivamente, nos entend\u00edamos e transfer\u00edamos valores tradicionais de um povo &#8211; nos escandalizamos, ironizamos. \u201cSei que desagrado, mas continuarei falando assim\u201d- comentou aquele que resgata publicamente a forma culta da l\u00edngua p\u00e1tria e ainda n\u00e3o nos disse a que veio, se vai ou se fica. O futuro, mais que perfeito, dir-nos-\u00e1. Se perfeito for&#8230;<br \/> A l\u00edngua \u00e9 nosso fator de unidade. Se culta ou bela, se contaminada pelos fatores da globaliza\u00e7\u00e3o, se distorcida pela neglig\u00eancia educacional, n\u00e3o importa, ainda nos entendemos. Com escuta, sem escuta, com dela\u00e7\u00f5es premiadas ou n\u00e3o, com manifesta\u00e7\u00f5es pr\u00f3 e contra, sem impedimentos que nos ensinaram sua forma e pron\u00fancia inglesa, bem ou mal, deixamos um pret\u00e9rito imperfeito, mas ainda n\u00e3o desistimos de um porvir mais perfeito. O importante \u00e9 o verbo, esse que determina a\u00e7\u00f5es, aglutina sujeitos, requer predicados. Acreditar \u00e9 o melhor deles. Esse nos oferece cr\u00e9ditos, soma esperan\u00e7as e remonta \u00e0 f\u00e9, o ato da cren\u00e7a e o fato do m\u00e9rito. Enquanto somarmos for\u00e7as para preservar o que de mais precioso adquirimos dos nossos antepassados, tanto intelectual quanto moralmente, estaremos mantendo a unidade. Nosso problema n\u00e3o \u00e9 gramatical, mas estrutural. Antes, no meio ou depois do verbo n\u00e3o faz diferen\u00e7a. Porque o Verbo j\u00e1 est\u00e1 no meio de n\u00f3s, \u201cse fez carne\u201d, gente como n\u00f3s, que grita, chora, conclama, exige, mas sobretudo, acredita. \u00c9 ao redor desse verbo que conjugamos nossa hist\u00f3ria, nossas vidas. Se a quest\u00e3o \u00e9 resgatar a cultura que nos \u00e9 pr\u00f3pria, come\u00e7amos pela nossa dignidade, essa que rejeita a voz passiva de qualquer verbo. Passivo vem de paix\u00e3o e indica sofrimento. Ativo, a\u00e7\u00e3o. <br \/> Nada mais oportuno do que fazermos de nossas vidas uma mes\u00f3clise, uma inser\u00e7\u00e3o ativa no Verbo por excel\u00eancia, aquele que habitou entre n\u00f3s. O que nos falta \u00e9 uma condicional mais que perfeita: resgat\u00e1-Lo dentre n\u00f3s. Quem sabe, assim, resgatar-nos-emos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 pret\u00e9rito perfeito e pret\u00e9rito mais que perfeito, ou seja, em algum lugar do nosso saudosismo p\u00e1trio o passado j\u00e1 brilhou perfeitamente. 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