{"id":14709,"date":"2016-05-23T16:45:41","date_gmt":"2016-05-23T19:45:41","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/05\/23\/o-mito-do-amar-a-si-mesmo-em-primeiro-lugar\/"},"modified":"2017-05-31T10:37:50","modified_gmt":"2017-05-31T13:37:50","slug":"o-mito-do-amar-a-si-mesmo-em-primeiro-lugar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-mito-do-amar-a-si-mesmo-em-primeiro-lugar\/","title":{"rendered":"O mito do \u2018amar a si mesmo em primeiro lugar\u2019"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/22489lpr_6ef2acd.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Como eu encontro a minha felicidade? Como posso aprender a me amar?<\/p>\n<p>Recentemente, Oprah Winfrey conversou com o pastor Joel Osteen, autor de um livro sobre \u201co poder do \u2018eu sou&#8217;\u201d. Vi um tweet interessante desse pastor outro dia: \u201cVoc\u00ea n\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel pela felicidade de outras pessoas; voc\u00ea \u00e9 respons\u00e1vel pela sua pr\u00f3pria felicidade\u201d.<\/p>\n<p>V\u00ea o problema aqui?<\/p>\n<p>Levei um momento para perceber, porque este parece ser um grande conselho. Na verdade, parece t\u00e3o grande que n\u00e3o faltam gurus de auto-ajuda que regularmente tentam nos convencer a pensar desta forma. O problema \u00e9 que o conselho come\u00e7a e termina com \u201cEU\u201d. Como eu encontro a minha felicidade? Como posso aprender a me amar? E n\u00f3s aceitamos essa ideia! Um EU t\u00e3o poderoso faz a pessoa ficar centrada em si mesma, voltada para o seu ego\u00edsmo. Embora possa ser tentador \u2013 e mais f\u00e1cil \u2013 simplesmente esquecer as outras pessoas e aprender primeiro a amar a si mesmo, esse conceito est\u00e1 fadado ao fracasso.<\/p>\n<p>A maravilha do ser humano \u00e9 que somos as \u00fanicas criaturas com capacidade de dar e receber amor. N\u00f3s somos feitos \u00e0 imagem de Deus e, se Ele \u00e9 amor, ent\u00e3o somos mais parecidos com Ele quando amamos. Se o nosso objetivo \u00e9 a felicidade, vamos encontr\u00e1-la apenas por viver de acordo com a sua forma. No nosso desespero para seguir os nossos desejos em busca de realiza\u00e7\u00e3o pessoal, nos perdemos. Quanto mais pensamos sobre n\u00f3s mesmos em primeiro lugar, menos felizes somos.<\/p>\n<p>H\u00e1 concreta, cient\u00edfica evid\u00eancia de que as pessoas s\u00e3o feitas desta forma. Ao longo dos \u00faltimos anos, muita pesquisa tem sido feita sobre crian\u00e7as em orfanatos. Um estudo agora famoso mostrou que os \u00f3rf\u00e3os com idade inferior a 5 anos que n\u00e3o receberam carinho humano normal sofreram muito por isso, \u00e0s vezes at\u00e9 mesmo morreram por causa disso.<\/p>\n<p>\u201cComo simplesmente estar em um orfanato poderia matar um beb\u00ea?\u201d, perguntou Maia Szalavitz, neurocientista que fez parte do estudo. \u201cBasicamente, os beb\u00eas morrem por falta de amor. Quando uma crian\u00e7a cai abaixo do limiar da afei\u00e7\u00e3o f\u00edsica necess\u00e1ria para estimular a produ\u00e7\u00e3o de horm\u00f4nio do crescimento e do sistema imunol\u00f3gico, o corpo come\u00e7a a desligar\u201d.<\/p>\n<p>Infelizmente, mesmo as crian\u00e7as que sobrevivem \u00e0 neglig\u00eancia ir\u00e3o sofrer por isso. A boa not\u00edcia \u00e9 que, sendo acolhida por uma fam\u00edlia amorosa, mesmo que chegue tarde, isso tem o poder para preencher as lacunas emocionais profundas deixadas pela neglig\u00eancia.<\/p>\n<p>Os efeitos extremos de uma falta de amor enchem nossos feeds de not\u00edcias com demasiada frequ\u00eancia. H\u00e1 um monte de diferentes teorias sobre a causa subjacente da viol\u00eancia e por que os tiroteios parecem aumentar, mas um tra\u00e7o comum \u00e9 que todos os atiradores foram prejudicados no passado por neglig\u00eancia, pais ausentes, fam\u00edlias desfeitas ou isolamento social. Muitos dos atiradores querem ser famosos. Esses assassinos fazem suas pr\u00f3prias escolhas e assumem a responsabilidade pelo mal que cometeram, mas tamb\u00e9m devemos reconhecer que, para eles, este \u00e9 um grito de socorro, uma maneira de ganhar a aten\u00e7\u00e3o que faltou e sentir que eles merecem aten\u00e7\u00e3o. Eles est\u00e3o desesperados pelo contato humano, mas porque nunca aprenderam a amar, buscam remediar sua solid\u00e3o com a viol\u00eancia. Para eles, ser temporariamente famoso e depois morto \u00e9 melhor do que estar vivo e sozinho.<\/p>\n<p>Os viciados em drogas ou \u00e1lcool est\u00e3o em uma situa\u00e7\u00e3o muito diferente, mas eles tamb\u00e9m est\u00e3o tentando buscar companhia humana. Recentemente, Johann Hari, um jornalista brit\u00e2nico que passou anos pesquisando a guerra contra as drogas e o v\u00edcio, prop\u00f4s uma surpreendente teoria sobre o que realmente causa depend\u00eancia. A resposta n\u00e3o \u00e9 exatamente a forma\u00e7\u00e3o de uma depend\u00eancia qu\u00edmica. Em vez disso, ele escreve, \u201co oposto do v\u00edcio n\u00e3o \u00e9 a sobriedade. \u00c9 a conex\u00e3o humana\u201d. Vencer o v\u00edcio pode n\u00e3o ser uma quest\u00e3o de for\u00e7a de vontade ou tratamento m\u00e9dico. Quando os usu\u00e1rios de drogas ou \u00e1lcool s\u00e3o cercados por amigos e familiares e se sentem amados, eles s\u00e3o muito menos propensos a formar v\u00edcios em primeiro lugar ou ter reca\u00eddas se eles est\u00e3o em recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Falta de amor pode, literalmente, destruir, mas, por outro lado, a sua presen\u00e7a tem o poder de restaurar a vida, mesmo no caso de um beb\u00ea prematuro que foi declarado morto ao nascer, mas quando sua m\u00e3e e seu pai o abra\u00e7aram e o amaram, ele voltou \u00e0 vida. Ele est\u00e1 vivo e feliz hoje.<\/p>\n<p>O amor n\u00e3o \u00e9 menos importante para n\u00f3s no cotidiano, \u00e0 medida que navegamos nossas pr\u00f3prias vidas e tentamos encontrar a felicidade. Sim, existem alguns casamentos que s\u00e3o dolorosos e pouco saud\u00e1veis \u2013 qualquer tipo de uni\u00e3o faz com que tais danos em longo prazo precisem ser tratados. N\u00f3s ouvimos dos casamentos que terminam em div\u00f3rcio que um dos parceiros precisa de espa\u00e7o, ou eles n\u00e3o preenchem mais as necessidades do outro. \u00c9 cada vez mais comum adiar ter filhos, porque eles s\u00e3o inconvenientes no momento, um obst\u00e1culo para alcan\u00e7ar os objetivos individuais, como carreira ou viagens.<\/p>\n<p>E, no entanto, sabemos que simplesmente estar casado faz as pessoas viverem mais tempo.<\/p>\n<p>N\u00e3o estou dizendo que todos n\u00f3s n\u00e3o precisamos de algum tempo para si. Eu tenho a tend\u00eancia a me retirar quando estou estressado ou cansado, o que \u00e9 saud\u00e1vel. Mas \u00e0s vezes me retiro porque \u00e9 o caminho mais f\u00e1cil. Mas f\u00e1cil n\u00e3o \u00e9 sempre o que \u00e9 melhor. N\u00f3s n\u00e3o podemos dar amor a n\u00f3s mesmos, porque o amor s\u00f3 \u00e9 valioso quando \u00e9 doado. Darei aos meus entes queridos o que eles precisam, eles v\u00e3o me dar o que eu preciso, e vamos ser felizes juntos.<\/p>\n<p>Quem eu sou \u00e9 refletido nas pessoas que amo. Eles s\u00e3o a minha identidade.<\/p>\n<p>Para mim, o amor \u00e9 muito simples. \u00c9 simplesmente lembrar de ligar para minha m\u00e3e e perguntar como foi seu dia, permitir um amigo desabafar sobre um dia ruim, jogar um jogo de tabuleiro com a minha filha, ou n\u00e3o pegar meu smartphone quando estou falando com algu\u00e9m para que ele saiba que estou ouvindo. \u00c9 o compromisso simples de n\u00e3o se retirar para o que \u00e9 conveniente ou f\u00e1cil, para estar presente para outras pessoas e considerar suas necessidades e n\u00e3o apenas a minha pr\u00f3pria. Eu n\u00e3o sou sempre bom no que fa\u00e7o, mas \u00e9 importante tentar.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, Oprah \u2013 \u00e9 assim que eu respondo suas perguntas:<\/p>\n<p>\u201cO que eu tenho que fazer para chegar aonde preciso estar?\u201d. Pare de se concentrar tanto no que precisa para si mesma e comece a ajudar os outros a alcan\u00e7ar seus objetivos. Eu provavelmente ainda alcan\u00e7aria meus objetivos e a troca valeria a pena. Conseguir um novo emprego ou uma casa grande \u00e9 algo bom, mas n\u00e3o vai trazer felicidade se eu estiver sozinho.<\/p>\n<p>\u201cComo fa\u00e7o para criar a vida que eu quero?\u201d. Eu n\u00e3o posso criar o tipo de vida que eu quero, sem aqueles que eu amo. Em vez disso, ajudar a criar uma vida feliz para eles por estar presente para eles. Eles ir\u00e3o notar e devolver o favor. N\u00f3s criamos o tipo de vida que queremos juntos, n\u00e3o individualmente.<\/p>\n<p>N\u00f3s avan\u00e7amos juntos. Estamos felizes juntos. Os beb\u00eas que foram negligenciados em orfanatos se recuperam quando colocados em uma fam\u00edlia. Mesmo que tenhamos ca\u00eddo na armadilha de pensar em n\u00f3s mesmos em primeiro lugar, nunca \u00e9 tarde demais para dar a virada e come\u00e7ar a amar. Como a crian\u00e7a natimorta que recebeu amor e voltou a viver, para todos n\u00f3s, h\u00e1 a possibilidade de uma nova vida.<\/p>\n<p>Michael Rennier vive em St. Louis, Missouri, com sua esposa e cinco filhos. Ele \u00e9 editor colaborador da Dappled Things, uma revista dedicada \u00e0 arte e literatura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como eu encontro a minha felicidade? Como posso aprender a me amar? Recentemente, Oprah Winfrey conversou com o pastor Joel Osteen, autor de um livro sobre \u201co poder do \u2018eu sou&#8217;\u201d. Vi um tweet interessante desse pastor outro dia: \u201cVoc\u00ea n\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel pela felicidade de outras pessoas; voc\u00ea \u00e9 respons\u00e1vel pela sua pr\u00f3pria felicidade\u201d. 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