{"id":14583,"date":"2016-05-17T13:36:40","date_gmt":"2016-05-17T16:36:40","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/05\/17\/papa-diz-que-guetos-sao-a-pior-forma-de-acolhida-a-migrantes\/"},"modified":"2017-06-02T11:48:05","modified_gmt":"2017-06-02T14:48:05","slug":"papa-diz-que-guetos-sao-a-pior-forma-de-acolhida-a-migrantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/papa-diz-que-guetos-sao-a-pior-forma-de-acolhida-a-migrantes\/","title":{"rendered":"Papa diz que guetos s\u00e3o a pior forma de acolhida a migrantes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/reuters1011176_articolo.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Migra\u00e7\u00f5es, coexist\u00eancia entre crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos, laicidade do Estado, pedofilia. Estes foram alguns dos temas da entrevista do Papa Francisco concedida aos jornalistas Guillaume Goubert e S\u00e9bastien Maillard, do jornal franc\u00eas La Croix, recebidos na Casa Santa Marta na segunda-feira, 9 de maio.<\/p>\n<p>O Papa confirmou que recebeu um convite do Presidente Hollande e do episcopado franc\u00eas para visitar o pa\u00eds, mas ainda n\u00e3o existem datas. A cidade de Marselha poder\u00e1 ser uma etapa da viagem, por representar \u201cuma porta aberta ao sul do mundo\u201d e nunca ter sido visitada por um Pont\u00edfice.<\/p>\n<p>O tom descontra\u00eddo do encontro foi marcado pela pergunta sobre o que a Fran\u00e7a representava para o Papa. \u201cA filha mais velha da Igreja, mas n\u00e3o a mais fiel!\u201d, respondeu Francisco, em meio a risos. \u201c\u00c9 uma periferia a ser evangelizada. Mas \u00e9 preciso ser justo com a Fran\u00e7a \u2013 observou. A Igreja possui uma capacidade criativa.<\/p>\n<p>A Fran\u00e7a \u00e9 tamb\u00e9m uma terra de grandes santos, grandes pensadores: Jean Guitton, Maurice Blondel, Emmanuel Levinas \u2013 que n\u00e3o era cat\u00f3lico \u2013 Jacques Maritain\u201d. E Santa Teresa de Lisieux \u00e9 a sua santa francesa preferida, confidenciou.<\/p>\n<p>Leigos e Evangeliza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Ao falar sobre a evangeliza\u00e7\u00e3o, Francisco sublinhou que \u201cnecessariamente n\u00e3o h\u00e1 necessidade de sacerdotes\u201d para realiz\u00e1-la, citando o exemplo hist\u00f3rico da Coreia, que depois da chegada dos primeiros mission\u00e1rios vindos da China, viu os leigos como protagonistas da evangeliza\u00e7\u00e3o por dez s\u00e9culos.<\/p>\n<p>\u201cO Batismo \u2013 afirma o Papa \u2013 d\u00e1 a for\u00e7a para evangelizar e o Esp\u00edrito Santo nele recebido impele a sair para difundir a mensagem crist\u00e3 com coragem\u201d. \u201cO Esp\u00edrito Santo \u00e9 o protagonista daquilo que a Igreja faz, seu motor. E muitos crist\u00e3os o ignoram\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O Papa mais uma vez voltou a alertar sobre o \u201cclericalismo\u201d, por ele definido como \u201cum perigo\u201d. \u201cOs padres querem clericalizar os leigos e os leigos querem ser clericalizados, por facilidade\u201d. A quest\u00e3o do clericalismo \u201c\u00e9 particularmente importante na Am\u00e9rica Latina&#8221;, observou.<\/p>\n<p>&#8220;Se a piedade popular \u00e9 forte, \u00e9 precisamente porque \u00e9 somente uma iniciativa dos leigos que n\u00e3o foram clericalizados. E isto n\u00e3o \u00e9 entendido pelo clero\u201d.<\/p>\n<p>Toler\u00e2ncia zero para pedofilia<\/p>\n<p>O Papa respondeu ainda sobre os problemas atuais da Igreja na Fran\u00e7a, sacudida nas \u00faltimas semanas por casos de pedofilia. \u201cNeste \u00e2mbito \u2013 observa \u2013 n\u00e3o pode haver prescri\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cPor causa destes abusos, um sacerdote que \u00e9 chamado a guiar uma crian\u00e7a a Deus, a destr\u00f3i\u201d. \u201cSemeia o mal, o ressentimento e a dor. Como disse Bento XVI, a toler\u00e2ncia deve ser zero\u201d.<\/p>\n<p>A este respeito, com base nos elementos de que tem conhecimento, defendeu o Arcebispo de Lyon, Cardeal Philippe Babarin, que est\u00e1 sob investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEle tomou as medidas necess\u00e1rias\u201d, avaliou Francisco, que o definiu como \u201cum homem corajoso, criativo, um mission\u00e1rio\u201d. O Papa disse esperar pela conclus\u00e3o do processo judici\u00e1rio, sublinhando que n\u00e3o \u00e9 o caso de falar de demiss\u00e3o, o que agora seria \u201cum contrassenso\u201d, \u201cuma imprud\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Lefebvrianos<\/p>\n<p>Outro tema ligado \u00e0 Igreja na Fran\u00e7a tratado na entrevista \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o com a Fraternidade S\u00e3o Pio X. \u201cAvan\u00e7amos lentamente e com prud\u00eancia\u201d, afirmou o Papa, recordando que o Conc\u00edlio Vaticano II tem o seu valor e \u00e9 necess\u00e1rio dialogar com os tradicionalistas.<\/p>\n<p>Francisco considera os lefebvrianos como \u201ccat\u00f3licos a caminho da plena comunh\u00e3o\u201d, afirmando que o Superior, Dom Bernard Fellay, \u201c\u00e9 um homem com o qual se pode dialogar\u201d.<\/p>\n<p>Migrantes, guerras e subdesenvolvimento<\/p>\n<p>Ao ser interpelado se o \u201cVelho Continente\u201d tem a capacidade para acolher tantos imigrantes, Francisco respondeu que as portas \u201cn\u00e3o podem ser abertas de formas irracional\u201d, mas indicou que \u00e9 necess\u00e1rio interrogar-se sobre quest\u00f5es fundamentais, como \u201co por qu\u00ea\u201d das migra\u00e7\u00f5es, a origem da fuga de milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>\u201cOs problemas iniciais s\u00e3o as guerras no Oriente M\u00e9dio e na \u00c1frica e o subdesenvolvimento do continente africano, que provoca a fome. Se existem guerras, \u00e9 porque existem fabricantes de armas \u2013 que podem ser justificados por prop\u00f3sitos defensivos \u2013 e sobretudo traficantes de armas. Se existe assim tanto desemprego, \u00e9 por falta de investimentos capazes de levar o trabalho de que a \u00c1frica tanto precisa\u201d.<\/p>\n<p>O Papa convida os europeus a favorecerem a integra\u00e7\u00e3o, \u201cpois a pior forma de acolhida \u00e9 a guetiza\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cEsta integra\u00e7\u00e3o \u00e9 quanto mais necess\u00e1ria hoje, devido \u00e0 busca ego\u00edstica do bem-estar. A Europa est\u00e1 vivendo o grave problema de uma taxa de natalidade em decl\u00ednio\u201d.<\/p>\n<p>Livre mercado deve ser regulado<\/p>\n<p>Francisco voltou a citar um \u201csistema econ\u00f4mico em n\u00edvel mundial que caiu na idolatria do dinheiro\u201d. \u201cMais de 80% das riquezas da humanidade est\u00e3o nas m\u00e3os de 16% da popula\u00e7\u00e3o&#8221;, denunciou. Um mercado completamente livre n\u00e3o funciona.<\/p>\n<p>Os mercados em si, s\u00e3o um bem, mas requerem uma terceira parte ou um Estado que os monitore e os equilibre. Em outras palavras, \u00e9 necess\u00e1ria uma economia social de mercado\u201d.<\/p>\n<p>Coexist\u00eancia pac\u00edfica entre crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos<\/p>\n<p>A coexist\u00eancia entre crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos \u00e9 poss\u00edvel \u2013 reiterou o Papa \u2013 n\u00e3o acredito que exista medo do Isl\u00e3, enquanto tal\u201d, mas do Estado Isl\u00e2mico e da sua \u201cguerra de conquista\u201d. \u201c\u00c9 verdade \u2013 continuou \u2013 que a ideia da conquista pertence ao esp\u00edrito do Isl\u00e3, mas se poderia interpretar segundo a mesma ideia de conquista que temos no final do Evangelho de Mateus, quando Jesus envia os seus disc\u00edpulos a todas as na\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Neste contexto, o Papa convidou a interrogar-se sobre o modo em que \u201cum modelo muito ocidental de democracia foi exportado a pa\u00edses como o Iraque, onde um governo forte existia anteriormente. Ou mesmo na L\u00edbia, onde existe uma estrutura tribal\u201d. \u201cN\u00e3o podemos ir em frente sem levar em considera\u00e7\u00e3o estas culturas\u201d, concluiu Francisco.<\/p>\n<p>Laicidade do Estado<\/p>\n<p>Ao tratar da quest\u00e3o da laicidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade religiosa, o Papa afirmou claramente que \u201cum Estado deve ser leigo\u201d. Os \u201cEstados confessionais \u2013 acrescenta \u2013 acabam mal. S\u00e3o contra a hist\u00f3ria\u201d. E explica: \u201cAcredito que uma vers\u00e3o da laicidade, acompanhada por uma s\u00f3lida lei que garanta a liberdade religiosa, ofere\u00e7a um quadro de refer\u00eancia para ir em frente; somos todos iguais, como filhos e filhas de Deus ou com a nossa dignidade de pessoas.<\/p>\n<p>Mas cada um deve ter a liberdade de exteriorizar a pr\u00f3pria f\u00e9\u201d. \u201cSe uma mulher mu\u00e7ulmana quer usar o v\u00e9u, deve poder faz\u00ea-lo, assim como um cat\u00f3lico que queira usar um crucifixo. As pessoas devem ser livres para professar a sua f\u00e9 no cora\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria cultura e n\u00e3o \u00e0 margem dela&#8221;.<\/p>\n<p>A \u201cmodesta cr\u00edtica\u201d que o Papa dirigiu \u00e0 Fran\u00e7a diz respeito ao fato que \u201cexagera com a laicidade\u201d, ao considerar as religi\u00f5es como \u201csubculturas, antes que culturas propriamente ditas, com os seus direitos\u201d. \u201cTemo que esta abordagem \u2013 disse o Papa \u2013 um compreens\u00edvel patrim\u00f4nio do Iluminismo, continue a existir\u201d.<\/p>\n<p>O desejo \u00e9 que o pa\u00eds d\u00ea \u201cum passo em frente em rela\u00e7\u00e3o a este tema, para aceitar que a abertura \u00e0 transcend\u00eancia \u00e9 um direito para todos\u201d.<\/p>\n<p>Leis e direito \u00e0 obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia<\/p>\n<p>Francisco foi interpelado sobre como os cat\u00f3licos devem defender as suas convic\u00e7\u00f5es diante de leis como a eutan\u00e1sia e as uni\u00f5es de fato. \u201cDiz respeito ao Parlamento discutir, argumentar, dar as raz\u00f5es. \u00c9 assim que uma sociedade cresce. Todavia, uma vez que a lei foi aprovada, o Estado deve tamb\u00e9m respeitar as consci\u00eancias.<\/p>\n<p>O direito \u00e0 obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia deve ser reconhecido dentro de cada estrutura jur\u00eddica, porque \u00e9 um direito humano. Tamb\u00e9m para o funcion\u00e1rio p\u00fablico, que \u00e9 um ser humano. O Estado deve tamb\u00e9m levar em considera\u00e7\u00e3o as cr\u00edticas. Esta seria uma verdadeira forma de laicidade\u201d<\/p>\n<p>Na entrevista, o Papa tamb\u00e9m falou sobre a diferen\u00e7a entre os dois S\u00ednodos sobre a fam\u00edlia realizados no Vaticano e as ra\u00edzes crist\u00e3s da Europa, ra\u00edzes estas \u201cplurais\u201d para o Pont\u00edfice, em m\u00e9rito \u00e0s quais lamenta tons de discuss\u00e3o que define \u00e0s vezes \u201ctriunfalistas\u201d ou \u201cvingativos\u201d e que sabem de \u201ccolonialismo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: R\u00e1dio Vaticano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Migra\u00e7\u00f5es, coexist\u00eancia entre crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos, laicidade do Estado, pedofilia. Estes foram alguns dos temas da entrevista do Papa Francisco concedida aos jornalistas Guillaume Goubert e S\u00e9bastien Maillard, do jornal franc\u00eas La Croix, recebidos na Casa Santa Marta na segunda-feira, 9 de maio. 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