{"id":14577,"date":"2016-05-17T13:01:55","date_gmt":"2016-05-17T16:01:55","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/05\/17\/papa-aos-bispos-italianos-a-triplice-pertenca-ao-senhor-a-igreja-ao-reino\/"},"modified":"2017-06-02T11:38:17","modified_gmt":"2017-06-02T14:38:17","slug":"papa-aos-bispos-italianos-a-triplice-pertenca-ao-senhor-a-igreja-ao-reino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/papa-aos-bispos-italianos-a-triplice-pertenca-ao-senhor-a-igreja-ao-reino\/","title":{"rendered":"Papa aos bispos italianos: a tr\u00edplice perten\u00e7a ao Senhor, \u00e0 Igreja, ao Reino"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/reuters1435674_articolo.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Na tarde desta segunda-feira (16), no Vaticano, o Papa Francisco participou da abertura da 69\u00aa Assembleia Geral da Confer\u00eancia Episcopal Italiana. Os bispos, reunidos na Sala do S\u00ednodo, escutaram com aten\u00e7\u00e3o ao pronunciamento do Papa,\u00a0 pelo terceiro ano inaugurando o evento como Bispo de Roma e Primaz da It\u00e1lia.<\/p>\n<p>No seu discurso, depois de agradecer a presen\u00e7a de todos e notar novos bispos na sua composi\u00e7\u00e3o, pouco menos de 40, pronunciou seu discurso sobre a renova\u00e7\u00e3o do clero a partir da forma\u00e7\u00e3o permanente.<\/p>\n<p>\u201cNesta tarde, n\u00e3o quero lhes oferecer uma reflex\u00e3o sistem\u00e1tica sobre a figura do sacerdote. Tentemos, ao contr\u00e1rio, inverter a perspectiva e ouvir atentamente, em contempla\u00e7\u00e3o. Aproximando-nos, quase que em ponta de p\u00e9, a um dos tantos p\u00e1rocos que passam pelas nossas comunidades; deixemos que o rosto de um deles passe perante os olhos do nosso cora\u00e7\u00e3o e perguntemo-nos com simplicidade: o que faz a sua vida ser saborosa? Por quem e para que entrega o seu servi\u00e7o? Qual \u00e9 a finalidade do seu doar-se?\u201d<\/p>\n<p>Iniciando com questionamentos sobre a figura do presb\u00edtero, Papa Francisco come\u00e7ou a delinear suas observa\u00e7\u00f5es sobre poss\u00edveis respostas que \u201cajudar\u00e3o a identificar tamb\u00e9m as propostas de forma\u00e7\u00e3o pelas quais investir com coragem\u201d.<\/p>\n<p>Perten\u00e7a ao Senhor<\/p>\n<p>\u201cO que, ent\u00e3o, d\u00e1 sabor \u00e0 vida do &#8216;nosso&#8217; presb\u00edtero? O contexto cultural \u00e9 muito diverso daquele em que ele deu os primeiros passos no minist\u00e9rio. Inclusive na It\u00e1lia, muitas tradi\u00e7\u00f5es, h\u00e1bitos e vis\u00f5es da vida foram afetados por uma profunda mudan\u00e7a de \u00e9poca.\u201d<\/p>\n<p>Apesar de vivermos atualmente um \u201ctempo amargo e acusat\u00f3rio, devemos tamb\u00e9m sentir a sua dureza: no nosso minist\u00e9rio, quantas pessoas encontramos que est\u00e3o em \u00e2nsia pela falta de refer\u00eancias para seguir! Quantas rela\u00e7\u00f5es feridas!\u201d, disse o Santo Padre. \u201cSobre esse contexto, a vida do nosso presb\u00edtero se torna eloquente, porque diversa, alternativa\u201d. Precisa aceitar, assumir responsabilidades, sentir-se atuante e encarregado do seu destino.<\/p>\n<p>\u201cSabe que o Amor \u00e9 tudo. N\u00e3o procura garantias terrenas ou t\u00edtulos honor\u00edficos que levam a confiar no homem; no minist\u00e9rio n\u00e3o questiona nada que v\u00e1 al\u00e9m da real necessidade, nem est\u00e1 preocupado de ligar a si pessoas que lhe foram confiadas. O seu estilo de vida simples e essencial, sempre dispon\u00edvel, apresenta-o plaus\u00edvel aos olhos das pessoas e o aproxima aos humildes, numa caridade pastoral que os torna livres e solid\u00e1rios. Servo da vida, caminha com o cora\u00e7\u00e3o e o passo dos pobres; faz-se rico do encontro com eles. \u00c9 um homem de paz e de reconcilia\u00e7\u00e3o, um sinal e um instrumento da ternura de Deus, atento a difundir o bem com a mesma paix\u00e3o com a qual os outros curam os seus interesses.\u201d<\/p>\n<p>O segredo do presb\u00edtero \u201cest\u00e1 em conformidade \u00e0quela de Jesus Cristo, verdade definitiva da sua vida. \u00c9 a rela\u00e7\u00e3o com Ele que o protege, fazendo-o alheio \u00e0 mundanidade espiritual que corrompe, como tamb\u00e9m a qualquer cumplicidade e mesquinhez\u201d.<\/p>\n<p>Perten\u00e7a \u00e0 Igreja<\/p>\n<p>E dando sequ\u00eancia \u00e0s quest\u00f5es iniciais, o Santo Padre continuou:<\/p>\n<p>\u201cPara quem o nosso presb\u00edtero entrega o servi\u00e7o? A pergunta, talvez, precisa ser esclarecida. De fato, antes mesmo de nos questionarmos sobre os destinat\u00e1rios do seu servi\u00e7o, devemos reconhecer que o presb\u00edtero \u00e9 assim, na medida em que se sente atuante da Igreja, de uma comunidade concreta da qual compartilha o caminho. O povo fiel de Deus permanece sendo o seio do qual nasceu, a fam\u00edlia na qual \u00e9 envolvida, a casa para onde \u00e9 enviado\u201d.<\/p>\n<p>Nesse momento do seu pronunciamento, Papa Francisco fez refer\u00eancia ao brasileiro Dom H\u00e9lder C\u00e2mara ao falar sobre a \u201crespira\u00e7\u00e3o que liberta de uma auto-referencialidade que isola e aprisiona\u201d.<\/p>\n<p>&#8220;Quando o teu pequeno barco come\u00e7ar a criar ra\u00edzes na imobilidade do cais&#8221;, lembrava Dom H\u00e9lder C\u00e2mara, \u2018vai para o fundo!\u2019. Parte! E, acima de tudo, n\u00e3o porque tem uma miss\u00e3o para cumprir, mas porque estruturalmente voc\u00ea \u00e9 um mission\u00e1rio. Aquele que vive no Evangelho, entra dessa forma num compartilhamento virtuoso: o pastor \u00e9 convertido e confirmado da f\u00e9 simples do povo santo de Deus, com o qual trabalha e que no cora\u00e7\u00e3o vive. Essa perten\u00e7a \u00e9 o sal da vida do presb\u00edtero. Nesse tempo pobre de amizade social, a nossa primeira tarefa \u00e9 aquela de construir comunidade; a atitude \u00e0 rela\u00e7\u00e3o \u00e9, ent\u00e3o, um crit\u00e9rio decisivo de discernimento vocacional.\u201d<\/p>\n<p>Do mesmo modo, observa Francisco, \u201cpara um sacerdote \u00e9 vital se encontrar no cen\u00e1culo do presbit\u00e9rio\u201d. Uma experi\u00eancia que pode libertar \u201cdos narcisismos e dos ci\u00fames clericais; faz crescer a estima, o apoio e a benevol\u00eancia rec\u00edproca\u201d.<\/p>\n<p>Perten\u00e7a ao Reino<\/p>\n<p>\u201cEnfim, nos questionamos qual fosse a finalidade do doar-se do nosso presb\u00edtero. Quanta tristeza fazem aqueles que, na vida, est\u00e3o sempre um pouco pela metade. Calculam, ponderam, n\u00e3o arriscam nada por medo de se perder&#8230; S\u00e3o os mais infelizes! O nosso presb\u00edtero, ao contr\u00e1rio, com os seus limites, \u00e9 um que se aventura at\u00e9 o final: nas condi\u00e7\u00f5es concretas da vida e do minist\u00e9rio que lhe foram colocadas, ele se oferece com gratuidade, com humildade e alegria. Inclusive quando ningu\u00e9m parece perceber. Inclusive quando, por intui\u00e7\u00e3o, humanamente percebe que talvez ningu\u00e9m vai agradec\u00ea-lo suficientemente do seu doar-se sem medidas.\u201d<\/p>\n<p>O Papa Francisco o caracteriza como \u201co homem da P\u00e1scoa, do olhar direcionado ao Reino e para onde se sente que a hist\u00f3ria humana caminha, apesar dos atrasos, das obscuridades e contradi\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEst\u00e1, ent\u00e3o, delineada, queridos irm\u00e3os, a tr\u00edplice perten\u00e7a que nos constitui: perten\u00e7a ao Senhor, \u00e0 Igreja, ao Reino. Esse tesouro em vasos de Creta precisa ser protegido e promovido! Compreendam fortemente essa responsabilidade, assumam com paci\u00eancia e disponibilidade de tempo, de m\u00e3os e de cora\u00e7\u00e3o.\u201d (AC)<\/p>\n<p>Confira o discurso na \u00edntegra:<\/p>\n<p>&#8220;Queridos irm\u00e3os,<\/p>\n<p>O que me deixa particularmente feliz em abrir com voc\u00eas esta assembleia \u00e9 o tema que colocaram como fio condutor dos trabalhos \u2013 A renova\u00e7\u00e3o do clero \u2013, no desejo de apoiar a forma\u00e7\u00e3o no decorrer das diversas esta\u00e7\u00f5es da vida.<\/p>\n<p>A Festa de Pentecostes que foi apenas celebrada coloca esse objetivo na perspectiva justa. O Esp\u00edrito Santo permanece, de fato, o protagonista da hist\u00f3ria da Igreja: \u00e9 o Esp\u00edrito que habita plenamente na pessoa de Jesus e nos conduz ao mist\u00e9rio do Deus vivo; \u00e9 o Esp\u00edrito que animou a resposta generosa da Virgem M\u00e3e e dos Santos; \u00e9 o Esp\u00edrito que trabalha nos crentes e nos homens de paz e provoca a disponibilidade generosa e a alegria evangelizadora de tantos sacerdotes. Sem o Esp\u00edrito, sabemos, n\u00e3o existe possibilidade de vida boa, nem de reforma. Rezamos e nos comprometemos a proteger a sua for\u00e7a, afim de que &#8216;o mundo do nosso tempo possa receber a Boa Nova [\u2026] dos ministros do Evangelho, de onde a vida irradia fervor&#8217; (Paolo VI, Exort. Ap. Evangelii nuntiandi, 80).<\/p>\n<p>Nesta tarde, n\u00e3o quero lhes oferecer uma reflex\u00e3o sistem\u00e1tica sobre a figura do sacerdote. Tentemos, ao contr\u00e1rio, inverter a perspectiva e ouvir atentamente, em contempla\u00e7\u00e3o. Aproximando-nos, quase que em pontas dos p\u00e9s, a um dos tantos p\u00e1rocos que passam pelas nossas comunidades; deixemos que o rosto de um deles passe perante os olhos do nosso cora\u00e7\u00e3o e perguntemo-nos com simplicidade: o que faz a sua vida ser saborosa? Por quem e para que entrega o seu servi\u00e7o? Qual \u00e9 a finalidade do seu doar-se?<\/p>\n<p>Espero que esses questionamentos possam repousar dentro de voc\u00eas no sil\u00eancio, na ora\u00e7\u00e3o tranquila, no di\u00e1logo franco e fraterno: as respostas que florescer\u00e3o os ajudar\u00e3o a idenfiricar tamb\u00e9m as propostas de forma\u00e7\u00e3o pelas quais investir com coragem.<\/p>\n<p>1. O que, ent\u00e3o, d\u00e1 sabor \u00e0 vida do \u201cnosso\u201d presb\u00edtero? O contexto cultural \u00e9 muito diverso daquele em que deu os primeiros passos no minist\u00e9rio. Inclusive na It\u00e1lia, muitas tradi\u00e7\u00f5es, h\u00e1bitos e vis\u00f5es da vida foram afetados por uma profunda mudan\u00e7a de \u00e9poca.<\/p>\n<p>N\u00f3s, que frequentemente nos encontramos lamentando este tempo com tom amargo e acusat\u00f3rio, devemos tamb\u00e9m sentir a sua dureza: no nosso minist\u00e9rio, quantas pessoas encontramos que est\u00e3o em \u00e2nsia pela falta de refer\u00eancias para seguir! Quantas rela\u00e7\u00f5es feridas! Num mundo em que cada um se considera a medida de tudo, n\u00e3o tem mais lugar para o irm\u00e3o.<\/p>\n<p>Sobre esse contexto, a vida do nosso presb\u00edtero se torna eloquente, porque diversa, alternativa. Como Mois\u00e9s, ele \u00e9 um que se aproximou do fogo e deixou que as chamas queimassem as suas ambi\u00e7\u00f5es de carreira e poder. Fez um fogo tamb\u00e9m das tenta\u00e7\u00f5es de se interpretar como um \u201cdevoto\u201d, que se refugia num intimismo religioso que de espiritual tem bem pouco.<\/p>\n<p>Est\u00e1 de p\u00e9s descal\u00e7os, o nosso padre, em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 uma terra que \u00e9 determinada a acreditar e a se considerar santa. N\u00e3o se escandaliza pelas fragilidades que agitam a ess\u00eancia humana: ciente de ser ele mesmo um paral\u00edtico curado, \u00e9 distante da frieza de um grande marcador de penalidades, como tamb\u00e9m da superficialidade de quem quer se mostrar tolerante ao bom mercado. O outro, aceita, ao contr\u00e1rio, de assumir responsabilidades, sentindo-se atuante e encarregado do seu destino.<\/p>\n<p>Com o \u00f3leo da esperan\u00e7a e da consola\u00e7\u00e3o, se faz pr\u00f3ximo de todos, atento a compartilhar o abandono e o sofrimento. Tendo aceitado de n\u00e3o dispor de si mesmo, n\u00e3o tem uma agenda para defender, mas entrega todas as manh\u00e3s ao Senhor o seu tempo para se deixar encontrar com as pessoas e conhec\u00ea-las. Assim, o nosso sacerdote n\u00e3o \u00e9 um burocrata ou um an\u00f4nimo funcion\u00e1rio da institui\u00e7\u00e3o; n\u00e3o \u00e9 consagrado a um papel empregat\u00edcio, nem \u00e9 movido por crit\u00e9rios de efici\u00eancia.<\/p>\n<p>Sabe que o Amor \u00e9 tudo. N\u00e3o procura garantias terrenas ou t\u00edtulos honor\u00edficos que levam a confiar no homem; no minist\u00e9rio n\u00e3o questiona nada que v\u00e1 al\u00e9m da real necessidade, nem est\u00e1 preocupado de ligar a si pessoas que lhe foram confiadas. O seu estilo de vida simples e essencial, sempre dispon\u00edvel, apresenta-o plaus\u00edvel aos olhos das pessoas e o aproxima aos humildes, numa caridade pastoral que torna livres e solid\u00e1rios. Servo da vida, caminha com o cora\u00e7\u00e3o e o passo dos pobres; faz-se rico do encontro com eles. \u00c9 um homem de paz e de reconcilia\u00e7\u00e3o, um sinal e um instrumento da ternura de Deus, atento a difundir o bem com a mesma paix\u00e3o com a qual os outros curam os seus interesses.<\/p>\n<p>O segredo do nosso presb\u00edtero, voc\u00eas sabem bem!, est\u00e1 naquele arbusto ardente que marca a chamas a exist\u00eancia, a conquista e est\u00e1 em conformidade \u00e0quela de Jesus Cristo, verdade definitiva da sua vida. \u00c9 a rela\u00e7\u00e3o com Ele que o protege, fazendo-o alheio \u00e0 mundanidade espiritual que corrompe, como tamb\u00e9m a qualquer cumplicidade e mesquinhez. \u00c9 a amizade com o seu Senhor a lev\u00e1-lo a abra\u00e7ar a realidade quotidiana com a confian\u00e7a de quem cr\u00ea que a impossibilidade do homem n\u00e3o permanece assim para Deus.<\/p>\n<p>2. Torna-se, assim, mais imediato enfrentar tamb\u00e9m as outras quest\u00f5es das quais iniciamos. Para quem entrega o servi\u00e7o o nosso presb\u00edtero? A pergunta, talvez, precisa ser esclarecida. De fato, antes mesmo de nos questionarmos sobre os destinat\u00e1rios do seu servi\u00e7o, devemos reconhecer que o presb\u00edtero \u00e9 assim, na medida em que se sente atuante da Igreja, de uma comunidade concreta da qual compartilha o caminho. O povo fiel de Deus permanece sendo o seio do qual nasceu, a fam\u00edlia na qual \u00e9 envolvida, a casa para onde \u00e9 enviado. Essa atribui\u00e7\u00e3o comum, que flui do Batismo, \u00e9 a respira\u00e7\u00e3o que liberta de uma auto-referencialidade que isola e aprisiona: &#8216;Quando o teu pequeno barco come\u00e7ar\u00e1 a colocar ra\u00edzes na imobilidade do cais&#8217;, lembrava Dom H\u00e9lder C\u00e2mara, &#8216;vai para o fundo!&#8217;. Parte! E, acima de tudo, n\u00e3o porque tem uma miss\u00e3o para cumprir, mas porque estruturalmente voc\u00ea \u00e9 um mission\u00e1rio: no encontro com Jesus experimentou a plenitude de vida e, por isso, deseja fortemente que os outros se reconhe\u00e7am nEle e possam proteger a sua amizade, nutrir-se da sua palavra e celebr\u00e1-Lo na comunidade.<\/p>\n<p>Aquele que vive no Evangelho, entra dessa forma num compartilhamento virtuoso: o pastor \u00e9 convertido e confirmado da f\u00e9 simples do povo santo de Deus, com o qual trabalha e que no cora\u00e7\u00e3o vive. Essa atribui\u00e7\u00e3o \u00e9 o sal da vida do presb\u00edtero; faz com que o seu princ\u00edpio distintivo seja a comunh\u00e3o, vivida com os leigos em rela\u00e7\u00f5es que sabem valorizar a participa\u00e7\u00e3o de cada um. Nesse tempo pobre de amizade social, a nossa primeira tarefa \u00e9 aquela de construir comunidade; a atitude \u00e0 rela\u00e7\u00e3o \u00e9, ent\u00e3o, um crit\u00e9rio decisivo de discernimento vocacional.<\/p>\n<p>Ao mesmo modo, para um sacerdote \u00e9 vital se encontrar no cen\u00e1culo do presbit\u00e9rio. Essa experi\u00eancia, quando n\u00e3o \u00e9 vivida em maneira ocasional, nem em for\u00e7a de uma colabora\u00e7\u00e3o instrumental, liberta dos narcisismos e dos ci\u00fames clericais; faz crescer a estima, o apoio e a benevol\u00eancia rec\u00edproca; favorece uma comunh\u00e3o n\u00e3o somente sacramental ou jur\u00eddica, mas fraterna e concreta. No caminhar junto dos presb\u00edteros, diferentes por idade e sensibilidade, expande-se um perfume de profecia que\u00a0 surpreende e fascina. A comunh\u00e3o \u00e9, sem d\u00favida, um dos nome da Miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>Na vossa reflex\u00e3o sobre a renova\u00e7\u00e3o do clero entra novamente o cap\u00edtulo que se refere \u00e0 gest\u00e3o das estruturas e dos bens econ\u00f4micos: em uma vis\u00e3o evang\u00e9lica, evitem de se sobrecarregar numa pastoral de conserva\u00e7\u00e3o, que cria obst\u00e1culo \u00e0 abertura \u00e0 perene novidade do Esp\u00edrito. Mantenham somente aquilo que pode servir para a experi\u00eancia de f\u00e9 e de caridade do povo de Deus.<\/p>\n<p>3. Enfim, nos questionamos qual fosse a finalidade do doar-se do nosso presb\u00edtero. Quanta tristeza fazem aqueles que, na vida, est\u00e3o sempre um pouco pela metade. Calculam, ponderam, n\u00e3o arriscam nada por medo de se perder&#8230; S\u00e3o os mais infelizes! O nosso presb\u00edtero, ao contr\u00e1rio, com os seus limites, \u00e9 um que se aventura at\u00e9 o final: nas condi\u00e7\u00f5es concretas da vida e do minist\u00e9rio que lhe foram colocadas, ele se oferece com gratuidade, com humildade e alegria. Inclusive quando ningu\u00e9m parece perceber. Inclusive quando, por intui\u00e7\u00e3o, humanamente percebe que talvez ningu\u00e9m vai agradec\u00ea-lo suficientemente do seu doar-se sem medidas.<\/p>\n<p>Mas, ele sabe, n\u00e3o poderia fazer diferente: ama a terra, que reconhece visitada todas as manh\u00e3s pela presen\u00e7a de Deus. \u00c9 o homem da P\u00e1scoa, do olhar direcionado ao Reino e para onde se sente que a hist\u00f3ria humana caminha, apesar dos atrasos, das obscuridades e contradi\u00e7\u00f5es. O Reino, a vis\u00e3o que o homem tem Jesus, \u00e9 a sua alegria, o horizonte que lhe permite relativizar o resto, de diluir preocupa\u00e7\u00f5es e ansiedade, de ficar livre das ilus\u00f5es e do pessimismo; de proteger no cora\u00e7\u00e3o a paz e de difundi-la com os seus gestos, as suas palavras, as suas atitudes.<\/p>\n<p>Est\u00e1, ent\u00e3o, delineada, queridos irm\u00e3os, a tr\u00edplice perten\u00e7a que nos constitui: perten\u00e7a ao Senhor, \u00e0 Igreja, ao Reino. Esse tesouro em vasos de Creta precisa ser protegido e promovido! Compreendam fortemente essa responsabilidade, assumam com paci\u00eancia e disponibilidade de tempo, de m\u00e3os e de cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Rezo com voc\u00eas a Virgem Santa, para que a sua intercess\u00e3o os proteja acolhedores e fi\u00e9is. Junto com os vossos presb\u00edteros, possam terminam o trabalho, o servi\u00e7o que lhes foi confiado e com o qual participam ao mist\u00e9rio da M\u00e3e Igreja.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: R\u00e1dio Vaticano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na tarde desta segunda-feira (16), no Vaticano, o Papa Francisco participou da abertura da 69\u00aa Assembleia Geral da Confer\u00eancia Episcopal Italiana. Os bispos, reunidos na Sala do S\u00ednodo, escutaram com aten\u00e7\u00e3o ao pronunciamento do Papa,\u00a0 pelo terceiro ano inaugurando o evento como Bispo de Roma e Primaz da It\u00e1lia. 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