{"id":14555,"date":"2016-05-16T12:46:30","date_gmt":"2016-05-16T15:46:30","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/05\/16\/o-moinho-da-prosperidade\/"},"modified":"2017-05-08T13:27:17","modified_gmt":"2017-05-08T16:27:17","slug":"o-moinho-da-prosperidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-moinho-da-prosperidade\/","title":{"rendered":"O moinho da prosperidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Conta velha lenda que um pai moribundo chamou a si os dois filhos e lhes disse: Tenho um segredo de prosperidade, mas esta s\u00f3 acontecer\u00e1 se voc\u00eas reformarem o velho moinho da fazenda. Toda farinha ali produzida pode se transformar em ouro. Basta faz\u00ea-lo funcionar com a maior quantidade poss\u00edvel de trigo!<br \/> Mal sepultaram o velho pai, os dois ambiciosos herdeiros puseram a m\u00e3o na massa (ou melhor: nas ferramentas de trabalho), plantando vastos alqueires de trigo e reformando inteiramente o velho moinho, para v\u00ea-lo produzir ouro em abund\u00e2ncia. Anos se passaram, sem que a branca farinha ali produzida brilhasse como ouro, como lhes dissera o pai. Ao vend\u00ea-la, depois de abarrotados os celeiros, viram enfim as reluzentes moedas de ouro, o quinh\u00e3o equivalente ao fruto de seus trabalhos. Compreenderam ent\u00e3o a \u00faltima li\u00e7\u00e3o paterna: s\u00f3 o trabalho faz milagres!<br \/> Esse conto singelo e quase infantil parece perder sua for\u00e7a no mundo globalizado. Produ\u00e7\u00e3o hoje n\u00e3o \u00e9 tudo. \u00c9 preciso consumo. \u00c9 preciso mercado, pre\u00e7o justo, sal\u00e1rio compat\u00edvel, qualidade, certificado disso e daquilo, incentivos fiscais, facilidades aduaneiras, log\u00edstica (meios de transportes adequados e eficientes), subs\u00eddios e outras balelas mais. Plantar n\u00e3o resolve. Nem colher, nem vender&#8230;<br \/> Assim, nesse emaranhado e voraz mercado, o trabalho individual, muitas vezes, perde valor diante do \u201ctrabalho\u201d especulativo, do simples jogo das bolsas e dos preg\u00f5es, que ditam as regras e fazem tinir as moedas mais fortes, conquanto as mais pobres sucumbem quais moribundas sem direitos a qualquer honra ou respeito \u00e0 fun\u00e7\u00e3o que pensam desempenhar no mundo. N\u00e3o dignificam o trabalho dos mais fracos.<br \/> O mercado de trabalho tende a ser uma atividade virtual, quase fantasmag\u00f3rica diante do sobe e desce da dita bolsa, &#8211; que mais se parece com uma bolha de sab\u00e3o \u2013 que hoje d\u00e1 as cartas no mundo financeiro. Ser\u00e1 que o suor do trabalhador bra\u00e7al virou poesia, lenda do passado? Ou o velho moinho assumiu de vez seu papel no mundo de D. Quixote? <br \/> O fato \u00e9 que, enquanto n\u00e3o retomarmos a engrenagem do mundo de trabalho de maneira justa, enquanto a m\u00e3o de obra b\u00e1sica para qualquer produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o se sentir parte de uma atividade essencial na cadeia evolutiva da prosperidade humana, nunca essa prosperidade ser\u00e1 completa. \u201cNada h\u00e1 de melhor para o homem do que alegrar-se com o fruto de seus trabalhos. Esta \u00e9 a parte que lhe toca\u201d (Ecle 3,22). Todavia, h\u00e1 uma grave distor\u00e7\u00e3o social em curso, que exclui dessa l\u00f3gica os pa\u00edses subdesenvolvidos, o trabalho dos pobres. O mundo rico se esquece de um alerta b\u00edblico: \u201cMais vale um pobre que caminha na integridade do que um rico em caminhos tortuosos\u201d (Prov.28,6).<br \/> Prosperidade n\u00e3o \u00e9 a simples contabilidade positiva dos bens, do luxo, das riquezas e da soberania conquistada \u00e0 custa do sacrif\u00edcio de muitos. Isso \u00e9 usurpa\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 fruto do velho moinho da gan\u00e2ncia, donde a farinha triturada n\u00e3o reluz aos olhos da justi\u00e7a, nem possui a qualidade das b\u00ean\u00e7\u00e3os celestiais. Prosperidade assim n\u00e3o tem segredo algum: qualquer espertinho do mundo do crime \u00e9 capaz de obt\u00ea-la. Prosperidade plena transforma a farinha das riquezas terrenas (aquelas que fogem por entre os dedos) em moedas preciosas que se acumulam nos c\u00e9us (aquelas que exalam de nossas almas e alegram o cora\u00e7\u00e3o do Pai). \u00c9 hora de reformar nossos moinhos, reformular nossos conceitos de prosperidade, riqueza, sucesso&#8230; Porque a verdadeira prosperidade n\u00e3o nos escraviza aos bens conquistados, mas liberta. Porque nossa maior heran\u00e7a vem dos c\u00e9us, n\u00e3o da terra. \u201cPortanto, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9s escravo, mas filho, e se \u00e9s filho, ent\u00e3o tamb\u00e9m herdeiro por Deus\u201d (Gal 4,7). M\u00e3os \u00e0 obra. O moinho do Pai precisa girar, produzir os milagres da verdadeira prosperidade, o p\u00e3o dos c\u00e9us entre n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conta velha lenda que um pai moribundo chamou a si os dois filhos e lhes disse: Tenho um segredo de prosperidade, mas esta s\u00f3 acontecer\u00e1 se voc\u00eas reformarem o velho moinho da fazenda. Toda farinha ali produzida pode se transformar em ouro. Basta faz\u00ea-lo funcionar com a maior quantidade poss\u00edvel de trigo! 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