{"id":14369,"date":"2016-04-29T14:23:20","date_gmt":"2016-04-29T17:23:20","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/04\/29\/sacerdote-no-iraque-entrada-na-europa-e-mais-dificil-para-refugiados-cristaos\/"},"modified":"2017-05-31T10:58:17","modified_gmt":"2017-05-31T13:58:17","slug":"sacerdote-no-iraque-entrada-na-europa-e-mais-dificil-para-refugiados-cristaos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/sacerdote-no-iraque-entrada-na-europa-e-mais-dificil-para-refugiados-cristaos\/","title":{"rendered":"Sacerdote no Iraque: entrada na Europa \u00e9 mais dif\u00edcil para refugiados crist\u00e3os"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/behnambenoka_ain_270416.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>\u201cPara os crist\u00e3os, \u00e9 muito mais dif\u00edcil chegar \u00e0 Europa\u201d do que para os migrantes mu\u00e7ulmanos, criticou o Pe. Behnam Benoka, sacerdote iraquiano que atende os refugiados em Erbil (Iraque), em uma recente entrevista com o jornal espanhol \u2018La Raz\u00f3n\u2019.<\/p>\n<p>O Pe. Benoka enviou uma carta ao Papa Francisco em 2014, para contar-lhe sobre a tr\u00e1gica situa\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os perseguidos pelo Estado Isl\u00e2mico (ISIS) no Iraque. Nessa ocasi\u00e3o, o Santo Padre lhe respondeu com uma liga\u00e7\u00e3o telef\u00f4nica, assegurando que sempre reza por ele e pelos refugiados.<\/p>\n<p>Na metade deste m\u00eas, o sacerdote visitou Madri (Espanha) para participar da confer\u00eancia internacional \u201cMigra\u00e7\u00e3o e Asilo\u201d, organizada pela Universidade CEU S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Em sua entrevista a \u2018La Raz\u00f3n\u2019, publicada em 24 de abril, o Pe. Behnam Benoka indicou que enquanto a maioria dos migrantes mu\u00e7ulmanos entram na Europa, os crist\u00e3os est\u00e3o \u201cna Turquia, no L\u00edbano e na Jord\u00e2nia, bloqueados nos campos\u201d de refugiados.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, os crist\u00e3os n\u00e3o arriscam a vida da sua fam\u00edlia no mar. Alguns o fizeram e recentemente os enterramos no Iraque\u201d, assinalou.<\/p>\n<p>\u201cOs crist\u00e3os s\u00e3o refugiados legais, mas ningu\u00e9m se importa com eles\u201d, lamentou.<\/p>\n<p>O sacerdote iraquiano explicou que atualmente em Erbil, regi\u00e3o segura no Curdist\u00e3o iraquiano onde s\u00e3o acolhidos principalmente os crist\u00e3os perseguidos pelo Estado Isl\u00e2mico no Iraque, \u201ch\u00e1 2.000 fam\u00edlias vivendo em cont\u00eaineres, outras tantas em casas alugadas pela Igreja\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEm cada moradia, de 150 metros quadrados, vivem quatro ou cinco fam\u00edlias, ou seja, entre 20 e 30 pessoas. Podem imaginar as dificuldades e os problemas familiares e sociais pelos quais est\u00e3o passando\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, indicou, \u201ch\u00e1 um grupo de 6.000 fam\u00edlias que vivem por conta pr\u00f3pria, mas t\u00eam os mesmos problemas\u201d.<\/p>\n<p>Entre os problemas que enfrentam os crist\u00e3os refugiados nessa regi\u00e3o do Iraque est\u00e3o o desemprego, a educa\u00e7\u00e3o, o transporte e os cuidados m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>\u201cOs deslocados n\u00e3o t\u00eam direito a rem\u00e9dios financiados pelo Governo. Bagd\u00e1 negou, sobretudo nos casos de doen\u00e7as graves\u201d, criticou e advertiu que nos casos de doen\u00e7as mais graves \u201ctomar ou n\u00e3o um rem\u00e9dio pode ser quest\u00e3o de vida ou morte\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSabemos que o Departamento de Sa\u00fade de N\u00ednive, temporariamente em Erbil, recebeu toneladas de v\u00e1rios tipos de rem\u00e9dios, mas ningu\u00e9m sabe onde est\u00e3o\u201d, disse e expressou que suspeitam que \u201cforam vendidos. Isto seria um dos problemas de corrup\u00e7\u00e3o do pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA Igreja Cat\u00f3lica criou em Erbil tr\u00eas centros de sa\u00fade que oferecem rem\u00e9dios a mais de 500 pessoas por dia. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, pois cada receita custa cerca de cinco d\u00f3lares e em 2015 gastamos aproximadamente 100.000\u201d, indicou.<\/p>\n<p>\u201cQue a justi\u00e7a seja feita\u201d<\/p>\n<p>O Pe. Benoka indicou que, embora o atendimento m\u00e9dico tamb\u00e9m seja para os mu\u00e7ulmanos \u201cporque precisam ser curados\u201d, isto n\u00e3o significa que renunciem \u201ca que a justi\u00e7a seja feita\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO culpado deve submeter-se \u00e0 justi\u00e7a. Pelo bem comum, a justi\u00e7a deve ser aplicada\u201d, insistiu.<\/p>\n<p>O sacerdote iraquiano assinalou que \u201ctoda a plan\u00edcie de N\u00ednive \u00e9 crist\u00e3 e os mu\u00e7ulmanos sempre nos atacaram. O \u00faltimo foi o ISIS. Quando pudermos voltar, quem nos garante estar em paz e que n\u00e3o continuaremos sendo atacados?\u201d.<\/p>\n<p>\u201cMuitas organiza\u00e7\u00f5es, entre eles a Uni\u00e3o Europeia e os Estados Unidos, reconhecem que o que est\u00e1 acontecendo com os crist\u00e3os no Iraque \u00e9 um genoc\u00eddio. Portanto, queremos uma zona pac\u00edfica, somente para n\u00f3s\u201d.<\/p>\n<p>Isto, explicou, n\u00e3o se deve a que os crist\u00e3os \u201cn\u00e3o queiram conviver com os mu\u00e7ulmanos, mas porque eles \u00e9 que n\u00e3o querem conviver conosco. Chegamos primeiro, o Iraque era quase totalmente crist\u00e3o e agora somos uma minoria\u201d.<\/p>\n<p>Mu\u00e7ulmanos \u201cmoderados\u201d?<\/p>\n<p>\u201cPara n\u00f3s, uma pessoa moderada \u00e9 aquela que pode conviver com outros sem impor-se. Isto no isl\u00e3 \u00e9 diferente. O ISIS \u00e9 a aplica\u00e7\u00e3o m\u00e1xima da lei isl\u00e2mica, apresentam-se como Santos\u201d, assinalou.<\/p>\n<p>O sacerdote explicou que \u201cum mu\u00e7ulmano moderado \u00e9 aquele que aplica menos a lei isl\u00e2mica, que \u00e9 menos mu\u00e7ulmano\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO problema \u00e9 que aqueles mu\u00e7ulmanos moderados, nossos amigos em Mossul, ocuparam nossas casas e permaneceram com nossos bens quando fomos obrigados a sair. Estes eram os moderados\u201d.<\/p>\n<p>Segundo o Pe. Benoka \u201cn\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel garantir a modera\u00e7\u00e3o, porque depende da condi\u00e7\u00e3o de vida e da for\u00e7a do isl\u00e3. Quanto mais forte, menos modera\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Convidaria ao Papa para visitar refugiados crist\u00e3os<\/p>\n<p>O sacerdote iraquiano assinalou que, se puder falar novamente com o Papa Francisco, \u201cfalaria acerca da situa\u00e7\u00e3o dos refugiados crist\u00e3os e o convidaria a visit\u00e1-los. Com certeza ele pensa nisso e quer procurar uma solu\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSe o Papa tivesse visitado os refugiados da Turquia, L\u00edbano e Jord\u00e2nia, teria ensinado ao mundo a situa\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os, bloqueados nos campos destes pa\u00edses\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Para o Pe. Benoka, \u201cseria maravilhoso que o Papa fosse ao L\u00edbano, \u00e0 Jord\u00e2nia e \u00e0 Turquia, pudesse visitar os refugiados crist\u00e3os e levar com ele v\u00e1rias fam\u00edlias\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: R\u00e1dio Vaticano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cPara os crist\u00e3os, \u00e9 muito mais dif\u00edcil chegar \u00e0 Europa\u201d do que para os migrantes mu\u00e7ulmanos, criticou o Pe. Behnam Benoka, sacerdote iraquiano que atende os refugiados em Erbil (Iraque), em uma recente entrevista com o jornal espanhol \u2018La Raz\u00f3n\u2019. O Pe. 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