{"id":14337,"date":"2016-04-27T16:26:19","date_gmt":"2016-04-27T19:26:19","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/04\/27\/o-boko-haram-nos-aproximou-dos-muculmanos-diz-arcebispo-nigeriano\/"},"modified":"2017-05-30T09:11:14","modified_gmt":"2017-05-30T12:11:14","slug":"o-boko-haram-nos-aproximou-dos-muculmanos-diz-arcebispo-nigeriano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-boko-haram-nos-aproximou-dos-muculmanos-diz-arcebispo-nigeriano\/","title":{"rendered":"\u201cO Boko Haram nos aproximou dos mu\u00e7ulmanos\u201d, diz arcebispo nigeriano"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/sem ttulo20.png\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Ignatius Kaigama \u00e9 arcebispo da cidade de Jos e presidente da Confer\u00eancia de Bispos Cat\u00f3licos da Nig\u00e9ria<\/p>\n<p>Ignatius Kaigama, arcebispo da cidade de Jos, na regi\u00e3o central da Nig\u00e9ria, foi uma das primeiras vozes a denunciar as atrocidades praticadas pelos jihadistas do Boko Haram, grupo terrorista que matou mais de 20.000 pessoas nos \u00faltimos sete anos s\u00f3 no estado de Borno, um dos mais atingidos pela viol\u00eancia dos extremistas isl\u00e2micos, de acordo com o Banco Mundial.<\/p>\n<p>Para combater a viol\u00eancia em seu pa\u00eds, dom Kaigama aposta no di\u00e1logo com os l\u00edderes mu\u00e7ulmanos da Nig\u00e9ria e nas promessas do presidente Muhammadu Buhari. &#8220;O Boko Haram nos aproximou dos mu\u00e7ulmanos. Nem todo mu\u00e7ulmano \u00e9 uma pessoa ruim, nem todo mu\u00e7ulmano \u00e9 terrorista&#8221;, afirma. Em visita ao Brasil, o religioso falou ao site de VEJA sobre sua batalha para chamar a aten\u00e7\u00e3o da comunidade internacional para os problemas da Nig\u00e9ria e de suas esperan\u00e7as para o futuro do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O Boko Haram vem espalhando terror na Nig\u00e9ria h\u00e1 sete anos e suas a\u00e7\u00f5es t\u00eam se tornado cada vez mais violentas. Por que a comunidade internacional n\u00e3o une for\u00e7as para combater os jihadistas? Essa \u00e9 a pergunta que fa\u00e7o ao mundo com frequ\u00eancia. Deveriam haver esfor\u00e7os internacionais constantes para reprimir a atua\u00e7\u00e3o dessas c\u00e9lulas terroristas na Nig\u00e9ria e nos pa\u00edses vizinhos. Eu sempre comparo nosso conflito com os ataques em Paris. Fiquei muito feliz em ver os l\u00edderes dizendo ao mundo que estavam todos unidos contra o terrorismo, e acredito que a comunidade internacional tem a capacidade de criar esse mundo pac\u00edfico para todos.<\/p>\n<p>O conflito na Nig\u00e9ria n\u00e3o desperta tanta como\u00e7\u00e3o mundial como um atentado em Paris, por exemplo. Como reverter esse quadro? As pessoas s\u00f3 se preocupam com sua pr\u00f3pria localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, mas \u00e9 muito importante sabermos do que acontece em outros lugares. Algumas pessoas nem sabem onde fica a Nig\u00e9ria. Se algo acontece nos grandes pa\u00edses, a not\u00edcia \u00e9 exibida 24 horas por dia em todos os outros grandes jornais do mundo. No entanto, quando a not\u00edcia acontece onde n\u00e3o existem interesses econ\u00f4micos, ela acaba se perdendo. Eu luto pela prote\u00e7\u00e3o das \u00e1reas menos conhecidas e para que as pessoas saibam que vivemos todos no mesmo mundo. Direta ou indiretamente, os problemas daqueles que sofrem devem atingir quem est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o de conforto.<\/p>\n<p>Relatos de ataques do Boko Haram, que se concentravam no noroeste da Nig\u00e9ria, s\u00e3o cada vez mais frequentes nos pa\u00edses vizinhos. Voc\u00ea acha que haver\u00e1 uma escalada no conflito? Acredito que sim. H\u00e1 muitas a\u00e7\u00f5es sendo feitas para expulsar os terroristas da Nig\u00e9ria, mas o grupo se espalhou para Camar\u00f5es, Chade, N\u00edger e outros lugares. O esfor\u00e7o agora deve agora ser estendido para esses outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>A alian\u00e7a com o Estado Isl\u00e2mico fortaleceu o Boko Haram? Eles juraram lealdade ao Estado Isl\u00e2mico, que adotou o Boko Haram como seu &#8216;filhote&#8217;. Mas, por enquanto, estamos contando com ag\u00eancias de intelig\u00eancia e com a comunidade internacional para entender qual o n\u00edvel de coopera\u00e7\u00e3o entre eles e qual ser\u00e1 o impacto dessa alian\u00e7a na vida das pessoas.<\/p>\n<p>Estima-se que o Boko Haram tenha usado pelo menos 105 mulheres e crian\u00e7as em atentados suicidas desde junho de 2014. Esse tipo de ataque se tornou uma das marcas do conflito? Este n\u00e3o \u00e9 um modelo de guerra convencional. Na Nig\u00e9ria, o terrorista entra em um restaurante ou bar vestido como homem comum e se explode. Ou ent\u00e3o uma garota de 10 ou 14 anos, que se veste normalmente, mas dentro de suas roupas carrega um colete de bombas, se explode no mercado. Esses ataques s\u00e3o muito dif\u00edceis de prever e impedir.<\/p>\n<p>O senhor acredita que o presidente Muhammadu Buhari est\u00e1 cumprindo suas promessas de combate ao Boko Haram? Sim, ele \u00e9 um sopro de ar fresco para n\u00f3s. Seu governo foi capaz de recapturar \u00e1reas tomadas pelo Boko Haram no passado e motivar as ag\u00eancias de seguran\u00e7a e os militares a fazer mais. Ele realocou a estrutura de comando dos militares para Borno e Maiduri e est\u00e1 sempre tentando dialogar com os l\u00edderes de pa\u00edses como Chade, Camar\u00e3o e Benim, para fazer com que trabalhem juntos. Em n\u00edvel internacional, ele busca o aux\u00edlio dos Estados Unidos e de na\u00e7\u00f5es europeias. Muito est\u00e1 sendo feito para combater o Boko Haram.<\/p>\n<p>Qual o seu papel e da Igreja Cat\u00f3lica no conflito? N\u00f3s exercemos um papel moral, encorajamos as v\u00edtimas a denunciar os males sofridos e as pessoas de fora a fazer algo para mudar o que acontece na Nig\u00e9ria. Atrav\u00e9s da Confer\u00eancia dos Bispos Cat\u00f3licos da Nig\u00e9ria estamos tentando manter contato com o presidente para reportar o que vemos em nossas cidades, o que aconteceu com as pessoas que foram atacadas.<\/p>\n<p>Como a Igreja Cat\u00f3lica se relaciona com a comunidade mu\u00e7ulmana na Nig\u00e9ria? Voc\u00eas est\u00e3o unindo for\u00e7as para lutar contra o extremismo religioso? O Boko Haram nos aproximou dos mu\u00e7ulmanos. Nem todo mu\u00e7ulmano \u00e9 uma pessoa ruim, nem todo mu\u00e7ulmano \u00e9 terrorista, nem todo mu\u00e7ulmano faz parte do Boko Haram. N\u00f3s tentamos nos aproximar dos seus l\u00edderes mais influentes e criar di\u00e1logo. Agora n\u00f3s falamos a mesma l\u00edngua de condena\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia e ao terrorismo. O Boko Haram \u00e9 diferente, n\u00e3o dialogamos com eles. Seus membros se tornaram pessoas m\u00e1s, irracionais, insens\u00edveis, incapazes de dialogar. Eles n\u00e3o ouvem.<\/p>\n<p>Nig\u00e9ria e \u00c1frica do Sul brigam pelo posto de maior economia da \u00c1frica. No entanto, seu pa\u00eds ainda sofre com muitos contrastes sociais e econ\u00f4micos. Como voc\u00ea imagina a Nig\u00e9ria no futuro? A Nig\u00e9ria \u00e9 o meu pa\u00eds e eu desejo s\u00f3 o melhor para seu povo. O pa\u00eds tem potencial; fomos presenteados por Deus com vastos recursos naturais. A descoberta do petr\u00f3leo motivou as pessoas a buscarem dinheiro f\u00e1cil e se tornarem corruptas, mas ainda estamos muito otimistas de que o presidente Buhari vai recuperar nossa economia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Revista Veja<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ignatius Kaigama \u00e9 arcebispo da cidade de Jos e presidente da Confer\u00eancia de Bispos Cat\u00f3licos da Nig\u00e9ria Ignatius Kaigama, arcebispo da cidade de Jos, na regi\u00e3o central da Nig\u00e9ria, foi uma das primeiras vozes a denunciar as atrocidades praticadas pelos jihadistas do Boko Haram, grupo terrorista que matou mais de 20.000 pessoas nos \u00faltimos sete [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-14337","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cnbb"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14337","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14337"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14337\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24370,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14337\/revisions\/24370"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14337"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14337"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14337"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}