{"id":14173,"date":"2016-04-14T19:05:17","date_gmt":"2016-04-14T22:05:17","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/04\/14\/a-monstruosidade-do-aborto-desmascarada-sem-necessidade-de-argumentos-religiosos\/"},"modified":"2017-05-31T13:30:26","modified_gmt":"2017-05-31T16:30:26","slug":"a-monstruosidade-do-aborto-desmascarada-sem-necessidade-de-argumentos-religiosos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-monstruosidade-do-aborto-desmascarada-sem-necessidade-de-argumentos-religiosos\/","title":{"rendered":"A monstruosidade do aborto, desmascarada sem necessidade de argumentos religiosos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/onw0pb0_hzr2x_5cj.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>O fil\u00f3sofo espanhol Juli\u00e1n Mar\u00edas derruba a manipula\u00e7\u00e3o de palavras que tenta justificar o absurdo da \u201cinterrup\u00e7\u00e3o da gravidez\u201d<\/p>\n<p>O fil\u00f3sofo espanhol Juli\u00e1n Mar\u00edas (Valladolid, 17 de junho de 1914 \u2013 Madri, 15 de dezembro de 2005), pai do escritor Javier Mar\u00edas, autor de mais de 50 livros e de uma monumental Hist\u00f3ria da Filosofia editada pela m\u00edtica \u201cRevista de Occidente\u201d, faz uma an\u00e1lise antropol\u00f3gica do aborto que pode prescindir da vis\u00e3o religiosa nesse complexo debate.<\/p>\n<p>O pequeno ensaio de Mar\u00edas aborda as implica\u00e7\u00f5es da \u201caceita\u00e7\u00e3o social do aborto\u201d e a qualifica como \u201co que de mais grave aconteceu neste s\u00e9culo que vai se aproximando do fim\u201d. Ele se referia ao s\u00e9culo XX, mas, tragicamente, o fen\u00f4meno vem piorando no s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>Virando as costas para a realidade<\/p>\n<p>As posi\u00e7\u00f5es irredut\u00edveis em torno ao aborto s\u00e3o todas, de alguma forma, posi\u00e7\u00f5es \u201cde f\u00e9\u201d, seja de f\u00e9 religiosa (\u201ctodo ser \u00e9 querido por Deus\u201d), seja de f\u00e9 na ci\u00eancia (\u201cos dados mensur\u00e1veis s\u00e3o os \u00fanicos que contam\u201d).<\/p>\n<p>O fil\u00f3sofo espanhol procura superar esta discuss\u00e3o mediante uma vis\u00e3o antropol\u00f3gica, \u201cfundamentada na mera realidade do homem, em como ele v\u00ea, vive e compreende a si mesmo\u201d. \u00c9 preciso, para isso, abrir os olhos em vez de virar as costas para a realidade.<\/p>\n<p>Mediante o uso da linguagem cotidiana, Mar\u00edas parte de uma distin\u00e7\u00e3o elementar, livre de qualquer peso ideol\u00f3gico: n\u00e3o s\u00e3o iguais uma coisa e uma pessoa. Em todos os lugares, da ilha mais remota ao centro de Manhattan, o homem distingue entre \u201co qu\u00ea\u201d e \u201cquem\u201d; entre \u201calgo\u201d e \u201calgu\u00e9m\u201d; entre \u201cnada\u201d e \u201cningu\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe possibilidade de confus\u00e3o: s\u00e3o conceitos-chaves arraigados em nossa linguagem, e, portanto, em nosso pensamento sobre o essencial.<\/p>\n<p>Esta distin\u00e7\u00e3o mostra que o filho n\u00e3o \u00e9 uma \u201ccoisa\u201d dos seus pais: n\u00e3o \u00e9 um \u201co qu\u00ea\u201d, e sim um \u201cquem\u201d, um \u201calgu\u00e9m\u201d que pode ser chamado de \u201cvoc\u00ea\u201d e que, ao passar do tempo, chamar\u00e1 a si mesmo de \u201ceu\u201d. Esse algu\u00e9m \u00e9 vivo e din\u00e2mico: poder\u00e1 ser um idoso assim como, antes, ter\u00e1 sido um adulto, um jovem, um adolescente, uma crian\u00e7a, um feto, um embri\u00e3o \u2013 e ter\u00e1 sido sempre o mesmo, sem nunca ter sido uma \u201ccoisa\u201d. Nenhuma coisa chega a virar pessoa. Assim como em qualquer outra fase da vida, esse algu\u00e9m, quando ainda feto, n\u00e3o \u201cpertence\u201d \u00e0 m\u00e3e; nem ao pai; nem a ningu\u00e9m; ele est\u00e1 sendo gestado no ventre da m\u00e3e, onde j\u00e1 \u00e9 algu\u00e9m desde que foi concebido como um ser humano absolutamente novo e \u00fanico. A mulher nunca dir\u00e1 \u201cmeu corpo est\u00e1 gr\u00e1vido\u201d, mas \u201ceu estou gr\u00e1vida\u201d. A mulher diz \u201cvou ter um filho\u201d e n\u00e3o \u201ctenho um tumor\u201d.<\/p>\n<p>Eliminados como coisas<\/p>\n<p>A simples experi\u00eancia cotidiana nos permite constatar que, assim como n\u00f3s mesmos, o beb\u00ea ainda n\u00e3o nascido \u00e9 uma realidade humana vivente. Ah, mas ele ainda n\u00e3o est\u00e1 pronto! E algum de n\u00f3s est\u00e1? O pequeno algu\u00e9m que j\u00e1 vive no ventre da m\u00e3e \u00e9 algu\u00e9m que ser\u00e1 \u2013 como n\u00f3s tamb\u00e9m sempre seremos, mesmo quando j\u00e1 somos e fomos; e, assim como n\u00f3s, ele tamb\u00e9m j\u00e1 \u00e9.<\/p>\n<p>\u00c9 incrivelmente falacioso apelar para o crit\u00e9rio da autonomia no comer, no andar, no viver para dizer que algu\u00e9m \u00e9. Se fosse assim, seriam \u201ccoisas\u201d n\u00e3o s\u00f3 o beb\u00ea no ventre materno, mas tamb\u00e9m o beb\u00ea j\u00e1 nascido, o beb\u00ea de v\u00e1rios meses, o adulto em estado de coma, o adulto que apenas dorme profundamente, o idoso que depende do pr\u00f3ximo para comer, andar, viver\u2026 E todos poderiam ser \u201celiminados\u201d como coisas que n\u00e3o s\u00e3o aut\u00f4nomas. Realmente podemos levar a s\u00e9rio esse tipo de argumenta\u00e7\u00e3o apelativa e irrespons\u00e1vel?<\/p>\n<p>Voltando \u00e0 linguagem, Mar\u00edas \u201crecomenda\u201d que o enforcamento seja chamado de \u201cinterrup\u00e7\u00e3o da respira\u00e7\u00e3o\u201d. Se, afinal, o aborto pode ser chamado de \u201cinterrup\u00e7\u00e3o da gravidez\u201d, por que n\u00e3o? Talvez porque a verdade precisa imperar. E a verdade derruba esses recursos a eufemismos que tentam manipul\u00e1-la.<\/p>\n<p>A verdade informa que, quando se aborta ou se enforca algu\u00e9m, n\u00e3o s\u00f3 se \u201cinterrompe\u201d a gravidez ou a respira\u00e7\u00e3o: em ambos os casos, assassina-se algu\u00e9m (por mais que, na maior parte das vezes, o assassinato \u00e9 mascarado de morte \u201cnecess\u00e1ria\u201d: para melhorar a ra\u00e7a, para evitar a superpopula\u00e7\u00e3o, para evitar o sofrimento\u2026).<\/p>\n<p>Negando a pessoa humana<\/p>\n<p>Mar\u00edas conclui que o n\u00facleo do problema \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter pessoal do homem. No aborto, \u201cdesaparece\u201d a paternidade, considera-se a m\u00e3e como algu\u00e9m que sofre o crescimento de um \u201cintruso\u201d, transforma-se falaciosamente \u201calgu\u00e9m\u201d em \u201calgo\u201d \u2013 para assim poder elimin\u00e1-lo. Trata-se, objetivamente, de uma monstruosidade.<\/p>\n<p>Ao se eliminar o pai, a m\u00e3e, o filho, ao se desumanizar a rela\u00e7\u00e3o do casal, o que resta de humano em tudo isso?<\/p>\n<p>Para Juli\u00e1n Mar\u00edas, a aceita\u00e7\u00e3o social do aborto foi, sem exce\u00e7\u00e3o, o que de mais grave aconteceu no s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>E n\u00f3s sabemos que tamb\u00e9m no XXI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O fil\u00f3sofo espanhol Juli\u00e1n Mar\u00edas derruba a manipula\u00e7\u00e3o de palavras que tenta justificar o absurdo da \u201cinterrup\u00e7\u00e3o da gravidez\u201d O fil\u00f3sofo espanhol Juli\u00e1n Mar\u00edas (Valladolid, 17 de junho de 1914 \u2013 Madri, 15 de dezembro de 2005), pai do escritor Javier Mar\u00edas, autor de mais de 50 livros e de uma monumental Hist\u00f3ria da Filosofia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-14173","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cotidiano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14173","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14173"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14173\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26170,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14173\/revisions\/26170"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14173"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14173"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14173"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}