{"id":14107,"date":"2016-04-11T17:26:54","date_gmt":"2016-04-11T20:26:54","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/04\/11\/entregando-os-pontos\/"},"modified":"2017-05-08T14:15:31","modified_gmt":"2017-05-08T17:15:31","slug":"entregando-os-pontos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/entregando-os-pontos\/","title":{"rendered":"Entregando os pontos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Em tempos de crise, \u00e9 comum ouvir desabafos e coment\u00e1rios gen\u00e9ricos de que qualquer esfor\u00e7o para melhor \u00e9 v\u00e3o. As pessoas se portam como que alheia aos fatos que as circundam e se entregam a um ceticismo generalizado, como a confessar que nada mais valha a pena. D\u00e3o por que encerrado um ciclo de esfor\u00e7os in\u00fateis, sobre o qual pouco resta a n\u00e3o ser aceitar a derrota, entregar os pontos. Fosse uma competi\u00e7\u00e3o esportiva, s\u00f3 lhes restaria parabenizar os advers\u00e1rios ou amaldi\u00e7oar o juiz da contenda. A in\u00e9rcia e o conformismo tomam conta. Reverter os fatos s\u00f3 mesmo por milagre.<br \/> Essa filosofia da derrota evidente \u00e9 a pior das derrotas. Toma conta e corr\u00f3i qualquer rea\u00e7\u00e3o que se mostre capaz de reverter fatos concretos, quando tudo contribui para o derrotismo puro e simples. Muitos esperam ou at\u00e9 apelam por um golpe de miseric\u00f3rdia, incapazes de enxergar numa simples derrota a oportunidade de recome\u00e7o; esquecem-se da extraordin\u00e1ria capacidade humana de se erguer sempre, mesmo \u00e0 custa de uma evidente batalha perdida. Um jogo nunca \u00e9 igual ao outro; uma batalha n\u00e3o define a guerra; uma doen\u00e7a nem sempre leva \u00e0 morte e nossas disputas ser\u00e3o intermin\u00e1veis enquanto vivos estivermos. <br \/> As disputas cotidianas \u00e9 que alimentam e refor\u00e7am nossa coragem ou \u00e2nimo na caminhada. Acontece que nem toda aparente vit\u00f3ria possui os m\u00e9ritos da justi\u00e7a e os louros de uma disputa equilibrada, perfeita. H\u00e1 por ai muitos trapaceiros no jogo da vida. Em especial aqueles cuja ambi\u00e7\u00e3o extrapola direitos e deveres, contrariam as regras do jogo. \u201cO ambicioso provoca disputa, mas o que confia no Senhor prosperar\u00e1\u201d (Prov. 28, 25). Na verdade, a guerra pela sobreviv\u00eancia se mune de armas da desigualdade, do oportunismo, da ironia quando seu intuito primeiro \u00e9 o de subjugar os ing\u00eanuos, os puros de cora\u00e7\u00e3o e de alma, para os quais a mal\u00edcia e maledic\u00eancia n\u00e3o s\u00e3o recursos dos quais possam fazer uso. Dai a gritante disparidade de for\u00e7as entre justos e oportunistas, aqueles que temem a Deus e respeitam seus mandamentos e aqueles que temem as amea\u00e7as contra seu deus de poder e gl\u00f3rias terrenas. Essa \u00e9 a diferen\u00e7a das armas que usamos nessa luta do bem contra o mal. O aparente ponto fraco do povo iludido e massacrado pelo bra\u00e7o de ferro dos que o governam, trapaceiam, iludem, na verdade, \u00e9 sua fortaleza.<br \/> Sobra-nos o acreditar, confiar nessa prosperidade misteriosa que s\u00f3 a f\u00e9 pode exibir e nos fazer compreender em sua plenitude. A a\u00e7\u00e3o desmedida de poder, de riquezas, de ambi\u00e7\u00f5es meramente transit\u00f3rias nunca ser\u00e1 vitoriosa. Ela, sim, h\u00e1 de entregar os pontos numa fragorosa derrota contra a l\u00f3gica de suas nauseantes e f\u00e9tidas for\u00e7as de sustenta\u00e7\u00e3o. Nenhum tribunal que fa\u00e7a jus \u00e0s suas senten\u00e7as \u00e9 maior ou melhor que a justi\u00e7a imparcial e soberana de Deus. Essa h\u00e1 de prevalecer. Contra o Juiz supremo n\u00e3o cabem imprecau\u00e7\u00f5es, maldi\u00e7\u00f5es. Nem adiamento de senten\u00e7a. Nem subterf\u00fagios da defesa. Nem protela\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas, apelos a outra inst\u00e2ncia. Nada disso. \u201c\u00c9 a justi\u00e7a de Deus pela f\u00e9 em Jesus Cristo para todos os que creem\u201d&#8230;(Rom 3,22) que prevalecer\u00e1 sobre os facciosos tribunais de nossas apela\u00e7\u00f5es cotidianas. Quando esta se der, n\u00e3o h\u00e1 o que temer. Para os justos ser\u00e1 a reabilita\u00e7\u00e3o sonhada e esperada neste injusto campo de batalhas em que nos metemos. A ta\u00e7a do mundo voltar\u00e1 para nossas m\u00e3os. A ta\u00e7a, a verdadeira e \u00fanica, aquele c\u00e1lice dourado, reluzente, que nos roubaram um dia e ainda nos roubam quando nossa esperan\u00e7a \u00e9 derretida no fogo das paix\u00f5es e ambi\u00e7\u00f5es humanas. A ta\u00e7a do vinho novo, da nova alian\u00e7a impregnada pelo sangue de um derrotado aparente; a ta\u00e7a do sangue de Cristo! Ent\u00e3o ser\u00e1 chegada nossa hora de entregar os pontos, aqueles que somamos positivamente com nossa perseveran\u00e7a e f\u00e9, os tentos de nossas vit\u00f3rias terrenas sobre a ambi\u00e7\u00e3o sem lastro. Ser\u00e1 chegada nossa hora de entregarmos esses pontos a Deus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tempos de crise, \u00e9 comum ouvir desabafos e coment\u00e1rios gen\u00e9ricos de que qualquer esfor\u00e7o para melhor \u00e9 v\u00e3o. As pessoas se portam como que alheia aos fatos que as circundam e se entregam a um ceticismo generalizado, como a confessar que nada mais valha a pena. 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