{"id":14100,"date":"2016-04-11T13:06:38","date_gmt":"2016-04-11T16:06:38","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/04\/11\/cardeal-giafranco-ravasi-conduz-retiro-dos-bispos-sobre-a-misericordia\/"},"modified":"2017-05-26T16:08:17","modified_gmt":"2017-05-26T19:08:17","slug":"cardeal-giafranco-ravasi-conduz-retiro-dos-bispos-sobre-a-misericordia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/cardeal-giafranco-ravasi-conduz-retiro-dos-bispos-sobre-a-misericordia\/","title":{"rendered":"Cardeal Giafranco Ravasi conduz retiro dos bispos sobre a miseric\u00f3rdia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/cardealravasi.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Durante o momento espiritual, episcopado atravessou a Porta Santa no Santu\u00e1rio Nacional de Aparecida<\/p>\n<p>O presidente do Pontif\u00edcio Conselho para a Cultura, cardeal Giafranco Ravasi, foi o pregador do retiro da 54 \u00aa\u00a0 Assembleia Geral da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O momento espiritual ocorreu nos dias 9 e 10 de abril, em Aparecida (SP). <\/p>\n<p>Na primeira sess\u00e3o do retiro, dom Ravasi falou aos bispos sobre os tr\u00eas \u00edcones da miseric\u00f3rdia, \u201cde Deus, do seu Cristo e do fiel, \u00e0 luz desta categoria fundamental\u201d. <\/p>\n<p>A respeito do primeiro \u00edcone, cardeal Ravasi disse que a onipot\u00eancia n\u00e3o \u00e9 o princ\u00edpio de prevarica\u00e7\u00e3o, mas de miseric\u00f3rdia. \u201cExatamente porque tudo pode, Deus tem compaix\u00e3o de todos. Usa-se, neste ponto, uma imagem sugestiva: o Senhor fecha os olhos, para n\u00e3o ver os pecados humanos, esperando que, entretanto, as pessoas mudem de vida\u201d, refletiu. <\/p>\n<p>Ao citar Ef\u00e9sios, sobre o muro de separa\u00e7\u00e3o que dividia os dois povos, hebreus e pag\u00e3os, dom Ravasi recordou que \u201cCristo veio (&#8230;) e empunha o martelo para abater aquele muro de separa\u00e7\u00e3o (&#8230;) ao ponto de criar dos dois um s\u00f3 povo, onde as distin\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o mais fonte de medo, mas sinal de riqueza\u201d. O cardeal considerou \u201cbel\u00edssima\u201d a defini\u00e7\u00e3o de Cristo como \u201cnossa paz\u201d e explicou o significado da palavra di\u00e1logo que, na sua matriz grega, \u201csup\u00f5e o encontro entre duas vis\u00f5es s\u00e9rias e aprofundadas do ser e do existir, capazes de descobrir a verdade que existe tamb\u00e9m no outro, ainda que cada um conserve a sua pr\u00f3pria identidade espiritual e cultural\u201d. <\/p>\n<p>Sobre o \u00edcone do fiel, destacou as obras da miseric\u00f3rdia. \u201cMatar a fome a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, acolher o estrangeiro, vestir os nus, curar o doente, visitar o preso; s\u00e3o estes os seis empenhos, praticados pelos misericordiosos e ignorados pelos ego\u00edstas. Por quatro vezes, no texto, \u00e9 repetido este elenco que pode tonar-se j\u00e1 um exame de consci\u00eancia, durante a exist\u00eancia terrena para qualquer homem e mulher, para o fiel e para o sacerdote\u201d, ressaltou. <br \/>Caminho da miseric\u00f3rdia<\/p>\n<p>Cardeal Ravasi, na segunda sess\u00e3o do retiro, ainda na tarde de s\u00e1bado, abordou o caminho da miseric\u00f3rdia. Discorreu sobre duas par\u00e1bolas do Evangelho de Lucas, a dom Bom Samaritano e do Filho Pr\u00f3digo. <\/p>\n<p>\u201cO itiner\u00e1rio que rege as duas par\u00e1bolas \u00e9 certamente espacial e geogr\u00e1fico, mas torna-se um s\u00edmbolo existencial, uma ideal peregrina\u00e7\u00e3o aberta a todos n\u00f3s: de amor, no primeiro caso, de convers\u00e3o no segundo\u201d, disse. <\/p>\n<p>A respeito da primeira par\u00e1bola, dom Ravasi disse que \u201cCristo convida a comportar-se \u2018subjetivamente\u2019 como pr\u00f3ximo, em rela\u00e7\u00e3o a quem est\u00e1 em necessidade e que interpela a nossa humanidade e a nossa miseric\u00f3rdia\u201d e que \u201caquela estrada se transforma, assim, na via existencial daquele que acolhe e pratica o mandamento capital de Cristo: \u2018Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei\u2019\u201d. <\/p>\n<p>Sobre a par\u00e1bola do Filho Pr\u00f3digo, o cardeal afirmou que \u201ca miseric\u00f3rdia, no seu aspecto mais terno e visceral, celebra agora a sua epifania mais alta e aut\u00eantica, capaz de vencer qualquer desilus\u00e3o e recrimina\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cDe fato, na alegria do encontro do filho perdido, por duas vezes, o pai repetir\u00e1: \u2018este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi encontrado\u2019\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Casa da miseric\u00f3rdia<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/cardealravasi2.jpg\" border=\"0\" align=\"right\" \/>A terceira sess\u00e3o, ocorrida na manh\u00e3 deste domingo, 10, foi dedicada ao tema \u201cA casa da miseric\u00f3rdia\u201d. <\/p>\n<p>Dom Ravasi perpassou \u201ctr\u00eas casas\u201d, para falar de realidades que fazem parte da experi\u00eancia cotidiana, humana, espiritual e pastoral: a viol\u00eancia, a trai\u00e7\u00e3o e a solidariedade amorosa. <\/p>\n<p>A primeira casa citada \u00e9 a de Ad\u00e3o e Eva e dos dois filhos Caim e Abel. \u201cEsta morada hospeda j\u00e1, no seu interior, uma trag\u00e9dia\u201d, disse. O cardeal lembrou que nesta cena, est\u00e1 a viol\u00eancia familiar e social presente nos dias atuais. Por\u00e9m, recordou que Deus condena o assassino, mas n\u00e3o o abandona ao seu destino Dom Ravasi declarou, ainda, que n\u00e3o \u00e9 l\u00edcita a pena de morte, \u201cporque somente Deus tem nas suas m\u00e3os a vida de todo o ser vivo e o sopro de vida de todo ser humano\u201d. <\/p>\n<p>\u201cA justi\u00e7a e a condena\u00e7\u00e3o n\u00e3o diminuem, mas ao culpado \u00e9 sempre aberta a via da reden\u00e7\u00e3o que desabrocha do entrela\u00e7amento entre a sua convers\u00e3o e a miseric\u00f3rdia divina\u201d, apontou. <\/p>\n<p>A outra hist\u00f3ria, contada pelo cardeal, \u00e9 a da mulher ad\u00faltera. \u201cNum setor daquela enorme pra\u00e7a reuniu-se um ajuntamento de pessoas aos berros que circundavam uma mulher, arrastada ali \u00e0 for\u00e7a e atirada ao ch\u00e3o. No c\u00edrculo que se criou \u00e0 sua volta, est\u00e1, ao lado, tamb\u00e9m um homem que parece indiferente, ao ponto de estar a escrevinhar no p\u00f3\u201d, narrou.\u00a0 <\/p>\n<p>Para o cardeal, a frase \u201cQuem de v\u00f3s est\u00e1 sem pecado, que atire a primeira pedra contra ela\u201d, \u00e9 \u201cmemor\u00e1vel e constitui um verdadeiro ato de acusa\u00e7\u00e3o, uma esp\u00e9cie de indicador apontado contra todos os hip\u00f3critas\u201d. Disse que, neste caso, a miseric\u00f3rdia n\u00e3o ignora a realidade da culpa e a necessidade de uma convers\u00e3o. \u201cMas o primado vai para o perd\u00e3o que exclui qualquer ju\u00edzo definitivo e impiedoso\u201d, complementou. <\/p>\n<p>A \u00faltima casa narrada por dom Ravasi \u00e9 a da habita\u00e7\u00e3o de uma vi\u00fava estrangeira. \u201cA nossa cena \u00e9 de ordin\u00e1ria mis\u00e9ria: uma vi\u00fava com filho a seu encargo est\u00e1 a apanhar lenha para ati\u00e7ar o fogo de uma refei\u00e7\u00e3o que lhe parece ser\u00e1 \u00faltima porque lhe resta penas um punhado de farinha e um pouco de azeite. No caminho, depara repentinamente com Elias, pobre e com fome como ela, que lhe pede um peda\u00e7o de p\u00e3o. Com a generosidade t\u00edpica dos pobres, aquela mulher aceita, confiando na promessa do profeta: \u2018A panela da farinha n\u00e3o se esgo\u00actar\u00e1, nem faltar\u00e1 o azeite na jarra\u2019. E assim aconteceu a ponto que \u00abcomeu ele, ela e a sua fam\u00edlia, durante alguns dias\u2019\u201d, descreveu aos bispos. <\/p>\n<p>Dom Ravasi citou um antigo texto eg\u00edpcio que diz que \u201cDeus prefere quem honra o pobre a quem venera o rico\u201d. Para o bispo,\u201d a miseric\u00f3rdia gera miseric\u00f3rdia ainda maior, antes pode produzir milagres\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ventre da miseric\u00f3rdia<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/retiro1.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Na \u00faltima sess\u00e3o do retiro dos bispos, dom Ravasi falou sobre \u201co espa\u00e7o no qual a miseric\u00f3rdia encontra sua habita\u00e7\u00e3o viva, isto \u00e9, a alma, a consci\u00eancia, o lugar do cora\u00e7\u00e3o da pessoa\u201d.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s lembrar que, na linguagem b\u00edblica, a sede simb\u00f3lica da miseric\u00f3rdia \u00e9 o \u00fatero materno ou a paternidade, dom Ravasi disse que a miseric\u00f3rdia \u00e9 acompanhada por um s\u00e9quito de virtudes irm\u00e3s, como a solidariedade sincera, a compaix\u00e3o, que consiste em partilhar os sofrimentos do outro numa sintonia interior, ou ent\u00e3o a ternura\u201d.<\/p>\n<p>Falou tamb\u00e9m sobre o perd\u00e3o. \u201cNeste cortejo ideal de virtudes que procedem sob a guia da miseric\u00f3rdia brilha uma presen\u00e7a particular, a do perd\u00e3o\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porta Santa<\/p>\n<p>No final da tarde de s\u00e1bado, os bispos seguiram em prociss\u00e3o rumo ao Santu\u00e1rio Nacional de Aparecida, onde atravessaram a Porta Santa e tiveram um breve encontro com os jovens que participam da Romaria da Juventude. <\/p>\n<p>Fonte: CNBB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante o momento espiritual, episcopado atravessou a Porta Santa no Santu\u00e1rio Nacional de Aparecida O presidente do Pontif\u00edcio Conselho para a Cultura, cardeal Giafranco Ravasi, foi o pregador do retiro da 54 \u00aa\u00a0 Assembleia Geral da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). 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