{"id":13969,"date":"2016-03-30T13:37:49","date_gmt":"2016-03-30T16:37:49","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/03\/30\/angola-igreja-denuncia-agravamento-da-pobreza-no-pais\/"},"modified":"2017-05-31T11:15:02","modified_gmt":"2017-05-31T14:15:02","slug":"angola-igreja-denuncia-agravamento-da-pobreza-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/angola-igreja-denuncia-agravamento-da-pobreza-no-pais\/","title":{"rendered":"Angola: Igreja denuncia agravamento da pobreza no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/5e8173bf39566531ecfe4424fce66d85_xl.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Angola: Igreja denuncia agravamento da pobreza no pa\u00eds<\/p>\n<p>\u00c9 um diagn\u00f3stico pesado, em que os bispos angolanos denunciam o agravamento s\u00e9rio da pobreza e do aumento do custo de vida no pa\u00eds. Eles afirmam que a crise econ\u00f4mica e financeira em que vive Angola n\u00e3o pode ser explicada apenas pela queda do pre\u00e7o do petr\u00f3leo nos mercados internacionais, e apontam tamb\u00e9m para a \u201cfalta de \u00e9tica, m\u00e1 gest\u00e3o do dinheiro p\u00fablico e corrup\u00e7\u00e3o generalizada\u201d no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Numa nota emitida no final da \u00faltima reuni\u00e3o da Confer\u00eancia Episcopal de Angola e S\u00e3o Tom\u00e9, no dia 9 de mar\u00e7o, os bispos v\u00e3o mais longe neste diagn\u00f3stico e afirmam que a crise que est\u00e1 paralisando o pa\u00eds se deve, tamb\u00e9m, \u00e0 \u201cpratica do nepotismo, em ac\u00famulo \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o derivada da partidariza\u00e7\u00e3o crescente da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica, que sacrifica compet\u00eancia e m\u00e9rito\u201d.<\/p>\n<p>A crise do petr\u00f3leo \u2013 que veio evidenciar a enorme fragilidade da estrutura econ\u00f4mica deste pa\u00eds africano \u2013 tornou ainda mais graves as profundas desigualdades sociais em Angola e veio arrastar para a mais profunda pobreza de muitos setores da sociedade.<\/p>\n<p>Revelando a perplexidade perante esta situa\u00e7\u00e3o, os Bispos referem ainda a subida vertiginosa dos pre\u00e7os dos bens essenciais, com as consequ\u00eancias terr\u00edveis que isso representa para a popula\u00e7\u00e3o, e voltam a apontar para o poder pol\u00edtico: \u201cA falta de crit\u00e9rios no uso dos fundos p\u00fablicos, gastos exorbitantes e importa\u00e7\u00e3o de coisas sup\u00e9rfluas\u201d, s\u00e3o exemplo da gest\u00e3o pouco escrupulosa dos bens p\u00fablicos.<br \/>Pobreza preocupante<\/p>\n<p>De fato, a escassez de alimentos j\u00e1 est\u00e1 desencadeando sinais de revolta por parte de alguns setores da popula\u00e7\u00e3o, j\u00e1 se fala abertamente em casos de fome e de agita\u00e7\u00e3o social. Na prov\u00edncia do Cunene, por exemplo, uma das mais afetadas tamb\u00e9m por causa da enorme seca que flagela a regi\u00e3o, foi criada uma campanha, por um grupo de cidad\u00e3os, de recolha de alimentos e de \u00e1gua pot\u00e1vel para serem distribu\u00eddos \u00e0s popula\u00e7\u00f5es. A campanha, denominada \u201cSOS Cunene\u201d, procura minorar os efeitos devastadores da seca que atinge a regi\u00e3o desde 2011, agravada pela crise econ\u00f4mica que agora se faz sentir pela baixa dr\u00e1stica do pre\u00e7o do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>O agravamento \u201cpreocupante\u201d da pobreza em Angola, sublinhada na \u00faltima reuni\u00e3o da Confer\u00eancia Episcopal, \u00e9 apenas uma das notas de preocupa\u00e7\u00e3o dos prelados. No documento, a lideran\u00e7a do pa\u00eds \u00e9 ainda acusada de promover \u201catrasos salariais\u201d no setor p\u00fablico e privado, que, em conjunto com a \u201csubida vertiginosa dos pre\u00e7os\u201d dos bens essenciais, tem feito aumentar \u201cassustadoramente o abismo entre os cada vez mais pobres e os poucos que se apoderam das riquezas nacionais\u201d.<br \/>\u201cO que vimos e ouvimos\u201d<\/p>\n<p>A nota pastoral sobre a situa\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o com o t\u00edtulo \u201cO que vimos e ouvimos\u201d expressa a grande preocupa\u00e7\u00e3o dos bispos pelo aumento, \u201cde forma dram\u00e1tica\u201d do \u00edndice de mortalidade devido ao \u201cdescuido da Sa\u00fade P\u00fablica e preventiva\u201d. O documento sublinha as condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de vida que se refletem na falta de \u201csaneamento\u201d, de \u201chigiene p\u00fablica e privada\u201d, de distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua pot\u00e1vel e do \u201cacumulo de lixo\u201d, em especial nos meios urbanos, s\u00e3o tamb\u00e9m sinais preocupantes do colapso do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os bispos pedem \u201ca convers\u00e3o, uma autentica mudan\u00e7a de mentalidade e de comportamento\u201d, num ambiente de di\u00e1logo que n\u00e3o seja interpretado como \u201cataque \u00e0s institui\u00e7\u00f5es\u201d e \u00e0 ordem p\u00fablica, as an\u00e1lises e propostas que diversos setores da sociedade t\u00eam vindo a fazer, com \u201ccr\u00edticas bem fundadas e construtivas\u201d destinadas \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do bem comum.<br \/>R\u00e1dio Ecclesia<\/p>\n<p>Outro ponto sobre o qual os bispos querem chamar a aten\u00e7\u00e3o no seu documento tem a ver com a \u201cpreocupante a partidariza\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social que, por direito, devem estar ao servi\u00e7o de todos\u201d, destacando-se a \u201cdiscrimina\u00e7\u00e3o\u201d de que a R\u00e1dio Ecclesia \u2013 da Igreja \u2013 tem sido alvo por parte do poder pol\u00edtico, impedida de expandir as suas emiss\u00f5es, apesar de nascerem constantemente \u201cnovas r\u00e1dios\u201d sem se conhecerem \u201cas bases legais\u201d com que s\u00e3o criadas.<\/p>\n<p>Confinada a Luanda, a emissora cat\u00f3lica angolana parece estar a ser alvo de uma disfar\u00e7ada censura por parte das autoridades. No seguimento da reuni\u00e3o da Confer\u00eancia Episcopal, o seu vice-presidente, Jos\u00e9 Manuel Imbamba, afirmou, em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 Comunica\u00e7\u00e3o Social, que a impossibilidade legal de expans\u00e3o do sinal da R\u00e1dio Ecclesia resulta apenas da \u201cfalta de vontade pol\u00edtica\u201d do governo de Luanda, e que a Igreja, n\u00e3o sendo \u201cum partido da oposi\u00e7\u00e3o\u201d, nunca \u201cse calar\u00e1 perante viola\u00e7\u00f5es graves de direitos humanos\u201d.<br \/>Elei\u00e7\u00f5es em 2017<\/p>\n<p>O documento da Confer\u00eancia Episcopal Angolana surge numa altura particularmente sens\u00edvel na vida p\u00fablica angolana, com o julgamento, em Luanda, de 17 ativistas dos direitos humanos acusados de prepararem, segundo as autoridades, um Golpe de Estado contra o governo do MPLA \u2013 o partido no poder desde 1975 \u2013 e contra o presidente Jos\u00e9 Eduardo dos Santos, que exerce a mais alta magistratura do pa\u00eds h\u00e1 36 anos.<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es gerais marcadas para o pr\u00f3ximo ano, 2017, ganham assim uma import\u00e2ncia acrescida, com uma contesta\u00e7\u00e3o generalizada ao poder de Luanda e com sinais cada vez mais vis\u00edveis de deteriora\u00e7\u00e3o da vida econ\u00f3mica do pa\u00eds. Talvez consequ\u00eancia disso, o an\u00fancio, j\u00e1 em mar\u00e7o, de que o Presidente da Rep\u00fablica ir\u00e1 afastar-se definitivamente da vida p\u00fablica em 2018.<\/p>\n<p>Independentemente do que poder\u00e1 vir a acontecer nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es, a verdade \u00e9 que a vida \u00e9 cada vez mais insustent\u00e1vel para a esmagadora maioria da popula\u00e7\u00e3o angolana. Como os Bispos denunciaram, Angola \u00e9 um pa\u00eds dividido. Luanda continua a ser uma das cidades mais caras do mundo apesar de grande parte da sua popula\u00e7\u00e3o ter de sobreviver com menos de cinco reais por dia.<\/p>\n<p>&#8212;&#8211;<br \/>Angola: Pa\u00eds de contrastes<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria capital \u00e9 o retrato do pa\u00eds, com casas luxuosas, fortemente guardadas, onde vivem pessoas como que em o\u00e1sis de luxo, enquanto milhares de pessoas se amontoam em favelas de lata, numa desola\u00e7\u00e3o total.<\/p>\n<p>A crise petrol\u00edfera veio apenas agravar uma crise que j\u00e1 se tornou insustent\u00e1vel. Na Nota Pastoral, os Bispos d\u00e3o voz aos que parecem invis\u00edveis na sociedade angolana, apesar de serem a esmagadora maioria da popula\u00e7\u00e3o. A baixa repentina do pre\u00e7o do barril do petr\u00f3leo \u2013 a principal alavanca da economia do pa\u00eds &#8211; veio evidenciar a enorme crise social, pol\u00edtica e econ\u00f4mica que vive Angola.<\/p>\n<p>Mesmo que o pre\u00e7o do barril venha a subir num futuro pr\u00f3ximo \u2013 o que parece pouco prov\u00e1vel, segundos diversos analistas \u2013 provavelmente muita coisa ter\u00e1 de mudar neste pa\u00eds africano que conheceu a independ\u00eancia de Portugal em 1975 e viveu, desde ent\u00e3o e at\u00e9 2002, uma terr\u00edvel guerra civil que causou cerca de dois milh\u00f5es de mortos, 1,7 milh\u00f5es de refugiados e milhares de mutilados.<\/p>\n<p>A crise em que o pa\u00eds est\u00e1 hoje mergulhado e que merece a cr\u00edtica frontal da Igreja angolana \u00e9 ainda consequ\u00eancia desses tempos de guerra que vieram aumentar, \u201cassustadoramente\u201d, como dizem os bispos, \u201co abismo entre os cada vez mais pobres e os poucos que se apoderam das riquezas nacionais\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA Funda\u00e7\u00e3o Pontif\u00edcia Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre (ACN) apoiou a Igreja em Angola nos \u00faltimos 10 anos com mais de 16 milh\u00f5es de reais, distribu\u00eddos em uma variedade de necessidades. Ao redor de 30% dos projetos buscaram atender a necessidade de estruturas eclesiais para o servi\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o, tais como: capelas \u2013 que servem em muitas localidades tamb\u00e9m como escola para as pequenas comunidades \u2013, centros de recupera\u00e7\u00e3o para dependentes qu\u00edmicos, reabilita\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os que haviam sido nacionalizados e, ap\u00f3s o fim da guerra civil, foram devolvidos \u00e0 Igreja em m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es. Boa parte dos projetos ainda responderam \u00e0 necessidade de transporte para que os agentes de pastoral possam servir os mais necessitados, al\u00e9m da aten\u00e7\u00e3o \u00e0 forma\u00e7\u00e3o religiosa, em especial a prepara\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as, como as religiosas, os sacerdotes e os catequistas que s\u00e3o animadores de comunidades.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: AIS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Angola: Igreja denuncia agravamento da pobreza no pa\u00eds \u00c9 um diagn\u00f3stico pesado, em que os bispos angolanos denunciam o agravamento s\u00e9rio da pobreza e do aumento do custo de vida no pa\u00eds. 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