{"id":13930,"date":"2016-03-28T13:00:09","date_gmt":"2016-03-28T16:00:09","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/03\/28\/a-longa-estrada-de-emaus\/"},"modified":"2017-05-08T14:52:39","modified_gmt":"2017-05-08T17:52:39","slug":"a-longa-estrada-de-emaus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-longa-estrada-de-emaus\/","title":{"rendered":"A longa estrada de Ema\u00fas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Distante apenas 30 quil\u00f4metros de Jerusal\u00e9m, Ema\u00fas era um pequeno povoado nos arredores da cidade santa. Pouco ou nada se teria a falar desse lugarejo, n\u00e3o fosse o caminhar desolado e entristecido de dois disc\u00edpulos de Jesus, quando retornavam para suas casas ap\u00f3s presenciarem ao vivo os \u00faltimos acontecimentos daquela fat\u00eddica p\u00e1scoa. A paix\u00e3o e morte daquele que poderia \u201cresgatar Israel\u201d corro\u00eda suas almas e dilacerava seus sonhos. Era j\u00e1 o terceiro dia e a not\u00edcia do \u201cdesaparecimento\u201d do corpo daquele no qual depositaram tanta esperan\u00e7a encerrava um ciclo, n\u00e3o lhes restando sen\u00e3o aquele caminho de volta, aquela estrada sinuosa e ensolarada, que os devolvia \u00e0 realidade. O sonho e a esperan\u00e7a se dilu\u00edam mais uma vez.<br \/> Desciam de Jerusal\u00e9m \u2013 cidade onde o templo de Deus fincara suas ra\u00edzes hist\u00f3ricas e milenares \u2013 e retomavam o caminho de suas lidas di\u00e1rias. Os pr\u00edncipes e reis que ocupavam pal\u00e1cios e mans\u00f5es da santa cidade continuariam exercendo seus poderes de mando e desmando sobre um povo manietado. Pouco importava o simbolismo do templo santo. Suas leis continuariam fazendo sombra \u00e0s leis encerradas naquele templo e o Santo dos Santos \u2013 lugar sagrado que indicava a presen\u00e7a de Deus \u2013 n\u00e3o mais fazia sentido. O templo que seria derrubado e reconstru\u00eddo em tr\u00eas dias ainda era uma met\u00e1fora incompreens\u00edvel para aqueles cora\u00e7\u00f5es desiludidos, frustrados em suas expectativas de vida nova. Descer de Jerusal\u00e9m em tais circunst\u00e2ncias n\u00e3o era, com certeza, uma caminhada f\u00e1cil. Talvez fosse esse o trajeto mais longo de suas exist\u00eancias&#8230;<br \/> Mas eis que uma terceira pessoa se junta a eles. Ouve suas lam\u00farias, entende suas preocupa\u00e7\u00f5es, conhece seus dilemas&#8230; Pobres disc\u00edpulos que fiaram em palavras apenas e estavam cegos para os mist\u00e9rios das muitas verdades ainda nebulosas em seus cora\u00e7\u00f5es! \u201cComo voc\u00eas custam para entender, e como demoram em acreditar em tudo o que os profetas falaram!\u201d, foi a primeira observa\u00e7\u00e3o daquele estranho companheiro de jornada.\u00a0 O mesmo que refizera aquele caminho de forma inversa, \u201csubindo\u201d para Jerusal\u00e9m, onde cumpriria \u201ctudo o que os profetas haviam dito\u201d, ou seja: sua entrega total e submissa, para que \u201cse cumprissem as escrituras\u201d. Mas os disc\u00edpulos estavam cegos, exigiam mais. As palavras daquele \u201cestranho\u201d lhes soavam familiares e aliviavam seus cora\u00e7\u00f5es conturbados. Por isso, pediram: \u201cFica conosco, pois j\u00e1 \u00e9 tarde e a noite vem chegando\u201d. <br \/> Essa \u00e9 nossa estrada, nosso caminho na cruenta realidade que nos cerca. Caminho longo e pedregoso, com certeza, mas que alivia os p\u00e9s cansados daqueles que se deixam contagiar pela doutrina do nazareno. Muitos s\u00f3 encontram espinhos e decep\u00e7\u00f5es diante da realidade que os cerca. O mundo nos condena, como um dia condenou nosso mestre. Levar adiante nossa f\u00e9 e aceitar sua ressurrei\u00e7\u00e3o como fato consumado \u00e9 deveras um desafio. Uma realidade al\u00e9m das possibilidades de compreens\u00e3o daqueles que est\u00e3o distantes de uma experi\u00eancia pessoal com Cristo, de uma caminhada aberta \u00e0s suas promessas e revela\u00e7\u00f5es. \u201cFica conosco\u201d \u2013 \u00e9 o apelo dos que se familiarizaram com seus ensinamentos e hoje o reconhecem no simples gesto da partilha. Partilha que \u00e9 tamb\u00e9m revela\u00e7\u00e3o. A estrada de Ema\u00fas \u00e9 o \u00fanico caminho que nos resta, se desejarmos que nossa longa estrada n\u00e3o seja uma via de m\u00e3o \u00fanica, mas um caminho de revela\u00e7\u00f5es. A vida \u00e9 essa estrada. As li\u00e7\u00f5es daquele \u201cestranho companheiro\u201d, s\u00f3 elas, \u00e9 que poder\u00e3o preencher nossas incertezas e deixar \u201cnosso cora\u00e7\u00e3o ardendo\u201d quando ele nos fala neste caminho. Ent\u00e3o, quando soubermos partilhar esse mist\u00e9rio com alegria e destemor diante das l\u00f3gicas do mundo, mais uma vez, poderemos reconhecer Jesus que caminha conosco nesta estrada. Fica conosco, Senhor!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Distante apenas 30 quil\u00f4metros de Jerusal\u00e9m, Ema\u00fas era um pequeno povoado nos arredores da cidade santa. 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