{"id":13896,"date":"2016-03-23T15:08:05","date_gmt":"2016-03-23T18:08:05","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/03\/23\/contra-a-crise-desliguem-seus-celulares\/"},"modified":"2017-05-31T11:18:32","modified_gmt":"2017-05-31T14:18:32","slug":"contra-a-crise-desliguem-seus-celulares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/contra-a-crise-desliguem-seus-celulares\/","title":{"rendered":"Contra a crise, desliguem seus celulares"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/bomb-no-phone.png\" border=\"0\" align=\"left\" \/>O incr\u00edvel grau de irrealismo das autoridades diante da pr\u00f3pria ess\u00eancia do mundo em que vivemos: a crise<\/p>\n<p>O terrorista Salah Abdeslam foi o mentor dos atentados que mataram 130 pessoas em Paris no dia 13 de novembro de 2015. Ele se tornou, por causa desse crime covarde, a pessoa mais procurada pela pol\u00edcia na Europa.<\/p>\n<p>Em 18 de mar\u00e7o de 2016, ele finalmente foi preso \u2013 depois de quatro meses solto, escondido no mesmo bairro de Bruxelas em que sempre tinha morado, driblando a pol\u00edcia da B\u00e9lgica e da Fran\u00e7a embaixo de seus narizes e planejando novos atentados junto com seus c\u00famplices igualmente desimpedidos.<\/p>\n<p>Planejando e executando: em 22 de mar\u00e7o, quatro dias ap\u00f3s sua pris\u00e3o, o terror arquitetado por ele a servi\u00e7o do grupo fan\u00e1tico Estado Isl\u00e2mico feriu de morte a pr\u00f3pria Bruxelas em ataques simult\u00e2neos no metr\u00f4 e no aeroporto. Foram assassinadas mais 34 pessoas na longa lista de v\u00edtimas de uma guerra que materializa a pr\u00f3pria ess\u00eancia do conceito de guerra levado \u00e0 plenitude do seu significado: pura e simplesmente, a aus\u00eancia da paz a troco de mais nada.<\/p>\n<p>E o que as autoridades belgas, nesse mesmo dia terr\u00edvel, pediram que a popula\u00e7\u00e3o fizesse?<\/p>\n<p>Pediram que a popula\u00e7\u00e3o parasse de fazer liga\u00e7\u00f5es com seus telefones celulares porque as redes de telefonia estavam saturadas.<\/p>\n<p>Parece altamente improv\u00e1vel que seja este o tipo de declara\u00e7\u00e3o que um pa\u00eds atacado por terroristas deseje ouvir das autoridades que foram eleitas (e que s\u00e3o pagas) basicamente para cuidar da seguran\u00e7a e da ordem nacional.<\/p>\n<p>Quando a seguran\u00e7a e a ordem s\u00e3o violentamente quebradas, o que se espera daqueles que t\u00eam o dever de mant\u00ea-las \u00e9 que apresentem de imediato e com efic\u00e1cia o plano previamente tra\u00e7ado para restitu\u00ed-las \u2013 e n\u00e3o que solicitem ina\u00e7\u00e3o e expectativa passiva por parte dos afetados por essa quebra.<\/p>\n<p>Generalizando um pouco (mas bem pouco), podemos sentenciar que as autoridades n\u00e3o s\u00f3 da B\u00e9lgica, mas do mundo inteiro, t\u00eam dado mostras de que n\u00e3o sabem o que fazer nos casos de crise. De qualquer crise: terrorista, b\u00e9lica, humanit\u00e1ria, financeira, econ\u00f4mica, pol\u00edtica, social, partid\u00e1ria, jur\u00eddica (para n\u00e3o entrar, por um pouco de miseric\u00f3rdia, no campo das crises morais, \u00e9ticas, filos\u00f3ficas, existenciais\u2026).<\/p>\n<p>Acontece que a \u201ccrise\u201d \u00e9, simplesmente, a din\u00e2mica natural da exist\u00eancia no tempo e no espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Tratamos o termo \u201ccrise\u201d, erradamente, como se ele indicasse uma exce\u00e7\u00e3o dentro de um quadro de ordem \u2013 na realidade, a ordem \u00e9 que \u00e9 a exce\u00e7\u00e3o dentro do natural quadro de crise.<\/p>\n<p>A crise \u00e9 cont\u00ednua, din\u00e2mica e evolutiva. A \u201cnormalidade\u201d da exist\u00eancia num mundo espa\u00e7o-temporal \u00e9 a crise. A configura\u00e7\u00e3o dos cen\u00e1rios de tempo e espa\u00e7o em que vivemos est\u00e1 sempre em transforma\u00e7\u00e3o, de todos os pontos de vista: o universo n\u00e3o est\u00e1 parado, mas se expandindo; o planeta n\u00e3o est\u00e1 parado, nem s\u00f3 girando placidamente em torno do sol e de si mesmo, mas se convulsionando \u201cpor dentro\u201d, na sua constitui\u00e7\u00e3o material, ininterrupta e imprevisivelmente; a mesma natureza que poeticamente cantamos como harmonia e serenidade responde aos nossos versos com furac\u00f5es, terremotos, erup\u00e7\u00f5es, tsunamis, epidemias, degenera\u00e7\u00e3o celular, doen\u00e7a, dor e morte; as sociedades v\u00e3o e v\u00eam para frente, para tr\u00e1s, para os lados e em c\u00edrculos ao mesmo tempo e o tempo todo.<\/p>\n<p>Em dez mil anos de sociedade humana poder\u00edamos muito bem ter percebido esta realidade com um pouco mais de clareza, n\u00e3o?<\/p>\n<p>O que se espera das assim chamadas \u201cautoridades\u201d \u00e9, antes de qualquer coisa, que enxerguem a realidade do jeito que ela \u00e9 e n\u00e3o do jeito que as ideologias tentam mold\u00e1-la, mediante teses que a pr\u00e1tica pisoteia implacavelmente.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que as sociedades e os indiv\u00edduos podem e devem aspirar a um maior controle da din\u00e2mica viva das crises cont\u00ednuas, bem como \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o, tanto quanto poss\u00edvel, de certos \u201co\u00e1sis espa\u00e7o-temporais\u201d de quietude em meio aos sacolejos, tantas vezes violentos, que impulsionam a exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o se consegue chegar a esse ideal cen\u00e1rio de \u201cgest\u00e3o da crise\u201d sem antes reconhecer que o mundo material \u00e9 praticamente feito de crise \u2013 e que essa din\u00e2mica n\u00e3o pode ser extinta sem que se extinga com ela a exist\u00eancia mesma do mundo material.<\/p>\n<p>No caso espec\u00edfico do terrorismo que vem apavorando a Europa, bem como da sua liga\u00e7\u00e3o com o fen\u00f4meno impar\u00e1vel da migra\u00e7\u00e3o, a miopia das autoridades (e de um n\u00famero nada surpreendente de cidad\u00e3os) foca em tentar \u201cbloquear\u201d as din\u00e2micas imbloque\u00e1veis que comp\u00f5em a ess\u00eancia do existir. Perdem tempo e bilh\u00f5es de euros querendo proibir seres humanos de se locomoverem, se misturarem e se influenciarem mutuamente, o que s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 mais imposs\u00edvel do que est\u00fapido, j\u00e1 que os seres humanos necessariamente se locomovem, se misturam e se influenciam mutuamente. \u00c9 berrante que est\u00e1 predestinada ao fracasso essa pretens\u00e3o irracional de tornar est\u00e1tico aquilo que n\u00e3o pode n\u00e3o ser din\u00e2mico.<\/p>\n<p>A atitude sensata diante da crise em constante manifesta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a de impedir o dinamismo da exist\u00eancia de se impor aos seres existentes, mas sim a de lidar com a din\u00e2mica da exist\u00eancia seguindo a sua regra mais b\u00e1sica, natural e, esta sim, \u201cimut\u00e1vel\u201d: a adapta\u00e7\u00e3o cont\u00ednua. \u00c9 preciso adaptar-se ao fato impositivo da migra\u00e7\u00e3o humana, da conviv\u00eancia entre pessoas de diferentes contextos culturais, dos benef\u00edcios que essa din\u00e2mica traz consigo e dos riscos que ela envolve quando os contextos culturais entram em choque (ou seja, quase sempre).<\/p>\n<p>Ou se perde tempo e dinheiro tentando em v\u00e3o impedir a din\u00e2mica da realidade ou se investe tempo e dinheiro adaptando-se a ela com a mais eficiente combina\u00e7\u00e3o poss\u00edvel entre ordem humanamente constru\u00edda e caos naturalmente destruidor.<\/p>\n<p>\u201cMas isso \u00e9 dif\u00edcil!\u201d. Oh, n\u00e3o me diga!<\/p>\n<p>Diante deste desafio, pedir que as pessoas parem de fazer liga\u00e7\u00f5es no dia em que elas mais querem e precisam fazer liga\u00e7\u00f5es \u00e9 acionar um alerta vermelho mais assustador que o terrorismo \u2013 porque \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o expl\u00edcita de que n\u00e3o se entendeu nada sobre o que est\u00e1 acontecendo e menos ainda sobre o que pode (e vai) acontecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O incr\u00edvel grau de irrealismo das autoridades diante da pr\u00f3pria ess\u00eancia do mundo em que vivemos: a crise O terrorista Salah Abdeslam foi o mentor dos atentados que mataram 130 pessoas em Paris no dia 13 de novembro de 2015. 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