{"id":13872,"date":"2016-03-22T16:47:51","date_gmt":"2016-03-22T19:47:51","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/03\/22\/acabar-com-a-desigualdade-social\/"},"modified":"2017-05-08T14:59:40","modified_gmt":"2017-05-08T17:59:40","slug":"acabar-com-a-desigualdade-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/acabar-com-a-desigualdade-social\/","title":{"rendered":"Acabar com a desigualdade social"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAs quatro pessoas mais ricas do mundo&#8230; controlam uma fortuna maior do que a dos 57 pa\u00edses mais pobres do mundo\u201d (1).<br \/>Segundo a organiza\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica Oxfam, as 37 milh\u00f5es de pessoas que comp\u00f5em o 1% mais rico da popula\u00e7\u00e3o mundial det\u00e9m mais riquezas do que todo o resto do mundo junto. Al\u00e9m disso, a riqueza da metade mais pobre da humanidade diminuiu um trilh\u00e3o de d\u00f3lares nos \u00faltimos cinco anos. \u201cEssa \u00e9 apenas a evid\u00eancia mais recente de que vivemos atualmente em um mundo caracterizado por n\u00edveis de desigualdade n\u00e3o registrados h\u00e1 mais de um s\u00e9culo\u201d, afirma o estudo, divulgado no come\u00e7o do ano, e baseado no relat\u00f3rio anual sobre a riqueza mundial do banco Credit Suisse. Apesar de reconhecer os avan\u00e7os que ajudaram a reduzir o n\u00famero de pessoas que vivem abaixo da linha de extrema pobreza pela metade, entre 1990 e 2010, a organiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ressalta que, se a desigualdade dentro dos pa\u00edses n\u00e3o tivesse aumentado no mesmo per\u00edodo, outros 200 milh\u00f5es de pessoas teriam sa\u00eddo da pobreza. \u201cA desigualdade da qual falamos implica a exist\u00eancia de milh\u00f5es de pessoas mais vulner\u00e1veis do mundo lutando para sobreviver com menos de dez centavos de d\u00f3lar ao dia\u201d, destaca a assessoria da Oxfam em entrevista \u00e0 Revista Cidade Nova. Esse n\u00famero poderia ter chegado a 700 milh\u00f5es se as pessoas em situa\u00e7\u00e3o de pobreza fossem mais beneficiadas pelo crescimento econ\u00f4mico do que os ricos. No Brasil, a assessoria aponta que, \u201ca desigualdade de renda ainda \u00e9 extremamente elevada\u201d. De acordo com o relat\u00f3rio, a renda\u00a0 dos 50% mais pobres mais do que dobrou em termos reais entre 1988 e 2011, quando cresceu a uma taxa ligeiramente mais acelerada que a dos 10% mais ricos. (2).<br \/> \u201cEm qualquer sociedade, os ricos e poderosos v\u00e3o acumular poder com o tempo e usar\u00e3o seu acesso privilegiado ao sistema pol\u00edtico para protegerem a si mesmos\u201d, afirma Francis Fukuyama, cientista pol\u00edtico americano, autor de O Fim da Hist\u00f3ria (4).<br \/>Da\u00ed a necessidade do Estado em usar crit\u00e9rios para legislar impostos sobre os mais ricos. Tais impostos rumo a uma dire\u00e7\u00e3o em prol da ajuda aos jovens e obras sociais. Impostos tamb\u00e9m sobre os imp\u00e9rios religiosos e seus aglomerados empresariais. Todo dinheiro de corrup\u00e7\u00e3o, do tr\u00e1fico de drogas e de qualquer outro crime, como tamb\u00e9m os bens materiais adquiridos fora lei, tudo isso seriam usados para acabar com a desigualdade social.<br \/>AJUDAR OS JOVENS<br \/>Corria o ano de 1993 e o jovem estudante franc\u00eas Thomas Piketty frequentava as aulas do renomado mestre Anthony Atkinson, na London School of Economics. O tema: distribui\u00e7\u00e3o de renda e desigualdade econ\u00f4mica. Vinte anos depois, Atkinson ajudou seu ex-pupilo a produzir o monumental banco de dados que Piketty usou para escrever seu j\u00e1 c\u00e9lebre livro O Capital no S\u00e9culo XXI. Atkinson, considerado o pai dos estudos sobre desigualdade econ\u00f4mica, se debru\u00e7a sobre o tema desde 1966, quando se formou em Cambridge. Autor de dezenas de livros sobre o tema e parceiro de nomes como Joseph Stiglitz e Paul Krugman, Atkinson acaba de lan\u00e7ar o livro Desigualdade: o que pode ser feito? Ele afirma que \u201ccabe aos governos definir suas prioridades. Combater a desigualdade, segundo ele, deveria ser a primeira da lista\u201d.<br \/>Atkinson declara: \u201cA maior trag\u00e9dia da crescente desigualdade \u00e9 que ela faz cada vez mais pessoas ter um ponto de partida na vida muito distante do de outros. H\u00e1 poucas pessoas muito privilegiadas e algumas privilegiadas, e estas pessoas sempre v\u00e3o levar vantagens sobre a larga maioria que n\u00e3o tem um ponto de partida para suas vidas. Reduzir a desigualdade de oportunidades \u00e9 essencial para termos uma sociedade mais justa. Se n\u00e3o deixamos que bancos quebrem, por que deixar que pessoas fiquem sem emprego e sem uma renda m\u00ednima? Garantir empregos para os mais jovens \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o positiva no aspecto fiscal porque pode permitir que o governo reduza gastos com pol\u00edticos de bem-estar social. Eu proponho crit\u00e9rios para a concess\u00e3o desses empregos, em especial para os jovens, que poderiam escolher entre a garantia de emprego e uma esp\u00e9cie de ajuda financeira a partir dos 18 anos, para educa\u00e7\u00e3o em tempo integral, at\u00e9 terminar os estudos. Isso n\u00e3o \u00e9 um subs\u00eddio, \u00e9 um investimento\u201d (3).<br \/>O fil\u00f3sofo grego Plat\u00e3o afirmou: \u201cDe todos os animais selvagens, o homem jovem \u00e9 o mais dif\u00edcil de domar\u201d. Da\u00ed toda uma engenharia de investimentos para o bem-estar dos jovens. Que vai da educa\u00e7\u00e3o fundamental \u00e0 conquista espacial. Do envolvimento no campo esportivo \u00e0 zona rural. Explorar a vasta zona rural com cursos t\u00e9cnicos ambientais na ci\u00eancia da sustentabilidade. O Brasil com a sua dimens\u00e3o continental tem espa\u00e7o para o futuro glorioso da juventude e de todo o seu povo. A meta \u00e9 investir de forma colossal na educa\u00e7\u00e3o. A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 tudo para acabar com a vergonha da desigualdade social. Raiz motriz para todo investimento.<br \/>Pe. In\u00e1cio Jos\u00e9 do Vale<br \/>Professor, escritor e conferencista<br \/>Soci\u00f3logo em Ci\u00eancia da Religi\u00e3o<br \/>Religioso dos Irm\u00e3ozinhos da Visita\u00e7\u00e3o de Charles de Foucauld<br \/>E-mail: pe.inacio.jose@gmail.com<br \/>Notas:<br \/>(1)\u00a0\u00a0\u00a0 FOREIGN POLICY, janeiro\/fevereiro de 2011, EUA.<br \/>(2)\u00a0\u00a0\u00a0 Cidade Nova, mar\u00e7o de 2016, p.18.<br \/>(3)\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9poca, 22\/02\/2016, pp. 44 e 46.<br \/>(4)\u00a0\u00a0\u00a0 Ultimato, setembro\/outubro de 2013, p.14.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cAs quatro pessoas mais ricas do mundo&#8230; controlam uma fortuna maior do que a dos 57 pa\u00edses mais pobres do mundo\u201d (1).Segundo a organiza\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica Oxfam, as 37 milh\u00f5es de pessoas que comp\u00f5em o 1% mais rico da popula\u00e7\u00e3o mundial det\u00e9m mais riquezas do que todo o resto do mundo junto. 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