{"id":13857,"date":"2016-03-21T13:28:27","date_gmt":"2016-03-21T16:28:27","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/03\/21\/o-deicidio-e-o-delator\/"},"modified":"2017-05-08T15:00:35","modified_gmt":"2017-05-08T18:00:35","slug":"o-deicidio-e-o-delator","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-deicidio-e-o-delator\/","title":{"rendered":"O deic\u00eddio e o delator"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Por favor, n\u00e3o mudem o t\u00edtulo, nem o leiam de outra forma. \u00c9 isso mesmo, o deic\u00eddio humano provocou a maior hecatombe da nossa hist\u00f3ria. Mas tamb\u00e9m possibilitou nossa reden\u00e7\u00e3o. Mas tamb\u00e9m a possibilidade da ressurrei\u00e7\u00e3o, quando a v\u00edtima que carregou consigo todos os nossos pecados, ressurgiu da morte e reacendeu nossa esperan\u00e7a. Falo, sim, do Cristo tra\u00eddo, entregue por um delator, cuja paix\u00e3o e morte nos possibilitou purificar uma vida de trevas e desilus\u00f5es e ver ressurgir de seu t\u00famulo uma nova expectativa de vida. Se Cristo n\u00e3o ressuscitasse, v\u00e3 seria nossa f\u00e9, j\u00e1 dizia o ap\u00f3stolo. <br \/> Deic\u00eddio, portanto, \u00e9 o ato ou efeito de se matar Deus. Como se isso fosse normal! Um homic\u00eddio se pratica contra um semelhante; um patric\u00eddio contra o pr\u00f3prio pai; um fratric\u00eddio, contra um irm\u00e3o. Nisso tudo somos doutores. A todo instante falsos ju\u00edzes humanos se acham deuses e pensam fazer justi\u00e7a com as pr\u00f3prias m\u00e3os, atentando contra a vida de iguais. Mas seria poss\u00edvel matar Deus? Foi. E o fizemos com a ajuda de um delator, um traidor do meio do povo. Praticamos o deic\u00eddio do amor total.<br \/> Ironias \u00e0 parte, o crime de Jerusal\u00e9m continua a ser praticado em nossos dias. A cada atitude de prepot\u00eancia, a cada conluio contra o direito, a dignidade, o bem-estar ou pensamento moral, pol\u00edtico e religioso desrespeitado, tiramos a divina liberdade daqueles que se op\u00f5em aos nossos interesses. Esse \u00e9 o jogo do individualismo, do partidarismo com cartas marcadas, do fanatismo cego e intransigente. Nesse clima de discord\u00e2ncia e intoler\u00e2ncia morreu Jesus.<br \/> Matamos Deus. N\u00e3o porque sua doutrina atrapalha os escusos interesses de uma minoria. Continuamos nossos atos deicidas quando o jogo de interesses que nos governa fala mais alto do que a cristalina verdade da justi\u00e7a divina. Manter nossos privil\u00e9gios e desdenhar das car\u00eancias do outro, do grito dos oprimidos, das vozes que clamam por justi\u00e7a, igualdade, fraternidade \u00e9 matar Deus dentro de n\u00f3s. Um crime coletivo, j\u00e1 que isoladamente nenhum ser humano seria t\u00e3o petulante. Quem matou Jesus foi um conluio pol\u00edtico. Tamb\u00e9m religioso. Uma na\u00e7\u00e3o inteira pode repetir esse crime, se n\u00e3o atentar para as artimanhas pol\u00edtico-sociais que a governam. \u00c9 preciso clareza de esp\u00edrito nestas circunst\u00e2ncias. \u00c9 preciso f\u00e9 nos revezes de uma crise que desconhece (ou teima em n\u00e3o enxergar) a verdade de um momento.<br \/> Um delator nem sempre \u00e9 simp\u00e1tico no conceito popular. Judas entrou para a hist\u00f3ria com seu beijo ir\u00f4nico e ambicioso. Pensava nas trinta moedas. Silv\u00e9rio dos Reis tinha interesses pol\u00edticos ao denunciar Tiradentes, o vision\u00e1rio salvador de nossa p\u00e1tria. Assim outros traidores, cuja a\u00e7\u00e3o delatora manchou suas biografias com o sangue de um amigo tra\u00eddo. Mas, ironicamente, acabaram contribuindo para um bem maior. A reden\u00e7\u00e3o, de uma forma ou de outra, vem a priori, revestida pela vit\u00f3ria da verdade.<br \/> \u00c9 isso o que celebramos nesta santa semana. Um crime de lesa-p\u00e1tria n\u00e3o pode ser atribu\u00eddo apenas aos dirigentes de um povo. A manipula\u00e7\u00e3o popular e a cegueira do povo foram os elementos que mais contribu\u00edram para a condena\u00e7\u00e3o de Jesus. Continuam sendo. Se n\u00e3o atentarmos para esses detalhes hist\u00f3ricos, continuaremos a praticar o deic\u00eddio contra nossa reden\u00e7\u00e3o, pois quando extirpamos Deus e sua justi\u00e7a jogamos fora nossas possibilidades de reden\u00e7\u00e3o. Matar Deus \u00e9 jogar no lixo sua doutrina e promessas de vida nova. Se quisermos que sua Justi\u00e7a e miseric\u00f3rdia ainda brilhem e \u201cfa\u00e7am novas todas as coisas\u201d, precisamos de um novo olhar sobre aquele t\u00famulo do passado. Ficou vazio. A vit\u00f3ria sobre a morte \u00e9 coisa de Deus. Nunca conseguiremos mat\u00e1-lo, extirp\u00e1-lo do nosso meio. Essa \u00e9 nossa certeza, nossa esperan\u00e7a. A ressurrei\u00e7\u00e3o ainda h\u00e1 de vir para todos n\u00f3s. At\u00e9 para asquerosos delatores. Porque, de certa forma, um delator \u00e9 tamb\u00e9m profeta, quando faz sua den\u00fancia em fun\u00e7\u00e3o de um an\u00fancio. Do caos tamb\u00e9m pode emergir vida nova.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por favor, n\u00e3o mudem o t\u00edtulo, nem o leiam de outra forma. \u00c9 isso mesmo, o deic\u00eddio humano provocou a maior hecatombe da nossa hist\u00f3ria. Mas tamb\u00e9m possibilitou nossa reden\u00e7\u00e3o. Mas tamb\u00e9m a possibilidade da ressurrei\u00e7\u00e3o, quando a v\u00edtima que carregou consigo todos os nossos pecados, ressurgiu da morte e reacendeu nossa esperan\u00e7a. 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