{"id":13850,"date":"2016-03-18T18:56:58","date_gmt":"2016-03-18T21:56:58","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/03\/18\/o-brasil-atravessa-um-dificil-momento-de-crise-politica-institucional-e-etica\/"},"modified":"2017-05-31T11:24:09","modified_gmt":"2017-05-31T14:24:09","slug":"o-brasil-atravessa-um-dificil-momento-de-crise-politica-institucional-e-etica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-brasil-atravessa-um-dificil-momento-de-crise-politica-institucional-e-etica\/","title":{"rendered":"O Brasil atravessa um dif\u00edcil momento de crise pol\u00edtica, institucional e \u00e9tica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/dom-orani-tempesta.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>A reflex\u00e3o do cardeal Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro<\/p>\n<p>O presidente do conselho, Dom Orani Jo\u00e3o Tempesta, conduz debate sobre a possibilidade de flexibiliza\u00e7\u00e3o do hor\u00e1rio do programa radiof\u00f4nico A Voz do Brasil Foto: Geraldo Magela\/Ag\u00eancia Senado<\/p>\n<p>Compartilhamos a seguir o texto em que dom Orani Tempesta, cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, nos convida a refletir sobre o momento brasileiro.<\/p>\n<p>O Brasil atravessa um dif\u00edcil momento de crise pol\u00edtica, institucional e \u00e9tica, que n\u00e3o deixa indiferente ningu\u00e9m de n\u00f3s. Ao contr\u00e1rio, pede-nos ora\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o. Se de um lado h\u00e1 um despertar das pessoas para agir na sociedade, de outro h\u00e1 tamb\u00e9m situa\u00e7\u00f5es de conflitos preocupantes. Ao querer o bem do pa\u00eds, devemos procurar faz\u00ea-lo bem tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Em tempos de tantas situa\u00e7\u00f5es an\u00f4malas e tensas, ao mesmo tempo em que nos cabe manifestar nossas opini\u00f5es, somos chamados tamb\u00e9m a encontrar caminhos de solu\u00e7\u00e3o. Eis o grande desafio que se imp\u00f5e nesse momento \u00e0 nossa p\u00e1tria!<\/p>\n<p>Em tempos como estes, os homens da Igreja s\u00e3o chamados a dar uma palavra de apoio e incentivo a todos os filhos e filhas desta amada na\u00e7\u00e3o que \u2013 queiramos ou n\u00e3o \u2013 nasceu sob o signo da Cruz do \u00fanico e divino Redentor do g\u00eanero humano. Ele, sem deixar de ser Deus, se fez homem igual a n\u00f3s em tudo, menos no pecado, na plenitude dos tempos (cf. Gl 4,4). A hist\u00f3ria \u00e9 inexor\u00e1vel. Pode ser reinterpretada, nunca, por\u00e9m, negada por quem quer que seja.<\/p>\n<p>Essas ra\u00edzes religiosas d\u00e3o base \u00e0 unidade nacional de Norte a Sul, de Leste a Oeste, sempre dentro do respeito \u00e0s diferentes denomina\u00e7\u00f5es religiosas ou mesmo \u00e0s pessoas ou grupos que afirmam n\u00e3o ter religi\u00e3o. \u00c9 a unidade nacional na pluralidade de pensamentos. Isso constitui um Estado que se confessa laico no sentido exato do termo, mas n\u00e3o laicista, ou seja, aquela Na\u00e7\u00e3o que, sob a apar\u00eancia de laicidade, persegue as institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o concordes com o seu modo de pensar ou, pior, com a linha ideol\u00f3gica do seu governo. Isso caracterizaria um tipo de intoler\u00e2ncia que o pr\u00f3prio povo jamais toleraria.<\/p>\n<p>\u00c9 certo, como a Igreja entende desde o distante pontificado do Papa Le\u00e3o XIII (1878-1903), que a chamada quest\u00e3o social jamais ser\u00e1 resolvida se nos esquecermos dos valores humanos e evang\u00e9licos, pois ela \u00e9 uma quest\u00e3o do homem e da mulher dos nossos tempos com fome e sede do Absoluto ou de Deus, sem o qual tudo o mais parece sem sentido. Da\u00ed dizer aquele Papa o seguinte: \u201cAlguns professam a opini\u00e3o, assaz vulgarizada, de que a quest\u00e3o social, como se diz, \u00e9 somente econ\u00f4mica; ao contr\u00e1rio, por\u00e9m, a verdade \u00e9 que ela \u00e9 principalmente moral e religiosa e, por este motivo, deve ser resolvida em conformidade com as leis da moral e da religi\u00e3o\u201d (enc\u00edclica Graves de communi, 18\/01\/1901).<\/p>\n<p>Em outras palavras, seguindo a sabedoria bimilenar da Igreja, n\u00e3o se pode fazer verdadeira reforma social sem, antes de tudo, transformar o cora\u00e7\u00e3o humano em um cora\u00e7\u00e3o que ama o pr\u00f3ximo antes de amar a si. Mais: faz isso por amor de Deus e n\u00e3o por mera filantropia. Qualquer reforma social que n\u00e3o parta da pr\u00f3pria reforma interior de cada um de n\u00f3s est\u00e1 sujeita aos mais vergonhosos fracassos, como j\u00e1 ficou comprovado em diversos pa\u00edses que tentaram destronar Deus para colocar em Seu lugar qualquer outra coisa ou pessoa no campo social e pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Um dos princ\u00edpios b\u00e1sicos de todo povo civilizado, que se preze de ter esse adjetivo, tem de ser o respeito \u00e0 vida desde a sua concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 o seu natural ocaso. Afinal, que credibilidade teria quem dissesse defender os mais fragilizados, mas advogasse \u2013 inclusive oficialmente em um programa pol\u00edtico ou legislativo \u2013 a morte dos mais inermes e indefesos, como s\u00e3o os nascituros no ventre de suas m\u00e3es? Ainda: como poderia ser chamado de civilizado um pa\u00eds no qual \u00e9 roubada a dignidade de viver dos idosos a cambalearem pelas filas de alguns \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos de sa\u00fade ou mesmo em hospitais ou institui\u00e7\u00f5es semelhantes?<\/p>\n<p>Como poderia ser tida por avan\u00e7ada uma sociedade que, por meio de suas autoridades maiores e contra o sentimento do povo, investisse pesadamente contra a fam\u00edlia, c\u00e9lula m\u00e3e da vida social e cultural? \u00c9 na fam\u00edlia que se aprendem os primeiros passos da f\u00e9, da honestidade, da partilha (e n\u00e3o do tirar vantagem, especialmente com o que \u00e9 do outro), do amor, enfim, dos valores humanos e crist\u00e3os necess\u00e1rios para a vida saud\u00e1vel em comunidade. Tentar quebrar essa institui\u00e7\u00e3o querida por Deus \u00e9 desejar destruir a sociedade a partir de seus alicerces.<\/p>\n<p>Ora, sem o respeito \u00e0 religi\u00e3o, \u00e0 vida e \u00e0 fam\u00edlia n\u00e3o se pode, de modo algum, construir uma sociedade verdadeiramente pr\u00f3spera e respeit\u00e1vel. Todos os artif\u00edcios de progresso ser\u00e3o uma quimera, que cedo ou tarde acabar\u00e3o por ruir. Seu alicerce est\u00e1 sobre a areia movedi\u00e7a e n\u00e3o sobre a Rocha firme que \u00e9 Deus, criador de tudo e desejoso do bem dos seus filhos e filhas. Os caminhos que n\u00e3o respeitam a f\u00e9 do povo e seus valores acabam por desencadear em situa\u00e7\u00f5es irrespir\u00e1veis.<\/p>\n<p>A falta de \u00e9tica na vida p\u00fablica, especialmente no exerc\u00edcio de um mandato p\u00fablico eletivo, neste caso, \u00e9 mera consequ\u00eancia. \u00c9 triste, mas n\u00e3o assusta a quem reflita um pouco. Sim, se n\u00e3o se respeita a f\u00e9 alheia, a vida, a fam\u00edlia etc., que se pode mais esperar? O triunfo ou o fracasso? Esperemos que n\u00e3o seja necess\u00e1rio cantar como a \u00f3pera Nabucco de Verdi: \u201c\u00d3 minha p\u00e1tria, t\u00e3o bela e perdida\u201d, que foi o hino patri\u00f3tico dos italianos no final do s\u00e9culo XIX. Mas o Salmo a que isso se refere (137) coloca sua confian\u00e7a no Senhor: \u201cLembra-te, Senhor!\u201d<\/p>\n<p>Ausente de Deus, na pr\u00e1tica a pessoa se julga um deus acima de tudo e de todos, e exige para si prerrogativas especiais acima dos demais seres humanos comuns. \u00c9 a loucura de alguns governantes que, ao longo da hist\u00f3ria, atribu\u00edram a si mesmos, inclusive, poderes divinos, ou se faziam adorar pelo povo.<\/p>\n<p>Haver\u00e1 espa\u00e7o para a \u00e9tica a\u00ed, a n\u00e3o ser aquela \u201c\u00e9tica\u201d que leva a tirar vantagens de tudo em nome dos que mais necessitam e, pior, \u00e0 custa deles? A lei, no caso, ser\u00e1 igual para todos, menos para alguns privilegiados? Ter\u00edamos dois pesos e duas medidas: na hora que conv\u00e9m, invocar-se-ia a Constitui\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds, quando n\u00e3o conv\u00e9m, se fariam cr\u00edticas ferrenhas a essa mesma Lei Maior? Lembremo-nos, por\u00e9m, de que o comum n\u00e3o \u00e9 o normal na vida das pessoas. O sonho desmedido e perpetuado de poder n\u00e3o combina com democracia e com progresso em nenhuma parte do mundo.<\/p>\n<p>Um Estado que se pretendesse totalit\u00e1rio, sufocador e abocanhador das demais institui\u00e7\u00f5es, n\u00e3o conseguiria prosperar a n\u00e3o ser pelo imp\u00e9rio do medo e das amea\u00e7as, ou jogos sujos de atirar uns contra os outros e enquanto esses menos avisados brigassem aqui embaixo, os poderosos continuariam imunes l\u00e1 em cima, usufruindo dos benef\u00edcios l\u00edcitos que o cargo lhes d\u00e1 ou dos il\u00edcitos tirados especialmente dos mais necessitados. Necessitados que esses homens e mulheres p\u00fablicos tanto diriam defender.<\/p>\n<p>Passando ao Brasil, em especial, devemos dizer que o momento \u00e9 grave e requer o despertar e o aliar-se de todas as for\u00e7as vivas da Na\u00e7\u00e3o, a fim de, juntos, dizermos um forte e rotundo \u201cN\u00e3o\u201d \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, venha ela de quem vier e de que esfera ou natureza for. N\u00e3o se podem sacrificar os valores \u00e9ticos e morais, nem se podem espezinhar os benef\u00edcios ao povo sofrido como sa\u00fade, moradia, educa\u00e7\u00e3o, saneamento b\u00e1sico. Afinal, sempre \u00e9 o povo humilde o mais atingido em meio a esse turbilh\u00e3o de coisas, que desde algum tempo vem se abatendo sobre o Brasil.<\/p>\n<p>Essas mesmas for\u00e7as vivas da Na\u00e7\u00e3o precisam dizem \u201cSim\u201d \u00e0 uni\u00e3o de todos os homens e mulheres, independentemente de seu time de futebol, da sua cor de pele, da sua condi\u00e7\u00e3o social ou de quaisquer outras pequenas diferen\u00e7as acidentais, a fim de que o mal seja combatido com seriedade, dentro da lei e da ordem e, sobretudo, sem \u00f3dio ou revolta contra quem quer que seja, nem luta entre classes. Somos todos irm\u00e3os em Cristo Jesus!<\/p>\n<p>\u00c9 hora de mantermos a unidade nacional, a fim de, unidos, vermos o triunfo do bem nesta Terra de Santa Cruz. Portanto, irm\u00e3os e irm\u00e3s, que todos n\u00f3s \u2013 cat\u00f3licos, crist\u00e3os ou homens e mulheres de boa vontade em geral \u2013 apoiemos a melhoria desta grande Na\u00e7\u00e3o brasileira de modo firme, mas, ao mesmo tempo, cordato e pac\u00edfico, sem \u00f3dio ou incita\u00e7\u00f5es a revoltas. J\u00e1 temos viol\u00eancia demais! E, assim, Deus nos aben\u00e7oar\u00e1 com as mais copiosas gra\u00e7as celestiais.<\/p>\n<p>Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, m\u00e3e de Jesus, o pr\u00edncipe da Paz, e tamb\u00e9m nossa m\u00e3e (cf. Jo 19,25-27), dado que somos filhos no Filho (cf. Gl 4,5), interceder\u00e1 sempre por n\u00f3s, sobretudo nesta hora decisiva ao povo brasileiro. Am\u00e9m!<\/p>\n<p>Orani Jo\u00e3o, Cardeal Tempesta, O.Cist.<\/p>\n<p>Arcebispo Metropolitano de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro, RJ<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A reflex\u00e3o do cardeal Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro O presidente do conselho, Dom Orani Jo\u00e3o Tempesta, conduz debate sobre a possibilidade de flexibiliza\u00e7\u00e3o do hor\u00e1rio do programa radiof\u00f4nico A Voz do Brasil Foto: Geraldo Magela\/Ag\u00eancia Senado Compartilhamos a seguir o texto em que dom Orani Tempesta, cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-13850","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cotidiano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13850","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13850"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13850\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26283,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13850\/revisions\/26283"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13850"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13850"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13850"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}