{"id":13812,"date":"2016-03-16T13:30:52","date_gmt":"2016-03-16T16:30:52","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/03\/16\/especial-sudao-do-sul-ninguem-esta-a-salvo\/"},"modified":"2017-05-31T11:24:19","modified_gmt":"2017-05-31T14:24:19","slug":"especial-sudao-do-sul-ninguem-esta-a-salvo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/especial-sudao-do-sul-ninguem-esta-a-salvo\/","title":{"rendered":"Especial Sud\u00e3o do Sul: ningu\u00e9m est\u00e1 a salvo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/c5f6baee01bcaad1c58.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Especial Sud\u00e3o do Sul: ningu\u00e9m est\u00e1 a salvo<\/p>\n<p>Falar da hist\u00f3ria recente do Sud\u00e3o do Sul exige conten\u00e7\u00e3o de palavras. N\u00e3o se pode dizer tudo. N\u00e3o se pode explicar tudo em detalhe. \u00c9 muita viol\u00eancia para se poder escrever. Ningu\u00e9m est\u00e1 a salvo. Nem as igrejas ou mesquitas s\u00e3o locais seguros de abrigo. H\u00e1 relatos, arrepiantes, de pessoas mortas quando procuravam refugiar-se em igrejas ou capelas. H\u00e1 aldeias que foram pura e simplesmente dizimadas, com as mulheres e as jovens a serem estupradas, enquanto os homens eram levados, \u00e0 for\u00e7a, para se converterem em soldados.<\/p>\n<p>Nyakouth nunca mais vai esquecer o dia em que bandos armados entraram na sua aldeia e queimaram tudo. Ela escapou porque conseguiu se esconder. Hoje vive num campo de refugiados das Na\u00e7\u00f5es Unidas, em Bentiu. Recordar o que aconteceu \u00e9 sempre um esfor\u00e7o que a deixa em l\u00e1grimas, derrotada, impotente. \u201cN\u00e3o pouparam ningu\u00e9m, nem crian\u00e7as nem os idosos. Ningu\u00e9m.\u201d O n\u00famero de mulheres violentadas ou de rapazes recrutados \u00e0 for\u00e7a por bandos armados tem uma dimens\u00e3o catastr\u00f3fica no Sud\u00e3o do Sul.<\/p>\n<p>Maria Lozano, vice-diretora de comunica\u00e7\u00e3o internacional da Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre (ACN), esteve no Sud\u00e3o do Sul, no auge da guerra civil, acompanhando os trabalhos da Igreja local no socorro \u00e0s popula\u00e7\u00f5es mais necessitadas. Nos seus muitos contatos, ela apercebeu-se bem da real dimens\u00e3o da trag\u00e9dia em que est\u00e1 mergulhado o Sud\u00e3o do Sul. A guerra, por ser tribal, ganhou uma viol\u00eancia inexplic\u00e1vel que est\u00e1 a deixar cicatrizes em todos os lados, em todos os rostos. Na vida de todos. \u201cEsta situa\u00e7\u00e3o, este conflito tribal, nos leva \u00e0 palavra \u2018genoc\u00eddio\u2019, porque realmente h\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o de viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos e de graves ataques \u00e0 humanidade\u2026 \u2018O \u00fanico motivo para te matar ou te dar um tiro \u00e9 porque pertences a uma etnia diferente da minha\u2019\u201d \u2013 explica Maria Lozano.<\/p>\n<p>Maria Lozano, durante as semanas que esteve no Sud\u00e3o do Sul, escutou os relatos de dezenas e dezenas de pessoas. Em todos, h\u00e1 uma palavra comum: medo. \u201cOuvi muitas hist\u00f3rias que violam os direitos humanos. As pessoas simplesmente t\u00eam medo, medo de serem assassinadas em qualquer ponto da floresta onde possam estar escondidas ou atravessando algum rio.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: AIS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especial Sud\u00e3o do Sul: ningu\u00e9m est\u00e1 a salvo Falar da hist\u00f3ria recente do Sud\u00e3o do Sul exige conten\u00e7\u00e3o de palavras. N\u00e3o se pode dizer tudo. N\u00e3o se pode explicar tudo em detalhe. \u00c9 muita viol\u00eancia para se poder escrever. Ningu\u00e9m est\u00e1 a salvo. Nem as igrejas ou mesquitas s\u00e3o locais seguros de abrigo. 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