{"id":13767,"date":"2016-03-14T03:00:00","date_gmt":"2016-03-14T06:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/03\/14\/domingo-de-ramos-4\/"},"modified":"2017-05-08T15:22:17","modified_gmt":"2017-05-08T18:22:17","slug":"domingo-de-ramos-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/domingo-de-ramos-4\/","title":{"rendered":"Domingo de Ramos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Jesus entrou solenemente em Jerusal\u00e9m com todo o alvoro\u00e7o\u00a0 \u201cde uma numerosa multid\u00e3o a lhe estender suas vestes pelo caminho, enquanto outros\u00a0 cortavam ramos das \u00e1rvores e os espalhava\u201d por onde Jesus passava (Mt 21, 8). O evangelista ainda registrou que\u00a0 \u201cas multid\u00f5es que iam na frente de Cristo e os que os seguiam, gritavam: &#8220;Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos c\u00e9us\u201d! (Mt 21,9). Ao entrarem na capital surgiu a pergunta: \u201cQuem \u00e9 este homem\u201d? E respondiam: \u201cEste \u00e9 o profeta Jesus, de Nazar\u00e9 da Galil\u00e9ia\u201d (Mt 21,10).\u00a0 S\u00e3o Mateus.na sua narrativa sobre a Paix\u00e3o de Cristo na mesma Jerusal\u00e9m\u00a0 anotou o que o oficial e\u00a0 os soldados que estavam no Calv\u00e1rio diante do terremoto e de tudo que havia acontecido, ficaram com muito medo e disseram: \u201cEle era mesmo Filho de Deus\u201d! ( Mt\u00a0 27, 54). Estes dois epis\u00f3dios levam a uma profunda reflex\u00e3o. Aqueles mesmos que aclamaram o divino Redentor, depois pediriam a sua morte. Proclamaram Jesus como o grande Profeta que depois eles crucificariam. Nas quebradas Hist\u00f3ria, por\u00e9m, ressoaria para sempre a confiss\u00e3o de f\u00e9 na divindade do Crucificado,\u00a0 vinda dos membros da mil\u00edcia presente no G\u00f3lgota. O entusiasmo popular foi fr\u00e1gil, vol\u00favel, passageiro, porque os que aclamaram a Cristo\u00a0 n\u00e3o reconheceram sua miss\u00e3o divina, como fizeram os soldados que souberam interpretar os sinais de toda turbul\u00eancia que se seguiu \u00e0 morte do grande Profeta. Foram bem mais perspicazes do que aqueles que presenciaram os milagres estupendos realizados por Jesus, mas que n\u00e3o captaram o sentido agudo dos mesmos. Isto demonstra que n\u00e3o basta escutar a palavra,\u00a0 recordar os grandes feitos de Cristo, cumpre compreender o significado da vida e obras do Salvador, colocando em pr\u00e1tica o que Ele ensinou, crendo, de fato,\u00a0 que Ele \u00e9 verdadeiramente Deus, sob pena de se repetir o gesto infeliz daqueles que O aplaudiram e depois O negaram. N\u00e3o basta aceitar o Mestre divino apenas nos momentos de euforia, porque Ele mesmo advertiu que quem o quisesse seguir deveria tomar sua cruz e\u00a0 ir com Ele at\u00e9 o Calv\u00e1rio. Ele foi fiel at\u00e9 a morte, fiel a seu amor infinito pelo Pai, fiel a sua dile\u00e7\u00e3o sem limites pelos homens. Ele venceu o dinamismo da volubilidade, da inconst\u00e2ncia daqueles que entoaram louvores e depois o levaram \u00e0 morte como acontece com tantos batizados atrav\u00e9s dos tempos, dizendo-se crist\u00e3os, mas n\u00e3o vivendo como crist\u00e3os. Porque, por\u00e9m, Ele \u00e9 o Filho de Deus que veio para salvar uma multid\u00e3o, Ele lan\u00e7a a todos os homens um olhar de amor que convida a viver do amor e pelo amor a Deus e ao pr\u00f3ximo numa const\u00e2ncia que obsta lament\u00e1veis trai\u00e7\u00f5es. Apenas aqueles que penetram na l\u00f3gica deste\u00a0 amor que conduz ao dom de si mesmo pode ser fiel durante toda sua vida. Domingo de Ramos deve levar o crist\u00e3o n\u00e3o tanto a recriminar um povo vol\u00favel que aplaude e depois despreza, renega, crucifica, mas \u00e9 um convite que se chore como Pedro e sem imitar Pilatos, lavando as m\u00e3os, se julgando melhor do que aqueles que imolaram Jesus na cruz. Cumpre clamar com o oficial e os soldados: \u201cVerdadeiramente Ele \u00e9 o Filho de Deus\u201d, mas viver plenamente dentro deste ato de f\u00e9 numa perseveran\u00e7a inabal\u00e1vel nos momentos de alegria como nos instantes das prova\u00e7\u00f5es. Cada crist\u00e3o precisa ser, sobretudo no mundo de hoje, o proclamador coerente da divindade de Jesus. Nele somos reconciliados com Deus e com os outros, mas isto deve esplender no dia a dia. Eis a Boa Nova que hoje se celebra neste Domingo de Ramos, passando pelo Tr\u00edduo Pascal at\u00e9 o j\u00fabilo do dia da Ressurrei\u00e7\u00e3o, prova definitiva de que Jesus era realmente o Messias, o Filho de Deus. A Semana Santa que se inicia leva ao cerne de nossa f\u00e9, o mist\u00e9rio da Paix\u00e3o, Morte e Triunfo\u00a0 do Senhor e as gra\u00e7as destes dias aben\u00e7oados n\u00e3o podem ser desprezadas. Esta \u00e9 a hora da convers\u00e3o, de uma reforma interior, para se viver intensamente o Mist\u00e9rio Pascal, para se demonstrar ao mundo que Jesus Cristo \u00e9 o Senhor da gl\u00f3ria, diante de quem todo joelho deve se dobrar no c\u00e9u, na terra e nos infernos. Ent\u00e3o poderemos proclamar com o oficial e os soldados: \u201cVerdadeiramente Ele \u00e9 o Filho de Deus\u201d, n\u00e3o com palavras, mas o esplendor de uma exist\u00eancia que entendeu o que um dia se deu em Jerusal\u00e9m. * Professor no Semin\u00e1rio de Mariana durante 40 anos.<\/p>\n<p>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jesus entrou solenemente em Jerusal\u00e9m com todo o alvoro\u00e7o\u00a0 \u201cde uma numerosa multid\u00e3o a lhe estender suas vestes pelo caminho, enquanto outros\u00a0 cortavam ramos das \u00e1rvores e os espalhava\u201d por onde Jesus passava (Mt 21, 8). 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