{"id":13756,"date":"2016-03-14T12:10:31","date_gmt":"2016-03-14T15:10:31","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/03\/14\/do-superfluo-ao-ao-essencial\/"},"modified":"2017-05-08T15:15:51","modified_gmt":"2017-05-08T18:15:51","slug":"do-superfluo-ao-ao-essencial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/do-superfluo-ao-ao-essencial\/","title":{"rendered":"Do sup\u00e9rfluo ao ao essencial"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A vida prazerosa dos dias modernos j\u00e1 n\u00e3o distingue aquilo que \u00e9 sup\u00e9rfluo daquilo que \u00e9 essencial para uma vida digna. Fomos engolidos pelo v\u00edcio do consumo. Tudo o que se necessita para bem viver est\u00e1 nas g\u00f4ndolas do mercado ou nas passarelas do exibicionismo e da ostenta\u00e7\u00e3o sem limites. H\u00e1 muito que o sentido da posse se sobrep\u00f5e \u00e0 simplicidade de uma vida mais afeita \u00e0s pequenas alegrias do dia-a-dia. Como se os bens materiais, o status, as baboseiras da moda, do consumismo, do sup\u00e9rfluo pudessem suplantar as verdadeiras riquezas que nos realizam plenamente. Estamos empanturrados com guloseimas coloridas que a sociedade de consumo nos enfia goela abaixo, diuturnamente, sem, no entanto, proporcionar a saciedade que nosso cora\u00e7\u00e3o exige. O sup\u00e9rfluo intoxica e engorda a ambi\u00e7\u00e3o, mas entorpece nossa fam\u00e9lica alma, prisioneira que est\u00e1 dentre as quinquilharias de uma sociedade consumista por excel\u00eancia. Perdemos o referencial da verdadeira riqueza, aquela que d\u00e1 sentido \u00e0 nossa vida.<br \/> \u2018Recentemente, papa Francisco comentou: \u201cPor que comprar um rel\u00f3gio caro, quando aquele mais simples e barato marca as horas da mesma maneira\u201d? Por que gastar mais com um produto de marca, quando o similar \u00e9 t\u00e3o eficiente quanto o outro? Por que um caix\u00e3o de luxo, quando debaixo da terra seremos p\u00f3 como qualquer indigente enterrado em simples mortalha? E assim por diante. A verdade \u00e9 que o sentido de riqueza terrena, de competitividade social, de posse e poder est\u00e3o cegando a vida humana, onde aquele que tem mais se acha superior, merecedor de distin\u00e7\u00f5es e exige ser respeitado e venerado na propor\u00e7\u00e3o dos bens que amealhou. J\u00e1 n\u00e3o enxerga o rid\u00edculo da pr\u00f3pria exist\u00eancia. Seu cora\u00e7\u00e3o e sua mente est\u00e3o aprisionados pela fixa\u00e7\u00e3o no ter, no prazer&#8230; Desconhecem a simplicidade e a beleza do ser, contemplar, agradecer pelo privil\u00e9gio da vida. Uma v\u00edtima das \u00faltimas enchentes em S\u00e3o Paulo perdeu tudo o que tinha \u2013 casa, roupas, alimentos (uma das filhas perdeu um p\u00e9), mas ainda dava gra\u00e7as a Deus por n\u00e3o perder sua maior riqueza, a vida. \u201cPosso recome\u00e7ar do zero\u201d, dizia com a alma em j\u00fabilo.<br \/> J\u00e1 uma hist\u00f3ria que me parece fict\u00edcia, mas bem ilustrativa, nos fala de um pai rico, dono de inestim\u00e1vel fortuna e poderes pol\u00edticos, que resolveu levar seu filho \u00fanico para conhecer o mundo dos pobres. Levou-o a uma comunidade bem carente, desejando que seu filho pudesse descobrir o qu\u00e3o triste \u00e9 a vida dos empobrecidos e assim dar maior valor \u00e0 pr\u00f3pria riqueza. Um dia depois, foi busc\u00e1-lo. Perguntou de imediato: \u201cAprendeu, meu filho, a diferen\u00e7a entre pobres e ricos?\u201d. O filho foi logo dizendo: \u201cSim, meu pai, hoje descobri o valor da riqueza verdadeira, porque enquanto vivo prisioneiro na nossa mans\u00e3o, dentro de um mirrado jardim, eles t\u00eam uma floresta inteira para explorar; enquanto tenho um quarto s\u00f3 para mim, que depende de complicados sistemas de ilumina\u00e7\u00e3o e ventila\u00e7\u00e3o, eles tem a brisa refrescante da natureza e a luz da lua, das estrelas a iluminar suas vidas; enquanto dependo de tecnologia para ouvir boa m\u00fasica, eles ouvem o canto dos p\u00e1ssaros e os sons dos r\u00e9pteis na lagoa; enquanto me alimento com enlatados e produtos industrializados, eles colhem frutos nos p\u00e9s&#8230; Sim, pai, hoje percebi o qu\u00e3o pobres somos!<br \/> Saudades do caf\u00e9 mo\u00eddo na hora, da carne conservada em gordura animal, do leite gordo e cru bebido na caneca da mangueira, do queijo depurado no estaleiro do alpendre, da \u00e1gua pura na mina, da alface, do agri\u00e3o, da batata doce sem agrot\u00f3xicos! Saudades da simplicidade, da pureza cabocla, da riqueza sem ostenta\u00e7\u00e3o&#8230; Dias felizes, sem os grilh\u00f5es da modernidade! Deixemos o que nos \u00e9 sup\u00e9rfluo, mas busquemos o essencial. \u201cPois n\u00e3o trouxemos nada para o mundo, e dele nada poderemos levar. Se temos o que comer e com que nos vestir, fiquemos contentes com isso. Aqueles, por\u00e9m, que querem tornar-se ricos, caem na armadilha da tenta\u00e7\u00e3o e em muitos desejos insensatos e perniciosos, que fazem os homens afundarem na ru\u00edna e perdi\u00e7\u00e3o\u201d (1 Tim 6, 7-9). Lembrem-se: o essencial \u00e9 invis\u00edvel aos olhos&#8230; da alma justa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vida prazerosa dos dias modernos j\u00e1 n\u00e3o distingue aquilo que \u00e9 sup\u00e9rfluo daquilo que \u00e9 essencial para uma vida digna. Fomos engolidos pelo v\u00edcio do consumo. 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