{"id":13748,"date":"2016-03-11T14:22:09","date_gmt":"2016-03-11T17:22:09","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/03\/11\/quarta-pregacao-da-quaresma-do-fr-cantalamessa\/"},"modified":"2017-06-02T13:59:35","modified_gmt":"2017-06-02T16:59:35","slug":"quarta-pregacao-da-quaresma-do-fr-cantalamessa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/quarta-pregacao-da-quaresma-do-fr-cantalamessa\/","title":{"rendered":"Quarta prega\u00e7\u00e3o da Quaresma do Fr. Cantalamessa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/ansa856344_articolo.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Leia a quarta medita\u00e7\u00e3o de Quaresma do Fr. Raniero Cantalamessa, OFM Cap, Pregador da Casa Pontif\u00edcia.<\/p>\n<p>MATRIM\u00d4NIO E FAM\u00cdLIA na &#8220;Gaudium et Spes&#8221; e na atualidade<\/p>\n<p>Dedico esta medita\u00e7\u00e3o a uma reflex\u00e3o espiritual sobre a Gaudium et Spes, constitui\u00e7\u00e3o pastoral sobre a Igreja no mundo. Dos v\u00e1rios problemas da sociedade abordados neste texto conciliar \u2013 cultura, economia, justi\u00e7a social, paz \u2013, o mais atual e problem\u00e1tico \u00e9 o do matrim\u00f4nio e fam\u00edlia. A ele a Igreja dedicou os dois \u00faltimos s\u00ednodos dos bispos. A maioria de n\u00f3s aqui presentes n\u00e3o vive diretamente esse estado de vida, mas todos temos de conhecer os seus problemas para compreender e ajudar a grande maioria do povo de Deus que vive no matrim\u00f4nio, especialmente agora que ele est\u00e1 no centro de ataques e amea\u00e7as de todas as partes.<\/p>\n<p>A Gaudium et Spes trata a fundo da fam\u00edlia no in\u00edcio da segunda parte (n\u00fam. 46-53). N\u00e3o h\u00e1 necessidade de citar as suas declara\u00e7\u00f5es, que refletem a doutrina cat\u00f3lica tradicional que todos n\u00f3s conhecemos, al\u00e9m do novo destaque dado ao amor m\u00fatuo entre os c\u00f4njuges, abertamente reconhecido como um bem do matrim\u00f4nio, tamb\u00e9m este prim\u00e1rio, junto com a procria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sobre o matrim\u00f4nio e a fam\u00edlia, a Gaudium et Spes, de acordo com o seu bem conhecido procedimento, destaca antes de tudo as conquistas positivas do mundo moderno (\u201cas alegrias e as esperan\u00e7as\u201d), e, em segundo lugar, os problemas e os perigos (\u201cas tristeza e as ang\u00fastias\u201d). Eu proponho seguir o mesmo m\u00e9todo, tendo em conta, no entanto, as mudan\u00e7as dram\u00e1ticas que ocorreram neste campo ao longo do meio s\u00e9culo transcorrido desde ent\u00e3o. Evocarei rapidamente o des\u00edgnio de Deus sobre matrim\u00f4nio e fam\u00edlia, porque \u00e9 sempre dele que n\u00f3s, crentes, devemos partir, para em seguida ver o que a revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica pode trazer para a solu\u00e7\u00e3o dos problemas atuais. Deliberadamente me abstenho de tocar alguns problemas particulares discutidos no s\u00ednodo dos bispos, sobre os quais s\u00f3 o Papa tem agora o direito de ainda dizer alguma palavra.<\/p>\n<p>1. Matrim\u00f4nio e fam\u00edlia no projeto divino e no Evangelho de Cristo<\/p>\n<p>O livro do G\u00eanesis tem dois relatos diferentes da cria\u00e7\u00e3o do primeiro casal humano, que remontam a duas tradi\u00e7\u00f5es diferentes: a javista (s\u00e9culo X a.C.) e a mais recente (s\u00e9culo VI a.C.), chamada de \u201csacerdotal\u201d. Na tradi\u00e7\u00e3o sacerdotal (G\u00eanesis 1, 26-28), o homem e a mulher s\u00e3o criados simultaneamente, n\u00e3o um do outro; h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre ser homem e mulher e ser \u00e0 imagem de Deus: \u201cDeus criou o homem \u00e0 sua imagem; \u00e0 imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou\u201d. O fim prim\u00e1rio da uni\u00e3o entre o homem e a mulher \u00e9 visto no serem fecundos e encherem a terra.<\/p>\n<p>Na tradi\u00e7\u00e3o javista, que \u00e9 a mais antigo (Gn 2, 18-25), a mulher vem do homem; a cria\u00e7\u00e3o dos dois sexos \u00e9 vista como um rem\u00e9dio para a solid\u00e3o (\u201cN\u00e3o \u00e9 bom que o homem esteja s\u00f3; vou lhe dar uma ajuda que lhe seja semelhante\u201d); mais que o fator da procria\u00e7\u00e3o, acentua-se o fator unitivo (\u201co homem se unir\u00e1 \u00e0 sua mulher e ser\u00e3o os dois uma s\u00f3 carne\u201d); cada um \u00e9 livre diante da pr\u00f3pria sexualidade e da sexualidade do outro: \u201cambos estavam nus, o homem e sua mulher, mas n\u00e3o se envergonhavam\u201d.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o mais convincente do porqu\u00ea desta \u201cinven\u00e7\u00e3o\u201d divina da distin\u00e7\u00e3o dos sexos eu encontrei n\u00e3o num exegeta, mas em um poeta, Paul Claudel:<\/p>\n<p>\u201cO homem \u00e9 um ser orgulhoso; n\u00e3o havia outra maneira de faz\u00ea-lo compreender o pr\u00f3ximo sen\u00e3o faz\u00ea-lo vir da sua carne; n\u00e3o havia outra maneira de faz\u00ea-lo entender a depend\u00eancia e a necessidade se n\u00e3o mediante a lei sobre ele deste ser diferente [a mulher], devida ao simples fato de que esse ser existe\u201d[1].<\/p>\n<p>Abrir-se ao outro sexo \u00e9 o primeiro passo para se abrir ao outro que \u00e9 o pr\u00f3ximo, at\u00e9 o Outro com letra mai\u00fascula que \u00e9 Deus. O matrim\u00f4nio nasce sob o signo da humildade; \u00e9 reconhecimento de depend\u00eancia e, portanto, da pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o de criatura. Enamorar-se de uma mulher ou de um homem \u00e9 fazer o ato mais radical de humildade. \u00c9 tornar-se mendicante e dizer ao outro: \u201cEu n\u00e3o basto para mim mesmo; eu preciso do teu ser\u201d. Se, como pensava Schleiermacher, a ess\u00eancia da religi\u00e3o consiste no \u201csentimento de depend\u00eancia\u201d (Abhaengigheitsgef\u00fchl) perante Deus, ent\u00e3o podemos dizer que a sexualidade humana \u00e9 a primeira escola da religi\u00e3o.<\/p>\n<p>At\u00e9 aqui, o projeto de Deus. N\u00e3o \u00e9 explic\u00e1vel o resto da pr\u00f3pria B\u00edblia, no entanto, se, junto com o relato da cria\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se leva em conta ainda o da queda, em especial o que \u00e9 dito \u00e0 mulher: \u201cMultiplicarei as tuas dores; na dor dar\u00e1s \u00e0 luz os filhos. Ao teu marido se voltar\u00e1 o teu instinto, mas ele te dominar\u00e1\u201d (Gn 3,16). O predom\u00ednio do homem sobre a mulher faz parte do pecado do homem, n\u00e3o do projeto de Deus; com aquelas palavras, Deus o prenuncia, n\u00e3o o aprova.<\/p>\n<p>A B\u00edblia \u00e9 um livro divino-humano n\u00e3o s\u00f3 porque tem como autores Deus e o homem, mas tamb\u00e9m porque descreve, misturadas entre si, a fidelidade de Deus e a infidelidade do homem. Isto \u00e9 particularmente evidente quando se compara o projeto de Deus sobre o matrim\u00f4nio e a fam\u00edlia com a sua aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica na hist\u00f3ria do povo escolhido. Para ficar no livro do G\u00eanesis, o filho de Caim, Lameque, j\u00e1 viola a lei da monogamia tomando duas esposas. No\u00e9, com a sua fam\u00edlia, se mostra uma exce\u00e7\u00e3o em meio \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o geral do seu tempo. Os mesmos patriarcas Abra\u00e3o e Jac\u00f3 t\u00eam filhos com mais de uma mulher. Mois\u00e9s autoriza a pr\u00e1tica do div\u00f3rcio; Davi e Salom\u00e3o mant\u00eam um verdadeiro har\u00e9m de mulheres.<\/p>\n<p>Mais do que nas transgress\u00f5es pr\u00e1ticas espec\u00edficas, o afastamento do ideal inicial \u00e9 vis\u00edvel na concep\u00e7\u00e3o de fundo que se tem do matrim\u00f4nio em Israel. O principal obscurecimento se refere a dois pilares. O primeiro \u00e9 que o matrim\u00f4nio, de fim, se torna meio. O Antigo Testamento, como um todo, considera o matrim\u00f4nio como uma estrutura de autoridade patriarcal, destinada principalmente \u00e0 perpetua\u00e7\u00e3o do cl\u00e3. Neste sentido, devem ser entendidas as institui\u00e7\u00f5es do levirato (Dt 25, 5-10), do concubinato (Gn 16) e da poligamia provis\u00f3ria. O ideal de uma comunh\u00e3o de vida entre o homem e a mulher, fundada em uma rela\u00e7\u00e3o pessoal e rec\u00edproca, n\u00e3o \u00e9 esquecido, mas passa a segundo plano em rela\u00e7\u00e3o ao bem da prole. O segundo grande obscurecimento se refere \u00e0 condi\u00e7\u00e3o da mulher: de companheira do homem, dotada de igual dignidade, ela aparece cada vez mais subordinada ao homem e em fun\u00e7\u00e3o do homem.<\/p>\n<p>Um papel importante em manter vivo o projeto inicial de Deus sobre o matrim\u00f4nio \u00e9 desempenhado pelos profetas, em especial Oseias, Isa\u00edas, Jeremias e o C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos. Assumindo a uni\u00e3o do homem e da mulher como s\u00edmbolo da alian\u00e7a entre Deus e seu povo, eles recolocavam em primeiro plano os valores do amor m\u00fatuo, da fidelidade e da indissolubilidade que caracterizam a atitude de Deus para com Israel.<\/p>\n<p>Jesus, que veio \u201crecapitular\u201d a hist\u00f3ria humana, recapitula tamb\u00e9m o matrim\u00f4nio.<\/p>\n<p>\u201cAlguns fariseus se aproximaram ent\u00e3o para test\u00e1-lo e lhe perguntaram: \u00c9 l\u00edcito a um homem repudiar a sua mulher por qualquer motivo? E ele respondeu: N\u00e3o lestes que o Criador desde o princ\u00edpio os fez homem e mulher (Gn 1, 27) e disse: Por esta raz\u00e3o, o homem deixar\u00e1 seu pai e sua m\u00e3e e se unir\u00e1 \u00e0 sua mulher e os dois ser\u00e3o uma s\u00f3 carne? (Gn 2, 24). Eles n\u00e3o s\u00e3o mais dois, e sim uma s\u00f3 carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem n\u00e3o separe\u201d (Mt 19,3-6).<\/p>\n<p>Os advers\u00e1rios se situam no \u00e2mbito estreito da casu\u00edstica de escola (se \u00e9 l\u00edcito repudiar a mulher por qualquer motivo ou se \u00e9 preciso um motivo espec\u00edfico e s\u00e9rio). Jesus responde desde o in\u00edcio a partir da raiz do problema. Em sua cita\u00e7\u00e3o, Jesus se refere aos dois relatos da institui\u00e7\u00e3o do matrim\u00f4nio, toma elementos de um e do outro, mas destaca especialmente o aspecto da comunh\u00e3o das pessoas.<\/p>\n<p>O que se segue no texto, sobre o problema do div\u00f3rcio, tamb\u00e9m vai nessa dire\u00e7\u00e3o; reafirma a fidelidade e a indissolubilidade do v\u00ednculo matrimonial acima do pr\u00f3prio bem da prole, que, no passado, fora usado para justificar poligamia, levirato e div\u00f3rcio:<\/p>\n<p>\u201cEles objetaram: Por que ent\u00e3o Mois\u00e9s ordenou dar-lhe carta de rep\u00fadio e mand\u00e1-la embora? Jesus lhes respondeu: Por causa da dureza do vosso cora\u00e7\u00e3o Mois\u00e9s vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas no princ\u00edpio n\u00e3o foi assim. Por isso vos digo que qualquer um que repudia a sua mulher, exceto em caso de concubinato, e se casa com outra comete adult\u00e9rio\u201d (Mt 19, 7-9).<\/p>\n<p>O texto paralelo de Marcos mostra que, mesmo em caso de div\u00f3rcio, o homem e a mulher se colocam, de acordo com Jesus, em rigoroso p\u00e9 de igualdade: \u201cQuem repudia a sua mulher e se casa com outra comete adult\u00e9rio contra ela; e se ela repudia o marido e se casa com outro, comete adult\u00e9rio\u201d (Mc 10, 11-12).<\/p>\n<p>Com as palavras \u201cO que Deus uniu, o homem n\u00e3o separe\u201d, Jesus afirma que h\u00e1 uma interven\u00e7\u00e3o direta de Deus em toda uni\u00e3o matrimonial. A eleva\u00e7\u00e3o do matrim\u00f4nio a \u201csacramento\u201d, isto \u00e9, a sinal de uma a\u00e7\u00e3o de Deus, n\u00e3o se alicer\u00e7a, portanto, unicamente no fr\u00e1gil argumento da presen\u00e7a de Jesus nas bodas de Can\u00e1 e no texto da carta aos Ef\u00e9sios que fala do matrim\u00f4nio como de um reflexo da uni\u00e3o entre Cristo e a Igreja (cf. Ef 5, 32); come\u00e7a, implicitamente, com o Jesus terreno e faz parte da sua religa\u00e7\u00e3o das coisas com o in\u00edcio. Jo\u00e3o Paulo II define o matrim\u00f4nio como o \u201csacramento mais antigo\u201d[2].<\/p>\n<p>2. O que o ensinamento b\u00edblico nos diz hoje<\/p>\n<p>Esta \u00e9, em resumo, a doutrina da B\u00edblia, mas n\u00e3o podemos deter-nos nela. \u201cA Escritura \u2013 dizia S\u00e3o Greg\u00f3rio Magno \u2013 cresce com quem a l\u00ea\u201d (cum legentibus crescit) [3]; revela novas implica\u00e7\u00f5es \u00e0 medida que novas perguntas s\u00e3o feitas. E, hoje, as novas perguntas, ou provoca\u00e7\u00f5es, sobre matrim\u00f4nio e fam\u00edlia s\u00e3o muitas.<\/p>\n<p>Estamos diante de uma contesta\u00e7\u00e3o aparentemente global do projeto b\u00edblico sobre sexualidade, matrim\u00f4nio e fam\u00edlia. Como comportar-se em face deste fen\u00f4meno inquietante? O conc\u00edlio abriu um m\u00e9todo novo que \u00e9 de di\u00e1logo, n\u00e3o de confronto com o mundo; um m\u00e9todo que n\u00e3o exclui a autocr\u00edtica. Devemos, penso eu, aplicar este m\u00e9todo tamb\u00e9m \u00e0 discuss\u00e3o dos problemas do matrim\u00f4nio e da fam\u00edlia. Aplicar este m\u00e9todo de di\u00e1logo significa tentar ver se, mesmo no fundo das contesta\u00e7\u00f5es mais radicais, n\u00e3o h\u00e1 uma inst\u00e2ncia positiva a ser acolhida.<\/p>\n<p>A cr\u00edtica ao modelo tradicional de matrim\u00f4nio e fam\u00edlia que levou \u00e0s hodiernas e inaceit\u00e1veis propostas de desconstrucionismo come\u00e7ou com o iluminismo e o romantismo. Com inten\u00e7\u00f5es diversas, esses dois movimentos se expressaram contra o matrim\u00f4nio tradicional visto exclusivamente nos seus \u201cfins\u201d objetivos: a prole, a sociedade, a Igreja, e n\u00e3o o suficiente em si mesmo, no seu valor subjetivo e interpessoal. Tudo se exigia dos futuros c\u00f4njuges exceto que se amassem e se escolhessem livremente entre si. Ainda hoje, em muitas partes do mundo, h\u00e1 casais que se conhecem e se veem pela primeira vez no dia das n\u00fapcias. A tal modelo, o iluminismo op\u00f4s o matrim\u00f4nio como pacto entre os c\u00f4njuges e o romantismo como comunh\u00e3o de amor entre os esposos.<\/p>\n<p>Mas esta cr\u00edtica n\u00e3o vai contra a B\u00edblia, e sim a favor do seu sentido original! O conc\u00edlio Vaticano II recebeu esta inst\u00e2ncia quando reconheceu como bem igualmente prim\u00e1rio do matrim\u00f4nio o amor e ajuda m\u00fatuos entre os c\u00f4njuges. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, na linha da Gaudium et Spes, em uma das suas catequeses das quartas-feiras, disse:<\/p>\n<p>\u201cO corpo humano, com o seu sexo, e a sua masculinidade e feminilidade (&#8230;) \u00e9 n\u00e3o apenas fonte de fecundidade e de procria\u00e7\u00e3o, como em toda a ordem natural, mas inclui, desde o in\u00edcio, o atributo esponsal, isto \u00e9, de expressar o amor: aquele amor em que o homem-pessoa se torna dom e, atrav\u00e9s desse dom, cumpre o pr\u00f3prio sentido do seu ser e existir\u201d[4].<\/p>\n<p>Em sua enc\u00edclica &#8220;Deus Caritas Est&#8221;, o papa Bento XVI foi al\u00e9m, escrevendo coisas profundas e novas sobre o eros no matrim\u00f4nio e at\u00e9 nas rela\u00e7\u00f5es entre Deus e o homem. \u201cEsta estreita liga\u00e7\u00e3o entre eros e matrim\u00f4nio na B\u00edblia quase n\u00e3o tem paralelos na literatura\u201d, escreveu ele[5]. Um dos maiores erros que cometemos para com Deus \u00e9 transformar tudo o que diz respeito ao amor e \u00e0 sexualidade em uma \u00e1rea saturada de mal\u00edcia, onde Deus n\u00e3o deve entrar. Como se satan\u00e1s, e n\u00e3o Deus, fosse o criador dos sexos e o especialista no amor.<\/p>\n<p>N\u00f3s, crentes \u2013 e muitos n\u00e3o crentes \u2013 estamos longe de aceitar as consequ\u00eancias que alguns tiram hoje destas premissas: por exemplo, que bastaria qualquer tipo de eros para constituir um matrim\u00f4nio, inclusive o de pessoas do mesmo sexo; mas essa nossa discord\u00e2ncia assume outra for\u00e7a e credibilidade quando unida ao reconhecimento da bondade de fundo da inst\u00e2ncia, e tamb\u00e9m a uma sadia autocr\u00edtica.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos silenciar a contribui\u00e7\u00e3o que os crist\u00e3os deram \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dessa vis\u00e3o puramente objetivista do matrim\u00f4nio contra a qual a cultura ocidental moderna se lan\u00e7ou com veem\u00eancia. A autoridade de Agostinho, refor\u00e7ada neste ponto por Tom\u00e1s de Aquino, tinha acabado jogando uma luz negativa na uni\u00e3o carnal dos c\u00f4njuges, considerada o meio de transmiss\u00e3o do pecado original e n\u00e3o isenta, em si mesma, de pecado \u201cao menos venial\u201d. De acordo com o doutor de Hipona, c\u00f4njuges deveriam realizar o ato conjugal \u201ccom pesar\u201d (cum dolore) e s\u00f3 porque n\u00e3o havia outra maneira de dar cidad\u00e3os ao Estado e membros \u00e0 Igreja[6].<\/p>\n<p>Outra inst\u00e2ncia moderna que podemos tornar nossa pr\u00f3pria \u00e9 a da igual dignidade da mulher no matrim\u00f4nio. Essa igualdade, como vimos, est\u00e1 no cerne do projeto origin\u00e1rio de Deus e do pensamento de Cristo, mas foi muitas vezes desatendida ao longo dos s\u00e9culos. A palavra de Deus a Eva, \u201cAo homem se voltar\u00e1 o teu desejo e ele te dominar\u00e1\u201d, teve cumprimento tr\u00e1gico na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Nos representantes da chamada \u201crevolu\u00e7\u00e3o dos g\u00eaneros\u201d, esta inst\u00e2ncia levou a propostas insanas, como a de abolir a distin\u00e7\u00e3o dos sexos e substitu\u00ed-la pela mais el\u00e1stica e subjetiva distin\u00e7\u00e3o de \u201cg\u00eaneros\u201d (masculino, feminino, vari\u00e1vel), ou a de libertar as mulheres da \u201cescravid\u00e3o da maternidade\u201d, prevendo outros meios, inventados pelo homem, para o nascimento dos filhos. Nos \u00faltimos tempos h\u00e1 uma sucess\u00e3o de not\u00edcias de que homens em breve poder\u00e3o ficar gr\u00e1vidos e dar\u00e1 \u00e0 luz um filho. \u201cAd\u00e3o d\u00e1 Eva \u00e0 luz\u201d, escreve-se sorrindo, quando seria de se chorar. Os antigos teriam definido tudo isso com um termo: hybris, a arrog\u00e2ncia do homem diante de Deus.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente a escolha do di\u00e1logo e da autocr\u00edtica o que nos d\u00e1 o direito de denunciar estes projetos como \u201cdesumanos\u201d, ou seja, contr\u00e1rios n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 vontade de Deus, mas tamb\u00e9m ao bem da humanidade. Traduzidos na pr\u00e1tica em larga escala, eles poderiam levar a quedas humanas e sociais imprevis\u00edveis. Nossa \u00fanica esperan\u00e7a \u00e9 que o bom senso das pessoas, junto com o \u201cdesejo\u201d natural do sexo oposto e com o instinto de maternidade e paternidade que Deus inscreveu na natureza humana, resista a essas tentativas de substituir Deus, ditadas mais por tardios sentimentos de culpa do homem do que por genu\u00edno respeito e amor \u00e0 mulher.<\/p>\n<p>3. Um ideal a ser redescoberto<\/p>\n<p>N\u00e3o menos importante que a tarefa de defender o ideal b\u00edblico do matrim\u00f4nio e da fam\u00edlia \u00e9 a tarefa de redescobri-lo e viv\u00ea-lo plenamente como crist\u00e3os, a fim de reprop\u00f4-lo ao mundo mais com fatos do que com palavras. Os primeiros crist\u00e3os, com seus costumes, mudaram as leis do Estado sobre a fam\u00edlia; n\u00f3s n\u00e3o podemos pensar em fazer o oposto, ou seja, em mudar os costumes das pessoas com as leis do Estado, ainda que, como cidad\u00e3os, tenhamos o dever de ajudar o Estado a fazer leis justas.<\/p>\n<p>Depois de Cristo, n\u00f3s lemos corretamente o relato da cria\u00e7\u00e3o do homem e da mulher \u00e0 luz da revela\u00e7\u00e3o da Trindade. A esta luz, a frase \u201cDeus criou o homem \u00e0 sua imagem; \u00e0 imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou\u201d revela finalmente o seu significado, enigm\u00e1tico e incerto antes de Cristo. Que rela\u00e7\u00e3o pode haver entre ser \u201c\u00e0 imagem de Deus\u201d e ser \u201chomem e mulher\u201d? O Deus da B\u00edblia n\u00e3o tem conota\u00e7\u00f5es sexuais, n\u00e3o \u00e9 nem homem nem mulher.<\/p>\n<p>A semelhan\u00e7a consiste nisto. Deus \u00e9 amor e o amor exige comunh\u00e3o, interc\u00e2mbio interpessoal; exige um \u201ceu\u201d e um \u201ctu\u201d. N\u00e3o h\u00e1 amor que n\u00e3o seja amor de algu\u00e9m; onde s\u00f3 h\u00e1 um sujeito, n\u00e3o pode haver amor, mas ego\u00edsmo ou narcisismo. Onde Deus \u00e9 concebido como Lei ou Poder Absoluto n\u00e3o h\u00e1 necessidade de uma pluralidade de pessoas (o poder pode ser exercido sozinho). O Deus revelado por Jesus Cristo, sendo amor, \u00e9 \u00fanico, mas n\u00e3o solit\u00e1rio; \u00e9 uno e trino. Coexistem nele unidade e distin\u00e7\u00e3o: unidade de natureza, de querer, da inten\u00e7\u00e3o, e distin\u00e7\u00e3o de caracter\u00edsticas e de pessoas.<\/p>\n<p>Duas pessoas que se amam \u2013 e o caso do homem e da mulher no matrim\u00f4nio \u00e9 o mais forte \u2013 reproduzem algo do que acontece na Trindade. L\u00e1, duas pessoas \u2013 o Pai e o Filho \u2013 se amam e \u201csopram\u201d o Esp\u00edrito que \u00e9 o amor que os funde. Houve quem chamasse o Esp\u00edrito Santo de \u201cN\u00f3s divino\u201d, ou seja, n\u00e3o a \u201cterceira pessoa da Trindade\u201d, mas a primeira pessoa plural[7]. Precisamente nisto \u00e9 que o casal humano \u00e9 imagem de Deus. Marido e mulher s\u00e3o, de fato, uma s\u00f3 carne, um s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o, uma s\u00f3 alma, ainda que na diversidade de sexo e de personalidade. No casal se reconciliam entre si a unidade e a diversidade.<\/p>\n<p>A esta luz, descobre-se o profundo significado da mensagem dos profetas sobre o matrim\u00f4nio humano: que ele \u00e9 um s\u00edmbolo e reflexo de outro amor, o de Deus pelo seu povo. Isto n\u00e3o significava sobrecarregar de significado m\u00edstico uma realidade puramente mundana. N\u00e3o \u00e9 apenas fazer simbolismo; \u00e9, antes, revelar a verdadeira face e o escopo \u00faltimo da cria\u00e7\u00e3o do ser humano como homem e mulher.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 a causa da incompletude deixada pela uni\u00e3o sexual, dentro e fora do matrim\u00f4nio? Por que esta din\u00e2mica recai sempre sobre si pr\u00f3pria e por que esta promessa de infinito e eterno \u00e9 sempre frustrada? Para esta desilus\u00e3o se tenta um rem\u00e9dio que, no entanto, s\u00f3 faz aument\u00e1-la. Em vez de mudar a qualidade do ato, se aumenta a sua quantidade, passando-se de um parceiro a outro. Chega-se assim \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o do dom de Deus que \u00e9 a sexualidade, destrui\u00e7\u00e3o em andamento na cultura e na sociedade de hoje.<\/p>\n<p>Queremos de vez, como crist\u00e3os, procurar uma explica\u00e7\u00e3o para esta devastadora disfun\u00e7\u00e3o? A explica\u00e7\u00e3o \u00e9 que a uni\u00e3o sexual n\u00e3o \u00e9 vivida do jeito e com a inten\u00e7\u00e3o querida por Deus. Este escopo era que, atrav\u00e9s do \u00eaxtase e da fus\u00e3o de amor, o homem e a mulher se elevassem acima do desejo e tivessem certa pregusta\u00e7\u00e3o do infinito; que se lembrassem de onde vieram e para onde eram direcionados.<\/p>\n<p>O pecado, a come\u00e7ar pelo de Ad\u00e3o e Eva b\u00edblicos, atravessou este projeto; \u201cprofanou\u201d aquele gesto, ou seja, o destituiu do seu significado religioso. Fez dele um gesto que \u00e9 fim de si mesmo, conclus\u00e3o em si mesmo e, portanto, \u201cinsatisfat\u00f3rio\u201d. O s\u00edmbolo foi separado da realidade simbolizada, privado de seu dinamismo intr\u00ednseco e, portanto, mutilado. Nunca como neste caso se experimenta a verdade do dito de Agostinho: &#8220;Fizeste-nos para ti, \u00f3 Deus, e o nosso cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 inquieto enquanto n\u00e3o repousa em ti&#8221;. N\u00e3o fomos criados, de fato, para viver num eterno relacionamento de casal, mas para viver num eterno relacionamento com Deus, com o Absoluto. Mesmo o Fausto de Goethe o descobre ao fim do seu longo vagar; repensando em seu amor por Margarida, ele exclama no final do poema: &#8220;Tudo o que passa \u00e9 s\u00f3 uma par\u00e1bola. S\u00f3 aqui [no c\u00e9u] o inating\u00edvel se torna realidade&#8221;.<\/p>\n<p>No testemunho de alguns casais que fizeram a experi\u00eancia renovadora do Esp\u00edrito Santo e vivem a vida crist\u00e3 carismaticamente, encontra-se algo do significado original do ato conjugal. N\u00e3o \u00e9 de admirar que seja assim. O matrim\u00f4nio \u00e9 o sacramento do dom rec\u00edproco que os esposos fazem de si mesmos um ao outro, e o Esp\u00edrito Santo \u00e9, na Trindade, o \u201cdom\u201d, ou melhor, o \u201cdoar-se\u201d rec\u00edproco do Pai e do Filho, n\u00e3o um ato passageiro, mas um estado permanente. Onde chega o Esp\u00edrito Santo, nasce, ou renasce, a capacidade de fazer-se dom. \u00c9 assim que opera a \u201cgra\u00e7a de estado\u201d no matrim\u00f4nio.<\/p>\n<p>4. Casados e consagrados na Igreja<\/p>\n<p>Embora n\u00f3s, consagrados, n\u00e3o vivamos a realidade do matrim\u00f4nio, como eu disse anteriormente, n\u00f3s temos de conhec\u00ea-la para ajudar os que a vivem. Adiciono outra raz\u00e3o: precisamos conhec\u00ea-la para ser, n\u00f3s tamb\u00e9m, ajudados por eles! Falando de matrim\u00f4nio e virgindade, o Ap\u00f3stolo diz: \u201cCada um tem o pr\u00f3prio dom (ch\u00e1risma) de Deus, uns de uma forma, outros de outra\u201d (1 Cor 7, 7); ou seja: o casado tem seu carisma e o que n\u00e3o se casa \u200b\u200b\u201cpor causa do Senhor\u201d tem o dele.<\/p>\n<p>O carisma \u2013 diz o mesmo Ap\u00f3stolo \u2013 \u00e9 \u201cuma manifesta\u00e7\u00e3o particular do Esp\u00edrito para o bem comum\u201d (1 Cor 12, 7). Aplicado \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre casados \u200b\u200be consagrados na Igreja, isto significa que o celibato e a virgindade tamb\u00e9m s\u00e3o para os casados \u200b\u200be que o matrim\u00f4nio tamb\u00e9m \u00e9 para os consagrados, ou seja, para o seu bem. Esta \u00e9 a natureza intr\u00ednseca do carisma, aparentemente contradit\u00f3ria: algo de &#8220;particular&#8221; (&#8220;uma manifesta\u00e7\u00e3o particular do Esp\u00edrito&#8221;), mas que serve a todos (&#8220;para o bem comum&#8221;).<\/p>\n<p>Na comunidade crist\u00e3, consagrados e casados \u200b\u200bpodem &#8220;edificar&#8221; uns aos outros. As pessoas casadas s\u00e3o chamadas, pelos consagrados, ao primado de Deus e daquilo que n\u00e3o passa; s\u00e3o introduzidos no amor \u00e0 Palavra de Deus que eles podem melhor aprofundar e &#8220;compartilhar&#8221; com os leigos. Mas as pessoas consagradas tamb\u00e9m aprendem algo das casadas. Aprendem a generosidade, a abnega\u00e7\u00e3o, o servi\u00e7o \u00e0 vida e, muitas vezes, certa &#8220;humanidade&#8221; que vem do duro contato com as realidades da exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Falo por experi\u00eancia pr\u00f3pria. Eu perten\u00e7o a uma ordem religiosa em que, at\u00e9 alguns anos atr\u00e1s, nos levant\u00e1vamos \u00e0 noite para recitar o of\u00edcio &#8220;matutino&#8221;, que durava cerca de uma hora. Houve ent\u00e3o o grande ponto de viragem na vida religiosa, resultante do conc\u00edlio. Parecia que o ritmo da vida moderna \u2013 o estudo para os jovens e o minist\u00e9rio apost\u00f3lico para os sacerdotes \u2013 n\u00e3o permitia mais aquele levantar-se noturno que interrompia o sono, e, pouco a pouco, ele foi abandonado, a n\u00e3o ser em alguns lugares de forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando, mais tarde, o Senhor me deu a conhecer de perto, em meu minist\u00e9rio, v\u00e1rias fam\u00edlias jovens, descobri algo que salutarmente me sacudiu. Aqueles jovens papais e mam\u00e3es tinham de se levantar n\u00e3o uma, e sim duas, tr\u00eas ou mais vezes por noite para dar de comer, dar rem\u00e9dios, embalar o beb\u00ea se ele chorasse, cuidar dele se estivesse com febre. E, de manh\u00e3, um dos dois, ou ambos, na hora de sempre, tinham de correr para o trabalho depois de levar a crian\u00e7a para a casa dos av\u00f3s ou para a creche. Havia um rel\u00f3gio-ponto para ser batido, fizesse bom ou mau tempo, com sa\u00fade ou sem ela.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o eu me disse: se n\u00e3o corrermos para nos consertar, corremos grave perigo! O nosso modo de vida, se n\u00e3o for regido pela observ\u00e2ncia aut\u00eantica da Regra e por certo rigor de hor\u00e1rios e h\u00e1bitos, periga se tornar uma vida mansa e nos levar \u00e0 dureza do cora\u00e7\u00e3o. O que os bons pais s\u00e3o capazes de fazer pelos filhos carnais, o grau de esquecimento de si mesmos a que s\u00e3o capazes de chegar para cuidar da sa\u00fade deles, dos seus estudos e da sua felicidade, deve ser a medida do que n\u00f3s devemos fazer pelos nossos filhos e irm\u00e3os espirituais. Temos o exemplo do ap\u00f3stolo Paulo, que dizia querer &#8220;consumir-se&#8221; pelos seus filhos de Corinto (cf. 2 Cor 12, 15).<\/p>\n<p>Que o Esp\u00edrito Santo, doador dos carismas, ajudar a todos n\u00f3s, casados ou consagrados, a colocar em pr\u00e1tica a exorta\u00e7\u00e3o do ap\u00f3stolo Pedro:<\/p>\n<p>&#8220;Viva cada um segundo o dom recebido, colocando-o a servi\u00e7o dos outros, como bons administradores da multiforme gra\u00e7a de Deus (&#8230;), para que em tudo seja Deus glorificado por meio de Jesus Cristo, a quem pertencem a gl\u00f3ria e o poder pelos s\u00e9culos dos s\u00e9culos. Am\u00e9m!&#8221; (1 Pd 4, 10-11).<\/p>\n<p>[1] P. Claudel, Le soulier de satin, a.III. sc.8 (ed. La Pl\u00e9iade, II, Paris 1956, p\u00e1g. 804).<\/p>\n<p>[2] Jo\u00e3o Paulo II, Homem e mulher os criou. Catequeses sobre o amor humano, Roma 1985, p\u00e1g. 365.<\/p>\n<p>[3] Gregorio Magno, Moralia in Job, 20, 1, 1.<\/p>\n<p>[4] Jo\u00e3o Paulo II, audi\u00eancia de 16 de janeiro de 1980 (Insegnamenti di Giovanni Paolo II, Libreria Editrice Vaticana 1980, p\u00e1g. 148).<\/p>\n<p>[5] Bento XVI, Deus caritas est, 11.<\/p>\n<p>[6] Cf. Santo Agostinho, Discursos, 51, 25 (PL 38, 348).<\/p>\n<p>[7] Cf. H. M\u00fchlen , Der Heilige Geist als Person. Ich &#8211; Du &#8211; Wir, M\u00fcnster in W., 1963.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: R\u00e1dio Vaticano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leia a quarta medita\u00e7\u00e3o de Quaresma do Fr. Raniero Cantalamessa, OFM Cap, Pregador da Casa Pontif\u00edcia. MATRIM\u00d4NIO E FAM\u00cdLIA na &#8220;Gaudium et Spes&#8221; e na atualidade Dedico esta medita\u00e7\u00e3o a uma reflex\u00e3o espiritual sobre a Gaudium et Spes, constitui\u00e7\u00e3o pastoral sobre a Igreja no mundo. 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