{"id":13738,"date":"2016-03-10T18:52:22","date_gmt":"2016-03-10T21:52:22","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/03\/10\/dentro-do-coracao-de-deus-segurando-minha-filha-enquanto-estava-morrendo\/"},"modified":"2017-05-31T11:30:34","modified_gmt":"2017-05-31T14:30:34","slug":"dentro-do-coracao-de-deus-segurando-minha-filha-enquanto-estava-morrendo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/dentro-do-coracao-de-deus-segurando-minha-filha-enquanto-estava-morrendo\/","title":{"rendered":"Dentro do cora\u00e7\u00e3o de Deus: segurando minha filha enquanto estava morrendo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/jennifer-liv-photography-permission-by-laura.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>As pessoas dizem que n\u00e3o existem palavras para isso, mas existem&#8230;<\/p>\n<p>H\u00e1 tantas hist\u00f3rias que eu quero contar. Hist\u00f3rias do nascimento, vida e morte de nossas filhas. Hist\u00f3rias que terminaram e hist\u00f3rias que est\u00e3o apenas come\u00e7ando.<\/p>\n<p>Algumas hist\u00f3rias levar\u00e3o meses e anos para eu poder compartilhar. Algumas hist\u00f3rias, que s\u00e3o sagradas, e vou levar em segredo at\u00e9 o fim dos meus dias.<\/p>\n<p>Mas esta \u00e9 a hist\u00f3ria que tenho que lhe contar agora.<\/p>\n<p>Margaret Susan e Abigail Kathleen nasceram no s\u00e1bado \u00e0 noite via cesariana. Quando finalmente conseguimos dormir tarde da noite, elas mantiveram-se est\u00e1veis na UTI Neonatal. Na manh\u00e3 de domingo, n\u00e3o estavam mais. Passamos a tarde de domingo segurando Maggie, quando ela morreu em nossos bra\u00e7os.<\/p>\n<p>As pessoas dizem que n\u00e3o existem palavras para isso, mas existem. S\u00e3o apenas dolorosamente palavras duras. Dizem que os pais n\u00e3o devem ter que passar por isso, mas passam. \u00c9 apenas esmagadoramente horr\u00edvel.<\/p>\n<p>Mas o que todos concordam \u00e9 que ter que fazer isso \u2013 segurar duas filhas, enquanto sua respira\u00e7\u00e3o fica mais lenta e os seus cora\u00e7\u00f5es param \u2013 \u00e9 insuport\u00e1vel.<\/p>\n<p>Estou aqui para dizer-lhe que n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>No domingo desabamos na cama com todo o peso da dor. Sab\u00edamos que aquela manh\u00e3 traria novamente a dor da despedida, que agora t\u00ednhamos de dizer adeus a Abby. Eu chorei intensamente para dormir e chorei acordada. N\u00e3o sabia como fazer o que t\u00ednhamos de fazer.<\/p>\n<p>Tentamos tomar o caf\u00e9 da manh\u00e3. Oramos com o capel\u00e3o. Finalmente, o terr\u00edvel telefone do hospital gritou seu toque estridente novamente. Sab\u00edamos que t\u00ednhamos de ir. Estremeci na cadeira de rodas, e Franco me levou lentamente pelos corredores que passara a odiar, as pinturas felizes de animais e borboletas, fotos alegres de sobreviventes milagres.<\/p>\n<p>Quando entramos no quarto de Abby, a enfermeira perguntou se quer\u00edamos segur\u00e1-la por um tempo antes de come\u00e7arem a desmontar todos os tubos. N\u00e3o havia pressa, disse ela. Poder\u00edamos ter com ela todo o tempo que quis\u00e9ssemos. E n\u00f3s, quer\u00edamos segur\u00e1-la em nossos bra\u00e7os?<\/p>\n<p>O n\u00f3 na garganta escapou em um solu\u00e7o. N\u00e3o. Eu queria segurar duas g\u00eameas saud\u00e1veis. N\u00e3o queria fazer isso com um min\u00fasculo, doente beb\u00ea prematuro que morreria em poucas horas. Eu queria tudo, menos isso.<\/p>\n<p>A enfermeira persistiu, gentilmente. Eu poderia dizer que Franco estava relutante e cansado tamb\u00e9m. Mas algo nos cutucou a ceder. Ok, n\u00f3s dissemos. Gostar\u00edamos de segur\u00e1-la.<\/p>\n<p>Aqui \u00e9 onde tenho que fazer uma pausa na hist\u00f3ria. \u00c9 onde eu tenho que lhe dizer que, se algu\u00e9m me dissesse o que iria acontecer, eu negaria, balan\u00e7aria a cabe\u00e7a ferozmente e diria que tal coisa jamais aconteceria. E muito menos comigo. Que soa como o sentimento puro, um sonho melanc\u00f3lico. Nada como realidade.<\/p>\n<p>Eu tenho que lhe dizer isso, porque entendo como a pr\u00f3xima parte da hist\u00f3ria soa.<\/p>\n<p>As enfermeiras desenrolaram Abby do seu ninho de cabos e tubos. Lentamente colocaram Abby no meu peito, cobriram-na com camadas de cobertores quentes e sairam da sala.<\/p>\n<p>E a tristeza deixou meu corpo.<\/p>\n<p>Eu comecei a sorrir. Eu abri um grande sorriso. Esta n\u00e3o \u00e9 a rea\u00e7\u00e3o que voc\u00ea espera quando enfermeiros colocam o seu beb\u00ea que est\u00e1 morrendo em seus bra\u00e7os. Mas tudo virou do avesso. Fui inundada com a paz. Me enchi com a alegria mais profunda que j\u00e1 senti. N\u00e3o conseguia entender por que tristeza e dor tinham ocupado qualquer polegada do meu corpo antes daquele instante. Esse era um mundo diferente.<\/p>\n<p>Abby respirava e eu tamb\u00e9m. Ela estendeu as m\u00e3os sobre meu peito, atingindo-o com seus pequenos dedos. Segurei suas pequeninas costas, senti seus pulm\u00f5es e cora\u00e7\u00e3o vibrarem contra o meu. Fechei os olhos e fiquei ali, sorrindo. A enfermeira entrou no quarto e sacudiu a cabe\u00e7a: N\u00e3o posso acreditar que voc\u00ea est\u00e1 sorrindo. Franco sussurrou em meu ouvido, Gostaria que voc\u00ea pudesse ver como voc\u00ea olha agora. Voc\u00ea est\u00e1 t\u00e3o cheia de alegria.<\/p>\n<p>Isso transformou tudo.<\/p>\n<p>Depois de um tempo eu tentei racionalizar, gentilmente. Certamente foi apenas a libera\u00e7\u00e3o do horm\u00f4nio oxitocina ap\u00f3s o parto. Todos os horm\u00f4nios do amor correndo para me ajudar a ter um v\u00ednculo com o beb\u00ea. Eu entendi a fisiologia do parto e nascimento; sabia que a ci\u00eancia poderia explicar isso. Mas, depois de 20, 30, 40 minutos de alegria incessante, comecei a me perguntar por que n\u00e3o havia mergulhado de cabe\u00e7a. Por que eu n\u00e3o poderia evocar um \u00fanico sentimento de tristeza. Por que n\u00e3o conseguia me lembrar o motivo do choro quando dissemos adeus a Maggie, quando se sabia que essa perfeita alegria era o que ela esperava.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o fazia sentido.<\/p>\n<p>Abri os olhos, ainda sorrindo. Franco estava em paz ao meu lado, seu corpo relaxado, seus olhos avermelhados. Voc\u00ea quer segur\u00e1-la?, perguntei a ele. Claro, ele respondeu sorrindo. Assim, com a ajuda de dois enfermeiros, cuidadosamente levantamos Abby do meu peito e a colocamos no peito dele. Ele fechou os olhos e sorriu; ela estendeu os bra\u00e7os e segurou-o.<\/p>\n<p>E diante dos meus olhos, eu vi exatamente a mesma alegria se desdobrar em seu rosto.<\/p>\n<p>Era tudo a mesma felicidade.<\/p>\n<p>Seguramos Abby por horas. N\u00f3s revezamos. Tiramos fotos. Sempre que abr\u00edamos nossos olhos para falar, t\u00ednhamos a mesma conversa confusa.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o estou mais triste. Isso n\u00e3o faz sentido. V\u00ea como me sinto. Nunca senti tanta alegria. Acho que isso \u00e9 honestamente o que o c\u00e9u deve ser. Nunca soube que pudesse me sentir assim.<\/p>\n<p>E \u00e9 com esta parte da hist\u00f3ria que quero impressionar voc\u00ea, t\u00e3o profundamente como um beb\u00ea de 1 Kg me impressionou sobre meu peito. Este foi o momento mais feliz que j\u00e1 tive.<\/p>\n<p>Sabe aqueles flashes que voc\u00ea vislumbra, quando a vida parece perfeita por um instante? O dia do casamento, o nascimento de um beb\u00ea, uma noite de ver\u00e3o encharcada de sol. Todos n\u00f3s temos v\u00e1rios momentos. Vislumbres de qu\u00e3o boa a vida pode ser.<\/p>\n<p>Mas tudo o que tinha passou diante? N\u00e3o era nada como nos sentimos na sala da UTI neonatal. Este era o c\u00e9u e se estendeu por horas.<\/p>\n<p>Depois de horas de imers\u00e3o nesta alegria incessante, somente poder\u00edamos concluir que nos tinha sido dado um dom raro e perfeito. Est\u00e1vamos nisso juntos. A nossa pequena filha, nossa segunda filha morrendo, tinha aberto um espa\u00e7o que nunca soubemos que existia.<\/p>\n<p>N\u00f3s fomos para dentro do cora\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p>Nunca mais vou sentir tamanha alegria de tudo o que vier a seguir. Estou absolutamente certa disso. E se eu pudesse compartilhar apenas uma pequena parte do que se sentiu, respirou e amou naquela sala de UTI neonatal, voc\u00ea nunca mais temeria qualquer d\u00favida do divino ou da exist\u00eancia de vida ap\u00f3s a morte. Estou certa disto, t\u00e3o profundo e duradouro foi o que ocorreu. Isso est\u00e1 ancorado em cada fibra do meu corpo a partir de agora.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a hist\u00f3ria que tenho que lhe contar. Na certeza de que enfrentar\u00edamos o pior dia de nossas vidas, foi-nos dada a plenitude da alegria. \u00c0 medida que encontr\u00e1vamos a morte face a face, n\u00f3s encontramos a vida. Quando esper\u00e1vamos desespero, descobrimos somente amor.<\/p>\n<p>\u00c9 uma hist\u00f3ria que n\u00e3o faz sentido. \u00c9 uma hist\u00f3ria que muda tudo. \u00c9 uma hist\u00f3ria que transformou quilo de que \u00e9 feito o nosso pr\u00f3prio ser, como queremos passar o resto de nossas vidas, e tudo o que sabemos sobre Deus.<\/p>\n<p>Pode ser apenas o come\u00e7o da melhor hist\u00f3ria que me foi dada para compartilhar.<\/p>\n<p>Laura Kelly Fanucci \u00e9 uma premiada autora de livros sobre paternidade, quest\u00f5es de f\u00e9 e vida e discipulado. Ela escreve no blog Mothering Spirit, onde esta hist\u00f3ria foi originalmente publicada. Ela tamb\u00e9m permitiu que fosse reproduzida aqui na Aleteia.<\/p>\n<p> Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As pessoas dizem que n\u00e3o existem palavras para isso, mas existem&#8230; H\u00e1 tantas hist\u00f3rias que eu quero contar. Hist\u00f3rias do nascimento, vida e morte de nossas filhas. Hist\u00f3rias que terminaram e hist\u00f3rias que est\u00e3o apenas come\u00e7ando. Algumas hist\u00f3rias levar\u00e3o meses e anos para eu poder compartilhar. 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