{"id":13714,"date":"2016-03-09T17:41:28","date_gmt":"2016-03-09T20:41:28","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/03\/09\/as-mulheres-nao-sao-iguais-aos-homens-que-bom\/"},"modified":"2017-05-31T11:30:40","modified_gmt":"2017-05-31T14:30:40","slug":"as-mulheres-nao-sao-iguais-aos-homens-que-bom","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/as-mulheres-nao-sao-iguais-aos-homens-que-bom\/","title":{"rendered":"As mulheres n\u00e3o s\u00e3o iguais aos homens. Que bom!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/woman-740x493.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Que este Dia da Mulher nos sirva para tornar mais clara a necessidade de proclamar que lutar pelos mesmos direitos e pela mesma dignidade n\u00e3o implica, de modo nenhum, suprimir a diferen\u00e7a, nem a peculiaridade envolvida no fato de sermos homens e mulheres<\/p>\n<p>Ainda h\u00e1 pouco, quando cheguei no trabalho, deparei-me com uma pequena mensagem de homenagem \u00e0s mulheres, ao inicializar o meu computador, que dizia:<\/p>\n<p>\u201cSinta-se livre para ser quem voc\u00ea \u00e9. O seu poder est\u00e1 na sua individualidade! Feliz dia da mulher!\u201d<\/p>\n<p>Esta mensagem me inquietou. Ela ressalta um certo \u201cpoder\u201d feminino que estaria localizado na \u201cindividualidade\u201d, e que implicaria na \u201cliberdade\u201d de ser quem se \u00e9. E isto me soa, de fato, muito estranho e incoerente: se alguma coisa caracteriza o sermos homens e mulheres, isto n\u00e3o se caracteriza pelo desenvolvimento do \u201cpoder\u201d da nossa \u201cindividualidade\u201d, mas exatamente na import\u00e2ncia da nossa rela\u00e7\u00e3o rec\u00edproca. Vale dizer, somente h\u00e1 mulheres porque h\u00e1 homens, e vice-versa. N\u00e3o se trata, pois, de exaltar o \u201cpoder\u201d de um \u201cindividualismo\u201d feminino como fonte de \u201cliberdade\u201d, mas exatamente o de reconhecer que somente na diferen\u00e7a \u00e9 que podemos nos realizar, porque a diferen\u00e7a \u00e9 exatamente o que possibilita a nossa rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Lembro-me de um pequeno epis\u00f3dio que ocorreu nos meus tempos de advogado rec\u00e9m-formado. Eu descia o elevador do pr\u00e9dio em que morava ent\u00e3o, trajado de palet\u00f3 e gravata, com uma pequena pasta nas m\u00e3os. Ao entrar no elevador, encontrei um casal que discutia agressivamente. A discuss\u00e3o parou subitamente quando eu entrei no elevador. Mas restou aquele ar pesado, constrangedor, imposs\u00edvel de evitar no ambiente t\u00e3o apertado de uma cabine de elevador. De repente, ap\u00f3s alguns momentos, aquela senhora se dirigiu a mim: \u201cCom licen\u00e7a, o senhor \u00e9 advogado?\u201d Eu respondi que sim. Ent\u00e3o ela me interpelou: \u201cEnt\u00e3o diga aqui para o meu marido se as mulheres n\u00e3o s\u00e3o iguais aos homens\u201d.<\/p>\n<p>Juntando todo o meu bom humor juvenil, n\u00e3o resisti em lhe responder: \u201cdesculpe-me, senhora, as mulheres n\u00e3o s\u00e3o iguais aos homens. E \u00e9 exatamente a diferen\u00e7a que permite que ele seja o seu marido\u2026\u201d<\/p>\n<p>Para surpresa minha, a senhora abriu um grande sorriso, com o marido, e se reconciliaram ali mesmo. Mas o epis\u00f3dio vem \u00e0 minha mem\u00f3ria cada vez que algu\u00e9m prega a \u201cigualdade entre homens e mulheres\u201d. \u00c9 preciso especificar um pouco esta declara\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 incondicionalmente verdadeira.<\/p>\n<p>Se falamos de dignidade e de direitos, a resposta \u00e9 inegavelmente um \u201csim\u201d. Somos iguais em dignidade, somos iguais em direito, e, portanto, a luta feminina para que estes dois aspectos sejam reconhecidos \u00e9 muito justa. Mas, no plano estritamente f\u00e1tico, somos diferentes. E esta diferen\u00e7a tem tudo a ver com a rela\u00e7\u00e3o, e com ela a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o humana e sua perpetua\u00e7\u00e3o. Mas n\u00f3s perdemos a capacidade de reconhecer na rela\u00e7\u00e3o aquilo que ela \u00e9 de fato, a abertura rec\u00edproca que conduz \u00e0 complementariedade, que por sua vez \u00e9 pressuposto da completude. N\u00e3o vemos nas rela\u00e7\u00f5es sen\u00e3o a opress\u00e3o; ou seja, definimos a ess\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o pelo seu defeito.<\/p>\n<p>De fato, rela\u00e7\u00e3o \u00e9 abertura para a completude que aperfei\u00e7oa. Mas n\u00e3o h\u00e1 como negar que, num mundo profundamente ferido pelo mal como \u00e9 o nosso, as rela\u00e7\u00f5es se desvirtuam e, muitas vezes, tornam-se opressoras. Mas \u00e9 neste momento que certos pensadores, como Marx, Sartre, Simone de Beauvoir, Foucault e outros da mesma estirpe deixam de enxergar na rela\u00e7\u00e3o aquilo que ela \u00e9 (abertura) e passam a caracteriz\u00e1-la, essencialmente, como opress\u00e3o. \u00c9 por isto que somos massacrados com discursos que, a pretexto de eliminar a opress\u00e3o, desvalorizam a pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o humana. E, a partir da\u00ed, o individualismo se implanta como resposta necess\u00e1ria (e falsa): eu s\u00f3 serei feliz, dizem estes \u201cprofetas da opress\u00e3o\u201d, \u00e0 medida que me afirmar como indiv\u00edduo, e construir, sozinho, a mim mesmo. A rela\u00e7\u00e3o \u00e9 denunciada, muitas vezes, como infernal: \u201co inferno s\u00e3o os outros\u201d, dizia Sartre.<\/p>\n<p>Eis, pois, a ambiguidade de tudo que se v\u00ea e celebra neste \u201cDia Internacional da Mulher\u201d. Em vez de celebrar a diferen\u00e7a que nos abre ao outro, e que nos permite buscar, na complementariedade, a completude, as mensagens muitas vezes nos apresentam, sutilmente, a ideia de que homens e mulheres s\u00e3o advers\u00e1rios, e de que exatamente a visibilidade da diferen\u00e7a, a sua afirma\u00e7\u00e3o f\u00e1tica, \u00e9 parte do plano de opress\u00e3o. N\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>Eliminar a opress\u00e3o, pois, deve passar pelo restabelecimento de que somente na constru\u00e7\u00e3o da sadia rela\u00e7\u00e3o, na complementariedade, chegaremos \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o desejada. As rela\u00e7\u00f5es devem ser, de fato, bastante cuidadas, porque, dada a condi\u00e7\u00e3o deca\u00edda do mundo, \u00e9 muito f\u00e1cil que elas decaiam em opress\u00e3o. Mas a opress\u00e3o n\u00e3o transforma a pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o em algo a ser descaracterizado, destru\u00eddo, negado, superado, em nome de uma \u201cliberta\u00e7\u00e3o individualista\u201d. N\u00e3o se nega a distor\u00e7\u00e3o do poder criando um poder distorcido inverso. Isto \u00e9 apenas hegelianismo mal lido.<\/p>\n<p>\u00c9 por isto que me preocupa, tamb\u00e9m, que o termo \u201cg\u00eanero\u201d tenha sido adotado para definir as mulheres. Palavras t\u00eam g\u00eanero. Homens e mulheres t\u00eam sexo. N\u00e3o estamos celebrando o dia da \u201corienta\u00e7\u00e3o de g\u00eanero\u201d, mas o dia da mulher. Ser homem e mulher \u00e9 alguma coisa que nos especifica. Ter esta ou aquela orienta\u00e7\u00e3o libidinosa, n\u00e3o. E n\u00e3o estou usando, aqui, a palavra \u201clibidinoso\u201d com uma carga moralista, sen\u00e3o com uma carga especificamente antropol\u00f3gica. Esta \u00e9 mais uma daquelas express\u00f5es que nos leva a uma distor\u00e7\u00e3o de pensamento muito comum na contemporaneidade.<\/p>\n<p>Lembro-me de um debate que tive, h\u00e1 pouco tempo, com um grupo de psic\u00f3logos. De como tive muita dificuldade em afirmar que as no\u00e7\u00f5es de \u201chomem\u201d e \u201cmulher\u201d ainda descrevem uma realidade concreta, necess\u00e1ria, ou seja , n\u00e3o podem ser substitu\u00eddas por express\u00f5es de \u201cg\u00eanero\u201d. Isto n\u00e3o \u00e9 escamotear as graves quest\u00f5es de identidade sexual, mas \u00e9 apenas garantir a necessidade de que a linguagem humana continue intelig\u00edvel.<\/p>\n<p>Diante da reclama\u00e7\u00e3o de uma militante feminista radical, que estava presente, de que eu estava revelando um machismo latente ao me expressar assim, eu redargu\u00ed que eu defendia apenas que a condi\u00e7\u00e3o de mulher era privativa das mulheres, respeitadas toda a varia\u00e7\u00e3o de apetites no entremeio como apenas acidentais. Enquanto ela entendia que qualquer homem, desde que sentisse atra\u00e7\u00e3o por pessoas do mesmo sexo, teria o direito de declarar-se t\u00e3o mulher quanto as mulheres. E que, portanto, ela desconsiderava o fator biol\u00f3gico, cient\u00edfico, mensur\u00e1vel, da condi\u00e7\u00e3o feminina, para garantir aos homens que quisessem o direito de serem mulheres tamb\u00e9m. Isto me parece, a\u00ed sim, um tremendo machismo. N\u00e3o podemos desconsiderar a realidade complexa da multiplicidade com que os desejos e os comportamentos se apresentam na vida de cada ser humano. Mas ao negar \u00e0s mulheres o direito de serem as \u00fanicas mulheres n\u00e3o me parece ser um bom feminismo. E, se \u00e9 isto que o Dia da Mulher celebra, ou seja, a diferen\u00e7a entre homens e mulheres, que \u00e9 abertura \u00e0 complementariedade, e que representa a express\u00e3o vis\u00edvel de que nenhum ser humano \u00e9 autossuficiente, ent\u00e3o viva o Dia da Mulher!<\/p>\n<p>Simone de Beauvoir, certa vez, afirmou que \u201cningu\u00e9m nasce mulher, as mulheres fazem-se\u201d. Esta afirma\u00e7\u00e3o n\u00e3o faz nenhum sentido: se fosse assim, cada vez que um promotor de Justi\u00e7a precisasse denunciar algu\u00e9m pelo crime de feminic\u00eddio, ele precisaria submeter a v\u00edtima a uma \u201cper\u00edcia antropol\u00f3gica\u201d para saber se, a despeito do sexo feminino que ela traz em seu corpo, ela chegou a \u201cfazer-se mulher\u201d pela vida afora, de modo a caracterizar a agravante de matar uma mulher. Isto \u00e9 de um absurdo t\u00e3o patente que n\u00e3o precisa maior indaga\u00e7\u00e3o. Simone de Beauvoir, com todos os que repetem este mote por a\u00ed, desconhecem a distin\u00e7\u00e3o aristot\u00e9lica de \u201cato\u201d e \u201cpot\u00eancia\u201d, e, na sua ignor\u00e2ncia, produziram um slogan de campanha travestido de mote filos\u00f3fico. Todos nascemos como seres humanos em ato, e com nossa biologia masculina e feminina em ato, mas em pot\u00eancia para o desenvolvimento de todas as perfei\u00e7\u00f5es que nos caracterizar\u00e3o na idade adulta. Os raros casos de m\u00e1s forma\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas somente confirmam esta regra.<\/p>\n<p>As mulheres s\u00e3o mulheres. E fazem-se mulheres, ao desenvolverem suas potencialidades humanas ao longo de sua vida. O resto \u00e9 somente m\u00e1 poesia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Zenit<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Que este Dia da Mulher nos sirva para tornar mais clara a necessidade de proclamar que lutar pelos mesmos direitos e pela mesma dignidade n\u00e3o implica, de modo nenhum, suprimir a diferen\u00e7a, nem a peculiaridade envolvida no fato de sermos homens e mulheres Ainda h\u00e1 pouco, quando cheguei no trabalho, deparei-me com uma pequena mensagem [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-13714","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cotidiano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13714","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13714"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13714\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26340,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13714\/revisions\/26340"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13714"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13714"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13714"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}