{"id":13680,"date":"2016-03-08T11:44:59","date_gmt":"2016-03-08T14:44:59","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/03\/08\/quinta-catequese-quaresmal\/"},"modified":"2017-05-08T15:29:53","modified_gmt":"2017-05-08T18:29:53","slug":"quinta-catequese-quaresmal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/quinta-catequese-quaresmal\/","title":{"rendered":"Quinta Catequese Quaresmal"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Alegria do Senhor \u00e9 a nossa for\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Car\u00edssimos irm\u00e3os e irm\u00e3s,<\/p>\n<p>Quaresma \u00e9 um tempo especial: preparamos a festa da P\u00e1scoa e somos convidados a limpar \u201cnossa casa\u201d. Percorremos estes dias da quaresma rumo a P\u00e1scoa, com coragem de f\u00e9, nos transfigurando dia a dia por meio de uma real e verdadeira convers\u00e3o de cora\u00e7\u00e3o, hoje chegamos a ao domingo da alegria \u2013 domingo Laetare, \u201cdia das rosas em Roma\u201d \u2013, pois vemos o Deus do amor gratuito e incondicional que nos ama de modo fiel e eterno, por isso confia em n\u00f3s e nos espera para nos acolher com o abra\u00e7o da miseric\u00f3rdia amorosa e terna de Deus. Eis o porqu\u00ea podemos dizer que a penit\u00eancia nos leva a alegria!<br \/>Chegamos a este momento da quaresma depois de vivermos nestes dias as \u201c24 horas para o Senhor\u201d como tempo prop\u00edcio para convers\u00e3o e celebra\u00e7\u00e3o da reconcilia\u00e7\u00e3o. Os paramentos r\u00f3seo nos convida a celebramos na esperan\u00e7a a alegria do Senhor que nos reconcilia e nos convida a viver uma nova vida.<br \/>No Batismo recebemos o abra\u00e7o do Pai, sa\u00edmos das trevas para a luz, o mesmo acontece no Sacramento da Confiss\u00e3o. Por isso, hoje, a abertura da f\u00e9 ao encontro renovador com Cristo \u00e9 como deixar-se abra\u00e7ar pelo Pai que nos acolhe e nos d\u00e1 com alegria, novamente, a dignidade de filhos e filhas de Deus. <br \/>Neste quarto Domingo da Quaresma vemos na 1\u00aa Leitura (Jos 5,9a.10-12) que recorda a chegada ao povo de Deus e a celebra\u00e7\u00e3o pascal, quando come\u00e7aram a comer os frutos da terra prometida. O grande an\u00fancio \u00e9 claro: \u201choje tirei de cima de v\u00f3s o opr\u00f3brio do Egito\u201d. Eis os frutos da convers\u00e3o, na vida nova de liberdade e paz. Cada um de n\u00f3s, fi\u00e9is crist\u00e3os, como o Povo de Deus precisamos passar da escravid\u00e3o e do deserto a liberta\u00e7\u00e3o e a vida nova. Assim poderemos saborear e ver \u201cqu\u00e3o suave \u00e9 o Senhor\u201d (cf. Sl 33[34]).<br \/>Na 2\u00aa Leitura (2Cor 5,17-21) vemos a oferta de amor que Deus nos faz por meio de Jesus. Aqui temos a reconcilia\u00e7\u00e3o como chave de leitura. Somos chamados a aceitar a proposta de reconcilia\u00e7\u00e3o que o pr\u00f3prio Deus nos faz, mesmo infi\u00e9is, Deus continua fiel. \u00c9 em Jesus, nosso Irm\u00e3o Maior, que nos reconciliamos com Deus, por isso mesmo que esta comunh\u00e3o s\u00f3 existira quando reconciliarmos com os outros irm\u00e3os e irm\u00e3s. \u00c9 o grito da Igreja a todos n\u00f3s neste tempo: \u201cdeixai-vos reconciliar com Deus\u201d. \u201cO mundo velho despareceu e tudo agora \u00e9 novo\u201d. Eis a nossa dire\u00e7\u00e3o!<br \/>Por\u00e9m, n\u00f3s ainda peregrinamos para Jerusal\u00e9m, mas caminhamos com Jesus e hoje Ele vem nos dizer no Evangelho sobre a miseric\u00f3rdia, de modo especial (Lc 15, 1-3.11-32). Vemos um Deus de amor e bondade que quer estender os bra\u00e7os at\u00e9 n\u00f3s, n\u00e3o por que mere\u00e7amos, mas porque Ele nos ama profundamente mesmo. Eis a par\u00e1bola do \u201cPai misericordioso\u201d, que traz tamb\u00e9m figuras que sempre devemos nos colocar, seja como filho mais novo que sai de casa, ou como o filho mais velho e refletir a figura central do Pai. Anel e sand\u00e1lias s\u00e3o cenas que nos recordam autoridade\u00a0 e o ser do homem livre. <br \/>No filho mais novo vemos a ingratid\u00e3o, o orgulho, a autossufici\u00eancia, a irresponsabilidade, vemos o que temos hoje, pessoas que tentam se preencher, mas se encontram inteiramente vazias. As grandes cidades, cidades que n\u00e3o dormem, mas que n\u00e3o preenchem o repouso de muitos. Estamos cercados de muitos, mas estamos verdadeiramente no deserto, sem nada e, \u00e0s vezes, sem a \u00e1gua viva que nos d\u00e1 for\u00e7a e animo de continuar a caminhar. <br \/>J\u00e1 o filho mais velho, aquele que \u201cparecia\u201d todo correto, segue uma l\u00f3gica que n\u00e3o \u00e9 a de Deus, mas da simples justi\u00e7a. Falta a miseric\u00f3rdia no seu cora\u00e7\u00e3o, miseric\u00f3rdia que poderia fazer ele tamb\u00e9m participar da volta do irm\u00e3o, mas ele chega a dizer ao Pai \u201cque este teu filho\u201d, recorda a atitude de Caim que responde a Deus: \u201csou eu, por acaso, guarda do meu irm\u00e3o?\u201d (Gn 4,9b).<br \/>O Pai, por\u00e9m, n\u00e3o exclui ningu\u00e9m, mas abra\u00e7a a todos, abra\u00e7a o filho que retorna, vai at\u00e9 o filho que n\u00e3o entra em casa, mas \u00e9 de casa. O Pai misericordioso ama a todos. Eis o Pai das miseric\u00f3rdias que vai contra toda l\u00f3gica humana, pois tem uma l\u00f3gica maior ainda. Eis a alegria do Pai, de reencontrar, acolher e reintegrar a grande fam\u00edlia aqueles que se foram, mesmo aqueles que est\u00e3o dentro, mas n\u00e3o plenamente aceitam o outro (e se julga melhor que o outro): Ele vai at\u00e9 eles e os convida, por\u00e9m o Evangelho n\u00e3o diz se o filho entrou ou n\u00e3o, mas sabemos o quanto este Pai tenta ainda hoje fazer voc\u00ea e eu entrar nesta festa dos reconciliados. O Pai ama de forma transbordante, por isso vai al\u00e9m do que \u00e9 justo, para chegar a justi\u00e7a de Deus. O Pai misericordioso e paciente que espera com esperan\u00e7a cada um de n\u00f3s.<br \/>\u00abP\u00e9guy dizia da par\u00e1bola do filho pr\u00f3digo: \u201cAquele que a ouve pela cent\u00e9sima vez, \u00e9 como se a ouvisse pela primeira vez\u201d. Conhecemo-la de cor\u2026 \u00c9 preciso parar longamente, sabore\u00e1-la ainda e sempre. Podemos hoje pensar na seguinte frase: \u201cBem desejava ele matar a fome com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ningu\u00e9m lhas dava\u201d. Parece que n\u00e3o diz nada de importante. Mas pode ser a frase-chave da par\u00e1bola. A verdadeira mis\u00e9ria do filho mais novo \u00e9 de n\u00e3o ter ningu\u00e9m que esteja atento a ele, que o olhe. Para os seres humanos, o olhar \u00e9 vital. Quando o olhar n\u00e3o \u00e9 transparente, acontecem desvios, recusa do amor, os seres humanos torna-se inimigos em vez de serem irm\u00e3os e irm\u00e3s, acontece desconfian\u00e7a, inveja, indiferen\u00e7a. O filho mais novo morre da falta de um olhar de amor, sente fome de amor. Jesus quer mudar esta situa\u00e7\u00e3o, renovando rela\u00e7\u00f5es em que o amor possa circular de novo. Jesus lan\u00e7a o seu olhar de amor sobre n\u00f3s, sobre cada um de n\u00f3s. Um olhar que \u00e9 fonte de vida! Um olhar do qual n\u00e3o podemos fugir!\u00bb .<br \/>A volta a casa sempre \u00e9 momento de alegria, mesmo quando viajamos, bom da viagem \u00e9 quando voltamos a casa, onde podemos repousar dos cansa\u00e7os da caminhada. Eis o que o filho mais novo quis quando estava nos porcos, voltar a casa e mesmo ser um empregado, pois estaria perto do que foi sua casa. Quantos de n\u00f3s tamb\u00e9m queremos voltar a casa, a ter uma casa, a partilhar e a viver com a fam\u00edlia, o sentir-se amado. Quem mora na rua, n\u00e3o mora por morar, sempre h\u00e1 uma hist\u00f3ria de dor, de exclus\u00e3o, de incompreens\u00e3o, de car\u00eancia, de vazio. Precisamos reconciliar tamb\u00e9m aqui estas pessoas. Reconciliar a quantos que enveredam no mundo da droga e do \u00e1lcool, porque se sentiam vazias, e agora est\u00e3o num abismo cada vez maior. Viver a liturgia significa fazer a missa continuar a cada instante no espa\u00e7o de nossas vidas. Pois, se a Liturgia nos exorta para que como pecadores temos ainda como voltar a alegria que Deus nos prepara e n\u00e3o s\u00f3 depois da morte, mas no j\u00e1. O pecado traz sequelas terr\u00edveis, pois \u00e9 o maior vicio que nos deixa escravos e n\u00e3o conseguimos ver sa\u00edda, desde que caiamos em n\u00f3s mesmos e tomemos a decis\u00e3o de mudar as coisas de forma radical, com a for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo. <br \/>Que cada um de n\u00f3s descubra neste domingo e nesta semana o Deus rico de miseric\u00f3rdia que n\u00e3o se cansa de perdoar e de nos querer de volta. Ele \u00e9 paciente e est\u00e1 sempre \u00e0 espera, para acolher e abra\u00e7ar os filhos e filhas que decidem voltar, dando for\u00e7a e \u00e2nimo para continuarem a caminhada.<br \/>Recordo o que o Papa Bento XVI dizia em 2007:<br \/>\u00abEstamos no quarto Domingo de Quaresma, chamada em latim Domingo \u00abin Laetare\u00bb, isto \u00e9, \u00abAlegra-te\u00bb da primeira palavra da ant\u00edfona da entrada na liturgia da Missa. Hoje a liturgia convida-nos a alegrar-nos porque se aproxima a P\u00e1scoa, o dia da vit\u00f3ria de Cristo sobre o pecado e sobre a morte. Mas onde se encontra a fonte da alegria crist\u00e3 a n\u00e3o ser na Eucaristia, que Cristo nos deixou como Alimento espiritual, enquanto somos peregrinos nesta terra? A Eucaristia alimenta nos crentes de todas as \u00e9pocas aquela alegria profunda, que forma um todo com o amor e com a paz, e que tem origem na comunh\u00e3o com Deus e com os irm\u00e3os. [\u2026] Na Eucaristia Cristo quis doar-nos o seu amor, que o levou a oferecer na cruz a vida por n\u00f3s. Na \u00faltima Ceia, lavando os p\u00e9s dos disc\u00edpulos, Jesus deixou-nos o mandamento do amor:\u00a0 \u00abAssim como Eu vos amei, v\u00f3s tamb\u00e9m vos deveis amar uns aos outros\u00bb (Jo 13, 34). Mas isto s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se permanecermos unidos a Ele, como os ramos \u00e0 videira (cf. Jo 15, 1-8), ele mesmo escolheu permanecer entre n\u00f3s na Eucaristia para que pud\u00e9ssemos permanecer com Ele. Portanto, quando nos alimentamos com f\u00e9 do seu Corpo e do seu Sangue, o seu amor vem a n\u00f3s e torna-nos capazes por nossa vez de dar a vida pelos fi\u00e9is (cf. 1 Jo 3, 16) e n\u00e3o de a termos para n\u00f3s mesmos. Daqui brota a alegria crist\u00e3, a alegria de amar e de ser amados. [\u2026]\u00bb.<br \/>A certeza do amor de Deus nos enche de consola\u00e7\u00e3o e afasta de n\u00f3s qualquer atitude de desesperan\u00e7a e de tristeza. Apesar de nossas cont\u00ednuas infidelidades, Deus, misericordioso e sempre fiel \u00e0 sua alian\u00e7a, procuramos incansavelmente, chamando-nos \u00e0 obedi\u00eancia filial e \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o. Que Deus nos ajude e nos ilumine a percebermos os sinais de amor presente na vida quotidiana, porque da morte gloriosa de Cristo nasceu a vida plena.<br \/>Pai Misericordioso, Pai Amado, Pai Santo, que conheceis os segredos dos cora\u00e7\u00f5es, escutai esta nossa prece: n\u00e3o permitais que nos domine o poder das trevas, mas abri os nossos olhos e cora\u00e7\u00f5es \u00e0 luz do Esp\u00edrito Santo, a fim de que amemos o Cristo com renovado impulso, reconhecendo-o presente nos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s, reconciliando-nos com todos para que mudemos sempre o nosso cora\u00e7\u00e3o, inspirados nas iniciativas do perd\u00e3o e de paz, para sermos a verdadeira fam\u00edlia de Deus.<\/p>\n<p>Is 66, 10-11<br \/>ANT\u00cdFONA DE ENTRADA: Alegra-te, Jerusal\u00e9m; rejubilai, todos os seus amigos. Exultai de alegria, todos v\u00f3s que participastes no seu luto e podereis beber e saciar-vos na abund\u00e2ncia das suas consola\u00e7\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alegria do Senhor \u00e9 a nossa for\u00e7a. Car\u00edssimos irm\u00e3os e irm\u00e3s, Quaresma \u00e9 um tempo especial: preparamos a festa da P\u00e1scoa e somos convidados a limpar \u201cnossa casa\u201d. 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