{"id":13655,"date":"2016-03-04T17:05:17","date_gmt":"2016-03-04T20:05:17","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/03\/04\/que-puxa-charlie-brown-o-que-e-tao-bom-sobre-o-sofrimento\/"},"modified":"2017-05-31T13:34:04","modified_gmt":"2017-05-31T16:34:04","slug":"que-puxa-charlie-brown-o-que-e-tao-bom-sobre-o-sofrimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/que-puxa-charlie-brown-o-que-e-tao-bom-sobre-o-sofrimento\/","title":{"rendered":"\u201cQue puxa\u201d, Charlie Brown: o que \u00e9 t\u00e3o bom sobre o sofrimento?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/web-snoopy-charlie-brown-s.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Como aux\u00edlio \u00e0 penit\u00eancia durante a Quaresma, n\u00e3o h\u00e1 melhor ingrediente do que o pesar<\/p>\n<p>\u201cQue puxa!\u201d<\/p>\n<p>Esse lamento ficou famoso pelo constante sentimento de pesar de Charlie Brown, amado personagem c\u00f4mico da Peanuts, que li fielmente quando menino.<\/p>\n<p>Eu admirava os nobres esfor\u00e7os de Charlie Brown, mas, sendo muito jovem, era incapaz de entender sua marca registrada: \u201cque puxa!\u201d (em ingl\u00eas a express\u00e3o \u00e9 \u201cOh good grief!\u201d, cuja tradu\u00e7\u00e3o literal transmitiria a ideia de um \u201coh bom sofrimento\u201d). Isso n\u00e3o fazia sentido para mim. O que pode ser bom sofrimento? Eu me perguntava.<\/p>\n<p>Sou muito mais velho agora, continuo f\u00e3 de Charlie Brown, e n\u00e3o sou mais f\u00e3 do sofrimento do que eu era quando lia os quadrinhos Peanuts no jornal quando menino. Mas eu acredito que o sofrimento pode ser um valioso (mas reconhecidamente doloroso e potencialmente t\u00f3xico) ingrediente para cultivar o arrependimento que o tempo da Quaresma visa a favorecer.<\/p>\n<p>Vamos pensar juntos tristeza e arrependimento, olhando-os atrav\u00e9s de um poema chamado \u201cGood Friday\u201d (Sexta-feira da Paix\u00e3o), de Christina Georgina Rossetti:<\/p>\n<p>\u201cSeria eu uma pedra, n\u00e3o uma ovelha,<br \/>para ficar, \u00f3 Cristo, sob a Tua cruz,<br \/>contando gota a gota a lenta perda do Teu sangue,<br \/>E ainda n\u00e3o chorar?<\/p>\n<p>N\u00e3o como aquelas santas mulheres<br \/>que com tristeza extrema Te lamentaram;<br \/>n\u00e3o como o ca\u00eddo Pedro que chorou amargamente;<br \/>nem como o ladr\u00e3o que foi transformado;<\/p>\n<p>N\u00e3o como o Sol e a Lua<br \/>que esconderam seus rostos em um c\u00e9u sem estrelas,<br \/>no horror da grande escurid\u00e3o do meio-dia \u2013<br \/>Eu, s\u00f3 eu.<\/p>\n<p>Mas ainda n\u00e3o acabou,<br \/>busca tua ovelha, verdadeiro Pastor do rebanho;<br \/>maior que Mois\u00e9s, vire-se e olhe mais uma vez<br \/>e trespasse a pedra\u201d.<\/p>\n<p>Pecadores como eu podem relutar a se abrir ao sofrimento com o Cristo crucificado, porque quando o pre\u00e7o do nosso pecado \u00e9 colocado diante de n\u00f3s, torna-se muito pesado enxergar. E assim, como no poema, tornamo-nos mais como pedras que como ovelhas, aqueles que n\u00e3o se afligem como a \u00faltima gota de vida do Cristo crucificado.<\/p>\n<p>O poema contrasta nas pr\u00f3ximas duas estrofes o pecador endurecido com quem sofreu com Cristo \u2013 as santas mulheres aos p\u00e9s da cruz, S\u00e3o Pedro, o bom ladr\u00e3o, e at\u00e9 mesmo o sol e a lua. No entanto, o poema n\u00e3o termina com desespero ou justificativas, mas sim com esperan\u00e7a e um apelo: trespasse a rocha!<\/p>\n<p>E temos de perguntar, \u201cpor qu\u00ea?\u201d. O que \u00e9 t\u00e3o bom sobre o sofrimento? O que \u00e9 t\u00e3o especialmente desej\u00e1vel sobre o sofrimento pelos nossos pecados diante do Cristo crucificado? Por que resistir a ele t\u00e3o obstinadamente? Ser\u00e1 que \u00e9 porque n\u00f3s amamos nosso pecado mais do que amamos a Cristo? Talvez. Ser\u00e1 que \u00e9 porque o pesar sobre o pecado pode ser incompat\u00edvel com o culto da auto-estima t\u00e3o celebrado em nossa cultura? Possivelmente.<\/p>\n<p>Mas eu acho que uma raz\u00e3o mais profunda e, possivelmente, mais trai\u00e7oeira, alimenta a dureza do cora\u00e7\u00e3o que nos impede de viver o luto por Cristo crucificado por nossos pecados. N\u00f3s resistimos a tal bom sofrimento porque nos sentimos t\u00e3o desprezados como pecadores que \u00e9 insuport\u00e1vel ficarmos face a face com o Senhor que nos ama at\u00e9 a morte e al\u00e9m. Se pud\u00e9ssemos admitir, poder\u00edamos confessar que nos odiamos por matar atrav\u00e9s do nosso pecado o amor que sempre desejamos, e temer\u00edamos que nunca estar\u00edamos certos de que nunca mais matar\u00edamos o amor. Quem poderia negar que isso seria terr\u00edvel demais de enfrentar?<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, para nos poupar do sofrimento aparentemente sem limites do amor que almejamos e rejeitamos, endurecemos nossos cora\u00e7\u00f5es e procuramos viver como uma pedra, n\u00e3o como uma ovelha. Protegendo-nos de tal boa dor, tamb\u00e9m nos impedimos da penit\u00eancia que nos libertaria e nos lan\u00e7aria ao cora\u00e7\u00e3o divino para o qual fomos feitos. Sem penit\u00eancia genu\u00edna, encharcada de tristeza, s\u00f3 podemos brincar de ser pecadores e, por isso, s\u00f3 brincar de sermos salvos. Em outras palavras, uma diminu\u00edda Quaresma s\u00f3 pode produzir uma diminu\u00edda P\u00e1scoa. O que devemos fazer?<\/p>\n<p>Considere isto a partir de uma homilia pregada pelo Papa Bento XVI em 2010:<\/p>\n<p>A penit\u00eancia \u00e9 gra\u00e7a; \u00e9 uma gra\u00e7a que n\u00f3s reconhe\u00e7amos o nosso pecado, \u00e9 uma gra\u00e7a que saibamos que temos necessidade de renova\u00e7\u00e3o, de mudan\u00e7a, de uma transforma\u00e7\u00e3o do nosso ser. Penit\u00eancia, poder fazer penit\u00eancia, \u00e9 um dom da gra\u00e7a.<\/p>\n<p>Eu digo que o bom sofrimento da Quaresma \u00e9 um sinal de que descobrimos que somos pecadores e que somos pecadores amados. Pecadores amados podem ver que a resposta mais digna \u00e0 miseric\u00f3rdia que custou tanto ao nosso Pai celeste \u00e9 penitenciar, ou seja, permitir-lhe trabalhar dentro de n\u00f3s, nos moldar, para que possamos ser livres para vir \u00e0 casa dele, onde um banquete nos \u00e9 preparado.<\/p>\n<p>Padre Robert McTeigue, SJ, \u00e9 um membro da \u201cMaryland Province of the Society of Jesus\u201d. Professor de filosofia e teologia, tem longa experi\u00eancia em dire\u00e7\u00e3o espiritual, retiros e forma\u00e7\u00e3o religiosa. Ensina filosofia na Universidade Ave Maria, FL, e \u00e9 conhecido por suas aulas de ret\u00f3rica e \u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como aux\u00edlio \u00e0 penit\u00eancia durante a Quaresma, n\u00e3o h\u00e1 melhor ingrediente do que o pesar \u201cQue puxa!\u201d Esse lamento ficou famoso pelo constante sentimento de pesar de Charlie Brown, amado personagem c\u00f4mico da Peanuts, que li fielmente quando menino. 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