{"id":13558,"date":"2016-02-26T12:38:27","date_gmt":"2016-02-26T15:38:27","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/02\/26\/chantagem-ameacas-e-dossies-para-tirar-mais-um-nobel-de-dom-helder\/"},"modified":"2017-05-30T10:06:25","modified_gmt":"2017-05-30T13:06:25","slug":"chantagem-ameacas-e-dossies-para-tirar-mais-um-nobel-de-dom-helder","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/chantagem-ameacas-e-dossies-para-tirar-mais-um-nobel-de-dom-helder\/","title":{"rendered":"Chantagem, amea\u00e7as e dossi\u00eas para tirar mais um Nobel de Dom H\u00e9lder"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/willy-brandt-300x221.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Em meados de fevereiro de 1971 durante um almo\u00e7o oferecido a ministros de neg\u00f3cios estrangeiros, na embaixada do Brasil em Oslo, surgiu o primeiro boato de que o arcebispo de Olinda e Recife e Olinda, Dom Helder C\u00e2mara, estaria novamente entre indicados aceitos para concorrer ao Pr\u00eamio Nobel da Paz, como ocorrera no ano anterior. Surgiu tamb\u00e9m a novidade: o chanceler alem\u00e3o Willy Brandt, nome de peso na pol\u00edtica europeia, tamb\u00e9m estava no p\u00e1reo.<\/p>\n<p>Em 11 de mar\u00e7o de 1971, o embaixador em Oslo, Jayme de Souza Gomes, envia um telegrama \u00e0 secretaria geral do Itamaraty, confirmando a not\u00edcia e j\u00e1 antecipando os candidatos mais cotados para ganhar \u2013 o brasileiro e o alem\u00e3o. Quanto ao brasileiro, era preciso agir para que fosse derrotado. E torcer pelo crescimento do alem\u00e3o. Adepto dos longos relat\u00f3rios, Jayme faz seus contatos de sempre e descobre quem participou dos trabalhos da Comiss\u00e3o Nobel do Parlamento Noruegu\u00eas, o que foi dito, n\u00famero de inscritos, e avalia os pontos positivos e negativos de Brandt, Dom Helder e dos irm\u00e3os indigenistas Cl\u00e1udio e Orlando Villas-Boas, que logo seriam descartados.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/helder-camara-02-001-702x336.jpg\" border=\"0\" align=\"right\" \/>Sobre Dom Helder, os pontos positivos, a exemplo da elei\u00e7\u00e3o que de 1970, seguiam os mesmos, acrescidos de um sentimento forte, entre diversos meios de comunica\u00e7\u00e3o noruegueses e europeus, de que o brasileiro fora injusti\u00e7ado, no ano anterior. \u201cAqui, pois, n\u00e3o caberia real\u00e7ar o prest\u00edgio do prelado brasileiro. Seria uma in\u00fatil repeti\u00e7\u00e3o do que esta Embaixada tem informado\u201d, diz o embaixador. Mas o que importava era saber o que \u201cenfraquecera\u201d Dom Helder, no conceito da Comiss\u00e3o Nobel.<\/p>\n<p>Um dos pontos negativos fora fruto de uma artimanha do empres\u00e1rio Tore Munck, um dos diretores da Munck do Brasik S.A, que colheu no Brasil e publicou, em seu jornal, na Noruega \u2013 o Morgenposte \u2013 artigos apontando Dom Helder como \u201cex-fascista\u201d, pelo fato de ter sido integrante da A\u00e7\u00e3o Integralista Brasileira. Mas o principal \u201cenfraquecimento\u201d era o \u201creceio\u201d de que o brasileiro pudesse ter, com a outorga do Pr\u00eamio Nobel, cada vez mais influ\u00eancia, e isso pudesse contribuir \u201cpara a implanta\u00e7\u00e3o de um governo de extrema esquerda no Brasil\u201d, a exemplo do que acontecera recentemente no Chile \u2013 ou at\u00e9 em Cuba \u2013 com os problemas de \u201cexpropria\u00e7\u00e3o\u201d ou \u201cestatiza\u00e7\u00e3o\u201d. Isso poderia colocar em risco os capitais estrangeiros. Os noruegueses, donos do Pr\u00eamio Nobel, despejavam rios de investimentos no Brasil, em 1971.<\/p>\n<p>Era um racioc\u00ednio movido mais pelo bolso do que pela ci\u00eancia pol\u00edtica. No m\u00ednimo, a transforma\u00e7\u00e3o de um arcebispo mi\u00fado e cativante, num Che Guevara alucinado. O Brasil, em mar\u00e7o de 1971, era governado sob a trucul\u00eancia do general Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici, os grupos de guerrilha rural ou urbana estavam sendo dizimados, a classe m\u00e9dia celebrava o crescimento econ\u00f4mico. O pa\u00eds terminou 1970 com um crescimento de 9,5% do PIB e infla\u00e7\u00e3o de 20%. N\u00e3o havia, nem nos maiores del\u00edrios, a possibilidade de um Governo de extrema esquerda. Mas detalhes como \u201camea\u00e7a aos capitais estrangeiros\u201d e \u201crisco aos investimentos noruegueses\u201d se tornara o mote que a ditadura brasileira passou a utilizar, de forma sistem\u00e1tica e articulada, para derrubar Dom Helder pela segunda vez. Ou, como diziam os documentos da embaixada, para \u201cneutralizar\u201d a campanha do prelado brasileiro ao Nobel.<\/p>\n<p>Na publica\u00e7\u00e3o Cadernos da mem\u00f3ria e verdade \u2013 volume 4, publicado recentemente pela Comiss\u00e3o da Verdade Dom Helder C\u00e2mara de Pernambuco, que analisa o papel da ditadura brasileira contra a indica\u00e7\u00e3o de Dom Helder ao Nobel, h\u00e1 um epis\u00f3dio que ilustra os bastidores de uma \u201cneutraliza\u00e7\u00e3o\u201d. Vasco Mariz, ent\u00e3o chefe do Departamento Cultural do Itamaraty, teria sido convocado para uma reuni\u00e3o com o secret\u00e1rio-geral do \u00f3rg\u00e3o, Jorge de Carvalho e Silva. Tinha sido a primeira indica\u00e7\u00e3o de Dom Helder ao Nobel, em 1970, e o alarme disparou. Muniz foi informado que o brasileiro era favorito. Recebeu a miss\u00e3o de convocar uma reuni\u00e3o com os embaixadores dos pa\u00edses escandinavos (Noruega, Su\u00e9cia, Dinamarca e Finl\u00e2ndia) e comunicar o desconforto do governo brasileiro.<\/p>\n<p>O encontro aconteceu, ironicamente, na Sala dos \u00cdndios, do Pal\u00e1cio Itamaraty. Foi solicitado, com todas as letras, \u201ca t\u00edtulo excepcional\u201d, que os embaixadores interviessem junto \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Nobel, \u201cpara evitar a escolha\u201d. Segundo o relato de Mariz, todos os embaixadores voltaram, dias depois, e deram a mesma resposta \u2013 seus governos n\u00e3o interfeririam em \u201ctemas do Nobel\u201d.<br \/>No livro que publicou em 2013, intitulado Nos bastidores da diplomacia: mem\u00f3rias diplom\u00e1ticas, resgatado pela Comiss\u00e3o da Verdade de Pernambuco, Mariz conta uma hist\u00f3ria impressionante, que escutara de Alarico Silveira, ent\u00e3o chefe do Servi\u00e7o de Informa\u00e7\u00f5es do Itamaraty:<\/p>\n<p>\u201cForam convocados os presidentes e diretores de todas as empresas escandinavas no Brasil, como Volvo, a Scania, Vabis, a Ericsson, a Facit, a Nokia e outras menores, e lhes foi solicitado que interviessem na Funda\u00e7\u00e3o Nobel para evitar a concess\u00e3o ao Pr\u00eamio Nobel a Dom Helder C\u00e2mara. Todos lamentaram n\u00e3o poder intervir no caso\u201d. O oficial general que presidia a reuni\u00e3o simplesmente deu um murro na mesa e anunciou: \u201cSe os senhores n\u00e3o intervierem com firmeza e Dom Helder chegar a receber o pr\u00eamio Nobel da Paz, ent\u00e3o as suas empresas no Brasil n\u00e3o poder\u00e3o remeter um centavo de lucros para as respectivas matrizes\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/felix-morlion-229x300.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Ao ler este relato em um livro de mem\u00f3rias de um ex-diplomata, Manoel Moraes esfregou os olhos e n\u00e3o acreditou. \u201cFiquei t\u00e3o impressionado, que telefonei para ele, que confirmou tudo. Foi exatamente isso que aconteceu\u201d, diz, um dos autores do livro da Comiss\u00e3o da Verdade. Um ilustre desconhecido entra em cena: Felix A. Morlion, O.P. Pelos documentos diplom\u00e1ticos fornecidos pelo Itamaraty \u00e0 Comiss\u00e3o Estadual da Mem\u00f3ria e da Verdade Dom Helder C\u00e2mara, de Pernambuco, em dezembro de 2014, o cerco \u00e0 candidatura do brasileiro, em 1971, passou por in\u00fameras articula\u00e7\u00f5es. Tudo valia a pena, desde que ele n\u00e3o vencesse.<\/p>\n<p>Era maio de 1971, quando Tore Munck chegou \u00e0 embaixada brasileira, desta vez n\u00e3o com alguma informa\u00e7\u00e3o ou picuinhas dos bastidores do Comit\u00ea do Nobel, mas com uma novidade \u2013 uma monografia \u2013, que tinha o estranho t\u00edtulo \u201cA dial\u00e9tica Pol\u00edtica de Dom Helder C\u00e2mara\u201d, produzida por Felix A, Morlion, O.P, um nome desconhecido para os brasileiros. Segundo Munck, o material teria sido viabilizado pelo embaixador Roberto Campos.<\/p>\n<p>Belga, Morlion era uma figura amb\u00edgua: se por um lado ajudou judeus a fugirem da Gestapo na II Guerra e escreveu roteiros para o cinema neorrealista italiano, a partir do pontificado de Pio XII atuou nos bastidores do Vaticano como diplomata, mantendo v\u00ednculos estreitos com a democracia-crist\u00e3 italiana e, provavelmente, com a m\u00e1fia. Morlion se propunha a fazer uma \u201can\u00e1lise conteudista de acordo com a metodologia da an\u00e1lise do discurso\u201d, dividindo depoimentos e entrevistas de Dom Helder em \u201cquatro planos dial\u00e9ticos\u201d. Ap\u00f3s expor as id\u00e9ias do arcebispo, todas numeradas, abria um bloco e fazia perguntas, de sua autoria, contestando o arcebispo. Todas tamb\u00e9m numeradas. Em muitos momentos, ele n\u00e3o esconde uma certa admira\u00e7\u00e3o pelo brasileiro e certa voca\u00e7\u00e3o para se perder em divaga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cA an\u00e1lise dos textos escritos por Dom Helder nos faz poss\u00edvel perceber o qu\u00e3o impressionante e din\u00e2micos s\u00e3o seus pronunciamentos para esses grupos. N\u00e3o podemos ent\u00e3o partir do geral para o particular, dos efeitos imediatos, intermedi\u00e1rios e causas principais. \u201cSe n\u00e3o tivermos o sucesso em entender a for\u00e7a espiritual de Dom Helder C\u00e2mara e, ao mesmo tempo, prover respostas concretas ao que ele tem arguido, n\u00f3s n\u00e3o podemos reclamar de sermos taxados de culpados pelo pecado da omiss\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O documento tinha uma caracter\u00edstica \u2013 grandes colagens de depoimentos do arcebispo, sem data ou fonte, como no cap\u00edtulo \u201cA estrutura do novo socialismo\u201d: \u201cEu sou socialista. Deus criou o homem na sua imagem para que este possa participar da sua cria\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o ser escravo, como se pode aceitar o fato de a maioria dos homens ser explorada a viver como escravos? Eu n\u00e3o consigo ver nenhuma solu\u00e7\u00e3o no capitalismo. Mas eu tamb\u00e9m n\u00e3o vejo a solu\u00e7\u00e3o nem nos exemplos do socialismo oferecido atualmente porque estes s\u00e3o baseados na ditadura\u201d. \u201cMeu socialismo \u00e9 especial, um socialismo que respeita a pessoa humana e segue os evangelhos. Meu socialismo \u00e9 justi\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>A embaixada do Brasil em Oslo precisava de uma novidade para sensibilizar os jurados do Nobel e providenciou rapidamente a tradu\u00e7\u00e3o e a impress\u00e3o do documento, para distribui\u00e7\u00e3o entre os membros da Comiss\u00e3o do Nobel do Parlamento Noruegu\u00eas \u2013 com especial aten\u00e7\u00e3o ao relator do processo de Dom Helder. Depois de espalhar a \u201cDial\u00e9tica\u201d, surgiu um questionamento b\u00e1sico: afinal de contas, quem \u00e9 esse tal Felix A.Morlion, O.P? Jayme Sousa Gomes manda carta ao embaixador Roberto Campos, que morava no Rio de Janeiro, pedindo dados biogr\u00e1ficos do \u201cSenhor F\u00e9lix\u201d, para melhor identific\u00e1-lo perante a Comiss\u00e3o do Nobel. Ao que parece, foi olimpicamente ignorado. Ap\u00f3s dois meses mandando of\u00edcios e telegramas, cobrando respostas, somente em julho de 1971 recebe um telegrama da embaixada brasileira no Vaticano.<\/p>\n<p>\u201cFui informado que padre Felix Andre Morlion nega exist\u00eancia da mencionada monografia. Consegui, entretanto averiguar que ele est\u00e1 organizando no maior sigilo um estudo sobre Dom Helder C\u00e2mara cuja ess\u00eancia e finalidade, devido ao car\u00e1ter sigiloso que ainda se reveste o assunto, n\u00e3o me foi poss\u00edvel at\u00e9 agora desvendar\u201d, responde um funcion\u00e1rio que assina o documento secreto como Jobim.<\/p>\n<p>Ele complementa:\u201cPosso assegurar a vossa excel\u00eancia que Padre Morlion n\u00e3o desfruta de bom conceito em esferas respons\u00e1veis do Vaticano, pois segundo Monsenhor Benelli me confiou ontem em car\u00e1ter pessoal, trata-se de um imaturo, adjetivo esse que, dentro do contexto como foi empregado tem o sentido de irrespons\u00e1vel\u201d. Al\u00e9m de irrespons\u00e1vel, esperto.<\/p>\n<p>Jobim contou que Morlion conseguiu liga\u00e7\u00f5es nos Estados Unidos para criar a insittui\u00e7\u00e3o PRO DEO, arrecadando \u201cvultosas subven\u00e7\u00f5es\u201d. No Brasil, ele conseguiu uma generosa doa\u00e7\u00e3o de US$ 400 mil. Somente dia 29 de julho de 1971, Jobim consegue confirmar a autoria da \u201cDial\u00e9tica Pol\u00edtica de Dom Helder\u201d. Uma boa fonte eclesi\u00e1stica revelou que fora mesmo Morlion o autor da monografia, que teve \u201cc\u00f3pias em n\u00famero restrito e de circula\u00e7\u00e3o sigilosa\u201d. O informante de Jobim garantiu que tinha seu exemplar, mas que seu intuito era \u201cn\u00e3o dar conhecimento a ningu\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p>As tramoias eram certas. No dia 20 de outubro de 1971, o chanceler Willy Brandt foi anunciado pela Academia Sueca como vencedor do Pr\u00eamio Nobel da Paz. Teve tr\u00eas votos. Dom Helder, dois.<\/p>\n<p>Os estranhos bastidores Nobel da Paz de 1970<\/p>\n<p>Em janeiro de 1971, a embaixada brasileira em Oslo conseguiu uma c\u00f3pia de um extenso relat\u00f3rio, de 61 p\u00e1ginas, produzido pelo Comit\u00ea Nobel do Parlamento da Noruega. N\u00famero de inscritos, relat\u00f3rios individuais, nomes de cada um dos relatores, que resumiam a trajet\u00f3ria de cada concorrente, da premia\u00e7\u00e3o referente a 1970. Estava assinado por August Schou, diretor do Instituto Nobel, e a palavra \u201cConfidencial\u201d, no alto da capa, de nada serviu. Dos 38 candidatos que passaram pela pr\u00e9-sele\u00e7\u00e3o, sete foram considerados finalistas. Entre eles, estavam os brasileiros Dom Helder C\u00e2mara e Josu\u00e9 de Castro.<\/p>\n<p>O n\u00famero de p\u00e1ginas dedicado a cada candidato, poderia ter algum peso, mas naquele ano, coisas estranhas aconteceram. Josu\u00e9 de Castro, cientista brasileiro de renome internacional, autor do cl\u00e1ssico Geografia da Fome, publicado em 1946, amargando seu ex\u00edlio ap\u00f3s o Golpe de 1964, ganhou pouco mais de duas p\u00e1ginas, escritas com imensa m\u00e1 vontade pelo consultor e doutor em Economia, Prebem Muthe. A julgar pelo primeiro par\u00e1grafo, o recifense jamais seria um Pr\u00eamio Nobel da Paz.<\/p>\n<p>\u201cO perito em nutri\u00e7\u00e3o, Josu\u00e9 de Castro, j\u00e1 foi proposto como candidato ao Pr\u00eamio da Paz em 1963, e a sua atividade foi objeto de um relat\u00f3rio, naquele ano. Tendo sido dif\u00edcil obter informa\u00e7\u00f5es suplementares sobre o trabalho de Castro desde aquela \u00e9poca e a proposta, deste ano, de Lord Boyd Orr [o proponente \u00e0 candidatura de Castro]n\u00e3o cont\u00e9m nada de novo a cerca (sic) da obra de Castro\u201d.<\/p>\n<p>A julgar pelo relator, o Nobel de 1970 n\u00e3o foi muito cuidadoso com os convidados para emitirem pareceres. \u201cUm ponto, entretanto, est\u00e1 esclarecido: ele deixou o Brasil depois do golpe de Estado em 1964, e ele vive atualmente em Paris. Quanto \u00e0 sua proje\u00e7\u00e3o dentro das Organiza\u00e7\u00f5es Internacionais de Alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e9 dif\u00edcil ter-se uma ideia de sua verdadeira atua\u00e7\u00e3o\u201d. Candidato de n\u00famero seis, Dom Helder C\u00e2mara foi relatado pelo consultor e doutor em Filologia, Jakob Svendrup. A indica\u00e7\u00e3o do brasileiro fora proposta pelo Nobel da Paz de 1968, Ren\u00e9 Cassin, Presidente do Tribunal Europeu de Direitos Humanos, acompanhado de v\u00e1rios parlamentares do Eire, parlamento da Holanda e tr\u00eas membros do Parlamento Sueco.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/norman-baulug-300x246.jpg\" border=\"0\" align=\"right\" \/>S\u00e3o 16 p\u00e1ginas datilografadas com esmero pelo relator, que produz um breve e denso perfil humano e social do arcebispo brasileiro, apontado como um \u201cprotagonista importante para a n\u00e3o-viol\u00eancia e na obten\u00e7\u00e3o de reformas sociais\u201d. Ao longo do texto, Svendrup n\u00e3o esconde a admira\u00e7\u00e3o por Dom Helder. Lembra que sua presen\u00e7a constante na imprensa mundial, e o relaciona diretamente aos acontecimentos no Brasil. \u201cIsso \u00e9 devido ao fato de que ele \u00e9 considerado como l\u00edder da oposi\u00e7\u00e3o contra um regime que se torna cada vez mais ditatorial. A luta que ele leva n\u00e3o \u00e9 sem risco. A sua casa foi metralhada e um de seus colaboradores mais \u00edntimos, Henrique Neto, foi brutalmente assassinado\u201d, diz, referindo-se ao brutal assassinado do Padre Ant\u00f4nio Henrique Pereira da Silva Neto, em 26 de maio de 1969, no Recife\u201d. O vencedor foi o agr\u00f4nomo norte-americano do Centro Internacional de Melhoramento do Milho e Trigo, o hoje esquecido Norman Borlaug, ganhou apenas duas p\u00e1ginas de avalia\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea do Nobel. Ele tinha criado um \u201cnovo panorama para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos no mundo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Zero Marco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meados de fevereiro de 1971 durante um almo\u00e7o oferecido a ministros de neg\u00f3cios estrangeiros, na embaixada do Brasil em Oslo, surgiu o primeiro boato de que o arcebispo de Olinda e Recife e Olinda, Dom Helder C\u00e2mara, estaria novamente entre indicados aceitos para concorrer ao Pr\u00eamio Nobel da Paz, como ocorrera no ano anterior. 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