{"id":13555,"date":"2016-02-25T19:05:05","date_gmt":"2016-02-25T22:05:05","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/02\/25\/o-imperio-da-violencia\/"},"modified":"2017-05-08T15:40:41","modified_gmt":"2017-05-08T18:40:41","slug":"o-imperio-da-violencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-imperio-da-violencia\/","title":{"rendered":"O imp\u00e9rio da viol\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA viol\u00eancia \u00e9 o maior desafio do mundo hoje. De um lado, a intoler\u00e2ncia, a segrega\u00e7\u00e3o, o \u00f3dio tanto tempo acumulado; de outro, e este \u00e9 o nosso caso, a cruel desigualdade social, o abismo entre as classes\u201d, afirma a fil\u00f3sofa e psic\u00f3loga Viviane Mos\u00e9 (1).<br \/>Cinquenta e oito mil quinhentos e cinquenta e nove brasileiros foram assassinados no pa\u00eds em 2014. Sete pessoas por hora. A pol\u00edcia matou oito pessoas por dia. N\u00fameros aterradores como esses, contidos no 9\u00ba Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, divulgado em outubro de 2015, n\u00e3o chegaram \u00e0s manchetes. Foram ofuscados pela turbul\u00eancia pol\u00edtica. Mas, acima de tudo, pelo fato de estarmos, como na\u00e7\u00e3o, adormecidos para a gravidade do que eles representam. Por n\u00e3o compreendermos o que esses n\u00fameros traduzem. Todos os anos s\u00e3o publicados levantamentos independentes sobre o quanto se mata no Brasil. O anu\u00e1rio, por exemplo, \u00e9 feito pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, o FBSP, uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental.<br \/>Quem tenta como eles, compilar quantos s\u00e3o nossos mortos tem de montar um quebra-cabe\u00e7a de informa\u00e7\u00f5es que v\u00eam de diferentes fontes oficiais, principalmente do Sistema \u00danico de Sa\u00fade e das secretarias de Seguran\u00e7a P\u00fablica dos Estados. \u00c9 um esfor\u00e7o tremendo. \u201cO Brasil n\u00e3o carece de dados. As pol\u00edcias t\u00eam esses n\u00fameros. O que n\u00f3s n\u00e3o temos s\u00e3o informa\u00e7\u00f5es. A sociedade n\u00e3o tem clareza sobre o significado desses n\u00fameros\u201d, diz Renato S\u00e9rgio de Lima, vice-presidente do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o do FBSP (2).<\/p>\n<p>LINCHAMENTO<\/p>\n<p>\u201cTodos os dias uma pessoa\u00a0 &#8211; quase sempre negra e pobre &#8211; \u00e9 linchada no Brasil\u201d. Segundo o pesquisador Jos\u00e9 de Souza Martins, cerca de um milh\u00e3o de brasileiros j\u00e1 participaram de linchamentos ou tentativas de linchamento nos \u00faltimos 60 anos. N\u00e3o surpreende, portanto, que de acordo com uma pesquisa do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, 50% da popula\u00e7\u00e3o brasileira concorde com a senten\u00e7a \u201cbandido bom \u00e9 bandido morto\u201d. Considerando a margem de erro,\u00a0 temos um empate. Se est\u00e1 dividido, temos um espa\u00e7o para mudan\u00e7a, basta encontrar alternativas\u201d. Explica o soci\u00f3logo Renato S\u00e9rgio de Lima, vice-presidente do F\u00f3rum. \u201cTemos um pa\u00eds extremamente violento, que at\u00e9 gasta bastante com seguran\u00e7a, mas isso n\u00e3o quer dizer que esse gasto seja revertido em uma boa situa\u00e7\u00e3o\u201d (3).<\/p>\n<p>JOVENS PRESOS<\/p>\n<p>\u201c56% dos presos no Brasil s\u00e3o jovens. Foi o que apontou o Levantamento Nacional de Informa\u00e7\u00f5es Penitenci\u00e1rias\u201d (Infopen), divulgado em junho de 2015 pelo Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a. Segundo o \u00f3rg\u00e3o, os presos s\u00e3o, em sua maioria, jovens entre 18 e 29 anos.<br \/>A cientista pol\u00edtica americana Linda Gibbs, especialista em trabalhar com jovens infratores diz: \u201cO foco \u00e9 evitar qualquer risco maior \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica e melhorar, ao mesmo tempo, a perspectiva para a vida do jovem. A melhora na forma\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho aliada a estrat\u00e9gia de combate \u00e0 pobreza e aprimorar a educa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o os maiores componentes e universalmente verdadeiros\u201d (4).<br \/>Uma pessoa \u00e9 estuprada no Brasil a cada 11 minutos. Segundo dados oficiais das secretarias estaduais de Seguran\u00e7a, coletados pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, o n\u00famero inclui tamb\u00e9m os estupros de vulner\u00e1vel e crime cometido contra menores de 14 anos. De acordo com os dados, s\u00f3 no ano de 2014 ocorreram 47.646 casos no Pa\u00eds (5).<\/p>\n<p>CONCLUS\u00c3O<\/p>\n<p>A viol\u00eancia\u00a0 econ\u00f4mica contra os pobres, a corrup\u00e7\u00e3o contra tudo e contra todos arrasam a sociedade terrivelmente. Quando \u00e9 estalada uma crise financeiro-econ\u00f4mica a brutalidade \u00e9 muito maior sobre os pobres.<br \/>\u00c9 bom lembrar a frase da intelectual fil\u00f3sofa alem\u00e3 Hannah Arendt, diz que &#8220;ser pobre \u00e9 n\u00e3o ter direitos, n\u00e3o ter direitos a ter direitos\u201d. Precisamos acabar com essa forma de viol\u00eancia. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que haja seres humanos sem direitos respeitados e sua dignidade violentada.<br \/>O nosso mundo vive assim: \u201cpoucos e bilion\u00e1rios desfrutam luxuosamente da maior parte da riqueza do planeta e a outra parte que \u00e9 a maior absolutamente pobre vive em condi\u00e7\u00f5es desumanas\u201d.<br \/>O imp\u00e9rio da viol\u00eancia implantou a cultura de morte numa sociedade hip\u00f3crita, l\u00edquida, bo\u00e7al e viciada. Impera hoje de forma avassaladora a viol\u00eancia do terrorismo, das drogas e das guerras. O imp\u00e9rio da viol\u00eancia \u00e9 montado no lucro da miserabilidade humana, na impunidade jur\u00eddica e na promiscuidade do Estado, no entanto cabe a cada cidad\u00e3o ter a consci\u00eancia de n\u00e3o cair na armadilha do sistema, trabalhar para desarticular, descontruir esse imp\u00e9rio e ser coerente na atitude da prote\u00e7\u00e3o da vida, da paz, da justi\u00e7a, da liberdade e da democracia.<br \/>Pe. In\u00e1cio Jos\u00e9 do Vale<br \/>Professor, escritor e conferencista<br \/>Soci\u00f3logo em Ci\u00eancia da Religi\u00e3o<br \/>Religioso-Irm\u00e3ozinho da Visita\u00e7\u00e3o de Charles de Foucauld<br \/>E-mail: pe.inacio.jose@gmail.com<\/p>\n<p>Notas:<br \/>(1)\u00a0\u00a0\u00a0 O Globo &#8211; Rio. 29\/11\/2015, p.16.<br \/>(2)\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9poca, 12\/10\/2015, p.48.<br \/>(3)\u00a0\u00a0\u00a0 Galileu, fevereiro de 2016, p.44.<br \/>(4)\u00a0\u00a0\u00a0 O Globo, 29\/06\/2015, p.2.<br \/>(5)\u00a0\u00a0\u00a0 Folha Universal, 01\/11\/2015, p.13.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA viol\u00eancia \u00e9 o maior desafio do mundo hoje. 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