{"id":13536,"date":"2016-02-27T03:00:00","date_gmt":"2016-02-27T06:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/02\/27\/encontro-do-papa-com-o-patriarca-da-russia\/"},"modified":"2017-05-08T15:35:58","modified_gmt":"2017-05-08T18:35:58","slug":"encontro-do-papa-com-o-patriarca-da-russia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/encontro-do-papa-com-o-patriarca-da-russia\/","title":{"rendered":"Encontro do Papa com o Patriarca da R\u00fassia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O Patriarca Kirill, de Moscou, esteve aqui no Rio de Janeiro e presidiu aos p\u00e9s da imagem do Cristo Redentor, no Corcovado, uma celebra\u00e7\u00e3o pela paz e pelos crist\u00e3os perseguidos na \u00c1frica e no Oriente. Antes de passar pelo Brasil ele teve um encontro hist\u00f3rico, em Cuba, com o Papa Francisco na sexta-feira, dia 12 de fevereiro. Francisco e o patriarca Kirill, l\u00edder da Igreja Ortodoxa Russa, concordaram em unir for\u00e7as para proteger os crist\u00e3os de persegui\u00e7\u00f5es, principalmente no Oriente M\u00e9dio. <br \/> Esse foi o primeiro encontro entre os l\u00edderes das duas igrejas, que se separaram h\u00e1 quase mil anos, em 1054. Os dois l\u00edderes da \u00e9poca se excomungaram. Neste hist\u00f3rico encontro, a primeira coisa que Francisco disse para o Patriarca Russo foi: \u201cFinalmente! N\u00f3s somos irm\u00e3os\u201d.\u00a0 E o Patriarca respondeu que assim as coisas ficavam mais f\u00e1ceis. <br \/> O encontro foi em Cuba porque o pa\u00eds tem muitos cat\u00f3licos, e desde os tempos da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica a na\u00e7\u00e3o \u00e9 aliada da R\u00fassia. Por isso, foi considerado um territ\u00f3rio neutro para o encontro. A prioridade dos dois l\u00edderes das Igrejas \u00e9 combater a persegui\u00e7\u00e3o aos crist\u00e3os na \u00c1frica e em pa\u00edses como Iraque e S\u00edria, onde eles s\u00e3o alvos dos terroristas do Estado Isl\u00e2mico.<br \/> O porta-voz do Vaticano, o Reverendo Padre jesu\u00edta Federico Lombardi, afirmou que o encontro foi &#8220;um momento hist\u00f3rico e uma grande alegria para o Papa&#8221;. Ele acrescentou que a reuni\u00e3o foi &#8220;muito cordial&#8221; e que eles chegaram a &#8220;uma meta&#8221;, que \u00e9 &#8220;o ponto de partida de um caminho de unidade e compreens\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas muito valioso&#8221;.<br \/> Depois da reuni\u00e3o, o Patriarca Kirill fez um pronunciamento. Kirill afirmou que o encontro com o Papa permitiu &#8220;entender e sentir&#8221; a posi\u00e7\u00e3o do outro, e que os dois est\u00e3o de acordo quanto \u00e0 possibilidade de Cat\u00f3licos e Ortodoxos cooperarem na defesa do cristianismo. As duas autoridades pediram uma a\u00e7\u00e3o imediata da comunidade internacional para proteger os crist\u00e3os do Oriente M\u00e9dio. \u201cEm muitos pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio e do norte da \u00c1frica, fam\u00edlias inteiras, vilarejos e cidades de nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s em Cristo est\u00e3o sendo completamente exterminados&#8221;, afirmaram na declara\u00e7\u00e3o conjunta. &#8220;N\u00f3s esperamos que nosso encontro contribua para o restabelecimento desta unidade desejada por Deus\u201d.<br \/> Ao final do encontro, assinaram uma declara\u00e7\u00e3o conjunta, na presen\u00e7a de Ra\u00fal Castro. Nesta declara\u00e7\u00e3o, se fala destes pontos: Cuba (o local escolhido para o encontro), tradi\u00e7\u00e3o comum, superar diverg\u00eancias, Oriente M\u00e9dio, acordo de paz, di\u00e1logo e Europa, fam\u00edlia, juventude, Greco-Cat\u00f3lico e testemunhas da verdade.<br \/>1- Cuba<br \/> \u201cO nosso encontro fraterno teve lugar em Cuba, encruzilhada entre Norte e Sul, entre Leste e Oeste. A partir desta ilha, s\u00edmbolo das esperan\u00e7as do \u201cNovo Mundo\u201d e dos acontecimentos dram\u00e1ticos da hist\u00f3ria do s\u00e9culo XX, dirigimos a nossa palavra a todos os povos da Am\u00e9rica Latina e dos outros continentes\u201d. \u201cEncontrando-nos longe das antigas disputas do \u201cVelho Mundo\u201d, sentimos mais fortemente a necessidade de um trabalho comum entre cat\u00f3licos e ortodoxos, chamados a dar ao mundo, com mansid\u00e3o e respeito, raz\u00e3o da esperan\u00e7a que est\u00e1 em n\u00f3s\u201d. (Ped 3, 15). <br \/>2- Tradi\u00e7\u00e3o comum<br \/> \u201cApesar desta Tradi\u00e7\u00e3o comum dos primeiros dez s\u00e9culos, h\u00e1 quase mil anos que cat\u00f3licos e ortodoxos est\u00e3o privados da comunh\u00e3o na Eucaristia. Estamos divididos por feridas causadas por conflitos de um passado distante ou recente, por diverg\u00eancias \u2013 herdadas dos nossos antepassados \u2013 na compreens\u00e3o e explicita\u00e7\u00e3o da nossa f\u00e9 em Deus, uno em tr\u00eas Pessoas: Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo. Deploramos a perda da unidade, consequ\u00eancia da fraqueza humana e do pecado, ocorrida apesar da Ora\u00e7\u00e3o Sacerdotal de Cristo Salvador: \u201cPara que todos sejam um s\u00f3, como Tu, Pai, est\u00e1s em Mim e Eu em Ti; para que assim eles estejam em N\u00f3s\u201d. (Jo 17, 21).<br \/>3- Superar diverg\u00eancias<br \/> \u201cPara superar as diverg\u00eancias hist\u00f3ricas que herdamos, queremos unir os nossos esfor\u00e7os para testemunhar o Evangelho de Cristo e o patrim\u00f4nio comum da Igreja do primeiro mil\u00eanio, respondendo em conjunto aos desafios do mundo contempor\u00e2neo. Ortodoxos e cat\u00f3licos devem aprender a dar um testemunho concorde da verdade, em \u00e1reas onde isso seja poss\u00edvel e necess\u00e1rio. A civiliza\u00e7\u00e3o humana entrou em um per\u00edodo de mudan\u00e7a de \u00e9poca. A nossa consci\u00eancia crist\u00e3 e a nossa responsabilidade pastoral n\u00e3o nos permitem ficar inertes perante os desafios que requerem uma resposta comum\u201d.<br \/>4- Oriente m\u00e9dio<br \/> \u201cNa S\u00edria e no Iraque, a viol\u00eancia j\u00e1 causou milhares de v\u00edtimas, deixando milh\u00f5es de pessoas sem casa nem meios de subsist\u00eancia. Exortamos a Comunidade Internacional a unir-se para p\u00f4r fim \u00e0 viol\u00eancia e ao terrorismo e, ao mesmo tempo, a contribuir por meio do di\u00e1logo para um r\u00e1pido restabelecimento da paz civil. \u00c9 essencial garantir uma ajuda humanit\u00e1ria em larga escala \u00e0s popula\u00e7\u00f5es martirizadas e a tantos refugiados nos pa\u00edses vizinhos\u201d. <br \/>5- Acordo de paz<br \/> Para isto, \u00e9 \u201cpreciso que a Comunidade Internacional fa\u00e7a todos os esfor\u00e7os poss\u00edveis para p\u00f4r fim ao terrorismo, valendo-se de a\u00e7\u00f5es comuns, conjuntas e coordenadas. Apelamos a todos os pa\u00edses envolvidos na luta contra o terrorismo, para que atuem de maneira respons\u00e1vel e prudente. Exortamos todos os crist\u00e3os e todos os crentes em Deus a suplicarem, fervorosamente, ao Criador providente do mundo que proteja a Sua cria\u00e7\u00e3o da destrui\u00e7\u00e3o e n\u00e3o permita uma nova guerra mundial\u201d.<br \/>6- Di\u00e1logo e Europa<br \/> \u201cEstamos preocupados com a situa\u00e7\u00e3o em muitos pa\u00edses onde os crist\u00e3os se debatem cada vez mais frequentemente com uma restri\u00e7\u00e3o da liberdade religiosa, do direito de testemunhar as suas convic\u00e7\u00f5es e da possibilidade de viver de acordo com elas. Em particular, constatamos que a transforma\u00e7\u00e3o de alguns pa\u00edses em sociedades secularizadas, alheias a qualquer refer\u00eancia a Deus e \u00e0 Sua verdade, constitui uma grave amea\u00e7a \u00e0 liberdade religiosa\u201d. \u201cO processo de integra\u00e7\u00e3o europeia, iniciado depois de s\u00e9culos de sangrentos conflitos, foi acolhido por muitos com esperan\u00e7a, como uma garantia de paz e seguran\u00e7a. Todavia, convidamos a manter-se vigilantes contra uma integra\u00e7\u00e3o que n\u00e3o fosse respeitadora das identidades religiosas\u201d.<br \/>7- Fam\u00edlia<br \/> \u201cA fam\u00edlia \u00e9 o centro natural da vida humana e da sociedade. Estamos preocupados com a crise da fam\u00edlia em muitos pa\u00edses. Ortodoxos e cat\u00f3licos partilham a mesma concep\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, e s\u00e3o chamados a testemunhar que ela \u00e9 um caminho de santidade, que testemunha a fidelidade dos esposos nas suas rela\u00e7\u00f5es m\u00fatuas, a sua abertura \u00e0 procria\u00e7\u00e3o e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o dos filhos, a solidariedade entre as gera\u00e7\u00f5es e o respeito pelos mais vulner\u00e1veis\u201d. \u201cA fam\u00edlia funda-se no matrim\u00f4nio, ato de amor livre e fiel entre um homem e uma mulher. \u00c9 o amor que sela a sua uni\u00e3o e os ensina a acolher-se reciprocamente como um dom. O matrim\u00f4nio \u00e9 uma escola de amor e fidelidade\u201d.<br \/>8- Juventude<br \/> \u201cV\u00f3s, jovens, tendes o dever de n\u00e3o esconder o talento na Terra (cf. Mt 25, 25), mas de usar todas as capacidades que Deus vos deu para confirmar no mundo as verdades de Cristo, encarnar na vossa vida os mandamentos evang\u00e9licos do amor de Deus e do pr\u00f3ximo. N\u00e3o tenhais medo de ir contra a corrente, defendendo a verdade de Deus, \u00e0 qual est\u00e3o longe de se conformar sempre as normas secularizadas de hoje\u201d.<br \/>9- Greco-Cat\u00f3licos<br \/> \u201cEsperamos que o nosso encontro possa contribuir tamb\u00e9m para a reconcilia\u00e7\u00e3o, onde existirem tens\u00f5es entre grecos-cat\u00f3licos e ortodoxos\u201d. \u201c&#8230; as comunidades eclesiais surgidas nestas circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas t\u00eam o direito de existir e de empreender tudo o que \u00e9 necess\u00e1rio para satisfazer as exig\u00eancias espirituais dos seus fi\u00e9is, procurando ao mesmo tempo viver em paz com os seus vizinhos. Ortodoxos e grecos-cat\u00f3licos precisam reconciliar-se e encontrar formas mutuamente aceit\u00e1veis de conviv\u00eancia\u201d.<br \/>10- Testemunhas da verdade<br \/> Neste corajoso testemunho da verdade de Deus e da Boa Nova salv\u00edfica, possa sustentar-nos o Homem-Deus Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador, que nos fortifica espiritualmente com a Sua promessa infal\u00edvel: \u201cN\u00e3o temais, pequenino rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o Reino\u201d. (Lc 12, 32).<br \/>Concluindo.<br \/> Portanto, este encontro foi fundamental para unir ainda mais crist\u00e3os do Oriente e do Ocidente. Este foi um sinal de que com o di\u00e1logo tudo se resolve. Temos que olhar o exemplo destes dois grandes l\u00edderes religiosos e tomar como exemplo: para o campo religioso, num maior di\u00e1logo entre as religi\u00f5es, superando assim o terr\u00edvel fantasma da intoler\u00e2ncia; para o campo das rela\u00e7\u00f5es humanas (em todos os \u00e2mbitos) e para a pol\u00edtica, pois deve unir as propostas para fazer bem ao povo. <br \/> De minha parte, com grande alegria, desejo que a celebra\u00e7\u00e3o e encontros que o Patriarca de Moscou teve aqui no Rio de Janeiro, em especial aos p\u00e9s do Cristo Redentor tenham refor\u00e7ado ainda mais a declara\u00e7\u00e3o assinada entre ele e o Papa Francisco. Que S\u00e3o Jorge, devo\u00e7\u00e3o comum entre Moscou e Rio de Janeiro, e santo do primeiro mil\u00eanio crist\u00e3o interceda por n\u00f3s. Que estes passos nos fa\u00e7am caminhar para o que nos pede Jesus: \u201cUt Omnes Unum Sint\u201d. (Para que todos sejam um).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Patriarca Kirill, de Moscou, esteve aqui no Rio de Janeiro e presidiu aos p\u00e9s da imagem do Cristo Redentor, no Corcovado, uma celebra\u00e7\u00e3o pela paz e pelos crist\u00e3os perseguidos na \u00c1frica e no Oriente. 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