{"id":13535,"date":"2016-02-25T14:17:39","date_gmt":"2016-02-25T17:17:39","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/02\/25\/sinais-para-a-conversao\/"},"modified":"2017-05-08T15:44:12","modified_gmt":"2017-05-08T18:44:12","slug":"sinais-para-a-conversao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/sinais-para-a-conversao\/","title":{"rendered":"Sinais para a convers\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Neste Terceiro Domingo da Quaresma, o tema central \u00e9 a convers\u00e3o. O Profeta Ezequiel nos diz: \u201cConvertei-vos, sen\u00e3o v\u00f3s morrereis\u201d (Ez 33,11). Desse modo, uma quest\u00e3o se imp\u00f5e: Que significa converter-se? Trata-se, antes de tudo, da conformidade das nossas a\u00e7\u00f5es com a vontade divina, \u00e0 qual cumpre uma ades\u00e3o total. \u00c9 a obedi\u00eancia da f\u00e9.<br \/> Para falar de convers\u00e3o, recordo das palavras do Papa Em\u00e9rito Bento XVI: \u201cconverter-se significa n\u00e3o viver como todo mundo vive, n\u00e3o fazer o que todo mundo faz, n\u00e3o se sentir justificado fazendo a\u00e7\u00f5es duvidosas, amb\u00edguas ou m\u00e1s pelo fato de que outros assim procedem; come\u00e7ar a olhar a pr\u00f3pria vida com os olhos de Deus, portanto, procurar o bem mesmo se isto contesta a sociedade. N\u00e3o se submeter ao julgamento dos homens, mas, sim, \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o de Deus, ou em outras palavras: procurar um novo estilo de vida, uma vida nova\u201d. Converter-se, portanto, significa viver da miseric\u00f3rdia e com o cora\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3ximo de Deus.<br \/> O tempo da Quaresma recorda o tempo da travessia do deserto por parte de Israel: tempo de peregrina\u00e7\u00e3o, de prova\u00e7\u00e3o e de purifica\u00e7\u00e3o. No deserto, Deus usou as provas pelas quais Israel passou para revelar ao seu povo aquilo que estava escondido no seu pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, seu pecado, sua fraqueza, sua infidelidade. Mas, tamb\u00e9m no deserto, Deus cercou seu povo de carinho e prote\u00e7\u00e3o, alimentou-o com o man\u00e1 e saciou-o com a \u00e1gua do rochedo, guiou-o pela nuvem luminosa de noite e protetora contra o sol de dia. Tempo de noivado e de amor entre Deus e o seu povo, foi o tempo do deserto! Por isso, pensar nessa travessia pelo deserto serve para a nossa caminhada de convers\u00e3o em prepara\u00e7\u00e3o para a P\u00e1scoa.<br \/> Mas como come\u00e7ou o caminho de Israel deserto adentro? Come\u00e7ou com a \u201cdescida\u201d de Deus para junto do seu povo, que gemia debaixo de humilhante escravid\u00e3o: \u201cEu vi a afli\u00e7\u00e3o do meu povo que est\u00e1 no Egito e ouvi o seu clamor por causa da dureza de seus opressores. Sim, conhe\u00e7o os seus sofrimentos. Desci para libert\u00e1-lo e faz\u00ea-lo sair&#8230;\u201d (Ex 3, 1-8\u00aa.13-15). A primeira leitura desse domingo nos mostra o Deus totalmente outro presente na hist\u00f3ria! Que coisa impressionante: um Deus t\u00e3o grande, t\u00e3o santo, o Deus de Israel e, no entanto, v\u00ea a afli\u00e7\u00e3o, o clamor, o sofrimento do seu povo, que n\u00e3o passava de um pequeno grupo de escravos! \u201cEu desci para libert\u00e1-lo\u201d! Nosso Deus \u00e9 um Deus que desce, que vem para junto do pobre que se encontra no monturo! Nosso Deus \u00e9 um Deus que liberta e salva! E quando Mois\u00e9s pergunta pelo seu nome, Deus revela-o de dois modos: primeiro apresenta-se como \u201co Deus de teus pais, o Deus de Abra\u00e3o, de Isaac e de Jac\u00f3\u201d \u2013 isto \u00e9, o Deus fiel, e agora vem em socorro de seus descendentes. Depois, Deus revela o seu nome: \u201cEu sou aquele que ser\u00e1\u201d.<br \/> Deus n\u00e3o revela o seu nome a Mois\u00e9s! Seu \u201cnome\u201d, na verdade, \u00e9 um desafio, um convite, quer dizer: \u201cEu sou o que tu ver\u00e1s quando eu agir! Tu ver\u00e1s quem eu sou \u00e0 medida que caminhares comigo! Eu sou o que estar\u00e1 sempre contigo\u201d! \u2013 O Deus que foi fiel a Abra\u00e3o, a Isaac e a Jac\u00f3 \u00e9 confi\u00e1vel, pode-se apostar a vida nele: Mois\u00e9s e o povo de Israel haver\u00e3o de ver! E viram em tantos momentos da travessia do deserto. Na segunda leitura deste terceiro domingo, S\u00e3o Paulo recorda v\u00e1rios destes acontecimentos: a nuvem e o mar (imagens do Esp\u00edrito e da \u00e1gua do Batismo), o man\u00e1 (imagem da Eucaristia), a \u00e1gua que brotou da rocha (imagem do Cristo, de cujo lado traspassado, brotou o Esp\u00edrito). Deus fora todo carinho, todo prote\u00e7\u00e3o, todo compaix\u00e3o e paci\u00eancia&#8230; E, no entanto, Israel tantas vezes duvidou, revoltou-se, murmurou, foi de cerviz dura e infiel.<br \/> S\u00e3o Paulo (1Cor 10l. 1-6.10-12) nos diz: \u201cEsses fatos aconteceram para servir de exemplo para n\u00f3s, a fim de que n\u00e3o desejemos coisas m\u00e1s, como fizeram aqueles no deserto. N\u00e3o murmureis, como alguns deles murmuraram&#8230; Portanto, quem est\u00e1 de p\u00e9 tome cuidado para n\u00e3o cair\u201d (1 Cor 10,6). N\u00f3s somos o povo de Deus da Nova Alian\u00e7a. Como Israel, atravessamos um longo deserto rumo \u00e0 Terra Prometida, que \u00e9 a P\u00e1tria celeste; e tamb\u00e9m n\u00f3s somos sujeitos a tantas tenta\u00e7\u00f5es, como Israel. O grande pecado do povo de Deus da Antiga Alian\u00e7a era descrer e murmurar contra Deus. De cabe\u00e7a dura, Israel teimava em caminhar do seu modo, em fazer do seu jeito, em contar com suas for\u00e7as e sua l\u00f3gica. Quantas vezes o povo fez isso! Quantas vezes n\u00f3s fazemos isso.<br \/> No Evangelho do terceiro domingo da quaresma (Lc 13, 1-9) \u00e9 forte o apelo \u00e0 convers\u00e3o: o texto fala de dois acontecimentos tr\u00e1gicos daqueles dias: a matan\u00e7a de Pilatos, e a queda da torre de Silo\u00e9: 18 mortos. Jesus n\u00e3o concorda que a desgra\u00e7a \u00e9 sinal do castigo de Deus, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 um apelo de convers\u00e3o aos sobreviventes: \u201cVoc\u00eas pensam que eles eram mais pecadores do que voc\u00eas? Se voc\u00eas n\u00e3o se converterem, morrer\u00e3o todos do mesmo modo\u2026\u201d (Lc 13, 2-3). Palavras severas, que nos fazem compreender que com Deus n\u00e3o se pode brincar; e, no entanto, palavras que procedem do amor de Deus que, por todos os meios, quer a salva\u00e7\u00e3o de todas as suas criaturas. Sinais colocados em nossa hist\u00f3ria, que nos chamam \u00e0 convers\u00e3o! Convers\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas uma penit\u00eancia externa, mas, atrav\u00e9s de uma verdadeira contri\u00e7\u00e3o ou arrependimento dos pecados, sermos convidados e partirmos para uma mudan\u00e7a de vida, de mentalidade, de atitudes, de forma que Deus e os seus valores passem a estar em primeiro lugar. Significa abra\u00e7ar a Cruz!<br \/> Somos chamados a aprofundar o encontro com o Senhor no deserto da Quaresma, a ter a luz do Esp\u00edrito para discernir os acontecimentos que nos chamam \u00e0 convers\u00e3o e, consequentemente, viver mais intimamente com o Senhor. Que Ele nos ilumine e nos fa\u00e7a dar passos de mudan\u00e7as e de convers\u00e3o. Ali\u00e1s, quem n\u00e3o precisa mudar alguma coisa? Eis o tempo de convers\u00e3o!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste Terceiro Domingo da Quaresma, o tema central \u00e9 a convers\u00e3o. O Profeta Ezequiel nos diz: \u201cConvertei-vos, sen\u00e3o v\u00f3s morrereis\u201d (Ez 33,11). Desse modo, uma quest\u00e3o se imp\u00f5e: Que significa converter-se? Trata-se, antes de tudo, da conformidade das nossas a\u00e7\u00f5es com a vontade divina, \u00e0 qual cumpre uma ades\u00e3o total. \u00c9 a obedi\u00eancia da f\u00e9. 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