{"id":13475,"date":"2016-02-19T12:54:32","date_gmt":"2016-02-19T14:54:32","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/02\/19\/cantalamessa-gracas-ao-espirito-santo-jesus-e-presenca\/"},"modified":"2017-06-02T09:56:14","modified_gmt":"2017-06-02T12:56:14","slug":"cantalamessa-gracas-ao-espirito-santo-jesus-e-presenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/cantalamessa-gracas-ao-espirito-santo-jesus-e-presenca\/","title":{"rendered":"Cantalamessa: gra\u00e7as ao Esp\u00edrito Santo Jesus \u00e9 presen\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/ossrom95197_articolo.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>O Papa Francisco e a C\u00faria Romana ouviram, nesta sexta-feira (19\/02), na Capela Redemptoris Mater, no Vaticano, a primeira prega\u00e7\u00e3o da Quaresma feita pelo frei capuchinho Raniero Cantalamessa.<\/p>\n<p>Na prega\u00e7\u00e3o intitulada \u201cA adora\u00e7\u00e3o em Esp\u00edrito e verdade. Reflex\u00e3o sobre a Constitui\u00e7\u00e3o Sacrosanctum Concilium\u201d o religioso frisou que ap\u00f3s o Conc\u00edlio Vaticano II houve um despertar do Esp\u00edrito Santo. \u201cEle n\u00e3o \u00e9 mais \u2018o desconhecido\u2019 na Trindade. A Igreja tornou-se mais consciente de sua presen\u00e7a e de sua a\u00e7\u00e3o\u201d, disse.<\/p>\n<p>Segundo o religioso, \u201cse h\u00e1 uma \u00e1rea em que a teologia e a vida da Igreja Cat\u00f3lica foi enriquecida nestes 50 anos de p\u00f3s-conc\u00edlio, \u00e9 certamente a relacionada ao Esp\u00edrito Santo\u201d, mas ressalta que \u201cexistem vazios e lacunas a serem preenchidos, em especial, sobre o papel do Esp\u00edrito Santo. J\u00e1 tomava nota desta necessidade S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, quando, por ocasi\u00e3o do XVI centen\u00e1rio do conc\u00edlio ecum\u00eanico de Constantinopla, em 1981, escrevia em sua Carta Apost\u00f3lica, a seguinte afirma\u00e7\u00e3o\u201d:<\/p>\n<p>&#8220;Todo o trabalho de renova\u00e7\u00e3o da Igreja, que o Conc\u00edlio Vaticano II t\u00e3o providencialmente prop\u00f4s e iniciou [&#8230;] n\u00e3o pode ser realizado a n\u00e3o ser no Esp\u00edrito Santo, isto \u00e9, com a ajuda da sua luz e do seu poder &#8220;.<\/p>\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o conciliar Sacrosanctum concilium, sobre a Sagrada Liturgia, \u201cnasce da necessidade, sentida por um longo tempo e por muitos, de uma renova\u00e7\u00e3o das formas e ritos da liturgia cat\u00f3lica. A partir deste ponto de vista, os seus frutos foram muitos e, no conjunto, ben\u00e9ficos para a Igreja\u201d. <\/p>\n<p>Segundo Cantalamessa, o Esp\u00edrito Santo permanece ainda como se fosse uma sombra em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s Pessoas da Sant\u00edssima Trindade. Um problema encontrado no texto conciliar sobre a renova\u00e7\u00e3o lit\u00fargica:<\/p>\n<p>\u201cToda celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica \u00e9, por ser obra de Cristo sacerdote e do seu Corpo que \u00e9 a Igreja, a\u00e7\u00e3o sagrada por excel\u00eancia, cuja efic\u00e1cia, com o mesmo t\u00edtulo e no mesmo grau, n\u00e3o \u00e9 igualada por nenhuma outra a\u00e7\u00e3o da Igreja \u201d.<br \/>\u201cN\u00f3s indiv\u00edduos ou nos atores da liturgia hoje somos capazes de perceber uma lacuna nesta descri\u00e7\u00e3o\u201d, disse o frei ao Papa e \u00e0 C\u00faria Romana. \u201cOs protagonistas aqui real\u00e7ados s\u00e3o dois: Cristo e a Igreja. Falta alguma alus\u00e3o ao lugar do Esp\u00edrito Santo. Tamb\u00e9m no resto da Constitui\u00e7\u00e3o, o Esp\u00edrito Santo nunca \u00e9 sujeito de um discurso direto, s\u00f3 nomeado aqui e ali, e sempre obl\u00edquo.\u201d<\/p>\n<p>Cantalamessa deu algumas \u201corienta\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas para o nosso modo de viver a liturgia e fazer que com ela execute uma das suas principais tarefas, que \u00e9 a santifica\u00e7\u00e3o das almas\u201d. <\/p>\n<p>\u201cO Esp\u00edrito Santo n\u00e3o autoriza a inventar novas e arbitr\u00e1rias formas de liturgia ou modificar de pr\u00f3pria iniciativa aquelas existentes (tarefa que cabe a hierarquia). Ele \u00e9 o \u00fanico, no entanto, que renova e d\u00e1 vida a todas as express\u00f5es da liturgia\u201d, disse ele.<\/p>\n<p>\u201cO Esp\u00edrito Santo vivifica especialmente a ora\u00e7\u00e3o de adora\u00e7\u00e3o que \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o de toda ora\u00e7\u00e3o lit\u00fargica. A sua peculiaridade deriva do fato de que \u00e9 o \u00fanico sentimento que podemos alimentar somente e exclusivamente pelas pessoas divinas\u201d. <\/p>\n<p>\u201cO Esp\u00edrito Santo intercede por n\u00f3s e nos ensina a interceder, por sua vez, pelos outros. A intercess\u00e3o \u00e9 uma componente essencial da ora\u00e7\u00e3o lit\u00fargica. Em toda a sua ora\u00e7\u00e3o, a Igreja n\u00e3o faz mais do que interceder: por si mesma e pelo mundo, pelos justos e pelos pecadores, pelos vivos e pelos mortos. Tamb\u00e9m esta \u00e9 uma ora\u00e7\u00e3o que o Esp\u00edrito Santo quer animar e confirmar\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA ora\u00e7\u00e3o de intercess\u00e3o \u00e9, portanto, agrad\u00e1vel a Deus, porque \u00e9 mais livre de ego\u00edsmo, reflete mais de perto a gratuidade divina e est\u00e1 de acordo com a vontade de Deus, que quer que todos os homens sejam salvos\u201d, concluiu Cantalamessa. (MJ)<\/p>\n<p>A seguir, a \u00edntegra da prega\u00e7\u00e3o do frei capuchinho.<\/p>\n<p>Pe. Raniero Cantalamessa, OFM Cap<\/p>\n<p>Primeira Prega\u00e7\u00e3o da Quaresma<\/p>\n<p>A ADORA\u00c7\u00c3O EM ESP\u00cdRITO E VERDADE<\/p>\n<p>Reflex\u00e3o sobre a Constitui\u00e7\u00e3o Sacrosanctum Concilium<\/p>\n<p>1. O Conc\u00edlio Vaticano II: um afluente, n\u00e3o o rio<\/p>\n<p>Nessas medita\u00e7\u00f5es quaresmais eu gostaria de continuar a reflex\u00e3o sobre outros grandes documentos do Vaticano II, depois de meditar no Advento, na Lumen Gentium. Mas creio que \u00e9 \u00fatil fazer uma premissa. O Vaticano II \u00e9 um afluente, n\u00e3o \u00e9 o rio. Em seu famoso trabalho sobre &#8220;O Desenvolvimento da Doutrina Crist\u00e3&#8221;, o beato Cardeal Newman declarou enfaticamente que parar a tradi\u00e7\u00e3o em um ponto do seu curso, mesmo sendo um conc\u00edlio ecum\u00eanico, seria torna-la uma morta tradi\u00e7\u00e3o e n\u00e3o uma \u201ctradi\u00e7\u00e3o viva\u201d. A tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 como uma m\u00fasica. O que seria de uma melodia que parasse numa nota, repetindo-a ad infinitum? Isso acontece com um disco que arranha e sabemos o efeito que produz.<\/p>\n<p>S\u00e3o Jo\u00e3o XXIII queria que o Conc\u00edlio fosse para a Igreja \u201ccomo um novo Pentecostes&#8221;. Em um ponto, pelo menos, essa ora\u00e7\u00e3o foi ouvida. Ap\u00f3s o Conc\u00edlio houve um despertar do Esp\u00edrito Santo. Ele n\u00e3o \u00e9 mais \u201co desconhecido\u201d na Trindade. A Igreja tornou-se mais consciente de sua presen\u00e7a e de sua a\u00e7\u00e3o. Na homilia da Missa crismal da Quinta-feira Santa de 2012, o Papa Bento XVI afirmava:<\/p>\n<p>&#8220;Quem olha para a hist\u00f3ria da \u00e9poca p\u00f3s-conciliar \u00e9 capaz de reconhecer a din\u00e2mica da verdadeira renova\u00e7\u00e3o, que frequentemente assumiu formas inesperadas em movimentos cheios de vida e que torna quase palp\u00e1vel a vivacidade inesgot\u00e1vel da Santa Igreja, a presen\u00e7a e a a\u00e7\u00e3o eficaz do Esp\u00edrito Santo&#8221;.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa que n\u00f3s podemos desprezar os textos do Conc\u00edlio ou ir al\u00e9m deles; significa reler o Conc\u00edlio \u00e0 luz dos seus pr\u00f3prios frutos. Que os conc\u00edlios ecum\u00eanicos possam ter efeitos n\u00e3o compreendidos no momento, por aqueles que fizeram parte deles, \u00e9 uma verdade evidenciada pelo pr\u00f3prio cardeal Newman sobre o Vaticano I[1], por\u00e9m testemunhada mais vezes na hist\u00f3ria. O conc\u00edlio ecum\u00eanico de \u00c9feso do 431, com a defini\u00e7\u00e3o de Maria como Theotokos, M\u00e3e de Deus, procurava afirmar a unidade da pessoa de Cristo, n\u00e3o aumentar o culto \u00e0 Virgem, mas, de fato, o seu fruto mais evidente foi precisamente este \u00faltimo.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 uma \u00e1rea em que a teologia e a vida da Igreja Cat\u00f3lica foi enriquecida nestes 50 anos de p\u00f3s-conc\u00edlio, \u00e9 certamente a relacionada ao Esp\u00edrito Santo. Em todas as principais denomina\u00e7\u00f5es crist\u00e3s, estabeleceu-se nesses \u00faltimos tempos, aquilo que, com uma express\u00e3o cunhada por Karl Barth, foi chamada de \u201ca Teologia do Terceiro artigo\u201d. A teologia do terceiro artigo \u00e9 aquela que n\u00e3o termina com o artigo sobre o Esp\u00edrito Santo, mas come\u00e7a com ele; que leva em conta a ordem com que se formou a f\u00e9 crist\u00e3 e o seu credo, e n\u00e3o s\u00f3 o seu produto final. Foi, de fato, \u00e0 luz do Esp\u00edrito Santo que os ap\u00f3stolos descobriram quem era realmente Jesus e a sua revela\u00e7\u00e3o sobre o Pai. O credo atual da Igreja \u00e9 perfeito e ningu\u00e9m sequer sonha em muda-lo, por\u00e9m, ele reflete o produto final, o \u00faltimo est\u00e1gio alcan\u00e7ado pela f\u00e9, n\u00e3o o caminho atrav\u00e9s do qual se chega a isso, enquanto que, em vista de uma renovada evangeliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 vital para n\u00f3s conhecer tamb\u00e9m o caminho por meio do qual se chega \u00e0 f\u00e9, n\u00e3o s\u00f3 a sua codifica\u00e7\u00e3o definitiva que proclamamos no credo de mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>A esta luz aparece claramente as implica\u00e7\u00f5es de determinadas afirma\u00e7\u00f5es do conc\u00edlio, mas aparecem tamb\u00e9m os vazios e lacunas a serem preenchidos, em especial, precisamente sobre o papel do Esp\u00edrito Santo. J\u00e1 tomava nota desta necessidade S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, quando, por ocasi\u00e3o do XVI centen\u00e1rio do conc\u00edlio ecum\u00eanico de Constantinopla, em 1981, escrevia em sua Carta Apost\u00f3lica, a seguinte afirma\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8220;Todo o trabalho de renova\u00e7\u00e3o da Igreja, que o Conc\u00edlio Vaticano II t\u00e3o providencialmente prop\u00f4s e iniciou [&#8230;] n\u00e3o pode ser realizado a n\u00e3o ser no Esp\u00edrito Santo, isto \u00e9, com a ajuda da sua luz e do seu poder[2]&#8221;.<\/p>\n<p>2. O lugar do Esp\u00edrito Santo na liturgia<\/p>\n<p>Esta premissa geral \u00e9 particularmente \u00fatil ao lidar com o tema da liturgia, a Sacrosanctum concilium. O texto nasce da necessidade, sentida por um longo tempo e por muitos, de uma renova\u00e7\u00e3o das formas e ritos da liturgia cat\u00f3lica. A partir deste ponto de vista, os seus frutos foram muitos e, no conjunto, ben\u00e9ficos para a Igreja. Menos advertida era, naquele momento, a necessidade de debru\u00e7ar-se sobre aquilo que, seguindo Romano Guardini, geralmente chama-se \u201co esp\u00edrito da liturgia[3]\u201d, e que &#8211; no sentido que vou explicar &#8211; eu chamaria mais de \u201ca liturgia do Esp\u00edrito\u201d (Esp\u00edrito com letra mai\u00fascula!).<\/p>\n<p>Fies \u00e0 inten\u00e7\u00e3o declarada destas nossas medita\u00e7\u00f5es de valorizar alguns aspectos mais espirituais e interiores dos textos conciliares, \u00e9 precisamente neste ponto que eu gostaria de refletir. A SC dedica a isso s\u00f3 um curto texto inicial, fruto do debate que precedeu a reda\u00e7\u00e3o final da constitui\u00e7\u00e3o[4]:<\/p>\n<p>\u201cEm t\u00e3o grande obra, que permite que Deus seja perfeitamente glorificado e que os homens se santifiquem, Cristo associa sempre a si a Igreja, sua esposa muito amada, a qual invoca o seu Senhor e por meio dele rende culto ao Eterno Pai. Com raz\u00e3o se considera a Liturgia como o exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o sacerdotal de Cristo. Nela, os sinais sens\u00edveis significam e, cada um \u00e0 sua maneira, realizam a santifica\u00e7\u00e3o dos homens; nela, o Corpo M\u00edstico de Jesus Cristo &#8211; cabe\u00e7a e membros &#8211; presta a Deus o culto p\u00fablico integral. Portanto, qualquer celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica \u00e9, por ser obra de Cristo sacerdote e do seu Corpo que \u00e9 a Igreja, a\u00e7\u00e3o sagrada par excel\u00eancia, cuja efic\u00e1cia, com o mesmo t\u00edtulo e no mesmo grau, n\u00e3o \u00e9 igualada por nenhuma outra a\u00e7\u00e3o da Igreja[5]\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 nos indiv\u00edduos, ou nos &#8220;atores&#8221; da liturgia que hoje somos capazes de perceber uma lacuna nesta descri\u00e7\u00e3o. Os protagonistas aqui real\u00e7ados s\u00e3o dois: Cristo e a Igreja. Falta qualquer alus\u00e3o ao lugar do Esp\u00edrito Santo. Tamb\u00e9m no resto da Constitui\u00e7\u00e3o, o Esp\u00edrito Santo nunca \u00e9 sujeito de um discurso direto, s\u00f3 nomeado aqui e ali, e sempre \u201cobl\u00edquo\u201d.<\/p>\n<p>O Apocalipse nos diz a ordem e o n\u00famero completo dos atores lit\u00fargicos quando resume o culto crist\u00e3o na frase: &#8220;O Esp\u00edrito e a Esposa dizem (a Cristo, o Senhor), Vem!&#8221; (Ap 22, 17). Mas Jesus j\u00e1 havia manifestado perfeitamente a natureza e a novidade do culto da Nova Alian\u00e7a no di\u00e1logo com a Samaritana: &#8220;Mas vem a hora, e j\u00e1 chegou, em que os verdadeiros adoradores h\u00e3o de adorar o Pai em esp\u00edrito e verdade, e s\u00e3o esses adoradores que o Pai deseja&#8221;. (Jo 4, 23).<\/p>\n<p>A express\u00e3o &#8220;Esp\u00edrito e Verdade&#8221;, \u00e0 luz do vocabul\u00e1rio joanino, s\u00f3 pode significar duas coisas: ou &#8220;o Esp\u00edrito de verdade&#8221;, ou seja, o Esp\u00edrito Santo (Jo 14, 17; 16,13) ou o Esp\u00edrito de Cristo, que \u00e9 a verdade (Jo 14, 6). Uma coisa \u00e9 certa: n\u00e3o tem nada a ver com a explica\u00e7\u00e3o subjetiva, cara a idealistas e rom\u00e2nticos, de que &#8220;esp\u00edrito e verdade&#8221;, indicariam a interioridade escondida do homem, em oposi\u00e7\u00e3o a qualquer culto externo e vis\u00edvel. N\u00e3o se trata s\u00f3 apenas da passagem do exterior para o interior, mas da passagem do humano para o divino.<\/p>\n<p>Se a liturgia crist\u00e3 \u00e9 &#8220;o exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o sacerdotal de Jesus Cristo&#8221;, a melhor maneira de descobrir a sua natureza, \u00e9 ver como Jesus exerceu a sua fun\u00e7\u00e3o sacerdotal em sua vida e em sua morte. A tarefa do sacerdote \u00e9 oferecer &#8220;ora\u00e7\u00f5es e sacrif\u00edcios&#8221; a Deus (cf. Hb 5,1; 8,3). Agora sabemos que era o Esp\u00edrito Santo que colocava no cora\u00e7\u00e3o do Verbo feito carne o grito \u201cAbba\u201d! que encerra toda a sua ora\u00e7\u00e3o. Lucas observa explicitamente quando escreve: &#8220;Naquela mesma hora Jesus exultou de alegria no Esp\u00edrito Santo e disse: Gra\u00e7as te dou, \u00f3 Pai, Senhor do c\u00e9u e da terra&#8230;&#8221; (cf. Lc 10, 21). A pr\u00f3pria oferta do seu corpo em sacrif\u00edcio na cruz aconteceu, segundo a Carta aos Hebreus, \u201cem um Esp\u00edrito eterno\u201d (Hb 9, 14), isto \u00e9, por um impulso do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>S\u00e3o Basilio tem um texto esclarecedor.<\/p>\n<p>&#8221; O caminho do conhecimento de Deus procede do \u00fanico Esp\u00edrito, atrav\u00e9s do \u00fanico Filho, at\u00e9 o \u00fanico Pai; inversamente, a bondade natural, a santifica\u00e7\u00e3o segundo a natureza, a dignidade real, se difundem do Pai, por meio do Unig\u00eanito, at\u00e9 o Esp\u00edrito[6]\u201d.<\/p>\n<p>Em outras palavras, a ordem da cria\u00e7\u00e3o, ou da sa\u00edda das criaturas de Deus, parte do Pai, passa atrav\u00e9s do Filho e chega a n\u00f3s no Esp\u00edrito Santo. A ordem do conhecimento ou do nosso retorno a Deus, do qual a liturgia \u00e9 a express\u00e3o mais alta, segue o caminho oposto: parte do Esp\u00edrito, passa atrav\u00e9s do Filho e termina no Pai. Essa vis\u00e3o descendente e ascendente da miss\u00e3o do Esp\u00edrito Santo est\u00e1 presente tamb\u00e9m no mundo latino. O beato Isaac de Stella (sec. XII), expressa em termos muito pr\u00f3ximos aos de Bas\u00edlio:<\/p>\n<p>&#8220;Como as coisas divinas desceram a n\u00f3s pelo Pai, pelo Filho e o Esp\u00edrito Santo, ou no Esp\u00edrito Santo, ent\u00e3o, as coisas humanas sobem ao Pai por meio do Filho, e [no] Esp\u00edrito Santo[7]&#8221;.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata, como podemos ver, de ser, por assim dizer, o torcedor de uma ou de outra das tr\u00eas pessoas da Trindade, mas de salvaguardar o dinamismo trinit\u00e1rio da liturgia. O sil\u00eancio sobre o Esp\u00edrito Santo, inevitavelmente, atenua o car\u00e1ter trinit\u00e1rio da liturgia. Por isso parece-me particularmente oportuno a chamada que S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II fazia na Novo Millennio Ineunte:<\/p>\n<p>&#8220;Obra do Esp\u00edrito Santo em n\u00f3s, a ora\u00e7\u00e3o abre-nos, por Cristo e em Cristo, \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o do rosto do Pai. Aprender esta l\u00f3gica trinit\u00e1ria da ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3, vivendo-a plenamente sobretudo na liturgia, meta e fonte da vida eclesial, mas tamb\u00e9m na experi\u00eancia pessoal, \u00e9 o segredo dum cristianismo verdadeiramente vital, sem motivos para temer o futuro porque volta continuamente \u00e0s fontes e a\u00ed se regenera[8]&#8221;.<\/p>\n<p>3. A adora\u00e7\u00e3o &#8220;no esp\u00edrito&#8221;<\/p>\n<p>Vamos tentar tirar, a partir dessas premissas, algumas orienta\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas para o nosso modo de viver a liturgia e fazer que ela execute uma das suas principais tarefas, que \u00e9 a santifica\u00e7\u00e3o das almas. O Esp\u00edrito Santo n\u00e3o autoriza inventar novas e arbitr\u00e1rias formas de liturgia ou modificar de pr\u00f3pria iniciativa aquelas existentes (tarefa que cabe a hierarquia). Ele \u00e9 o \u00fanico, no entanto, que renova e d\u00e1 vida a todas as express\u00f5es da liturgia. Em outras palavras, o Esp\u00edrito Santo n\u00e3o faz coisas novas, mas faz novas as coisas! A palavra de Jesus repetida por Paulo: &#8220;\u00c9 o Esp\u00edrito que d\u00e1 vida&#8221; (Jo 6, 63; 2 Cor 3, 6) aplica-se principalmente \u00e0 liturgia.<\/p>\n<p>O ap\u00f3stolo exortava os fi\u00e9is a orar &#8220;no Esp\u00edrito&#8221; (Ef 6:18; cf. tamb\u00e9m Judas 20). O que significa orar no Esp\u00edrito? Significa permitir que Jesus continue a exercer o pr\u00f3prio of\u00edcio sacerdotal no seu corpo que \u00e9 a Igreja. A ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 se torna uma extens\u00e3o no corpo da ora\u00e7\u00e3o do chefe. \u00c9 conhecida a afirma\u00e7\u00e3o de Santo Agostinho:<\/p>\n<p>&#8220;Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, \u00e9 aquele que reza por n\u00f3s, reza em n\u00f3s e que \u00e9 rezado por n\u00f3s. Reza por n\u00f3s como nosso sacerdote, reza em n\u00f3s como nosso chefe, \u00e9 rezado por n\u00f3s como nosso Deus. Reconhe\u00e7amos, portanto, nele, a nossa voz, e em n\u00f3s a sua voz[9]\u201d.<\/p>\n<p>A esta luz, a liturgia nos aparece como o &#8220;Opus Dei&#8221;, a \u201cobra de Deus\u201d, n\u00e3o s\u00f3 porque tem Deus por objeto, mas tamb\u00e9m porque tem Deus como sujeito; Deus n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 rezado por n\u00f3s, mas reza em n\u00f3s. O mesmo grito, Abb\u00e1! que o Esp\u00edrito, vindo a n\u00f3s, dirige ao Pai (Gl 4, 6; Rm 8, 15) mostra que quem reza em n\u00f3s, pelo Esp\u00edrito, \u00e9 Jesus, o Filho \u00fanico de Deus. Por si mesmo, de fato, o Esp\u00edrito Santo n\u00e3o poderia dirigir-se a Deus, chamando-o Abb\u00e1, Pai, porque ele n\u00e3o \u00e9 \u201cgerado\u201d, mas somente \u201cprocede\u201d do Pai. Se pode faz\u00ea-lo \u00e9 porque \u00e9 o Esp\u00edrito de Cristo que continua em n\u00f3s a sua ora\u00e7\u00e3o filial.<\/p>\n<p>E, especialmente, quando a ora\u00e7\u00e3o torna-se cansa\u00e7o e luta \u00e9 que se descobre toda a import\u00e2ncia do Esp\u00edrito Santo para a nossa vida de ora\u00e7\u00e3o. O Esp\u00edrito se torna, ent\u00e3o, a for\u00e7a da nossa ora\u00e7\u00e3o \u201cfraca\u201d, a luz da nossa ora\u00e7\u00e3o apagada; em uma palavra, a alma da nossa ora\u00e7\u00e3o. Verdadeiramente, ele \u201cirriga o que \u00e9 \u00e1rido\u201d, como dizemos na sequ\u00eancia em sua honra.<\/p>\n<p>Tudo isso acontece por f\u00e9. Basta eu dizer ou pensar: \u201cPai, tu me deste o Esp\u00edrito de Jesus; formando, portanto, &#8220;um s\u00f3 Esp\u00edrito&#8221; com Jesus, eu recito este Salmo, celebro esta santa missa, ou estou simplesmente em sil\u00eancio, aqui em sua presen\u00e7a. Quero dar-te aquela gl\u00f3ria e aquela alegria que te daria Jesus, se fosse ele a orar ainda da terra\u201d.<\/p>\n<p>O Esp\u00edrito Santo vivifica especialmente a ora\u00e7\u00e3o de adora\u00e7\u00e3o que \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o de toda ora\u00e7\u00e3o lit\u00fargica. A sua peculiaridade deriva do fato de que \u00e9 o \u00fanico sentimento que podemos alimentar \u00fanica e exclusivamente para com as pessoas divinas. \u00c9 o que distingue o culto de latria do culto de dulia reservado aos santos e de hiperdulia reservado \u00e0 Santa Virgem. N\u00f3s veneramos Nossa Senhora, n\u00e3o a adoramos, ao contr\u00e1rio do que algumas pessoas pensam dos cat\u00f3licos.<\/p>\n<p>A adora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 tamb\u00e9m trinit\u00e1ria. \u00c9 trinit\u00e1ria no seu desenvolvimento, porque \u00e9 adora\u00e7\u00e3o feita \u201cao Pai, por meio do Filho, no Esp\u00edrito Santo\u201d, e \u00e9 trinit\u00e1ria no seu fim, porque \u00e9 adora\u00e7\u00e3o feita junto \u201cao Pai e ao Filho e ao Esp\u00edrito Santo\u201d.<\/p>\n<p>Na espiritualidade Ocidental, quem desenvolveu mais a fundo o tema da adora\u00e7\u00e3o foi o cardeal Pierre de B\u00e9rulle (1575-1629). Para ele, Cristo \u00e9 o perfeito adorador do Pai, que precisa unir-se para adorar a Deus com uma adora\u00e7\u00e3o de valor infinito[10]. Escreve:<\/p>\n<p>&#8220;Desde toda a eternidade, havia um Deus infinitamente ador\u00e1vel, mas n\u00e3o havia ainda um adorador infinito; [&#8230;] Tu es agora, oh Jesus, este adorador, este homem, este servidor infinito por pot\u00eancia, qualidade e dignidade, para satisfazer plenamente este dever e fazer esta homenagem divina[11]\u201d.<\/p>\n<p>Se existe uma lacuna nesta vis\u00e3o, que tamb\u00e9m deu \u00e0 Igreja belos frutos e moldou a espiritualidade francesa por s\u00e9culos, essa \u00e9 a mesma que temos colocado em destaque na constitui\u00e7\u00e3o do Vaticano II: a pouca aten\u00e7\u00e3o dada ao papel do Esp\u00edrito Santo. Do Verbo encarnado, o discurso de B\u00e9rulle muda para a &#8220;corte real&#8221; que o segue e o acompanha: a Santa Virgem, Jo\u00e3o Batista, os ap\u00f3stolos, os santos; falta o reconhecimento do papel essencial do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>Em qualquer movimento de retorno a Deus, lembrou-nos S\u00e3o Bas\u00edlio, tudo parte do Esp\u00edrito, passa atrav\u00e9s do Filho e termina no Pai. N\u00e3o basta, portanto, recordar de vez em quando que existe tamb\u00e9m o Esp\u00edrito Santo; \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer-lhe o papel de elo essencial, tanto no caminho de sa\u00edda das criaturas de Deus quanto no de retorno das criaturas a Deus. O abismo existente entre n\u00f3s e o Jesus da hist\u00f3ria est\u00e1 cheio do Esp\u00edrito Santo. Sem ele, tudo na liturgia \u00e9 somente mem\u00f3ria; com ele, tudo \u00e9 tamb\u00e9m presen\u00e7a.<\/p>\n<p>No livro do \u00caxodo, lemos que, no Sinai, Deus indicou para Mois\u00e9s uma cavidade na rocha, e escondido no interior dela ele poderia contemplar a sua gl\u00f3ria sem morrer (cf. Ex 33, 21). Comentando este passo, o pr\u00f3prio S\u00e3o Bas\u00edlio escreve:<\/p>\n<p>&#8220;Qual \u00e9 hoje, para n\u00f3s crist\u00e3os, aquela cavidade, aquele lugar, onde podemos refugiar-nos para contemplar e adorar a Deus? \u00c9 o Esp\u00edrito Santo! De quem aprendemos? Do pr\u00f3prio Jesus que disse: Os verdadeiros adoradores adorar\u00e3o o Pai em Esp\u00edrito e verdade![12]\u201d<\/p>\n<p>Que perspectivas, que beleza, que poder, que atra\u00e7\u00e3o tudo isso d\u00e1 ao ideal da adora\u00e7\u00e3o crist\u00e3! Quem n\u00e3o sente a necessidade de esconder-se de vez em quando, no v\u00f3rtice rodopiante do mundo, naquela cavidade espiritual para contemplar a Deus e ador\u00e1-lo como Mois\u00e9s?<\/p>\n<p>4. Ora\u00e7\u00e3o de intercess\u00e3o<\/p>\n<p>Junto com a adora\u00e7\u00e3o, um componente essencial da ora\u00e7\u00e3o lit\u00fargica \u00e9 a intercess\u00e3o. Em toda a sua ora\u00e7\u00e3o, a Igreja n\u00e3o faz mais do que interceder: por si mesma e pelo mundo, pelos justos e pelos pecadores, pelos vivos e pelos mortos. Tamb\u00e9m esta \u00e9 uma ora\u00e7\u00e3o que o Esp\u00edrito Santo quer animar e confirmar. Dele S\u00e3o Paulo escreve:<\/p>\n<p>&#8220;Outrossim, o Esp\u00edrito vem em aux\u00edlio \u00e0 nossa fraqueza; porque n\u00e3o sabemos o que devemos pedir, nem orar como conv\u00e9m, mas o Esp\u00edrito mesmo intercede por n\u00f3s com gemidos inef\u00e1veis. E aquele que perscruta os cora\u00e7\u00f5es sabe o que deseja o Esp\u00edrito, o qual intercede pelos santos, segundo Deus. &#8220;(Rm 8, 26-27).<\/p>\n<p>O Esp\u00edrito Santo intercede por n\u00f3s e nos ensina a interceder, por sua vez, pelos outros. Fazer ora\u00e7\u00e3o de intercess\u00e3o significa unir-se, na f\u00e9, a Cristo ressuscitado que vive em um estado constante de intercess\u00e3o pelo mundo (cf. Rm 8, 34; Heb 7, 25; 1 Jo\u00e3o 2, 1). Na grande ora\u00e7\u00e3o com a qual concluiu a sua vida terrena, Jesus nos oferece o exemplo mais sublime de intercess\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Rogo por eles, por aqueles que me deste. [&#8230;] Guarde-os no teu nome. N\u00e3o pe\u00e7o que os tires do mundo, mas que os pretejas do mal. Consagra-os na verdade. [&#8230;] N\u00e3o rogo somente por estes, mas tamb\u00e9m por aqueles que pela sua palavra h\u00e3o de crer em mim&#8230; &#8220;(Jo 17, 9ss).<\/p>\n<p>Do Servo Sofredor se diz, em Isa\u00edas, que Deus lhe d\u00e1 em pr\u00eamio as multid\u00f5es \u201cporque carregava os pecados de muitos e intercedia pelos pecadores\u201d (Is 53, 12): Essa profecia encontrou o seu perfeito cumprimento em Jesus que, na cruz, intercede pelos seus executores (cf. Lc 23, 34).<\/p>\n<p>A efic\u00e1cia da ora\u00e7\u00e3o de intercess\u00e3o n\u00e3o depende de \u201cmuitas palavras\u201d (cf. Mt 6, 7), mas do grau de uni\u00e3o que se consegue ter com as disposi\u00e7\u00f5es filiais de Cristo. Mais do que as palavras de intercess\u00e3o, deve-se, pelo contr\u00e1rio, multiplicar os intercessores, ou seja, invocar a prote\u00e7\u00e3o de Maria e dos Santos. Na festa de Todos os Santos, a Igreja pede a Deus para ser ouvida \u201cpela abund\u00e2ncia dos intercessores\u201d (\u201cmultiplicatis intercessoribus\u201d).<\/p>\n<p>Multiplicam-se os intercessores at\u00e9 quando se rezam uns pelos outros. Diz Santo Ambr\u00f3sio:<\/p>\n<p>&#8220;Se voc\u00ea orar por voc\u00ea, s\u00f3 voc\u00ea vai orar por voc\u00ea, e se cada um s\u00f3 reza por si, a gra\u00e7a que alcan\u00e7a ser\u00e1 menor com rela\u00e7\u00e3o \u00e0quele que intercede pelos outros. Ora, dado que os indiv\u00edduos rezam por todos, acontece tamb\u00e9m que todos rezam pelos indiv\u00edduos. Portanto, para concluir, se voc\u00ea reza somente por voc\u00ea, voc\u00ea \u00e9 o \u00fanico que reza por voc\u00ea. Mas se, pelo contr\u00e1rio, voc\u00ea reza por todos, todos rezar\u00e3o por voc\u00ea, estando voc\u00ea no meio daqueles todos[13]\u201d.<\/p>\n<p>A ora\u00e7\u00e3o de intercess\u00e3o \u00e9, portanto, agrad\u00e1vel a Deus, porque \u00e9 mais livre de ego\u00edsmo, reflete mais de perto a gratuidade divina e est\u00e1 de acordo com a vontade de Deus, que quer \u201cque todos os homens sejam salvos\u201d (cf. 1 Tm 2, 4). Deus \u00e9 como um pai compassivo que tem o dever de punir, mas que tenta todas as desculpas poss\u00edveis para n\u00e3o ter que faz\u00ea-lo e \u00e9 feliz, em seu cora\u00e7\u00e3o, quando os irm\u00e3os do culpado conseguem det\u00ea-lo dessa puni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se faltam esses bra\u00e7os fraternos estendidos a Deus, Ele pr\u00f3prio reclama disso na Escritura: \u201cEle viu que n\u00e3o havia ningu\u00e9m, maravilhou-se porque ningu\u00e9m intercedia\u201d (Is 59, 16). Ezequiel transmite-nos esta lamenta\u00e7\u00e3o de Deus: &#8220;Busquei entre eles um homem que levantasse um muro e se colocasse na brecha perante mim, para defender o pa\u00eds, para que eu n\u00e3o o devastasse, por\u00e9m n\u00e3o o encontrei\u201d (Ez 22, 30).<\/p>\n<p>A palavra de Deus enfatiza o extraordin\u00e1rio poder que tem junto a Deus, pela sua pr\u00f3pria disposi\u00e7\u00e3o, a ora\u00e7\u00e3o daqueles que Ele colocou no comando do seu povo. Diz-se em um salmo que Deus havia decidido exterminar o seu povo por causa do bezerro de ouro, \u201cse Mois\u00e9s n\u00e3o tivesse se interposto diante dele para evitar a sua ira\u201d (cf. Sl 106, 23).<\/p>\n<p>Aos pastores e guias espirituais ouso dizer: quando, na ora\u00e7\u00e3o, voc\u00eas sentirem que Deus est\u00e1 zangado com o povo que vos foi confiado, n\u00e3o tomem rapidamente o partido de Deus, mas do povo! Assim fez Mois\u00e9s, at\u00e9 o ponto de protestar e de querer ser riscado, ele pr\u00f3prio, com eles, do livro da vida (cf. Ex 32, 32), e a B\u00edblia deixa claro que isto era justamente o que Deus queria, porque ele &#8220;abandonou a inten\u00e7\u00e3o de prejudicar o seu povo&#8221;. Quando se est\u00e1 diante do povo, ent\u00e3o, devemos dar raz\u00e3o, com toda a for\u00e7a, a Deus. Quando Mois\u00e9s, pouco depois, encontrou-se na frente do povo, ent\u00e3o se acendeu a sua ira: esmagou o bezerro de ouro, dispersou o p\u00f3 na \u00e1gua e fez as pessoas engolirem a \u00e1gua (cf. Ex 32: 19ss). Somente aquele que defendeu o povo diante de Deus e carregou o peso do seu pecado, tem o direito \u2013 e ter\u00e1 a coragem \u2013, depois, de brigar com o pr\u00f3prio povo, em defesa de Deus, como fez Mois\u00e9s.<\/p>\n<p>Terminemos proclamando juntos o texto que melhor reflete o lugar do Esp\u00edrito Santo e a orienta\u00e7\u00e3o trinit\u00e1ria da liturgia, que \u00e9 a doxologia final do c\u00e2non romano: &#8220;Por Cristo, com Cristo e em Cristo, a v\u00f3s, Deus Pai todo-poderoso, na unidade do Esp\u00edrito Santo, toda a honra e gl\u00f3ria, agora e para sempre. Am\u00e9m&#8221;.<\/p>\n<p>[Tradu\u00e7\u00e3o Th\u00e1cio Siqueira, ZENIT]<\/p>\n<p>[1] Cf. I. Ker, Newman, the Councils, and Vatican II, in \u201cCommunio\u201d. International Catholic Review, 2001, pp. 708-728.<\/p>\n<p>[2] Jo\u00e3o Paulo II, Carta apost\u00f3lica A Concilio Constantinopolitano I, 25 marzo 1981, in AAS 73 (1981) 515-527.<\/p>\n<p>[3] R.Guardini, Vom Geist del Liturgie,\u00a0 23 ed., Gr\u00fcnewald 2013; J. Ratzinger, Der Geist del Liturgie, Herder, Freiburg, i.b., 2000.<\/p>\n<p>[4]\u00a0 Storia del concilio Vaticano II, organizado por G. Alberigo, vol. III, Bologna 1999, p 245 s.<\/p>\n<p>[5] SC, 7.<\/p>\n<p>[6] S. Bas\u00edlio de Cesareia, De\u00a0 Spiritu Sancto XVIII, 47 (PG 32 , 153).<\/p>\n<p>[7] B. Isacc de Stella, De anima (PL 194,\u00a0 1888).<\/p>\n<p>[8] NMI, 32.<\/p>\n<p>[9]\u00a0 S. Agostinho, Enarrationes in Psalmos 85, 1: CCL 39, p. 1176.<\/p>\n<p>[10] M. Dupuy, B\u00e9rulle, une spiritualit\u00e9 de l\u2019adoration, Paris 1964. .<\/p>\n<p>[11] P. de B\u00e9rulle,\u00a0 Discours de l&#8217;Etat et des grandeurs de J\u00e9sus (1623), ed. Paris 1986, Discours II, 12.<\/p>\n<p>[12] S. Bas\u00edlio, De Spiritu Sancto, XXVI,62 (PG 32, 181 s.).<\/p>\n<p>[13] S. Ambr\u00f3sio, De Cain et Abel, I, 39 (CSEL 32, p. 372).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: R\u00e1dio Vaticano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Papa Francisco e a C\u00faria Romana ouviram, nesta sexta-feira (19\/02), na Capela Redemptoris Mater, no Vaticano, a primeira prega\u00e7\u00e3o da Quaresma feita pelo frei capuchinho Raniero Cantalamessa. Na prega\u00e7\u00e3o intitulada \u201cA adora\u00e7\u00e3o em Esp\u00edrito e verdade. 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