{"id":13466,"date":"2016-02-19T11:44:02","date_gmt":"2016-02-19T13:44:02","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/02\/19\/coletiva-do-papa-aos-jornalistas-durante-o-voo-a-integra-das-perguntas-e-repostas\/"},"modified":"2017-06-02T10:06:10","modified_gmt":"2017-06-02T13:06:10","slug":"coletiva-do-papa-aos-jornalistas-durante-o-voo-a-integra-das-perguntas-e-repostas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/coletiva-do-papa-aos-jornalistas-durante-o-voo-a-integra-das-perguntas-e-repostas\/","title":{"rendered":"Coletiva do Papa aos jornalistas durante o voo: a \u00edntegra das perguntas e repostas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/ossrom95111_articolo.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Logo ap\u00f3s decolar de Ciudad Ju\u00e1rez, nesta quarta-feira (17\/02), o Papa manteve a tradicional coletiva de imprensa com os jornalistas a bordo do avi\u00e3o papal.<\/p>\n<p>Francisco respondeu aos questionamentos que foram desde os \u201cdesaparecidos\u201d mexicanos, passando pelos casos de pedofilia \u2013 ponto em que recordou a coragem de Bento XVI \u2013, sobre o aborto em caso de cont\u00e1gio por Zika v\u00edrus, a Declara\u00e7\u00e3o comum com o Patriarca russo, al\u00e9m de abordar a quest\u00e3o da comunh\u00e3o aos divorciados recasados, falar sobre as suas pr\u00f3ximas viagens e confidenciar o que lhe levou a aceitar um pr\u00eamio pela primeira vez.<\/p>\n<p>O Pont\u00edfice ainda respondeu a perguntas sobre a vota\u00e7\u00e3o no Parlamento italiano da lei sobre as uni\u00f5es civis entre pessoas do mesmo sexo; disse que proibiu na Argentina os &#8220;casamentos em apuros&#8221; e promoveu uma reflex\u00e3o aos jornalistas sobre como uma not\u00edcia deve ser dada e interpretada. Falando sobre as correspond\u00eancias entre Jo\u00e3o Paulo II e a fil\u00f3sofa polonesa, Francisco disse gosta sempre de ouvir o parecer das mulheres.<\/p>\n<p>Abaixo, a \u00edntegra da entrevista, em tradu\u00e7\u00e3o livre e com grifos da reda\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>Padre Lombardi: Santo Padre, obrigado por estar aqui, como ao final de cada viagem, para a conversa sint\u00e9tica, um grande apanhado sobre a viagem, e por sua disponibilidade em responder a tantas perguntas da\u00a0 nossa comunidade internacional. Pedimos, como sempre, aos diversos grupos lingu\u00edsticos que se organizassem e apresentassem algumas perguntas. Come\u00e7amos com os colegas mexicanos, naturalmente. Portanto, pedimos que responda em espanhol \u00e0s duas primeiras perguntas e, a seguir, em italiano, porque muitos colegas entendem melhor.<\/p>\n<p>(Maria Eugenia Jimenez \u2013 \u201cMilenio\u201d)<\/p>\n<p>Santo Padre, no M\u00e9xico existem milhares de desaparecidos, todavia o caso dos 43 de Ayotzinapa, \u00e9 um caso emblem\u00e1tico. Gostaria de pedir-lhe porque n\u00e3o encontrou seus familiares e tamb\u00e9m uma mensagem para os familiares dos milhares de desaparecidos.<\/p>\n<p>Papa Francisco: Se leres as mensagens, h\u00e1 refer\u00eancias continuas aos assassinatos, \u00e0s mortes, \u00e0 vida tomada por todas estas gangues do narcotr\u00e1fico, dos traficantes de seres humanos. Ou seja, o problema \u00e9 apresentado. Falei das chagas que o M\u00e9xico est\u00e1 sofrendo, n\u00e3o? Houve tentativas de receber alguns. Eram tantos grupos, mesmo opostos entre eles, com lutas internas. Portanto, prefiro dizer que na Missa se veem todos, na Missa de Ju\u00e1rez, se preferirem, ou em qualquer outra. Todavia, teria tido esta disponibilidade. Era praticamente imposs\u00edvel receber todos os grupos, que, de um lado, eram opostos entre eles.<\/p>\n<p>\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil de entender, para mim claramente que sou estrangeiro, verdade? Mas creio que, tamb\u00e9m a sociedade mexicana seja v\u00edtima de tudo isso: dos crimes, deste fazer desaparecer as pessoas, de descartar as pessoas. Sobre isso eu falei. Sendo um discurso p\u00fablico, podes constatar ali. \u00c9 uma dor muito grande que trago, porque este povo n\u00e3o merece um drama como este.<\/p>\n<p>(Javier Solorzano \u2013 \u201cCanal 11\u201d)<\/p>\n<p>Muito obrigado, Papa Francisco, muito obrigado. O tema da pedofilia, como sabe, tem ra\u00edzes muito perigosas no M\u00e9xico, muito dolorosas. O caso de padre Maciel deixou fortes sinais, sobretudo nestas v\u00edtimas. As v\u00edtimas continuam a sentir-se n\u00e3o protegidas da Igreja; muitos deles continuam a ser homens de f\u00e9, e alguns at\u00e9 mesmo seguiram o sacerd\u00f3cio. Pergunto o que pensa deste tema, se em qualquer momento pensou em encontrar as v\u00edtimas e, em geral, esta ideia que aos sacerdotes, quando s\u00e3o descobertos por um caso desta natureza, sejam somente trocados de par\u00f3quia e nada mais. Como v\u00ea este tema? E muito obrigado.<\/p>\n<p>Papa Francisco: Bem, come\u00e7o da segunda. Um bispo que troca um sacerdote de par\u00f3quia quando se reconhece um caso de pedofilia, \u00e9 um inconsciente, e o melhor que pode fazer \u00e9 apresentar sua ren\u00fancia. Claro? Segundo, voltando ao caso Maciel. E aqui, me permito de prestar homenagem ao homem que lutou em momentos em que n\u00e3o tinha a for\u00e7a para se impor, at\u00e9 que n\u00e3o conseguiu se impor: Ratzinger. O cardeal Ratzinger \u2013 um aplauso para ele! \u00c9 um homem que teve toda a documenta\u00e7\u00e3o. Quando era Prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, teve tudo em suas m\u00e3os, fez investiga\u00e7\u00f5es, obteve, obteve, obteve&#8230; mas n\u00e3o pode guiar a execu\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, se voc\u00eas recordarem, dez dias antes de morrer, S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II \u2013 naquela Via-Sacra da Sexta-feira Santa \u2013 disse a toda a Igreja que era preciso limpar as \u201cporcarias\u201d da Igreja, as imund\u00edcies. E a Missa \u201cPro Eligendo Pontefice\u201d \u2013 n\u00e3o \u00e9 um bobo, sabia que era um candidato \u2013 n\u00e3o usou m\u00e1scaras e disse exatamente a mesma coisa. Ou seja, foi o corajoso que ajudou tantos a abrir esta porta. Assim quero que voc\u00eas recordem dele porque, \u00e0s vezes, nos esquecemos deste trabalho escondido, daqueles que prepararam a estrada para desvelar esta p\u00e1gina. Terceiro, estamos trabalhando bastante. Com o cardeal secret\u00e1rio de Estado, estamos conversando, e tamb\u00e9m com o grupo dos novos cardeais conselheiros que, podem ouvir, decidiram nomear um terceiro secret\u00e1rio adjunto \u00e0 Doutrina da F\u00e9, para que se ocupe somente destes casos. A Congrega\u00e7\u00e3o, de fato, n\u00e3o \u00e9 suficiente com tudo aquilo que tem que se feito. Portanto, que saiba administrar isto. Al\u00e9m disso, foi constitu\u00edda a Corte de Apela\u00e7\u00e3o, presidida por mons. Scicluna, que se esta ocupando dos casos em segunda inst\u00e2ncia, quando se recorrer. O primeiro recurso, de fato, \u00e9 feito pela \u201cferia quarta\u201d da Doutrina da F\u00e9 \u2013 l\u00edamos \u2013 re\u00fane-se na quarta-feira. Quando h\u00e1 o recurso, volta-se \u00e0 primeira inst\u00e2ncia e isto n\u00e3o \u00e9 justo. Ent\u00e3o, o segundo recurso, perfeitamente legal, j\u00e1 com o advogado de defesa. Mas \u00e9 preciso apurar porque temos tantos atrasos nos casos, porque aparecem casos. Quarto, sobre outra coisa sobre a qual se esta trabalhando muito bem \u00e9 a Comiss\u00e3o para a tutela dos menores. N\u00e3o \u00e9 rigorosamente fechada aos casos de pedofilia, mas \u00e0 tutela dos menores. Ali, me reuni com uma inteira manh\u00e3 com seis dos integrantes \u2013 dois alem\u00e3es, dois irlandeses e dois ingleses: homens e mulheres, abusados, v\u00edtimas, n\u00e3o, e me reuni conta tantas v\u00edtimas&#8230; onde foi? No Equador? (Em Filad\u00e9lfia). Em Filad\u00e9lfia, me desculpem! Em Filad\u00e9lfia! Tamb\u00e9m l\u00e1, uma manh\u00e3, tive um encontro com as v\u00edtimas e sei que se est\u00e1 trabalhando. Mas eu agrade\u00e7o a Deus que esta p\u00e1gina tenha sido revelada, e \u00e9 preciso continuar a revel\u00e1-la, e tomar consci\u00eancia. E, por fim, quero dizer que \u00e9 uma monstruosidade, porque um sacerdote \u00e9 consagrado para levar uma crian\u00e7a a Deus e l\u00e1 se \u201caproveita\u201d dela como em um sacrif\u00edcio diab\u00f3lico, destruindo-a.<\/p>\n<p>Bem, no que diz respeito a Maciel, voltando \u00e0 Congrega\u00e7\u00e3o, foi feito uma interven\u00e7\u00e3o, e hoje a Congrega\u00e7\u00e3o, o governo da Congrega\u00e7\u00e3o, fez uma \u201csemi-inteven\u00e7\u00e3o\u201d. O Superior geral \u00e9 eleito pelo Conselho, pelo Cap\u00edtulo Geral, mas o Vig\u00e1rio \u00e9 eleito pelo Papa. Dois conselheiros gerais s\u00e3o eleitos pelo Cap\u00edtulo Geral e outros dois s\u00e3o eleitos pelo Papa, de modo tal que se ajude a controlar a hist\u00f3ria precedente.<\/p>\n<p>Papa Francisco: Quem n\u00e3o entendeu, pe\u00e7a a um espanhol que lhe explique o que eu disse&#8230;<\/p>\n<p>(Phil Pulella, \u201cReuters\u201d)<\/p>\n<p>Boa noite, Santidade. Hoje falou com muita eloqu\u00eancia dos problemas dos migrantes. Do outro lado da fronteira, todavia, existe uma campanha eleitoral muito acirrada. Um dos candidatos \u00e0 Casa Branca, o republicano Donald Trump, em uma entrevista recentemente disse que o senhor \u00e9 um homem pol\u00edtico e inclusive disse que talvez o senhor seja tamb\u00e9m uma pe\u00e7a de xadrez, um instrumento do governo mexicano para a pol\u00edtica de imigra\u00e7\u00e3o&#8230; Ele declarou que, se eleito, quer construir 2,5 mil quil\u00f4metros de cercas ao longo da fronteira, quer deportar 11 milh\u00f5es de imigrantes ilegais, separando assim fam\u00edlias, etc. Ent\u00e3o, queria perguntar, antes de tudo, o que pensa sobre estas acusa\u00e7\u00f5es contra o senhor e se um cat\u00f3lico estadunidense pode votar em uma pessoa assim.<\/p>\n<p>Papa Francisco: Gra\u00e7as a Deus que disse que sou um pol\u00edtico, porque Arist\u00f3teles define a pessoa humana como \u201canimal politicus\u201d: ao menos sou uma pessoa humana, eh? E que sou uma pe\u00e7a de xadrez, mas, talvez, n\u00e3o sei&#8230; deixo isso a seu ju\u00edzo, a ju\u00edzo das pessoas. E, depois, uma pessoa que pensa somente em levantar muros, seja onde seja,\u00a0 e n\u00e3o a fazer pontes, n\u00e3o \u00e9 crist\u00e3. Isso n\u00e3o est\u00e1 no Evangelho. Depois, aquilo que me dizias, o que aconselharia, votar ou n\u00e3o votar: n\u00e3o me envolvo. Somente digo: este homem n\u00e3o \u00e9 crist\u00e3o, se diz isto assim. \u00c9 preciso ver se ele disse assim as coisas, n\u00e3o? E por isso dou o benef\u00edcio da d\u00favida.<\/p>\n<p>(Jean-Louis de la Vaissi\u00e8re, \u201cFrance Presse\u201d)<\/p>\n<p>O encontro com o Patriarca russo Kirill e a assinatura da Declara\u00e7\u00e3o comum foi visto no mundo inteiro como um passo hist\u00f3rico. Mas agora, hoje j\u00e1, na Ucr\u00e2nia os greco-cat\u00f3licos sentem-se tra\u00eddos e falam de um \u201cdocumento pol\u00edtico\u201d, de apoio \u00e0 pol\u00edtica russa. Em campo, a guerra das palavras se acendeu novamente. Pensa de poder ir a Moscou? Foi convidado pelo Patriarca? Ou talvez de ir a Creta para saudar o Concilio pan-ortodoxo, na primavera?<\/p>\n<p>Papa Francisco: Come\u00e7o pelo final. Estarei presente, espiritualmente e com uma mensagem \u2013 gostaria de saud\u00e1-los pessoalmente no Conc\u00edlio pan-ortodoxo: s\u00e3o irm\u00e3os; mas devo respeitar. Mas sei que eles querem convidar observadores cat\u00f3licos: e isto \u00e9 uma bela ponte. Mas por tr\u00e1s dos observadores cat\u00f3licos estarei eu, rezando com os melhores aug\u00farios que os ortodoxos sigam adiante, adiante porque s\u00e3o irm\u00e3os e os seus bispos s\u00e3o bispos como n\u00f3s. Depois: Kirill. O meu irm\u00e3o. Nos saudamos, nos abra\u00e7amos e tivemos um col\u00f3quio de uma hora\u2026<\/p>\n<p>Padre Lombardi: \u2026 duas horas!<\/p>\n<p>Papa Francisco: \u2026 duas horas! \u2013 mais de uma hora\u2026 a velhice n\u00e3o vem sozinha, eh? Duas oras, nas quais falamos como irm\u00e3os, sinceramente e ningu\u00e9m sabe sobre o que se falou, somente aquilo que dissemos ao final, publicamente, do que provamos no conversar. Terceiro: aquele artigo, aquelas declara\u00e7\u00f5es na Ucr\u00e2nia. Quando eu o li, fiquei um pouco preocupado, porque era Svjatoslav \u0160ev\u010duk que disse que o povo ucraniano, ou alguns ucranianos ou tantos ucranianos, sentiram-se profundamente desiludidos e tra\u00eddos. Antes de tudo, conhe\u00e7o bem Svjatoslav: em Buenos Aires, por quatro anos, trabalhamos juntos.<\/p>\n<p>Quando ele foi eleito \u2013 aos 42 anos, eh? Um homem bom! \u2013 foi eleito arcebispo maior, voltou a Buenos Aires para pegar suas coisa. Veio at\u00e9 mim e me deu de presente um \u00edcone \u2013 pequeno assim \u2013 de Nossa Senhora da Ternura e me disse: \u201cEsta me acompanhou por toda a vida: quero deixa-la a ti, que me acompanhou nestes quatro anos\u201d. \u00c9 uma das poucas coisas que fiz trazer de Buenos Aires e que est\u00e1 na minha escrivaninha.<\/p>\n<p>Ou seja, \u00e9 um homem pelo qual tenho respeito e familiaridade, nos tratamos de \u201cvoc\u00ea\u201d, e assim&#8230; Segundo: por isso me pareceu um pouco estranho. E recordei uma coisa que disse aqui, a voc\u00eas: para entender uma not\u00edcia, uma declara\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso procurar a hermen\u00eautica de tudo. Mas, quando disseste isso? Em uma declara\u00e7\u00e3o de 14 de fevereiro passado, domingo: domingo passado.<\/p>\n<p>Uma entrevista que fez, selecionada pelo padre\u2026 n\u00e3o recordo, um sacerdote ucraniano. Na Ucr\u00e2nia, selecionada, e publicada. Aquela not\u00edcia, a entrevista \u00e9 de uma p\u00e1gina, duas e um pouco a mais: mais ou menos. Aquela not\u00edcia est\u00e1 no terceiro e \u00faltimo par\u00e1grafo, assim pequeno.<\/p>\n<p>Eu li a entrevista, e direi isto: \u0160ev\u010duk \u00e9 a parte dogm\u00e1tica, se declara filho da Igreja, em comunh\u00e3o com o Bispo de Roma, com a Igreja; fala do Papa, da proximidade do Papa, e dele, da sua f\u00e9, n\u00e3o?, e da f\u00e9 tamb\u00e9m do povo ortodoxo: na parte dogm\u00e1tica, nenhuma dificuldade, \u00e9 ortodoxa no bom sentido da palavra, ou seja, Doutrina cat\u00f3lica, n\u00e3o?<\/p>\n<p>Depois, como em todas as entrevistas \u2013 esta, por exemplo \u2013 cada um tem o direito de dizer as suas coisas, e isto n\u00e3o o fez sobre o encontro, porque sobre o encontro, diz: \u201cMas, \u00e9 uma coisa boa e devemos seguir em frente\u201d. Neste segundo cap\u00edtulo, as ideias pessoais que tem uma pessoas. Por exemplo, isto que eu disse sobre os bispos que transferem os padres ped\u00f3filos, o melhor que podem fazer \u00e9 demitir-se, \u00e9 uma coisa&#8230; n\u00e3o \u00e9 dogm\u00e1tica, mas \u00e9 aquilo que eu penso. E assim ele tem as suas ideias pessoas que s\u00e3o para dialogar, e tem o direito de haver.<\/p>\n<p>Tudo aquilo que ele diz \u00e9 sobre o documento: este \u00e9 o problema. Sobre o encontro&#8230; \u201cmas, este \u00e9 o Senhor, o Esp\u00edrito que segue adiante, o abra\u00e7o&#8230;\u201d: tudo vai bem. O Documento? \u00c9 um documento discut\u00edvel, e tamb\u00e9m h\u00e1 um acr\u00e9scimo: que a Ucr\u00e2nia vive um momento de guerra, de sofrimento, com tantas interpreta\u00e7\u00f5es. Eu citei o povo ucraniano pedindo ora\u00e7\u00f5es e proximidade tantas vezes, seja no Angelus como nas Audi\u00eancias de quarta-feira. Mas o fato hist\u00f3rico de uma guerra vivida como&#8230; cada um tem sua ideia, como \u00e9 esta guerra, quem a come\u00e7ou, como se faz, como n\u00e3o se faz&#8230; \u00c9 evidente que este \u00e9 um problema hist\u00f3rico mas tamb\u00e9m um problema pessoal, existencial daquela Pa\u00eds e fala do sofrimento. E ali, eu insiro este par\u00e1grafo: se entende os fi\u00e9is, porque Svjatoslav diz: \u201cTantos fi\u00e9is me chamaram ou escreveram dizendo que est\u00e3o profundamente desiludidos e tra\u00eddos por Roma\u201d: se entende que um povo naquela situa\u00e7\u00e3o sinta isso, n\u00e3o: Mas, o Documento \u00e9 discut\u00edvel sobre esta quest\u00e3o da Ucr\u00e2nia, mas l\u00e1 se diz que se termine a guerra e que se caminhe a acordos; eu, pessoalmente, defendi que os Acordos de Minsk prossigam, e n\u00e3o se apague com o cotovelo aquilo que foi escrito com as m\u00e3os, eh? A Igreja de Roma, o Papa sempre disse: \u201cProcurem a paz\u201d.<\/p>\n<p>Recebi ambos os presidentes \u2013 paridade, n\u00e3o? E por isso, quando ele diz que ouviu isso do seu povo, eu o entendo: o entendo. Mas n\u00e3o \u00e9 \u201ca\u201d not\u00edcia. \u201cA not\u00edcia\u201d \u00e9 tudo. Se voc\u00eas lerem toda a entrevista, ver\u00e3o que existem coisas dogm\u00e1ticas s\u00e9rias, que permanecem, h\u00e1 um desejo de unidade, de ir adiante, ecum\u00eanico, ele \u00e9 um homem ecum\u00eanico&#8230; Existem algumas opini\u00f5es&#8230; Ele me escreveu, quando soube da viagem, do encontro, mas como um\u00a0 irm\u00e3o, dando as suas opini\u00f5es de irm\u00e3o&#8230; N\u00e3o me desagrada o Documento, assim; n\u00e3o me desagrada no sentido que devemos respeitar as coisas que cada um tem a liberdade de pensar e naquela situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o dif\u00edcil. E de Roma&#8230; agora o n\u00fancio est\u00e1 na fronteira onde se combate, ajudando os soldados, os feridos; a Igreja de Roma enviou tantas ajudas, tantas ajudas l\u00e1; e sempre paz, acordos, se respeite o Acordo de Minsk&#8230; e assim. Este \u00e9 o todo. Mas, n\u00e3o se assustem com aquela frase: esta \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o, que uma not\u00edcia deve ser interpretada com a hermen\u00eautica do todo, n\u00e3o da parte.<\/p>\n<p>(Jean-Louis de la Vaissi\u00e8re)<\/p>\n<p>O Patriarca Kirill lhe convidou a ir a Moscou ?<\/p>\n<p>Papa Francisco: O Patriarca Kirill\u2026 eu preferiria\u2026 porque se digo uma coisa devo dizer uma outra e outra e outra: preferiria que aquilo sobre o que falamos n\u00f3s, sozinhos, seja somente aquilo que dissemos em p\u00fablico. Este \u00e9 um dado. E se digo isto, deverei dizer mais&#8230; n\u00e3o! Aquilo que eu disse em p\u00fablico, aquilo que ele disse em p\u00fablico, isto \u00e9 aquilo que se pode dizer do col\u00f3quio privado. Do contr\u00e1rio, n\u00e3o seria privado. Mas posso dizer: sa\u00ed feliz. E ele tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>(Carlo Marroni, \u201cIl Sole 24 Ore\u201d)<\/p>\n<p>Santo Padre, a minha pergunta \u00e9 sobre a fam\u00edlia, tema que o senhor afrontou nesta viagem. No Parlamento italiano est\u00e1 em discuss\u00e3o a lei sobre as uni\u00f5es civis, tema que tem levado a fortes embates pol\u00edticos, mas tamb\u00e9m a um forte debate na sociedade e entre os cat\u00f3licos. Neste particular, gostaria de saber o seu pensamento sobre o tema da ado\u00e7\u00e3o da parte das uni\u00f5es civis, e portanto, sobre os direitos das crian\u00e7as e dos filhos em geral&#8230; Obrigado.<\/p>\n<p>Papa Francisco: Antes de tudo, n\u00e3o sei como est\u00e3o as coisas no Parlamento italiano&#8230; O Papa n\u00e3o se envolve na pol\u00edtica italiana. Na primeira reuni\u00e3o que tive com os bispos, em maio de 2013, uma das tr\u00eas coisas que disse: \u201cCom o governo italiano, se virem voc\u00eas\u201d. Porque o Papa \u00e9 para todos, e n\u00e3o pode se meter na pol\u00edtica concreta, interna de um pa\u00eds: este \u00e9 o papel do Papa, n\u00e3o? E aquilo que penso \u00e9 aquilo que pensa a Igreja e disse em tantas&#8230; porque este n\u00e3o \u00e9 o primeiro pa\u00eds que faz esta experi\u00eancia: s\u00e3o tantos. Eu penso aquilo que a Igreja sempre disse sobre&#8230;<\/p>\n<p>(Paloma Garcia Ovejero, \u201cCope\u201d)<\/p>\n<p>Santo Padre, h\u00e1 algumas semanas h\u00e1 muita preocupa\u00e7\u00e3o em muitos pa\u00edses latino-americanos, mas tamb\u00e9m na Europa, sobre o v\u00edrus \u201cZika\u201d. O risco maior seria para as mulheres gr\u00e1vidas: h\u00e1 angustia. Algumas autoridades propuseram o aborto, ou de se evitar a gravidez. Neste caso, a Igreja pode levar em considera\u00e7\u00e3o o conceito de \u201centre os males, o menor\u201d?<\/p>\n<p>Papa Francisco: O aborto n\u00e3o \u00e9 um \u201cmal menor\u201d. \u00c9 um crime. \u00c9 descartar um para salvar o outro. \u00c9 aquilo que a m\u00e1fia faz, eh? \u00c9 um crime. \u00c9 um mal absoluto. Sobre \u201cmal menor\u201d: mas, evitar a gravidez \u00e9 \u2013 falemos em termos de conflito entre o quinto e o sexto Mandamento. Paulo VI, o Grande!, em uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, na \u00c1frica, permitiu \u00e0s religiosas de usar anticoncepcionais par aos casos de viol\u00eancia. N\u00e3o confundir o mal de evitar a gravidez, sozinho, com o aborto. O aborto n\u00e3o \u00e9 um problema teol\u00f3gico: \u00e9 um problema humano, \u00e9 um problema m\u00e9dico. Mata-se uma pessoa para salvar uma outra \u2013 nos melhores dos casos. Ou por conforto, n\u00e3o? Vai contra o Juramento de Hip\u00f3crates que os m\u00e9dicos devem fazer. \u00c9 um mal em si mesmo, mas n\u00e3o \u00e9 um mal religioso, ao in\u00edcio: n\u00e3o, \u00e9 um mal humano. Al\u00e9m disso, evidentemente, j\u00e1 que \u00e9 um mal humano \u2013 como todos assassinatos \u2013 \u00e9 condenado. Ao inv\u00e9s, evitar a gravidez n\u00e3o \u00e9 um mal absoluto: e, em certos casos, como neste, como naquele que mencionei do Beato Paulo VI, era claro. Ainda, eu exortaria os m\u00e9dicos para que fa\u00e7am tudo para encontrar as vacinas contra estes dois mosquitos que trazem este mal: sobre isto se deve trabalhar. Obrigado.<\/p>\n<p>(Ludwig Ring-Eifel, \u201cKna\u201d)<\/p>\n<p>Santidade, dentro de poucas semanas, o senhor vai receber o Pr\u00eamio Carlos Magno, um dos pr\u00eamios mais prestigiosos da Comunidade Europeia. Tamb\u00e9m o seu predecessor, S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, recebeu este pr\u00eamio: fazia quest\u00e3o. E fazia quest\u00e3o tamb\u00e9m de promover a unidade europeia, que agora parece um pouco aos peda\u00e7os, primeiro com a crise do euro e agora com a crise dos refugiados: o senhor tem talvez uma palavra para n\u00f3s, nesta situa\u00e7\u00e3o de crise europeia?<\/p>\n<p>Papa Francisco: Primeiro, sobre o Pr\u00eamio Carlos Magno. Eu tinha o h\u00e1bito de n\u00e3o aceitar honorific\u00eancias ou doutorados, desde sempre: n\u00e3o por humildade, mas porque n\u00e3o gosto destas coisa. Um pouco de loucura \u00e9 bom ter, e n\u00e3o gosto. Mas neste caso, n\u00e3o digo \u201cfor\u00e7ado\u201d, mas \u201cconvencido\u201d com a santa e teol\u00f3gica teimosia do cardeal Kasper, que foi eleito por Aachen (Alemanha) para me convencer. E eu disse: \u201cSim, mas no Vaticano\u201d. E&#8230; disse isso; e ofere\u00e7o o pr\u00eamio para a Europa: que seja uma condecora\u00e7\u00e3o, um pr\u00eamio para que a Europa possa fazer aquilo que eu desejei em Estrasburgo: mais f\u00e1cil que n\u00e3o seja a \u201cav\u00f3-Europa\u201d, mas a \u201cm\u00e3e-Europa\u201d. Segundo. Outro dia, lendo as not\u00edcias sobre esta crise e isto: eu leio pouco, folheio somente um jornal \u2013 n\u00e3o digo o nome para n\u00e3o provocar ciumeiras, mas sabe-se&#8230; leio quinze minutos e depois pe\u00e7o informa\u00e7\u00f5es \u00e0 Secretaria de Estado.<\/p>\n<p>Uma palavra que me agradou, e me agradou \u2013 n\u00e3o sei quem a aprova, quem n\u00e3o \u2013 \u201ca refunda\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia\u201d. E pensei aos grandes pais, eh? Mas, hoje, onde h\u00e1 um Schuman, um Adenauer? E estes frande, que no p\u00f3s-guerra \u201cfundaram\u201d a Uni\u00e3o Europeia\u2026 E eu gosto, esta ideia da refunda\u00e7\u00e3o: oxal\u00e1 se se pudesse fazer! Porque a Europa, n\u00e3o diria que \u00e9 \u201c\u00fanica\u201d, mas tem uma for\u00e7a, uma cultura, uma hist\u00f3ria que n\u00e3o pode ser desperdi\u00e7ada, e devemos fazer tudo para que a Uni\u00e3o Europeia tenha a for\u00e7a e tamb\u00e9m a inspira\u00e7\u00e3o de fazer ir adiante. N\u00e3o sei: \u00e9 isso que eu penso.<\/p>\n<p>(Anne Thompson, \u201cNbc News\u201d)<\/p>\n<p>Santo Padre, o senhor falou muito de fam\u00edlia e do Ano da Miseric\u00f3rdia, nesta viagem. Alguns se perguntam, como uma Igreja que se diz \u201cmisericordiosa\u201d pode perdoar mais facilmente um assassino do que quem se divorcia e casa novamente&#8230;?<\/p>\n<p>Papa Francisco: Mas, gostei da pergunta! Sobre a fam\u00edlia, falaram dois S\u00ednodos e o Papa falou durante todo o ano na catequese das quartas-feiras. E a pergunta \u00e9 verdadeira, me agrada, porque voc\u00ea a fez plasticamente bem, eh! No documento p\u00f3s-sinodal que sair\u00e1 \u2013 talvez antes da P\u00e1scoa \u2013 se retoma tudo aquilo que o S\u00ednodo \u2013 em um dos cap\u00edtulos, porque existem muitos \u2013\u00a0 fala sobre os conflitos ou sobre fam\u00edlias feridas, e a pastoral das fam\u00edlias feridas&#8230; \u00c9 uma das preocupa\u00e7\u00f5es. Assim como outra \u00e9 a prepara\u00e7\u00e3o ao matrim\u00f4nio. Pense voc\u00ea, que para se tornar padre, s\u00e3o oito anos de estudo, de prepara\u00e7\u00e3o, e depois, depois de um certo tempo, n\u00e3o consegue mais, pede a dispensa e vai embora e est\u00e1 tudo certo. Pelo contr\u00e1rio, para receber um Sacramento que \u00e9 para toda a vida, tr\u00eas quatro palestras&#8230; A prepara\u00e7\u00e3o ao matrim\u00f4nio \u00e9 muito importante: \u00e9 muito, muito importante, porque acredito que seja uma coisa que a Igreja, na pastoral comum \u2013 ao menos no meu pa\u00eds, na Am\u00e9rica do Sul &#8211;\u00a0 n\u00e3o valorizou muito. Por exemplo \u2013 agora n\u00e3o tanto, mas h\u00e1 alguns anos \u2013 na minha P\u00e1tria, havia o costume de&#8230; se chamava \u201ccasamento em apuros\u201d: casar rapidamente, porque vem um filho. E para cobrir socialmente a honra da fam\u00edlia&#8230;. Ali, n\u00e3o eram livres, e tantas vezes estes matrim\u00f4nios s\u00e3o nulos. E eu, como bispo, proibi os sacerdotes de fazerem isto&#8230; Que nas\u00e7a a crian\u00e7a, que continuem namorados, e quando sentem que \u00e9 para toda a vida, que sigam em frente. Mas existe uma aus\u00eancia do matrim\u00f4nio. Depois, outro cap\u00edtulo muito interessante: a educa\u00e7\u00e3o dos filhos. As v\u00edtimas dos problemas da fam\u00edlia s\u00e3o os filhos: os filhos. Mas tamb\u00e9m v\u00edtimas dos problemas da fam\u00edlia que nem marido nem a mulher querem: por exemplo, a necessidade de trabalho. Quando o pai n\u00e3o tem tempo livre para falar com os filhos, quando a m\u00e3e n\u00e3o tem tempo livre para falar com os filhos&#8230;. Quando eu confesso um casal que tem filhos, um matrim\u00f4nio, pergunto: \u201cQuantos filhos voc\u00eas tem?\u201d. E alguns se assustam dizendo: \u201cMas, o Padre me perguntar\u00e1 porque n\u00e3o tenho mais&#8230;\u201d. E eu direi: \u201cFarei para voc\u00ea uma segunda pergunta: voc\u00ea brinca com seus filhos?\u201d, e a maioria \u2013 quase todos! &#8211;\u00a0 dizem: \u201cMas, Padre, n\u00e3o tenho tempo: trabalho o dia todo\u201d. E os filhos s\u00e3o v\u00edtimas de um problema social que fere a fam\u00edlia. \u00c9 um problema&#8230; gosto da sua pergunta. E uma terceira coisa interessante, no encontro com as fam\u00edlias em Morelia \u2013 n\u00e3o: foi em Morelia?\u201d N\u00e3o&#8230; em Tuxtla, em Tuxtla \u2013 havia um casal de recasados em segunda-uni\u00e3o, integrantes da pastoral da Igreja&#8230; E a palavra-chave que usou o S\u00ednodo \u2013 e eu a peguei \u2013 \u00e9 \u201cintegrar na vida da Igreja as fam\u00edlias feridas, as fam\u00edlias de recasados\u201d, e tudo isto. Mas n\u00e3o esquecer as crian\u00e7as no centro, eh! S\u00e3o as primeira v\u00edtimas, quer pelas feridas quer pelas condi\u00e7\u00f5es de pobreza, de trabalho, de tudo isto&#8230;..<\/p>\n<p>(Anne Thompson, \u201cNbc News\u201d)<\/p>\n<p>Significa que poder\u00e3o comungar?<\/p>\n<p>Papa Francisco: Esta \u00e9 uma coisa&#8230;.\u00e9 a \u00faltima. Integrar na Igreja n\u00e3o significa \u201ccomungar\u201d, porque eu conhe\u00e7o cat\u00f3licos recasados que v\u00e3o \u00e0 igreja uma vez por ano, duas vezes: \u201cMas, eu quero comungar!\u201d, como se a comunh\u00e3o fosse uma honorific\u00eancia, n\u00e3o? Um trabalho de integra\u00e7\u00e3o&#8230; todas as portas est\u00e3o abertas. Mas n\u00e3o se pode dizer, (&#8230;) \u201cpodem comungar\u201d. Isto seria uma ferida tamb\u00e9m aos matrim\u00f4nios, ao casal, porque n\u00e3o far\u00e1 com que eles sigam por este caminho de integra\u00e7\u00e3o. E estes dois eram felizes! E usaram uma express\u00e3o muito bonita: \u201cN\u00f3s n\u00e3o fazemos a comunh\u00e3o eucar\u00edstica, mas fazemos comunh\u00e3o na visita ao hospital, nisto e naquilo&#8230;.\u201d. A integra\u00e7\u00e3o deles permaneceu ali. Se h\u00e1 alguma coisa a mais, o Senhor dir\u00e1 a eles, mas&#8230;..\u00e9 um caminho, \u00e9 uma estrada&#8230;.\u201d.<\/p>\n<p>(Antone-Marie Izoard, \u201cImedia\u201d)<\/p>\n<p>Santidade, boa noite. Permita-me antes, um pouco na brincadeira, de dizer o quanto n\u00f3s vaticanistas somos um pouco ref\u00e9ns da agenda do Santo Padre, e n\u00e3o podemos brincar com nossos filhos&#8230;. S\u00e1bado tem a audi\u00eancia jubilar, domingo tem o Angelus, e de segunda a sexta-feira se voa para trabalhar. Depois, um abra\u00e7o ao Alberto que, com Padre Lombardi, me fez entrar na R\u00e1dio Vaticano, h\u00e1 20 anos \u2013 estamos em fam\u00edlia&#8230;.<\/p>\n<p>Papa Francisco: \u2026 ele foi muito bom \u2026<\/p>\n<p>(Antone-Marie Izoard)<\/p>\n<p>Santidade: muitas m\u00eddias evocaram, de forma clamorosa, a \u201cintensa correspond\u00eancia\u201d entre Jo\u00e3o Paulo II e a fil\u00f3sofa estadunidense Anna Tymieniecka, que nutria \u2013 diz-se \u2013 um grande afeto pelo Papa polon\u00eas. Na sua opini\u00e3o, um Papa pode ter uma rela\u00e7\u00e3o t\u00e3o \u00edntima com uma mulher? E depois, se me permite, o senhor tem alguma importante correspond\u00eancia, conhece \u2013 ou conheceu \u2013 este tipo de experi\u00eancia&#8230;..<\/p>\n<p>Papa Francisco: \u201cIsto eu sabia, esta rela\u00e7\u00e3o de amizade entre S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II e esta fil\u00f3sofa, quando estava em Buenos Aires: uma coisa que se sabia, tamb\u00e9m os livros dela s\u00e3o conhecidos, e Jo\u00e3o Paulo II era um homem inquieto&#8230;. Depois, eu diria que um homem que n\u00e3o sabe ter uma boa rela\u00e7\u00e3o de amizade com uma mulher \u2013 n\u00e3o falo dos mis\u00f3ginos, eles s\u00e3o doentes \u2013 falta a ele alguma coisa. E eu, por experi\u00eancia pr\u00f3pria, tamb\u00e9m quando pe\u00e7o um conselho, pe\u00e7o a um colaborador, a um amigo, um homem, mas tamb\u00e9m gosto de ouvir o parecer de uma mulher: e te d\u00e3o tanta riqueza! Olham as coisas de um outro modo. Gosto de dizer que a mulher \u00e9 aquela que constr\u00f3i a vida no ventre e tem \u2013 mas esta \u00e9 uma compara\u00e7\u00e3o que eu fa\u00e7o, n\u00e3o? \u2013 e tem este carisma de te dar coisas para construir. Uma amizade com uma mulher n\u00e3o \u00e9 pecado: uma amizade. Uma rela\u00e7\u00e3o amorosa com uma mulher que n\u00e3o seja tua mulher, \u00e9 pecado. O Papa \u00e9 um homem, o Papa tem necessidade tamb\u00e9m do pensamento das mulheres. E tamb\u00e9m o Papa tem um cora\u00e7\u00e3o que pode ter uma amizade sadia, santa com uma mulher. Existem santos amigos \u2013 Francisco, Clara, Teresa, Jo\u00e3o da cruz&#8230;.N\u00e3o se assustem&#8230;Mas, as mulheres ainda s\u00e3o um pouco&#8230;.n\u00e3o bem consideradas, n\u00e3o totalmente&#8230;.n\u00e3o entendemos o bem que uma mulher pode fazer \u00e1 vida do padre e da Igreja, no sentido de um conselho, da ajuda, de uma amizade saud\u00e1vel. Obrigado!\u201d<\/p>\n<p>(Franca Giansoldati, \u201cIl Messaggero\u201d)<\/p>\n<p>Boa noite, santidade. Eu volto para o tema da lei que est\u00e1 para ser votada no Parlamento italiano: \u00e9 uma lei que, no final das contas, diz respeito tamb\u00e9m a outros Estados, porque outros Estados t\u00eam leis que tratam da uni\u00e3o entre pessoas do mesmo sexo. Existe um documento da Congrega\u00e7\u00e3o da F\u00e9, de 2003, que dedica um amplo espa\u00e7o a isto e tamb\u00e9m dedica um cap\u00edtulo ao comportamento que os parlamentares cat\u00f3licos devem ter diante desta lei, e se diz expressamente que os parlamentares cat\u00f3licos n\u00e3o devem votar esta lei. Visto que existe muita confus\u00e3o sobre isto, gostaria de pedir ao senhor, antes de tudo, se este documento de 2003 ainda tem valor, e efetivamente qual o comportamento que um parlamentar cat\u00f3lico deve ter? E depois, uma outra coisa: depois de Moscou, o Cairo: existe algum outro desgelo que se vislumbra no horizonte? Isto \u00e9, me refiro \u00e0 audi\u00eancia que o senhor deseja com o \u201cPapa dos sunitas\u201d \u2013 podemos cham\u00e1-lo assim -, com o Imame de al-Azhar?<\/p>\n<p>Papa Francisco: Sobre isto, foi Dom Ayuso ao Cairo, na semana passada, para encontrar o segundo dos Imames e tamb\u00e9m saudar o Imame. Dom Ayuso, \u00e9 Secret\u00e1rio do Cardeal Tauran, do Pontif\u00edcio Conselho para o Di\u00e1logo Inter-religioso. Eu quero encontr\u00e1-lo, sei que ele gostaria, e estamos buscando a melhor maneira: sempre atrav\u00e9s do Cardeal Tauran, porque este \u00e9 o caminho, n\u00e3o? Mas, conseguiremos. Sobre o primeiro tema: eu n\u00e3o recordo bem este documento de 2003 da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9. Mas um parlamentar cat\u00f3lico deve votar segundo a pr\u00f3pria consci\u00eancia \u201cbem formada\u201d, porque n\u00e3o \u00e9 a consci\u00eancia aquilo que me pare\u00e7a&#8230; eu me recordo quando foi votado o matrim\u00f4nio entre pessoas do mesmo sexo em Buenos Aires, que houve ali um empate, e no final algu\u00e9m disse, aconselhou ao outro: \u201cMas, tens isto claro?\u201d \u2013 \u201cN\u00e3o\u201d \u2013 \u201cNem eu\u201d \u2013 \u201cEnt\u00e3o vamos embora\u201d \u2013 \u201cSe sairmos, n\u00e3o alcan\u00e7ar\u00e3o o qu\u00f3rum\u201d. E o outro disse: \u201cMas se chegarmos ao qu\u00f3rum, damos o voto a Kirchner!\u201d, e o outro: \u201cMas, prefiro d\u00e1-lo a Kirchner e n\u00e3o a Bergoglio!\u201d&#8230;.. e em frente&#8230; Esta n\u00e3o \u00e9 uma consci\u00eancia bem formada, eh! E em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas do mesmo sexo, repito aquilo que disse na viagem do Rio de Janeiro e que est\u00e1 no catecismo da Igreja Cat\u00f3lica\u201d.<\/p>\n<p>(Javier Mart\u00ednez Brocal, \u201cRome Reports\u201d)<\/p>\n<p>Santo Padre, muito obrigado por esta viagem ao M\u00e9xico: foi uma honra acompanh\u00e1-lo e ter visto o que vimos (em espanhol). Passo ao italiano: ainda n\u00e3o chegamos em Roma e j\u00e1 estamos pensando nas futuras viagens, em fazer as malas novamente. Santo Padre, quando ir\u00e1s \u00e0 Argentina, onde esperam pelo senhor h\u00e1 tanto tempo, e, quando retornar\u00e1s \u00e0 Am\u00e9rica Latina ou ir\u00e1s \u00e0 China&#8230; Depois, durante esta viagem, o senhor falou muitas vezes em \u201csonhar\u201d: O que o senhor sonha?<\/p>\n<p>E, sobretudo, qual \u00e9 o seu pesadelo?<\/p>\n<p>Papa Francisco: A China\u2026. (riem) ir at\u00e9 l\u00e1: gostaria muito! Quero dizer uma coisa, uma coisa certa sobre o povo mexicano. \u00c9 um povo de uma riqueza, de uma riqueza t\u00e3o grande, \u00e9 um povo que surpreende&#8230; Tem uma cultura, uma cultura milenar&#8230; Voc\u00eas sabem que hoje, no M\u00e9xico, s\u00e3o faladas 65 l\u00ednguas, contando os ind\u00edgenas&#8230; 65! \u00c9 um povo de uma grande f\u00e9, tamb\u00e9m sofreu persegui\u00e7\u00f5es religiosas, existem m\u00e1rtires \u2013 agora vou canonizar dois, &#8230; dois ou tr\u00eas&#8230; \u00c9 um povo &#8230; n\u00e3o se pode explicar simplesmente porque a palavra \u201cpovo\u201d n\u00e3o \u00e9 uma categoria l\u00f3gica, \u00e9 uma categoria m\u00edtica. E o povo mexicano, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel explic\u00e1-lo, esta riqueza, esta hist\u00f3ria, esta alegria, esta capacidade de festa e estas trag\u00e9dias das quais voc\u00eas perguntaram. Eu n\u00e3o posso dizer outra coisa, que esta unidade, tamb\u00e9m que este povo tenha conseguido n\u00e3o fracassar, n\u00e3o acabar com tantas guerras, e coisas que acontecem agora&#8230; Mas ali, em Ciudad Ju\u00e1rez, havia um pacto de 12 horas de paz para a minha visita, depois continuar\u00e3o lutando entre eles, os traficantes&#8230; Mas um povo que tem ainda esta vitalidade, somente pode ser explicado por Guadalupe. E eu vos convido a estudar seriamente o \u201cacontecimento Guadalupe\u201d. Nossa Senhora est\u00e1 l\u00e1. Eu n\u00e3o encontro outra explica\u00e7\u00e3o. E seria bonito se voc\u00eas, como jornalistas, existem alguns bons livros que explicam, tamb\u00e9m explicam a pintura, como \u00e9, o que significa&#8230; E assim se poder\u00e1 entender um pouco este povo t\u00e3o grande, t\u00e3o bonito\u201d.<\/p>\n<p>(Caroline Pigozzi do \u201cParis Match\u201d)<\/p>\n<p>Sim, Santo Padre, boa noite. Duas coisas. Gostaria de saber algo. Gostaria de saber o que o senhor pediu \u00e0 Guadalupe, porque permaneceu muito tempo na igreja rezando para ela; depois, a segunda coisa, se o senhor sonha em italiano ou espanhol?<\/p>\n<p>Papa Francisco: \u201cSim, eu diria que sonho em esperanto&#8230;&#8230; (risos). N\u00e3o sei como responder isto, realmente. Algumas vezes sim, recordo, algum sonho em outra l\u00edngua, mas sonhar em l\u00edngua n\u00e3o, mas com figuras, sim; eh, a minha psicologia \u00e9 assim. Com palavras sonho pouco, n\u00e3o?<\/p>\n<p>E a primeira era?<\/p>\n<p>(Caroline Pigozzi )<\/p>\n<p>A primeira pergunta, Santidade, o Senhor esteve muito tempo rezando para Nossa Senhora&#8230;<\/p>\n<p>Papa Francisco: \u201cPedi pelo mundo, pela paz\u2026mas, tantas coisas\u2026. A pobrezinha ficou com a cabe\u00e7a assim&#8230;. Pedi perd\u00e3o, pedi para que a Igreja cres\u00e7a saud\u00e1vel, pedi pelo povo mexicano&#8230;.tamb\u00e9m, uma coisa que pedi muito \u00e9 que os padres sejam verdadeiros padres e as irm\u00e3s, verdadeiras irm\u00e3s e os bispos, verdadeiros bispos: como o Senhor nos quer. Isto pedi muito a ela, n\u00e3o? Mas depois, as coisas que um filho diz \u00e0 M\u00e3e s\u00e3o um pouco secretas&#8230;..Obrigado, Carolina&#8230;\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: R\u00e1dio Vaticano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Logo ap\u00f3s decolar de Ciudad Ju\u00e1rez, nesta quarta-feira (17\/02), o Papa manteve a tradicional coletiva de imprensa com os jornalistas a bordo do avi\u00e3o papal. Francisco respondeu aos questionamentos que foram desde os \u201cdesaparecidos\u201d mexicanos, passando pelos casos de pedofilia \u2013 ponto em que recordou a coragem de Bento XVI \u2013, sobre o aborto em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-13466","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13466","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13466"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13466\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27801,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13466\/revisions\/27801"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13466"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13466"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13466"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}