{"id":13426,"date":"2016-02-17T11:59:08","date_gmt":"2016-02-17T13:59:08","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/02\/17\/texto-discurso-o-papa-francisco-no-encontro-com-as-familias-no-mexico\/"},"modified":"2017-05-31T11:56:58","modified_gmt":"2017-05-31T14:56:58","slug":"texto-discurso-o-papa-francisco-no-encontro-com-as-familias-no-mexico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/texto-discurso-o-papa-francisco-no-encontro-com-as-familias-no-mexico\/","title":{"rendered":"TEXTO: Discurso o Papa Francisco no encontro com as fam\u00edlias no M\u00e9xico"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O Papa Francisco presidiu um multitudin\u00e1rio encontro com as fam\u00edlias no est\u00e1dio V\u00edctor Manuel Reyna. Aos presentes dirigiu o seguinte discurso:<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s!<\/p>\n<p>Dou gra\u00e7as a Deus por estar hoje nesta terra de Chiapas. \u00c9 bom estar neste solo, \u00e9 bom estar nesta terra, \u00e9 bom estar neste lugar que, gra\u00e7as a v\u00f3s, tem sabor de fam\u00edlia, de lar. Dou-Lhe gra\u00e7as pelos vossos rostos e pela vossa presen\u00e7a; agrade\u00e7o a Deus pelo palpitar da sua presen\u00e7a nas vossas fam\u00edlias. Obrigado tamb\u00e9m a v\u00f3s, fam\u00edlias e amigos, que nos oferecestes o vosso testemunho, abristes-nos as portas das vossas casas e as portas das vossas vidas; permitistes-nos sentar \u00e0 vossa \u00abmesa\u00bb onde partilhais o p\u00e3o que vos alimenta e o suor perante as dificuldades di\u00e1rias: o p\u00e3o das alegrias, da esperan\u00e7a, dos sonhos, e o suor perante as amarguras, as decep\u00e7\u00f5es e as quedas. Obrigado por nos terdes permitido entrar nas vossas fam\u00edlias, sentar \u00e0 vossa mesa, conhecer o vosso lar.<\/p>\n<p>Manuel, antes de te agradecer a ti pelo testemunho dado, quero agradecer aos teus pais, \u00e0s duas pessoas que est\u00e3o de joelhos diante de ti a segurar-te o papel. Vedes como \u00e9 bela esta imagem? Os pais de joelhos diante do filho, que est\u00e1 enfermo. N\u00e3o vos esque\u00e7ais desta imagem. \u00c9 poss\u00edvel que uma vez ou outra os dois se peguem. Qual \u00e9 o marido e qual \u00e9 a esposa que n\u00e3o se pega? Pior ainda quando a sogra mete bedelho\u2026, mas deixemos isso! A verdade \u00e9 que se amam e provaram-nos que se amam e, pelo amor que se t\u00eam, s\u00e3o capazes de se p\u00f4r de joelhos diante do seu filho enfermo. Obrigado, amigos, por este testemunho que deram e continuem. Obrigado! E a ti, Manuel, obrigado pelo teu testemunho e sobretudo pelo teu exemplo. Gostei da express\u00e3o \u2013 \u00abencher-se de vontade\u00bb \u2013 que usaste para descrever a atitude assumida depois de teres falado com os teus pais. Come\u00e7aste a encher-te de vontade para a vida, encher de vontade a tua fam\u00edlia, encher de vontade os teus amigos e encheste-nos de vontade a todos n\u00f3s aqui reunidos. Obrigado! Acho que isto \u00e9 o que o Esp\u00edrito Santo quer fazer sempre no meio de n\u00f3s: encher-nos de vontade, dar-nos motivos para continuar a apostar na fam\u00edlia, sonhar, construir uma vida com sabor a casa e a fam\u00edlia. Enchemo-nos de vontade? [respondem: sim]. Obrigado!<\/p>\n<p>E isto \u00e9 o que Deus Pai sempre sonhou e, por isto, Deus Pai lutou desde os tempos antigos. Naquela tarde, quando tudo parecia perdido no jardim do \u00c9den, Deus Pai encheu de vontade aquele jovem casal e mostrou-lhes que nem tudo estava perdido. E quando o povo de Israel sentia que n\u00e3o podia resistir mais na travessia do deserto, Deus Pai incitou-o a encher-se de vontade com o man\u00e1. E quando chegou a plenitude dos tempos, Deus Pai encheu de vontade a humanidade para sempre mandando-nos o seu Filho.<\/p>\n<p>Da mesma forma, todos n\u00f3s aqui presentes experimentamos, muitas vezes e de variados modos, que Deus Pai encheu de vontade a nossa vida. Mas porqu\u00ea? \u2013 podemos perguntar-nos. Porque n\u00e3o pode proceder diversamente. O nosso Pai Deus n\u00e3o pode deixar de nos querer bem e encher-nos de vontade, impelindo-nos e levando-nos para diante, n\u00e3o pode proceder diversamente, porque o seu nome \u00e9 amor, o seu nome \u00e9 dom gratuito, o seu nome \u00e9 dedica\u00e7\u00e3o, o seu nome \u00e9 miseric\u00f3rdia. Tudo isto no-lo deu a conhecer, em toda a sua for\u00e7a e clareza, no seu Filho Jesus, que gastou a sua vida at\u00e9 \u00e0 morte para tornar poss\u00edvel o Reino de Deus; um Reino que nos convida a participar naquela l\u00f3gica nova que p\u00f5e em movimento uma din\u00e2mica capaz de abrir os c\u00e9us, capaz de abrir os nossos cora\u00e7\u00f5es, as nossas mentes, as nossas m\u00e3os, desafiando-nos para novos horizontes; um Reino que tem sabor de fam\u00edlia, que tem sabor de vida partilhada. Este Reino, em Jesus e com Jesus, \u00e9 poss\u00edvel; \u00e9 capaz de transformar em vinho de festa as nossas perspectivas, atitudes e sentimentos frequentemente anaguados; \u00e9 capaz de curar os nossos cora\u00e7\u00f5es, convidando-nos repetidamente \u2013 chegando a setenta vezes sete \u2013 a recome\u00e7ar; \u00e9 capaz de fazer sempre todas as coisas novas.<\/p>\n<p>Manuel, pediste-me para rezar por tantos adolescentes que vivem desanimados e andam por maus caminhos. Quem o n\u00e3o sabe? Muitos adolescentes sem aud\u00e1cia, sem for\u00e7a, nem vontade. E muitas vezes, como disseste justamente Manuel, assumem este comportamento porque se sentem sozinhos, n\u00e3o t\u00eam ningu\u00e9m com quem conversar. Pensai, pais; pensai, m\u00e3es: conversais com vossos filhos e vossas filhas? Ou estais sempre ocupados, apressados? Jogais com vossos filos e vossas filhas? Isto fez-me lembrar o testemunho que nos deu Beatriz. Beatriz, tu disseste-nos: \u00abA luta sempre foi dif\u00edcil por causa da precariedade e da solid\u00e3o\u00bb. Quantas vezes te sentiste apontada, condenada, n\u00e3o foi? Pensemos em todas as pessoas, todas as mulheres que passam pelo que passou Beatriz. Pode-nos desesperar a precariedade, a escassez, ver-se privado muitas vezes do m\u00ednimo indispens\u00e1vel; pode fazer-nos sentir uma forte ansiedade, por n\u00e3o sabermos o que fazer para continuar\u2026 e mais ainda, quando h\u00e1 filhos para criar. A precariedade amea\u00e7a n\u00e3o s\u00f3 o est\u00f4mago (e isto \u00e9 j\u00e1 muito!), mas pode amea\u00e7ar tamb\u00e9m a alma, pode desmotivar-nos, tirar-nos a for\u00e7a e tentar-nos para caminhos ou alternativas com solu\u00e7\u00e3o s\u00f3 aparente que, no fim de contas, n\u00e3o resolve nada. Mas tu foste corajosa, Beatriz. Obrigado! H\u00e1 uma precariedade que pode ser muito perigosa e pode insinuar-se em n\u00f3s sem nos darmos conta: \u00e9 a precariedade que nasce da solid\u00e3o e do isolamento; e o isolamento \u00e9 sempre um mau conselheiro.<\/p>\n<p>Sem vos dardes conta, Beatriz e Manuel, usastes ambos a mesma express\u00e3o; ambos nos mostrastes como muitas vezes a maior tenta\u00e7\u00e3o que nos assalta \u00e9 a de nos fecharmos em n\u00f3s mesmos mas esta atitude, longe de encher-nos de vontade, acaba, como a tra\u00e7a, por nos corroer a alma, deixar a alma deserta.<\/p>\n<p>O combate contra esta precariedade e isolamento, que nos tornam vulner\u00e1veis a muitas solu\u00e7\u00f5es aparentes \u2013 como as que mencionava Beatriz \u2013, deve concretizar-se sob distintas formas e a diferentes n\u00edveis. Uma das formas \u00e9 por meio de leis que protejam e garantam o m\u00ednimo necess\u00e1rio para cada fam\u00edlia e cada pessoa poderem crescer atrav\u00e9s do estudo e dum trabalho digno. A outra forma \u00e9 o compromisso pessoal, como sublinharam os testemunhos de Humberto e Cl\u00e1udia, quando nos disseram que estavam a procurar transmitir-nos o amor de Deus que experimentaram no servi\u00e7o e assist\u00eancia aos outros. Leis e compromisso pessoal s\u00e3o um bin\u00f3mio muito \u00fatil para romper a espiral de precariedade. E v\u00f3s enchestes-vos de coragem, e v\u00f3s rezais, e v\u00f3s estais com Jesus, e v\u00f3s estais integrados na vida da Igreja. V\u00f3s usastes uma frase linda: \u00abcomungamos com o irm\u00e3o fr\u00e1gil, o doente, o necessitado, o prisioneiro\u00bb. Obrigado! Obrigado!<\/p>\n<p>Hoje vemos e experimentamos, em v\u00e1rias frentes, como a fam\u00edlia est\u00e1 a ser fragilizada e est\u00e1 a ser posta em discuss\u00e3o. Julgando-a um modelo j\u00e1 ultrapassado e sem lugar nas nossas sociedades, e, a pretexto de modernidade, favorece-se cada vez mais um sistema baseado no modelo do isolamento. E v\u00e3o-se inoculando nas nossas sociedades \u2013 e dizem-se sociedades livres, democr\u00e1ticas, soberanas! \u2013 v\u00e3o-se inoculando coloniza\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas que as destroem e acabamos por ser col\u00f3nias de ideologias destruidoras da fam\u00edlia, da c\u00e9lula da fam\u00edlia, que \u00e9 a base de toda a sociedade s\u00e3.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, viver em fam\u00edlia n\u00e3o \u00e9 sempre f\u00e1cil e, muitas vezes, \u00e9 doloroso e \u00e1rduo. Contudo, como disse j\u00e1 mais de uma vez (referindo-me \u00e0 Igreja, mas penso que se possa aplicar tamb\u00e9m \u00e0 fam\u00edlia), prefiro uma fam\u00edlia ferida que cada dia procura harmonizar o amor, a uma fam\u00edlia e sociedade enfermi\u00e7a pelo confinamento e ou a comodidade do medo de amar. Prefiro uma fam\u00edlia que procura uma vez e outra recome\u00e7ar a uma fam\u00edlia e sociedade narcisista e obcecada com o luxo e o conforto. \u00abQuantos filhos tendes?\u00bb \u00abNenhum; n\u00e3o temos porque, claro, gostamos de sair nas f\u00e9rias, fazer turismo, queremos comprar uma quinta\u00bb. O luxo e a comodidade; e os filhos ficam para tr\u00e1s. E, quando quisestes ter um\u2026, j\u00e1 o tempo tinha passado. Que grande dano faz isto? Prefiro uma fam\u00edlia com o rosto cansado pelos sacrif\u00edcios \u00e0 fam\u00edlia com rostos maquilhados que n\u00e3o se entendem de ternura e compaix\u00e3o. Prefiro um homem e uma mulher, como o senhor Aniceto e a esposa, com o rosto enrugado pelas lutas de todos os dias, que, passados mais de cinquenta anos, continuam a amar-se, como se v\u00ea; e o filho aprendeu a li\u00e7\u00e3o pois fazem vinte e cinco anos de casados. Estas s\u00e3o as fam\u00edlias! H\u00e1 pouco perguntei ao senhor Aniceto e \u00e0 sua senhora, quem teve mais paci\u00eancia nestes cinquenta e tantos anos: \u00abOs dois, padre\u00bb. Com efeito na fam\u00edlia, para se chegar ao que eles chegaram, \u00e9 preciso ter paci\u00eancia, amor, \u00e9 preciso perdoar-se. \u00abMas, padre, uma fam\u00edlia perfeita nunca discute!\u00bb Mentira! At\u00e9 \u00e9 conveniente que discutam de vez em quando, e, se voar algum prato, n\u00e3o tenham medo. O \u00fanico conselho \u00e9 que n\u00e3o terminem o dia sem fazer a paz; porque, se acabam o dia em guerra, v\u00e3o acordar j\u00e1 em guerra fria, e a guerra fria \u00e9 muito perigosa na fam\u00edlia, porque vai escavando por debaixo das rugas da fidelidade conjugal. Obrigado pelo testemunho de se amarem durante mais de cinquenta anos. Muito obrigado!<\/p>\n<p>E para variar um pouco de tema, mas sempre a prop\u00f3sito de rugas, recordo o testemunho duma grande atriz \u2013 uma atriz latino-americana de cinema \u2013 quando, j\u00e1 pr\u00f3xima da casa dos sessenta, se come\u00e7aram a ver as rugas na cara e aconselharam-lhe um \u00abarranjo\u00bb, um \u00abarranjito\u00bb para poder continuar a trabalhar bem. A sua resposta foi muito clara: \u00abEstas rugas custaram-me muito trabalho, muito esfor\u00e7o, muita afli\u00e7\u00e3o e uma vida sobrecarregada; nem por sonhos lhes quero tocar, s\u00e3o os vest\u00edgios da minha hist\u00f3ria\u00bb. E continuou a ser uma grande atriz. No casal, acontece o mesmo. A vida matrimonial tem que se renovar todos os dias. E, como disse antes, prefiro fam\u00edlias enrugadas, com feridas, com cicatrizes, mas continuam a caminhar para diante; porque estas feridas, estas cicatrizes, estas rugas s\u00e3o fruto da fidelidade a um amor que nem sempre foi f\u00e1cil. O amor n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil; n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, n\u00e3o. Mas \u00e9 a coisa mais linda que um homem e uma mulher podem trocar entre si: o verdadeiro amor, para toda a vida.<\/p>\n<p>Pediram-me para rezar por v\u00f3s e quero come\u00e7ar a faz\u00ea-lo agora mesmo. V\u00f3s, queridos mexicanos, partis avantajados, tendes um \u201cextra\u201d: tendes a M\u00e3e, Nossa Senhora de Guadalupe. A Guadalupana quis visitar estas terras e isto d\u00e1-nos a certeza de que, atrav\u00e9s da sua intercess\u00e3o, este sonho chamado fam\u00edlia n\u00e3o ser\u00e1 derrotado pela precariedade e a solid\u00e3o. Ela \u00e9 m\u00e3e e est\u00e1 pronta a defender sempre as nossas fam\u00edlias, a defender o nosso futuro, est\u00e1 sempre pronta a \u00abencher-nos de vontade\u00bb, dando-nos o seu Filho. Por isso, convido-vos assim como estais, sem vos moverdes muito, a dar-vos as m\u00e3os e a dizer a Ela todos juntos: \u00abAve-Maria&#8230;\u00bb.<\/p>\n<p>E n\u00e3o nos esque\u00e7amos de S\u00e3o Jos\u00e9, caladito, trabalhador, mas sempre \u00e0 frente da fam\u00edlia, sempre a cuidar da fam\u00edlia. Obrigado! Que Deus vos aben\u00e7oe e rezem por mim.<\/p>\n<p>E agora, neste ambiente de festa familiar, quero convidar os casais aqui presentes a renovarem, em sil\u00eancio, as suas promessas matrimoniais; e os noivos pe\u00e7am a gra\u00e7a de uma fam\u00edlia fiel e cheia de amor. Em sil\u00eancio, os casais renovem as promessas matrimoniais, e os noivos pe\u00e7am a gra\u00e7a de uma fam\u00edlia fiel e cheia de amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Acidigital<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Papa Francisco presidiu um multitudin\u00e1rio encontro com as fam\u00edlias no est\u00e1dio V\u00edctor Manuel Reyna. 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