{"id":1338,"date":"2011-10-17T14:01:23","date_gmt":"2011-10-17T16:01:23","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-processo-da-formiga\/"},"modified":"2017-03-20T10:52:41","modified_gmt":"2017-03-20T13:52:41","slug":"o-processo-da-formiga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-processo-da-formiga\/","title":{"rendered":"O processo da formiga"},"content":{"rendered":"<p>O juiz maranhense Jos\u00e9 Eul\u00e1lio Figueiredo acaba de lan\u00e7ar o livro O processo da formiga. Trata-se de um curioso processo criminal ocorrido h\u00e1 300 anos em um tribunal eclesi\u00e1stico na ent\u00e3o prov\u00edncia do Maranh\u00e3o. Segundo a narrativa, milhares de formigas foram sentenciadas por subtra\u00edrem da dispensa de um convento capuchinho a preciosa farinha que proporcionava o p\u00e3o de cada dia aos piedosos frades. Al\u00e9m do furto, os t\u00faneis que conduziam ao precioso alimento eram tantos e tamanhos que ofereciam riscos \u00e0 estrutura do convento.<\/p>\n<p>Diz o zeloso historiador \u00e0 reportagem da FSP: Antigamente, era comum animais ou objetos serem processados. E a Igreja era a que mais processava animais. Segundo ainda o jornal, na \u00e9poca, n\u00e3o havia o entendimento de que os animais n\u00e3o tinham consci\u00eancia do certo ou errado, e, como criaturas de Deus, os bichos eram submetidos \u00e0 Igreja. Na hist\u00f3ria, h\u00e1 casos de ratos excomungados e animais venenosos banidos por ordem de bispos, diz o juiz.<\/p>\n<p>O drama das ladras famigeradas, segundo o autor, possuiu um desfecho comum \u00e0 ideia dos dois pesos e uma medida. Apesar de terem um defensor nomeado pelo pr\u00f3prio tribunal, que defendeu a tese da a\u00e7\u00e3o radical em prol da sobreviv\u00eancia, as cidad\u00e3s do formigueiro sem princ\u00edpios \u00e9ticos foram condenadas. Nos dias de hoje seriam enquadradas no artigo 171. Mas, ao que parece, gozaram da impunidade j\u00e1 latente na pr\u00e1tica judicial desse pa\u00eds de antanho. Ontem, hoje e sempre?<\/p>\n<p>Deixemos as ironias que o caso suscita. O retrocesso a um processo com tais ingredientes s\u00f3 nos induz a reflex\u00f5es mais que hist\u00f3ricas, pois nos leva a imaginar o famigerado formigueiro que ainda hoje ataca os celeiros da f\u00e9 crist\u00e3. N\u00e3o somente um ninho de lava-p\u00e9s, nem de insignificantes formigas-doceiras, mas uma legi\u00e3o dos mais vorazes desses insetos, travestidos em suas seitas, filosofias, correntes pol\u00edticas e tradi\u00e7\u00f5es ditas culturais ou religiosas, atacam hoje as dispensas das reservas da f\u00e9 crist\u00e3. J\u00e1 n\u00e3o se trata de um simples abalo patrimonial, pois que h\u00e1 muito a ideia de Igreja hier\u00e1rquica ou institucional n\u00e3o prevalece sobre a defini\u00e7\u00e3o de Igreja, Povo de Deus. O que vemos acontecer em v\u00e1rios paises n\u00e3o crist\u00e3os \u00e9 uma guerra declarada ao patrim\u00f4nio maior da Igreja de Cristo, seus seguidores. Est\u00e1 em curso um ataque sistem\u00e1tico \u00e0 f\u00e9 dos que se declaram seguidores do nazareno, como se estes fossem portadores da mais abjeta das mensagens dirigidas \u00e0 humanidade.<\/p>\n<p>Para evitar maiores danos, a simples consci\u00eancia dessa amea\u00e7a j\u00e1 \u00e9 um grande passo. A pr\u00f3pria Igreja tem denunciado, com veem\u00eancia, as atrocidades que hoje se praticam contra seus seguidores. Uma institui\u00e7\u00e3o foi criada com o nome de AIS  Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre  e esta tem sido a porta-voz do grande martiriol\u00f3gio do terceiro mil\u00eanio, que n\u00e3o poupa ra\u00e7as, pa\u00edses ou institui\u00e7\u00f5es. J\u00e1 n\u00e3o se trata de um ato isolado de simples formiguinhas contra sobras de um bolo, mas sim de imensos formigueiros sem consci\u00eancia do certo ou errado, segundo a \u00f3tica crist\u00e3 ou segundo qualquer princ\u00edpio humano. \u00c9 certo: n\u00e3o vamos aqui restaurar um processo aos moldes do acima citado, pois que isto ser\u00e1 compet\u00eancia do Juiz Supremo, que j\u00e1 sentenciou: Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a v\u00f3s (Jo 15,18).<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m \u00e9 certo: da pr\u00f3pria formiga se extrai o pior dos venenos, a formicida. Pobres insetos, que desconhecem o mal que fazem a si pr\u00f3prios. Amea\u00e7am a estrutura de uma institui\u00e7\u00e3o s\u00f3lida, atemporal, acima das leis e das potestades&#8230; Pensam prestar culto a Deus, mas procedem deste modo, porque n\u00e3o conheceram o Pai, nem a mim (Jo 16,3). Ent\u00e3o vir\u00e1 o dia da senten\u00e7a final, quando os que defenderam as reservas da pr\u00f3pria f\u00e9 dar\u00e3o gl\u00f3rias ao juiz das causas perdidas. Vinde, Senhor Jesus!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O juiz maranhense Jos\u00e9 Eul\u00e1lio Figueiredo acaba de lan\u00e7ar o livro O processo da formiga. Trata-se de um curioso processo criminal ocorrido h\u00e1 300 anos em um tribunal eclesi\u00e1stico na ent\u00e3o prov\u00edncia do Maranh\u00e3o. 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